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Tag: mp3

Alexander Wolfe – “Talk” (single) [download: mp3]

alexander wolfe - talk (single)

Eu tinha plena certeza de ter resenhado o álbum de estréia ou mesmo algum videoclipe do cantor britânico Alexander Wolfe na sua estréia há mais de quinze anos atrás, mas para minha própria decepção, não encontrei qualquer texto relacionado ao artista aqui no seteventos. Isso, no entanto, é um problema que estou corrigindo agora.
Desde o ano de 2019 sem um novo disco, Alexander lançou ontem seu novo single, “Talk”, que é apenas a sua segunda canção nova nestes últimos seis anos. A faixa, que tem por base um riff cíclico e contínuo pinçado no violão e conta com bateria, baixo e uma guitarra melódica adicional compondo uma melodia pop/rock empolgante que ganha de imediato os ouvidos, foi composta pelo cantor inglês quando descobriu que, estatisticamente, a maior causa de morte de homens britânicos é o suicídio, e por isso encontramos nela versos pungentes como “nós amamos os homens mortos cantando no nosso rádio, romantizamos seu medos, mas não conseguimos falar sobre o garoto da vizinhança que se matou ano passado”. Tendo o artista perdido uma amiga próxima pelo mesmo motivo (para quem compôs uma canção em 2021) e tendo ele próprio lutado com questões de saúde mental, Alexander indica no refrão, com um vocal potente e cheio de sentimento, que a solução é que os homens vençam o estigma de que expor seu sofrimento e conflitos internos é um sinal de fragilidade, pois, como bem diz nas letras, “tudo que eu sei é que você precisa conversar”.

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Alexander Wolfe – “Talk” (single) [mp3]

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Haerts – “The Lie” (single) [download: mp3]

haerts - the-lie (single)

Dupla alemã, porém radicada em New York, Haerts lançou três discos desde sua formação no início da década passada, o último deles em 2021. No começo deste mês, porém, Nini Fabi e Ben Gebert liberaram um single com duas novas canções do seu delicado indie pop, “The Lie” e “Woman On The Line”. As duas faixas dão uma prévia do quarto que será lançado em outubro e que está inserido no mesmo cenário dream pop dos discos mais recentes, que diferiram e muito da vibe pop/rock do disco de estréia.
O violão sutil e melancólico é o coração melódico da primeira faixa, abrindo o trajeto pelo qual caminham discretamente bateria e baixo, quando repentinamente a canção é tomada por camadas de guitarras e sintetizações de nuances nostálgicas que amplificam as matizes emocionais do vocal de Nini Fabi, que canta: “e eu tentei, e eu tentei, e eu disse sim a você até nós morrermos…e a promessa de ser verdadeira, mas eu menti”. Na segunda faixa, uma balada com a cantora Jenn Wasner, o violão é trocado por um piano de toques tristes, que conduz a melodia sob a qual uma programação atmosférica cresce lentamente junto com o pulso da percussão, até unirem-se na ponte sonora a uma orquestração que preenche a música de cor e luz como o sol da manhã após uma noite deprimente e solitária, o que coincide com as letras onde uma mulher externa toda a insatisfação que carrega há muito tempo sobre a vida que construiu com seu companheiro. Curiosamente, a canção nasceu inspirada pelo isolamento que a cantora experimentou na casa onde morou por anos com seu parceiro de banda (e marido) em Laguna Road (que deu nome ao próximo disco), uma localidade aparentemente pacata e frugal na California que o casal de músicos trocou pela agitação da megalópole New York tão logo concluiu a composição do novo disco – o que prova que “uma casa no campo” pode sim servir para você “compor muitos rocks rurais”, como diria Elis Regina, mas claramente “carneiros e cabras pastando solenes no jardim” não aquietam almas cosmopolitas.

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Haerts – “The Lie” (single) [mp3]

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Hoje – “Fado Amália” e “Barco Negro” (single) [download: mp3]

hoje - fado-amalia (single)

Fazendo quase 15 anos do lançamento do álbum (resenhado aqui no blog na época) que modernizou clássicos da icônica intérprete do fado, a portuguesa Amália Rodrigues, o projeto criado para o disco de 2010 com membros de diferentes bandas retornou ano passado com apresentações ao vivo nos palcos portugueses. Para celebrar o retorno, os músicos do Hoje gravaram então uma nova reinterpretação de mais um cânone da artista portuguesa, “Fado Amália” : na sempre grave e possante voz de Sónia Tavares, as letras melancólicas sobre uma mulher que por deus está destinada ao amor, mas ironicamente o desconhece, ganham um arranjo ao gosto do grupo, rico em orquestração de cordas que luxuosamente enfeitam a cadência determinada da bateria e os acordes tristes ao piano.

hoje- barco negro (single)
O retorno aos palcos e o lançamento do single acenderam a esperança de que o grupo lançaria um novo álbum, algo que o grupo ainda está avaliando. Mesmo sem a confirmação de um novo disco, a banda se reuniu novamente em estúdio para uma outra música que foi lançada este ano pelo grupo no dia 25 de Abril, data que celebra a Revolução dos Cravos, que deu fim ao Estado Novo português. A canção escolhida foi “Barco Negro”, que na verdade é uma versão de uma música brasileira chamada “Mãe Preta”. Originalmente composta por dois brasileiros e tratando das mazelas da escravidão, ao chegar em Portugal a canção não foi bem recebida pelo regime do Estado Novo, ganhando então novas letras em 1954 para a interpretação de Amália Rodrigues, que ganhou fama no filme francês “Os Amantes do Tejo”, onde a própria artista atua cantando em uma casa de fado, assim convertendo-se em um clássico português que eclipsou a versão original, o que não é nenhuma surpresa, visto que a nova letra composta pelo português David Mourão-Ferreira soa muito mais atemporal e universal ao retratar uma mulher que lamenta a perda do homem que amou, levado pela imensidão do mar. A regravação dos portugueses do Hoje conduz a canção em uma base percussiva contemporânea, repleta de reverberações acústicas e uma programação eletrônica que pontua dinamicamente a melodia sobre a qual os membros do grupo cantam em uníssono, o que evoca a atmosfera de um hino que embala uma longa jornada marítima. Agora só resta torcer para que a próxima vez que os músicos entrarem em um estúdio saiam de lá com um novo disco.

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Hoje – “Fado Amália” (single) [mp3]

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Hoje – “Barco Negro” (single) [mp3]

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Keaton Henson – “Lazy Magician” [feat. Julia Steiner] (single) [download: mp3]

keaton henson - lazy magician (single)

O consideravelmente recluso, mas produtivo cantor britânico de folk/rock Keaton Henson lançou ontem o single “Lazy Magician” em colaboração com a americana Julia Steiner, vocalista da banda de indie rock Ratboys. Inicialmente soando periclitante pela excessiva introspecção do vocal dissonante de Keaton com a guitarra e bateria minimalistas, a entrada do canto doce de Julia ilumina a canção, energizando o instrumental, que caminha em uma cadência mais confiante e polida. A melodia, então, revigora-se no refrão em dueto e desabrocha em pura vivacidade rockeira na ponte melódica, contrastando diretamente com as letras da canção, que trazem versos como “sou um mágico amador preguiçoso, eu não consigo nem me fazer desaparecer” e “sou uma acrobata voadora imperfeita, eu mal consigo me tirar da cama” – sim, é o lamento lírico dos fracassados com uma melodia imperfeita, mas em audições consecutivas a música revela seus predicados.

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Keaton Henson – “Lazy Magician” [feat. Julia Steiner] (single) [mp3]

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Isaac Gracie – “Something Inside Me” (single) [download: mp3]

isaac gracie - something inside me (single)

Isaac Gracie, jovem cantor e compositor que já teve seu álbum de estréia e um EP resenhados aqui no blog, num dos textos publicados no ano de 2019, até hoje não deu o ar de sua graça com um segundo álbum, mas eventualmente dá sinal de existência com um single ou EP esporádico, como fez em 2023 ao lançar “Something Inside Me”, composto da faixa título e “The Man Who Flew Into Space”. A primeira, introduzida por alguns toques macios no piano, logo sucedido por uma bateria bem cadenciada, porém igualmente delicada, sugere aspirações folk-rock, porém não demora muito para que o registro agudo e emotivo de Isaac, que expõe a falta de rumo da rotina que vive quando lamenta e suplica pelo amor perdido, seja acompanhado por uma intensificação melódica que avoluma-se em uma profusão sonora de grandiloquência teatral, para então aquietar-se novamente em sua conclusão ao professar seu amor no mais resignado conformismo. A segunda, co-escrita com seu irmão, alterna violões, percussão e um eventual contrabaixo introspectivos com um refrão onde vocais sobrepostos ao piano, guitarras e a orquestração concebem uma harmonia suntuosa e resplandecente como uma luminosa manhã de primavera – puro desbunde musical.

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Isaac Gracie – “Something Inside Me” (single) [mp3]

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Evanescence – “Afterlife” (single) [download: mp3]

Sempre tratei com certo descaso a banda americana de metal rock Evanescence, liderada pela vocalista Amy Lee. Não se trata de simples arrogância, mas o fato de que o metal é uma das únicas vertentes do rock que não consigo apreciar o suficiente – não acho ruim, é somente o fato de que não encontro afinidade com as características melódicas que permeiam o gênero. No entanto, uma ou outra vez acabo me deparando com alguma música que consegue vencer o meu desdém – e foi o que aconteceu há coisa de dois meses quando o deus do algoritmo colocou na minha frente a canção que a banda compôs para a (dizem os fãs) famigerada adaptação em anime do clássico game Devil May Cry, produzida pela Netflix. Cliquei na canção movido pela curiosidade mórbida que as sugestões do algoritmo tem me incitado, já que se trata de uma banda cujo gênero não bate com meu gosto e eu já tinha conhecimento da opinião de parte dos fãs sobre o anime. Ainda bem que tenho esse amor pelo perigo, pois a faixa foi uma grata surpresa. Construída sobre guitarra e bateria intensas, com vocal irretocável de Amy Lee, que solta o gogó sem receios, a canção sucede densidade melódica com momentos de instrumentação mais contida, até entregar seu gran finale absurdo: um fulminante solo de guitarra sobre o grito distante da vocalista e um quase imperceptível teclado em segundo plano que dá a pitada emocional final para a melodia, todos em conjunto em um amálgama cinemático perfeito.

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Evanescence – “Afterlife” (single) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005