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Tag: mp3

Isaac Gracie – “Something Inside Me” (single) [download: mp3]

isaac gracie - something inside me (single)

Isaac Gracie, jovem cantor e compositor que já teve seu álbum de estréia e um EP resenhados aqui no blog, num dos textos publicados no ano de 2019, até hoje não deu o ar de sua graça com um segundo álbum, mas eventualmente dá sinal de existência com um single ou EP esporádico, como fez em 2023 ao lançar “Something Inside Me”, composto da faixa título e “The Man Who Flew Into Space”. A primeira, introduzida por alguns toques macios no piano, logo sucedido por uma bateria bem cadenciada, porém igualmente delicada, sugere aspirações folk-rock, porém não demora muito para que o registro agudo e emotivo de Isaac, que expõe a falta de rumo da rotina que vive quando lamenta e suplica pelo amor perdido, seja acompanhado por uma intensificação melódica que avoluma-se em uma profusão sonora de grandiloquência teatral, para então aquietar-se novamente em sua conclusão ao professar seu amor no mais resignado conformismo. A segunda, co-escrita com seu irmão, alterna violões, percussão e um eventual contrabaixo introspectivos com um refrão onde vocais sobrepostos ao piano, guitarras e a orquestração concebem uma harmonia suntuosa e resplandecente como uma luminosa manhã de primavera – puro desbunde musical.

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Isaac Gracie – “Something Inside Me” (single) [mp3]

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Evanescence – “Afterlife” (single) [download: mp3]

Sempre tratei com certo descaso a banda americana de metal rock Evanescence, liderada pela vocalista Amy Lee. Não se trata de simples arrogância, mas o fato de que o metal é uma das únicas vertentes do rock que não consigo apreciar o suficiente – não acho ruim, é somente o fato de que não encontro afinidade com as características melódicas que permeiam o gênero. No entanto, uma ou outra vez acabo me deparando com alguma música que consegue vencer o meu desdém – e foi o que aconteceu há coisa de dois meses quando o deus do algoritmo colocou na minha frente a canção que a banda compôs para a (dizem os fãs) famigerada adaptação em anime do clássico game Devil May Cry, produzida pela Netflix. Cliquei na canção movido pela curiosidade mórbida que as sugestões do algoritmo tem me incitado, já que se trata de uma banda cujo gênero não bate com meu gosto e eu já tinha conhecimento da opinião de parte dos fãs sobre o anime. Ainda bem que tenho esse amor pelo perigo, pois a faixa foi uma grata surpresa. Construída sobre guitarra e bateria intensas, com vocal irretocável de Amy Lee, que solta o gogó sem receios, a canção sucede densidade melódica com momentos de instrumentação mais contida, até entregar seu gran finale absurdo: um fulminante solo de guitarra sobre o grito distante da vocalista e um quase imperceptível teclado em segundo plano que dá a pitada emocional final para a melodia, todos em conjunto em um amálgama cinemático perfeito.

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Evanescence – “Afterlife” (single) [mp3]

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Health & Chelsea Wolfe – “Mean” (single) [download: mp3]

health and chelsea wolfe - mean (single)

Chelsea Wolfe, conhecida pelo seu rock de matizes dark com letras melancólicas e soturnas, juntou-se ao grupo eletrônico alternativo Health para dar voz ao single “Mean”, lançado em maio – a parceira talvez seja resultado da abertura musical do seu último álbum, She Reaches Out To She Reaches Out To She, onde a cantora flertou explicitamente com sonoridades mais sintéticas do que normalmente visto em seus discos anteriores, ampliando visivelmente seu arcabouço melódico. A união resultou em uma faixa que preserva a atmosfera industrial que é característica do grupo de Los Angeles, marcada pelo intenso martelar da bateria eletrônica que impulsiona o exército de sintetizações sonicamente “poluídas” sobre a qual a voz etérea e sombria de Chelsea lamenta o comportamento gratuitamente cruel de seu amante: “Você quis ser cruel sem qualquer motivo? Você descontou em mim por eu estar sozinha?” – uma faixa saborosa pra quem, como eu, não tem qualquer simpatia por uma balada, mas que ainda assim gosta de dançar no meio da sala ao som de uma boa música.

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Health & Chelsea Wolfe – “Mean” (single) [mp3]

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Suede – “Trance State” (single) [download: mp3]

suede: trance state - single

Em setembro é lançado Antidepressants, o novo álbum da veterana banda britânica Suede, um dos grandes nomes do que é considerado o britpop e que foi formada em 1989 pelo vocalista Brett Anderson. Como aperitivo do disco, duas canções já são conhecidas do público, ambas trazendo uma prévia da sonoridade punk, ou melhor dizendo, post-punk a que aludiu Anderson nas entrevistas sobre o futuro álbum. A primeira, “Trance State”, é introduzida pela cadência firme a acentuada da guitarra e um baixo saliente, quando Brett traz um registro vocal nitidamente amargurado que reverbera por sobre os acordes agudos e etéreos da guitarra, em um relato sobre um estado de anestesia da realidade, um nocaute emocional que lhe impede de acompanhar qualquer interação social (daí a razão da faixa encerrar com uma gravação com alertas típicos a quem faz uso de ansiolíticos); a segunda, “Disintegrate” entrega uma bateria mais robusta e sincopada que conduz guitarras densas e tortuosas, enquanto Anderson solta a voz com energia em um canto tenso e premente em versos que refletem poeticamente e extraem a beleza de uma relação conturbada: “desolação como uma arte, hesitação como uma crença, e você os segura como uma arma nas suas mãos”.

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Suede – “Trance State” (single) [mp3]

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Woodkid – Death Stranding 2: On The Beach [mp3: download]

woodkid for death stranding 2

O francês Yoann Lemoine, mais conhecido como Woodkid, além de um talentoso artista gráfico e diretor de vídeos, também é músico. Após The Golden Age em 2013, seu disco de estréia que já foi objeto de um texto aqui no blog, Woodkid compôs em 2016 a trilha sonora do filme Desierto, de Jonás Cuarón (filho de Alfonso Cuarón) e lançou seu segundo álbum em 2020. Na semana passada o artista retornou, desta vez como a estrela da trilha sonora de Death Stranding 2: On The Beach, sequência do jogo do diretor japonês Hideo Kojima, adorado e cultuado tanto pela mídia quanto por parte da comunidade gamer (um tanto exageradamente, a meu ver). Contemplativo, cinemático e surreal, o jogo original de 2019 teve a música dos grupos indie Low Roar e Silent Poets como pilares essenciais de sua atmosfera singular. Com a morte do principal membro do primeiro dos dois grupos, Hideo Kojima voltou-se para o francês Lemoine como sendo alguém capaz de levar a frente a tarefa de preservar a atmosfera particular da história através de sua música.
A empreitada sonora inicia-se com a canção que acabou sendo escolhida como o single do álbum, “To The Wilder”: acompanhado por uma base orquestral ao mesmo tempo pujante e melancólica e percussão de cadência firme, Woodkid entrega-se a expectativa de um dia reencontrar aquele que incentivou a partir e aventurar-se em seu próprio caminho pelo mundo. A centralidade da canção neste projeto fica evidente pela presença de mais 3 versões alternativas no disco: um dueto com a atriz Elle Fanning que amplia suas matizes cinematográficas, uma versão ao piano, em cujo despojamento pode-se apreciar com clareza a imensa beleza da melodia e a fragilidade emocional do vocal do artista francês, e uma inevitável versão instrumental, que não deixa dúvidas que continua intacta a capacidade de Woodkid de compor paisagens emocionais. A faixa seguinte, “Any Love of Any Kind” também é apresentada em duas versões, a primeira um dueto com Bryce Dessner, membro da banda The National, em forma de balada delicada com violão em primeiro plano e uma discreta base orquestral, a segunda substituindo quase completamente o instrumental da melodia pelo canto de um coral de crianças. Confesso preferir a segunda, pois apesar de a harmonia do violão retratar muito bem a sonoridade de jornada contemplativa que é própria de Death Stranding, a meu ver o vocal de Dressner não acrescenta nenhum tipo de contraste ao dueto, uma vez que se assemelha enormemente ao falsete do próprio Woodkid. Isso já não incomoda tanto na versão alternativa porque o coral de crianças, que substitui quase completamente o instrumental da melodia, inunda os ouvidos com comovente graciosidade. O expediente de utilizar um coral de crianças, diga-se, não se faz presente unicamente nesta faixa, pois é protagonista do interlúdio sonoro “Amekara Nijie”, desta vez cantando em japonês – certamente influência residual do trabalho do artista francês no seu álbum S16, cuja faixa “Minus Sixty-One”, onde Woodkid é acompanhado de um coral de crianças novamente cantando na língua oriental e onde ele tira amplo proveito da sonoridade magnífica de uma orquestra completa, é reaproveitada por ele nesta trilha sonora. As faixas restantes, em sua maioria instrumentais, se dividem entre servir como tema sonoro de algum personagem da história (caso de “Are You There”, um lamento sinistro e sentimental ao bebê Lou, e “Story of Rainy”, que no seu piano, orquestração de cordas e coral de colorações profundamente românticas ilustram o passado triste da personagem que dá nome a canção) ou servir de alicerce sonoro para sequências de gameplay (caso das faixas “Black Drift”, “Asphalt Maelstrom” e “Quiet Strike”, que em sua fusão de harmonias eletrônicas com orquestrais apresentam variações melódicas de um mesmo motivo sonoro).
Depois de ouvir com atenção o disco, fica evidente que Hideo Kojima, mesmo que eu não ache se tratar do grande gênio visionário propalado por mídia e fãs, foi inteligente e perspicaz ao selecionar Woodkid para o trabalho de transpor para o campo da música todos os seus devaneios narrativos, uma vez que ambos são estetas de carteirinha em uma interminável busca pela beleza épica audiovisual – como diz o ditado: boi preto conhece boi preto.

Baixe: Woodkid – Woodkid for Death Stranding 2: On The Beach [mp3]

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Muse – “Unravelling” (single) [download: mp3]

muse - unravelling (single)

O próximo álbum da banda britânica Muse ainda está sem data de lançamento e sem título definido, mas o primeiro single foi disponibilizado hoje nos serviços de streaming. Produzido pela banda, por Aleks Von Korff e pelo músico de apoio Dan Lancaster, que curiosamente também compôs a faixa em parceria com Matt Bellamy, “Unravelling” inicia com uma sinuosa programação de sintetizações, artifício melódico que há anos tem sido utilizado pela banda britânica com mais frequência do que eu desejaria e que apresentou seu ápice no nostálgico disco Simulation Theory, porém uma orgia de riffs de guitarra e a escandalosa intensidade de Dominic Howard na bateria ressuscitam uma sonoridade urgente e incendiária que não vemos de forma sólida nos discos do grupo britânico há cerca de 20 anos – é um aperitivo interessante, mas não significa que o prato principal (o futuro disco) não possa ser servido com ingredientes completamente distintos. Vamos aguardar.

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Muse – “Unravelling” (single) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005