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Tag: pop frances

Woodkid – Death Stranding 2: On The Beach [mp3: download]

woodkid for death stranding 2

O francês Yoann Lemoine, mais conhecido como Woodkid, além de um talentoso artista gráfico e diretor de vídeos, também é músico. Após The Golden Age em 2013, seu disco de estréia que já foi objeto de um texto aqui no blog, Woodkid compôs em 2016 a trilha sonora do filme Desierto, de Jonás Cuarón (filho de Alfonso Cuarón) e lançou seu segundo álbum em 2020. Na semana passada o artista retornou, desta vez como a estrela da trilha sonora de Death Stranding 2: On The Beach, sequência do jogo do diretor japonês Hideo Kojima, adorado e cultuado tanto pela mídia quanto por parte da comunidade gamer (um tanto exageradamente, a meu ver). Contemplativo, cinemático e surreal, o jogo original de 2019 teve a música dos grupos indie Low Roar e Silent Poets como pilares essenciais de sua atmosfera singular. Com a morte do principal membro do primeiro dos dois grupos, Hideo Kojima voltou-se para o francês Lemoine como sendo alguém capaz de levar a frente a tarefa de preservar a atmosfera particular da história através de sua música.
A empreitada sonora inicia-se com a canção que acabou sendo escolhida como o single do álbum, “To The Wilder”: acompanhado por uma base orquestral ao mesmo tempo pujante e melancólica e percussão de cadência firme, Woodkid entrega-se a expectativa de um dia reencontrar aquele que incentivou a partir e aventurar-se em seu próprio caminho pelo mundo. A centralidade da canção neste projeto fica evidente pela presença de mais 3 versões alternativas no disco: um dueto com a atriz Elle Fanning que amplia suas matizes cinematográficas, uma versão ao piano, em cujo despojamento pode-se apreciar com clareza a imensa beleza da melodia e a fragilidade emocional do vocal do artista francês, e uma inevitável versão instrumental, que não deixa dúvidas que continua intacta a capacidade de Woodkid de compor paisagens emocionais. A faixa seguinte, “Any Love of Any Kind” também é apresentada em duas versões, a primeira um dueto com Bryce Dessner, membro da banda The National, em forma de balada delicada com violão em primeiro plano e uma discreta base orquestral, a segunda substituindo quase completamente o instrumental da melodia pelo canto de um coral de crianças. Confesso preferir a segunda, pois apesar de a harmonia do violão retratar muito bem a sonoridade de jornada contemplativa que é própria de Death Stranding, a meu ver o vocal de Dressner não acrescenta nenhum tipo de contraste ao dueto, uma vez que se assemelha enormemente ao falsete do próprio Woodkid. Isso já não incomoda tanto na versão alternativa porque o coral de crianças, que substitui quase completamente o instrumental da melodia, inunda os ouvidos com comovente graciosidade. O expediente de utilizar um coral de crianças, diga-se, não se faz presente unicamente nesta faixa, pois é protagonista do interlúdio sonoro “Amekara Nijie”, desta vez cantando em japonês – certamente influência residual do trabalho do artista francês no seu álbum S16, cuja faixa “Minus Sixty-One”, onde Woodkid é acompanhado de um coral de crianças novamente cantando na língua oriental e onde ele tira amplo proveito da sonoridade magnífica de uma orquestra completa, é reaproveitada por ele nesta trilha sonora. As faixas restantes, em sua maioria instrumentais, se dividem entre servir como tema sonoro de algum personagem da história (caso de “Are You There”, um lamento sinistro e sentimental ao bebê Lou, e “Story of Rainy”, que no seu piano, orquestração de cordas e coral de colorações profundamente românticas ilustram o passado triste da personagem que dá nome a canção) ou servir de alicerce sonoro para sequências de gameplay (caso das faixas “Black Drift”, “Asphalt Maelstrom” e “Quiet Strike”, que em sua fusão de harmonias eletrônicas com orquestrais apresentam variações melódicas de um mesmo motivo sonoro).
Depois de ouvir com atenção o disco, fica evidente que Hideo Kojima, mesmo que eu não ache se tratar do grande gênio visionário propalado por mídia e fãs, foi inteligente e perspicaz ao selecionar Woodkid para o trabalho de transpor para o campo da música todos os seus devaneios narrativos, uma vez que ambos são estetas de carteirinha em uma interminável busca pela beleza épica audiovisual – como diz o ditado: boi preto conhece boi preto.

Baixe: Woodkid – Woodkid for Death Stranding 2: On The Beach [mp3]

Ouça:

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Woodkid – “I Love You” (Quintet Version – Live Acoustic) [vídeo, download: mp3]

Em uma das muitas entrevistas que concedeu recentemente devido o lançamento do seu debut The Golden Age, o talentoso artista francês Woodkid disse que seu disco de estréia não é um album pop, já que não há nas canções instrumentos comumente utulizados em composições do tipo, como guitarras, baixo e bateria, mas que qualquer destas músicas poderia muito bem ser convertida em algo do gênero em versões alternativas. E no dia de hoje, em uma participação na rádio France Inter, o cantor francês provou que está certo ao apresentar uma versão acústica de “I Love You” a qual utiliza-se apenas de piano e cordas – e apesar da simplicidade, devo dizer que esta versão, que conta com um andamento mais lento e melancólico, rivaliza em emoção com a original de estúdio.
Clique no link para fazer o download da canção em mp3.

http://www.mediafire.com/file/fq79j1tato4yrca/wood-i-love-you-live-acoustic-quintet-version.zip

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Woodkid – “I Love You” [video]

E finalmente teve sua estréia o tão esperado terceiro (e provavelmente último) vídeo a ser liberado pelo músico, compositor e diretor francês Woodkid antes do lançamento de The Golden Age, seu álbum de estréia. Após uma brevíssima referência ao personagem do garoto que foi introduzido no vídeo de “Iron” e que protagonizou o vídeo de “Run, Boy, Run”, somos apresentados à um personagem também retratado em “Iron”, o homem jovem que parece ser um sacerdote cristão, que neste vídeo chega para realizar seu culto em uma capela de um vilarejo de camponeses russos. Ao mesmo tempo que ele toca o órgão da igreja para os seus fiéis, nos é apresentado este jovem como um outro personagem em uma jornada através de um imponente e vasto deserto gelado e rochoso até chegar ao litoral, onde acaba por atirar-se no fundo do oceano. Esta história paralela, na verdade, é também contada pelo jovem sacerdote aos seus fiéis, já que ele introduz em russo o conto para eles como sendo sobre um homem que morre duas vezes: ao perder seu amor e ao se afogar nas águas geladas do oceano.
Inevitavelmente bem encenado, impecavelmente fotografado e espetacularmente elaborado, este novo vídeo Inicialmente aparenta ser mais simples do que os dois lançados por Woodkid, mas à medida que o curta se desenvolve vai sendo revelado o destino do desesperado jovem e a história torna-se mais imponente e espetacular, sendo fechada com um final misterioso e intrigante. Enquanto “Iron” e “Run, Boy, Run” tinham temáticas mais juvenis e apoteóticas, o vídeo de “I Love You” é um trabalho mais maduro e emocionante, deixando claro que Woodkid pode ir muito além das belas aventuras juvenis e épicas pelas quais ficou inicialmente conhecido – e confesso: de todos até o momento, este é o meu vídeo preferido.

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Woodkid – The Golden Age (+ 3 faixas bônus) [download: mp3]

Desde seu despontar na internet, com o lançamento em 2011 do videoclipe e do single “Iron”, venho acompanhando com ansiedade a tão aguardada estréia de Woodkid, pseudônimo do diretor, artista gráfico, compositor e cantor francês Yoann Lemoine. Como já se percebia desde o surgimento do vídeo, o artista europeu não faria sua estréia de modo simples: além dos obrigatórios lançamentos em formato digital e CD de áudio e do lançamento em vinil para agradar os alternativos de plantão, Woodkid preparou uma edição especial primorosa na qual o CD figura como brinde de luxo de um livro que mistura memórias e ficção, escrito em conjunto com sua prima polonesa Katarzyna Jerzak, e que acompanha também ilustrações do elogiado ilustrador de graphic novels Jillian Tamaki. Contudo, pra não fugir à tradição dos lançamentos musicais na era pós-moderna, poucos dias antes do lançamento oficial o álbum em sua totalidade já começou a se alastrar pela internet. E finalmente Woodkid pode ser posto à prova nos ouvidos dos fãs que já tinha arrebanhado sem nem mesmo ter um álbum lançado.
The Golden Age é, como já se esperava, um trabalho grandioso de um estreante singular, que começou sua carreira por trás das câmeras, migrou para os palcos e arrebanhou fãs mesmo antes de seu lançamento oficial, assumidamente, em suas próprias palavras, um “músico frustrado que é diretor de vídeos”. Essa auto-avaliação tem um fundo de verdade: sua faceta de cantor realmente não tem a perfeição de um crooner, já que é difícil não notar a limitação de sua voz, que quase chega a titubear em alguns volteios, mas o artista conhece a si próprio e, inteligente, escolheu apresentar-se ao público com as faixas “Iron”, “Run, Boy, Run” e “I Love You”, músicas extremamente bem produzidas e arranjadas que se adaptam ao seu vocal e o encorpam simultaneamente. Isso se repete em outras faixas que permeiam o álbum, como a que o abre e lhe dá nome, que surge com harmonia reflexiva ao piano seguida de um turbilhão percussivo e orquestral que afoga os sentidos em uma epopéia sonora que só encontra paralelo em épicos do cinema de ficção científica e da fantasia, mas que lembra também melodias compostas por Björk nos últimos anos, em particular no disco Volta. A referência vem novamente à tona no compasso melódico de “Ghost Lights”, onde o órgão, os metais e a percussão soam taciturnos e amargurados. “Stabat Mater”, composta e produzida pelo amigo de Woodkid, o DJ e músico francês SebastiAn, não tem medo de soar redundante ao adicionar um coro de inspiração religiosa para acompanhar a percussão já retumbante e os metais e cordas em resplandecente psicose – uma melodia que soa como o hino de uma cruzada messiânica. “Conquest Of Spaces” promove a união da influência sacra presente no trabalho do francês com o seu apreço pelo cinema de ficção científica ao associar um órgão futurista à um sintetizador de sonoridade caleidoscópica. Fechando o disco, em “The Other Side” acordes de piano e sinos entoam um belo lamento, que partilhado pelo coro e pelos arranjos de metais e cordas, acaba por se submeter ao ritmo marcial da percussão – uma analogia melódica perfeita às letras da canção.
Apesar da apoteose cinematográfica ser uma constante, há momentos nos quais o artista francês procura outras experiências sonoras, como em duas músicas de atmosferas opostas, “The Great Escape” e “The Shore”: a primeira, que não deixa de lado a percussão frenética e incansável, é uma música mais despretensiosa e alegre, com arranjos orquestrais mais simples que se limitam a complementar a música, enquanto a segunda, conduzida por um piano aristocrático, vai ganhando colorações ainda mais formais e clássicas à medida que levantam-se metais e cordas que reforçam suas pretensões algo operísticas. Além disso, há também instantes mais introspectivos nos quais Woodkid consegue em grande parte dominar e balancear seu vocal, como em “Boat Song”, onde sintetizações que remetem à produção setentista de Brian Eno evitam, inutilmente, a tristeza compassiva dos trompetes e do piano, e também “Where I Live”, uma balada onde os floreios de metais concedem algum conforto à voz e ao piano que compartilham desmedida dose de doçura e pesar.
The Golden Age é um debut impetuoso e impecável que certamente vai ser rejeitado por muitos por beirar o excessivo e o megalômano, por querer ser incondicionalmente muito ou tudo ao mesmo tempo: romântico, épico, delicado, fascinante, sensível, apoteótico. No entanto, é inegavelmente uma obra emocionante, fruto da dedicação de um artista imbuído de uma sincera vontade de trazer à realidade seus sonhos e ideais mais caros, inspirado pela inocência e inconsequência da infância, a era dourada que ficou no passado e dá nome ao disco, e pela inevitabilidade da vida adulta, realidade que passamos a viver para o resto de nossa existência e que por vezes é fria e dura demais para poder ser tolerada. Portanto, por baixo de toda a esplendorosa grandiloquência, por baixo da pompa percussiva e da avalanche de arranjos orquestrais que arrebata muitos e irrita tantos outros, há situações e sentimentos tão verdadeiros e simples quanto a daquela banda indie que foi apontada como a mais nova sensação por aquele coletivo online ou blog hypadíssimo que adora posar de humilde e apontar o dedo para a “mídia oficial”, mas que, na verdade, é um veículo de comunicação tão super produzido quanto este último. O exato oposto de Woodkid, um artista que em momento algum finge ser o que não é.

O arquivo para download inclui 3 faixas bônus: a instrumentais “The Deer” e “The Golden Age” (Intro), e “The Golden Age” (feat. Max Richter ‘Embers’), a versão do vídeo da canção, de mais de 10 minutos, com várias inserções melódicas alternativas, que conta inclusive com a participação do compositor erudito alemão Max Richter.

http://www.mediafire.com/file/h6kpbu4hobvv57f/wood-age-3-bonus-tracks.zip

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Woodkid – “I Love You” (single)

E hoje foi liberada “I Love You”, mais uma faixa de The Golden Age, um dos discos mais esperados dos últimos meses pelos alternativos de plantão (me incluo aqui). Um projeto sendo gestado com todo o cuidado e sem pressa pelo francês Yoann Lemoine, mais conhecido pelo pseudônimo Woodkid, o ambiciosíssimo disco está sendo acompanhado de videoclipes esplendorosos e uma pré-turne cabulosa onde o artista está conquistando seu público sem nem mesmo ter lançado seu debut. É tudo um tanto pretensioso, mas nesse caso isso é feito com toda a propriedade, já que tudo o que o seu ouviu (e viu) até agora é de uma qualidade acachapante. “I Love You” prossegue mantendo o nível na estratosfera: com uma base percussiva forte, badalar apoteótico de sinos, órgãos e violinos dramáticos, Woodkid solta sua voz grave e macia para tornar completo e inevitável o transe sonoro.

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Camille – “Que je t’aime” (single) [download: mp3]

Camille - Que je taime

Lançada no final da década de 60 pelo cantor Johnny Hallyday, um dos maiores astros da música francesa, “Que je t’aime” foi selecionada por uma das maiores estrelas da França contemporânea, a cantora e compositora Camille, para ser lançada no dia de hoje como seu mais novo single, diferindo bastante da versão originalmente gravada pelo ícone francês. Em sua regravação, a cantora adequa o clássico às vestes mais recentes do seu estilo musical: ainda incorporando o despojamento sonoro de Ilo Veyou, disco de contornos acústicos lançado no ano passado, o seu cover explora assim a delicadeza de seu vocal acompanhado por não mais do que um arranjo de cordas delicado, uma percussão sutilíssima e um contrabaixo elegante, resultando em uma faixa que encanta e enleva, insistentemente permanecendo nos ouvidos o dia inteiro.

Camille – “Que je t’aime” (do single Que je t’aime)
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Já a primeira versão, em cujas letras Hallyday confessa de modo dramático toda a vastidão do seu amor, indo do romantismo mais pleno, passando pelo desespero de perda com a morte até o ardor do sexo, tem a marca indelével dos grandes cantores da chanson française: inicialmente introduzida por um órgão discreto, é tomada já na primeira passagem do refrão por uma sússia instrumental, na qual pode-se discernir um dramático arranjo de metais, baixo e bateria muito bem marcados. O vocal sai ao sabor da melodia e condiz com uma grande lenda da música, alternando repentinamente o tom contido e amargurado para um brado destemperado e sofrido.

Johnny Hallyday – “Que je t’aime” (do single Que je t’aime)
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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005