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Tag: pop-britanico

Hayla – “Heal” (single) [vídeo, download: mp3]

hayla - heal (single, 2026)

Desde 2018 a voz da britânica Hayley Williams, conhecida como Hayla, tem batido ponto na cena eletrônica em faixas de artistas como Kx5 (projeto conjunto de Deademau5 e Kaskade) e John Summit, e até mesmo em Dusk, seu único álbum lançado até hoje, a artista continuou mergulhando fundo no gênero ao fundi-lo com elementos pop. No entanto, isso mudou no último dia 10, quando a inglesa lançou “Heal”, seu mais novo single.

hayla - heal (single, 2026) post 01
Conhecida na cena eletrônica, a britânica Hayla lançou uma balada melancólica e luxuosa onde demonstra todo o potencial de sua voz

Contando com a participação do norueguês Magnus Skylstad, parceiro constante da cantora Aurora, Hayla investe no potencial emotivo de sua voz para construir uma melodia poderosa que difere radicalmente de seu trabalho até hoje. A faixa é introduzida com não mais do que um piano de toques misteriosos e algumas distorções atmosféricas que materializam uma bruma sonora por onde a voz da cantora abre caminho entre o silêncio para manifestar sua ansiedade afetiva cantando “quero que você cure as partes de mim que ninguém vê, tenho medo, mas é bom para mim o que se esconde por trás do despertar”. Uma percussão lenta e sofrida adentra a sequência melódica final para intensificar o drama ostentado no vocal da inglesa, agora pronunciado em toda sua melancolia épica.

A versão ao vivo, gravada este ano em uma sessão na igreja antiga de St. Pancras de Londres com a adição de um quarteto de cordas, traz ainda mais a superfície o tecido soturno e cinemático da faixa e comprova que o vocal de Hayla é um atributo natural, sem o apoio de artifícios de estúdio. Como fã de baladas pujantes que fogem do pop convencional, espero que a artista adote essa nova persona dark imagética para um novo álbum.

Hayla – “Heal” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Hayla - Heal (Single) - 2026
Hayla - Heal (Single) - 2026

Ouça (Deezer):

Hayla - Heal (Single) - 2026
Hayla - Heal (Single) - 2026

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Tanita Tikaram – “I Think of You (E Penso a Te)” (single) [download: mp3]

tanita-tikaram - i think of you (e penso a te) (single, 1996)

Como fazem muitos artistas, Tanita Tikaram terminou seu contrato com a gravadora Warner Music lançando em 1996 uma coletânea composta de seus singles mais emblemáticos até aquele momento. Prática comum das gravadoras para este tipo de lançamento, a cantora britânica incluiu uma faixa inédita especialmente gravada para o álbum: “I Think of You (E Penso a Te)”, originalmente lançada por Lucio Battisti – um clássico da música romântica italiana dos anos 70.

tanita-tikaram - i think of you (e penso a te) (single, 1996) post 01
O pop romântico da canção bônus da coletânea de 1996 definiu a sonoridade daquele que seria o próximo álbum de Tanita Tikaram

Contando com produção dos também italianos Marco Sabiu e Charlie Mallozzi, o cover contém características comumente encontradas em baladas da década de 90, como os synths ao fundo pintando a faixa com cores de fantasia, mas é sem dúvidas o piano elétrico, onipresente no gênero à época, que ao lado de um violão cúmplice traz para a canção a melancolia necessária para Tanita Tikaram encontrar sua voz pop-romântica: inicialmente com um registro vocal mais contido e frágil, seu vocal cresce junto com a música até render-se por completo – sem amarras – na grandiosa sequência final com múltiplas camadas de vocalizações melódicas que se embalam com bateria, piano, baixo e teclados em uma dança repleta de devoção. O trabalho de Marco Sabiu na faixa agradou tanto a cantora que acabou servindo de inspiração para criar ao lado dele aquele que seria seu disco mais acessível até então: The Cappuccino Songs, o ótimo álbum inspirado na música italiana contemporânea lançado em 1998, é uma recomendação instantânea – porque, convenhamos, não se vive apenas de lançamentos musicais.

Tanita Tikaram – “I Think of You (E Penso a Te)” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Tanita Tikaram - I Think of You (E Penso a Te) (Single) - 1996
Tanita Tikaram - I Think of You (E Penso a Te) (Single) - 1996

Ouça (Deezer):

Tanita Tikaram - I Think of You (E Penso a Te) (Single) - 1996
Tanita Tikaram - I Think of You (E Penso a Te) (Single) - 1996

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Talia Rae – “Euphoria”, “Blind in Love” e “Blue” (singles) [download: mp3]

talia rae - euphoria, blind in love, blue (singles, 2025, 2026)

Talia Rae é uma jovem cantora britânica emergente, mas que já conseguiu um pouco de projeção quando cantou ao lado de David Gray na faixa “Plus & Minus”. Apesar dessa colaboração, a artista ainda não revelou planos de um primeiro álbum, se concentrando em lançar alguns singles muito bem produzidos que se situam dentro nos domínios de um pop mais adulto, menos “frutado” e juvenil do aquele que domina as plataformas digitais. É o caso de “Euphoria”, sua faixa mais recente, que traz a garota exibindo a extensão do seu vocal sobre uma melodia conduzida por uma bateria gingada, uma guitarra de acordes alongados e elétricos, um baixo discreto e múltiplos vocais de fundo harmoniosos que servem ao propósito de sonorizar o júbilo amoroso que a cantora, com sua voz calorosa e potente, mostra ser tão intenso que se reflete nos versos “se eu explodir, te libertarei” e uma “uma ponte escalando sobre o mar”.

talia rae - euphoria, blind in love, blue (singles, 2025, 2026) post 01
A voz calorosa e potente da Talia Rae embala três singles de um pop luxuoso

“Blind in Love”, lançado um pouco antes, segue a mesma atmosfera pop contemporânea, mas aproxima-se ainda mais do trabalho feito por cantoras como Adele, não apenas pelo vocal potente e carregado de emoção ao cantar sobre a tentativa da cantora de libertar uma mulher enredada em um romance nocivo, mas pela presença de uma harmonia de cordas que agrega-se bem à melodia lânguida da guitarra e complementa o compasso animado de baixo e bateria. Já “Blue”, o último dos singles em destaque, muda o tom e se entrega à “fossa” em uma balada introduzida por um piano suave que logo é suplantado por uma guitarra melancólica e uma orquestração expansiva sobre a qual o vocal da jovem ecoa e se adensa junto com a música, lamentando um romance que já não existe mais – se a inglesa de apenas 23 anos mantiver o mesmo nível de qualidade demonstrado até aqui em suas composições, podemos em breve ter um ótimo disco para embalar tanto os momentos de entusiasmo romântico quanto os inevitáveis desgostos amorosos que pontuam nossas vidas.

Talia Rae – “Euphoria”, “Blind in Love” e “Blue” (Singles) [mp3]

Ouça (Spotify):

Talia Rae - Euphoria, Blind in Love, Blue (Singles) - 2026, 2025
Talia Rae - Euphoria, Blind in Love, Blue (Singles) - 2026, 2025

Ouça (Deezer):

Talia Rae - Euphoria, Blind in Love, Blue (Singles) - 2026, 2025
Talia Rae - Euphoria, Blind in Love, Blue (Singles) - 2026, 2025

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A Thousand Mad Things – Cry and Dance (EP) + “She’s On The Run (She Bleeds)” (Single) [download: mp3]

a thousand mad things - cry and dance (ep, 2025)

Depois de um par de experimentos por volta de 2020, o britânico Will Barradale uniu-se ao produtor e amigo Mike Peden para cristalizar seu projeto musical, que batizou como A Thousand Mad Things – um dos versos do demo que lançou há cinco anos atrás. O primeiro fruto desta parceria artística é o EP Cry and Dance, um compêndio de cinco canções nos domínios do darkwave e synth pop onde extravasa suas influências musicais de bandas e artistas da cena pop alternativa dos anos 80 – como na primeira faixa, “Wide Awake”, onde o beat pop-dançante e os synths de bass ondulantes, que preenchem a melodia com matizes ao mesmo tempo dark e vibrantes, tem forte influência do Depeche Mode em início de carreira e do new wave de bandas como The Human League. “Girl”, tem uma certa pegada de Soft Cell na cadência mecânica do beat contínuo que é base da melodia, enquanto a melancolia de uma sutil orquestração de cordas dá a deixa para que Will, com suas várias encarnações vocais sobrepostas, invista na emoção ao cantar sobre uma amiga inconsequente que o importuna em meio a um idílio erótico com um provável bad boy. O conteúdo das letras funciona como um prelúdio para a faixa seguinte, “Local Guys”, onde uma batida motorik intoxicante funde-se a melancólica dos synths e do baixo eletrônico para a poção perfeita onde Will incorpora uma fusão de Peter Murphy (do Bauhaus) e Dave Gahan para sublimar seu canto sobre o masoquismo emocional ao ser destratado pelos homens (possivelmente de uma sexualidade oposta a sua) que buscava obsessivamente a altas horas pelas ruas da Inglaterra.

a thousand mad things - cry and dance (ep, 2025) review 01
EP de A Thousand Mad Things traz um darkwave dançante e soturno inspirado no pop alternativo dos anos 80

Na penúltima faixa, “She’s On The Run”, Will e Mike investem em um beat dançante de cadência controlada e um baixo eletrônico marcante, que criam a pista perfeita para que as sintetizações algo voláteis de tessituras assumidamente misteriosas dancem com desenvoltura na canção que fala sobre uma garota que compulsivamente busca se relacionar com os piores homens – a versão alternativa “She’s On The Run (She Bleeds)” intensifica a sensação de urgência através de uma cadência ainda mais dançante em detrimento da atmosfera dark e adiciona um caráter onírico ao submeter os vocais a reverberações, ecos e delays. Despindo-se das vestes soturnas do darkwave e da euforia das bases dançantes das faixas anteriores compostas em parceria com Peden, Will Barradale opta por fechar o EP com os vocais etéreos sobrepostos a uma base eletrônica delicada em “My Car”, que evocam a mesma atmosfera contemplativa, sutil e serena do Legião Urbana de tonalidades mais intimistas que podemos ouvir em “Por Enquanto”, “Índios” e “Vento No Litoral” – a conclusão ideal não parar chorar depois de dançar, como sugere o título do disco, mas talvez para equalizar o espírito depois de toda a agitação urbana que a precede.

Baixe: A Thousand Mad Things – Cry and Dance (EP) + “She’s On The Run (She Bleeds)” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

A Thousand Mad Things - Cry and Dance (EP)
A Thousand Mad Things - Cry and Dance (EP)

Ouça (Deezer):

A Thousand Mad Things - Cry and Dance (EP)
A Thousand Mad Things - Cry and Dance (EP)

Ouça (Spotify):

A Thousand Mad Things - She’s On The Run (She Bleeds) (Single)
A Thousand Mad Things - She’s On The Run (She Bleeds) (Single)

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A Thousand Mad Things - She’s On The Run (She Bleeds) (Single)
A Thousand Mad Things - She’s On The Run (She Bleeds) (Single)

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Tanita Tikaram – “This Perfect Friend” (single) [download: mp3]

tanita tikaram - this perfect friend single

Depois de 9 anos que foi lançado seu último disco, Closer To The People, a britânica the origem filipina Tanita Tikaram retorna em outubro deste ano com um novo álbum chamado Lair: Love Isn’t a Right, cujo primeiro single, “This Perfect Friend” foi liberado esta semana: sobre uma música doce e algo triste, que é introduzida por um piano delicado, bateria sutil e acompanhado por violoncelo que preenche a melodia de expectativa, Tanita se pergunta quem seria este “amigo perfeito” que seria capaz de ao mesmo tempo acalmar e perturbar seu espírito? A música prossegue, com os instrumentos unindo-se a um auspicioso violino para compor uma ponte melódica fulgurante que conclui com um piano repleto de suspense.

Baixe:
Tanita Tikaram – “This Perfect Friend” (single) [mp3]

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Goldfrapp – Head First. [download: mp3]

Goldfrapp - Head FirstA sonoridade obscura e complexa do disco Felt Mountain, que deu partida na carreira da dupla Alison Goldfrapp e Will Gregory, e a musicalidade lambuzada de todas as possíveis combinações do eletrônico com o pop, adotada por eles nos dois discos posteriores – Black Cherry e Supernature -, ganhou seu meio-termo nas melodias de contornos sutis entre o folk e o eletrônico do álbum Seventh Tree, lançado em 2008, servindo assim como um resumo do que a dupla já tinha produzido até então. Sem muito o que inventar no seu campo de atuação musical, os dois resolveram voltar os seus olhos (e ouvidos) ao passado, buscando nos anos 80 a inspiração para o novo disco, Head First. Inspiração é até um termo um tanto inexato, já que o disco cai de cabeça no estilo dominante do pop daqueles já distantes anos. Isso é pra lá de perceptível já na abertura do disco, “Rocket”, (já comentada por aqui), por conta dos volteios caudalosos dos sintetizadores e o beat comportado escandaradamente surropiados dos grandes hits da época. O artifício prossegue sem receios em “Alive”, porém aqui, além do groove pop e dos teclados cintilantes, há também a participação de acordes de piano e riffs de guitarra e baixo que bem poderiam ter servido de trilha para aqueles filmes em que os jovens da época enfrentavam os obstáculos mais tolos para só então perceber que o amor morava o tempo todo ao lado. “I Wanna Life”, mais ao final do disco, também fica na minha cabeça como soundtrack de sessão de cinema de sábado, mas a programação mais reflexiva das sintetizações, cheia de claps marcantes, e o vocal mais contido, com refrão marcado pela título da canção, me soa mais como aquelas sequências que preparam a “virada” do protagonista de um daqueles romances urbanos que mostram a busca da felicidade e do sucesso. Fazendo um pouco diferente, “Dreaming” sai um pouco do 80’s americano e envereda por uma programação eletrônica e sintetizações mais harmoniosas que caem nos ouvidos lembrando a combinação de ambientação e cadência sutilmente dançante matadora da New Wave européia – pense em algo feito há muito tempo por Depeche Mode e você vai ter idéia do que se trata. Os toques doces e nostálgicos de piano voltam para dar partida à faixa-título do disco, “Head First”, apoiados por ondas de sintetizadores e vocais tingidos da primeira a última nota nas harmonias que tanto se ouvia na frequências das FMs. Apesar do banho de atmosfera vintage, há em uma ou outra canção um certo vento de contemporaneidade, já que a batida quente que pulsa como base para a melodia, os samplers e loops que pontuam o refrão, a sintetizações que inundam a ponte melódica e o vocal aveludado à meia-voz de Alison em “Shiny and Warm” vibram na tonalidade inconfundível da sonoridade que lançou a dupla britânica à notoriedade tanto no segundo quando no terceiro álbum.
Agradável aos ouvidos nos primeiros contatos, um disco que se traveste com tanta firmeza com um som tão datado e não insere suficiente caráter de contemporaneidade corre o risco quase certeiro de cansar com o passar do tempo. Isso não ocorreria por ausência de qualidade, já que não é o caso, mas apenas porque a música que serve de referência tem uma identidade muito forte, fazendo quem ouve Head First se questionar se não seria melhor folhear o passado logo de uma vez e ouvir aquilo tudo que serviu de fonte para o duo Goldfrapp neste álbum. Mas mesmo que o déjà vu sonoro da dupla tenha essa consequência, o simples fato de jogar alguma luz para os ouvintes de hoje sobre a música da década de 80 já um fato bastante positivo. Apesar de considerado por muitos um período artisticamente fraco, se comparado com o que temos hoje, mesmo aqueles hits grudentos e batidinhos que ouvíamos tanto são um bálsamo para os ouvidos – e mesmo para o cérebro.

senha: seteventos

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005