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Tag: pop-rock europeu

Alexander Wolfe – “Talk” (single) [download: mp3]

alexander wolfe - talk (single)

Eu tinha plena certeza de ter resenhado o álbum de estréia ou mesmo algum videoclipe do cantor britânico Alexander Wolfe na sua estréia há mais de quinze anos atrás, mas para minha própria decepção, não encontrei qualquer texto relacionado ao artista aqui no seteventos. Isso, no entanto, é um problema que estou corrigindo agora.
Desde o ano de 2019 sem um novo disco, Alexander lançou ontem seu novo single, “Talk”, que é apenas a sua segunda canção nova nestes últimos seis anos. A faixa, que tem por base um riff cíclico e contínuo pinçado no violão e conta com bateria, baixo e uma guitarra melódica adicional compondo uma melodia pop/rock empolgante que ganha de imediato os ouvidos, foi composta pelo cantor inglês quando descobriu que, estatisticamente, a maior causa de morte de homens britânicos é o suicídio, e por isso encontramos nela versos pungentes como “nós amamos os homens mortos cantando no nosso rádio, romantizamos seu medos, mas não conseguimos falar sobre o garoto da vizinhança que se matou ano passado”. Tendo o artista perdido uma amiga próxima pelo mesmo motivo (para quem compôs uma canção em 2021) e tendo ele próprio lutado com questões de saúde mental, Alexander indica no refrão, com um vocal potente e cheio de sentimento, que a solução é que os homens vençam o estigma de que expor seu sofrimento e conflitos internos é um sinal de fragilidade, pois, como bem diz nas letras, “tudo que eu sei é que você precisa conversar”.

Baixe:
Alexander Wolfe – “Talk” (single) [mp3]

Ouça:

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David Fonseca – Seasons: Falling [download: mp3]

Lançada já no segundo semestre do ano passado, a segunda parte (Seasons: Rising, a primeira parte, você encontra neste link) do projeto concebido por David Fonseca para o ano de 2012 confirmou o incrível ciclo criativo que o grande artista português saboreou nos últimos anos. Impressiona como o arsenal de composições de Fonseca não se esgota, sempre repleto de canções que seduzem os sentidos mesmo em primeira audição, como já acontece na faixa de abertura, “I’ll Never Hang My Head Down”, que com seus riffs hipnóticos de guitarra preparam o bote irresistível do refrão e do outro da melodia, onde os instrumentos enovelam-se em uma explosão emocionante. Emoção, aliás, é algo que transborda nesta segunda parte do projeto Seasons. Apesar deste disco ser permeado por momentos mais cheios de energia, como na faixa “It Means I Love You”, uma celebração frenética ao amor com guitarras farfalhantes, pianos embevecidos, bateria acelerada e sintetizadores em pleno êxtase, Falling é um disco feito para atingir em cheio o coração do público, como na doce balada “All That I Wanted”, onde violões dão o andamento enquanto guitarras reverberam com suavidade por toda a música. “It Shall Pass”, não deixa por menos, trazendo um dueto delicado com Luísa Sobral em que os violões avançam em um crescendo onde bateria, sintetizações e arranjo de cordas comungam em plenitude. Em seguida, a fulminante “At Your Door” já traz lágrimas ao olhos ao iniciar com não mais do que a voz de David e sua guitarra cintilando como uma estrela perdida no cosmo, mas a canção ainda expande-se em uma associação infalível entre piano, bateria, violões e arranjo orquestral que deixa o refrão da canção circulando prazerosamente nos ouvidos por longas horas. Na power-ballad “Heartbroken” órgão e piano criam a atmosfera na qual o artista português pinta e borda com seu instrumental pop/rock, alternando entre momentos de extroversão e introspecção melódica. Em “On My Feet Again” múltiplos vocais de fundo harmonizam-se com a música, no qual o trabalho da guitarra e bateria despontam esplendorosos. E fechando este disco impecável, “I’ll See You In My Dreams” é uma vitrine musical onde David Fonseca exibe todo o seu talento na produção (tarefa que divide com Nelson Carvalho) e arranjo da canção, harmonizando os loops de pequenos samplers com o seu instrumental variado em uma música cujas letras expõem o arrebatamento de um homem completamente apaixonado – e apaixonados pela música de David acabam todos os que ouvem este trabalho que é, sem dúvidas, um dos mais bem acabados deste grande artista do pop/rock – aprecie sem moderação.

http://www.mediafire.com/file/w2ilvzfm2ecw1z6/fonseca-falling.zip

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M83 & Susanne Sundfør – “Oblivion” [+ Extended Mix]

Convidada para emprestar seu vocal espetacular para a faixa dos créditos finais do novo filme de ficção-científica protagonizado por Tom Cruise, a música, composta por Joseph Trapanese e Anthony Gonzalez, este último mais conhecido por ser o mentor e único membro fixo da banda francesa M83, é mais canção que demonstra que qualquer coisa que envolva a cantora e compositora norueguesa é certeza de algo fantástico. Apoiada por uma melodia grandiloquente, com bateria hiper-encadeada, cintilações eletrônicas e orquestral fechando com pompa e circunstância a música, Susanne solta a voz à seu estilo, entregando-se aos versos sem hesitação, apesar de ter a linha do volume de seu vocal um pouco afogada no instrumental em parte da faixa, artifício certamente perpretado pela produção à cargo de Gonzalez, já que esta é uma das característicias mais habituais nas suas composições à frente do M83. Apesar dessa característica ligeiramente incômoda, a música é realmente bonita, e cai ainda melhor nos ouvidos ao ter sido aliada ao cantar sempre incondicionalmente tocante de Susanne Sundfør.

O arquivo de download abaixo inclui a versão extendida da faixa, com mais de 20 minutos de duração.

http://www.mediafire.com/file/6icfli1p30jyi4i/susanne-m83-oblivion-includes-extended-mix.zip

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Ren Harvieu – Through The Night [download: mp3]

Acho que todo mundo gosta de descobrir por conta própria algum novo artista. E foi passeando por uma das muitas lojas online de música que me deparei com a capa do debut da britânica Ren Harvieu, cujo nome soa ao mesmo tempo enigmático e atraente. A foto da capa não é o tipo que te chame a atenção imediatamente, já que não há nada de muito especial ou particular em sua concepção, mas é justamente por ela não revelar muita coisa que eu experimentei ouvir alguns trechos. A (boa) surpresa só não foi maior do que a (péssima) descoberta de que essa menina de apenas 21 anos poderia nem estar aqui para ver seu disco de estréia sendo lançado: no início do ano passado, pouco depois de terminar de gravar este disco, Ren tive sua coluna vertebral seriamente atingida – e foi sério mesmo, ela teve fratura exposta nas vértebras – quando um amigo, ao fazer um salto, caiu acidentalmente em cima de suas costas enquanto ela o observava fazendo acrobacias em cima de um muro. Ela sobreviveu, mas internada por meses em um hospital e sendo operada por diversas vezes, ouviu da equipe médica que suas chances de voltar a andar eram ínfimas. Incrivelmente, porém, a garota melhorou, mas até hoje ainda vive um processo de melhora e adaptação, o que não a impediu de retomar com toda a gana a carreira que nem bem tinha iniciado. Essa força que superou as poucas expectativas nesse episódio horrível é notada facilmente no timbre firme de sua voz, que apoiada pela elegância das composições e a qualidade da produção dão à Ren Harvieu a mesma solidez que grandes nomes do pop e pop/rock tiveram em suas estréias. A primeira faixa, “Open Up Your Arms”, não economiza esforços, e com reverberações de guitarra e um arranjo de cordas esfuziante faz a abertura preparando o terreno para entregar à voz magnética da cantora a melodia grandiosa e cintilante. O nível continua alto na faixa seguinte, “Tonight”, recheada de backing vocals alinhados com os arranjos de metais e de cordas que voleiam com desenvoltura para emoldurar o cantar preciso da artista britânica. “Walking in the Rain”, mais à frente, não diminui em nada as ambições espetaculosas da cantora, inflando os ouvidos com cascatas de arranjos orquestrais muito bem colocados na companhia de piano, violões, bateria e vocais em uma melodia que sussura “anos 70? nos ouvidos, e no fim do disco a dupla “Summer Romance” e “Love Is A Melody” surgem como baladas com o equilíbrio perfeito entre os elementos que são a tônica por todo o disco, deixando evidente a possibilidade de serem lançadas como singles e o evidente e lamentável risco – que, por favor, ninguém me ouça – de Ren Harvieu ser “pasteurizada” ao ter as canções vitimadas como trilha sonora de novela. Em “Twist the Knife”, apesar do violão e da guitarra escondidos com destreza e velocidade, é a amargurada submissão afetiva do refrão “she won’t love you like I do” e o belo lamento das cordas que dão o tom da melodia e a fecham de modo emocionante. A guitarra tem o seu quinhão maior de atenção em “Dancing on Her Own”, farfalhando alegre com um riff vibrante que introduz e pontua a canção que é talvez a mais alegre do disco.
Menos ostensivas em suas intervenções orquestrais e razoavelmente menos afogadas em camadas de backing vocal, as faixas “Through the Night”, com um piano singelo, e “Forever in Blue”, onde destaca-se um violão melancólico, deixam mais visível a interpretação da cantora, revelando que esta é mais baseada em um domínio bastante preciso da técnica vocal do que na liberdade da emoção. É uma abordagem artística menos arriscada e mais confortável, mas deve-se lembrar que este é apenas o primeiro disco da cantora e, convenhamos, por tudo o que ela já sofreu sendo ainda tão jovem, em riscos ela já está versada para uma vida inteira.

http://www.mediafire.com/file/sz8dc8na3k4bw22/harvieu-night.zip

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David Fonseca – Seasons: Rising [download: mp3]

David Fonseca - Seasons Rising

Projeto do português David Fonseca para o ano de 2012, Seasons é dividido em dois discos, Rising, que acaba de ser lançado esta semana, e Falling, previsto para setembro próximo. No primeiro volume da empreitada, o artista europeu atenua a vibração rock de suas composições, privilegiando bem mais os contornos pop nos quais sempre embebeu fartamente suas canções. Por conta disso, sintetizações e teclados ganham maior preponderância melódica, bem como acordes de guitarra modificados ou estendidos pelo uso de pedais. O intenso frenesi eletrônico está presente com muita força em faixas como o single “What Life is For”, que conta com uma introdução de sintetizador que sobrepõe-se enormemente à bateria bem coordenada, ao baixo e mesmo ao vocal completamente mergulhado em filtros de eco e distanciamento, e em “*Go*Dance*All*Night*”, que conta com várias camadas de samples de vocais afogados em filtros, synths nebulosos e uma bateria acústica farta em plena cadência de dance music no refrão da canção. Em outras canções, a abordagem da programação eletrônica é bem menos invasiva e mais ponderada, misturando-se mais homogeneamente com elementos acústicos e mesmo os não-acústicos, como na faixa de abertura, “Under The Willow”, que inicia com orgão e loop de um sampler de guitarra que constitui a base sobre a qual outras harmonias são sobrepostas, incluindo violões, bateria, baixo, toques ao piano, e alguns acordes extensos e malemolentes de guitarra que ficam registrados na cabeça de quem ouve, e o dueto “Heavy Heart”, cujos teclados nostálgicos e programação dançante lembram algo da atmosfera saudosista de “Morning Tide (I Just Can’t Remember)”, deliciosa faixa do disco de 2009, Between Waves.
Apesar da mão pesar um tanto no synth-pop destas faixas, o David Fonseca mais equilibrado e cauteloso que os fãs conhecem tão bem e amam tanto ainda se faz presente neste volume de Seasons, exibindo tanto a sua faceta de rockeiro vigoroso quanto a de contumaz compositor de baladas que transbordam romance. No frêmito rockeiro do português, temos “Armageddon” e “Whatever the Heart Desires”, a primeira com um acorde de guitarra longo e ondulante pontuando a introdução e refrão da melodia, que é atravessada por uma percussão marcada, mas que se mantém na retaguarda, sem interferir muito na harmonia para deixar mais espaço para que riffs das guitarras de apoio, baixo e os vocais múltiplos a acompanhem em pé de igualdade; na segunda, riffs mais gingados de guitarra fazem o corpo dançante da melodia rock, mas aqui a bateria injeta mais energia e provoca, ao lado dos riffs irresistíveis, uma propulsão poderosa que inevitavelmente convida a sacolejar o corpo ao seu ritmo. Já trafegando pelas baladas do disco, “Every Time We Kiss”, entra com violão sutil e alguns vapores de guitarra que logo tem suas harmonais mais incrementados e ganham a companhia de uma bateria bem sincopada, e em seguida “It Feels Like Something” traz um piano algo triste abrindo a frente para o vocal macio e emocionados do cantor, violões e guitarras sutis que ao final da canção ganham intensidade, encompassando todo o sentimento das letras que falam sobre o amor que sempre esperamos um dia encontrar.
Diferentemente dos dois discos imediatamente anteriores à este, Seasons: Rising não é um álbum que ganha de imediato o ouvinte. Embora a espessa cortina de sintetizações e intrumentais não seja tão onipresente a ponto de transformar todo o disco em um interminável wall of sound, são necessárias algumas sessões sucessivas para que o suas harmonias mais delicadas e elaboradas, um pouco ocultas pela cascata de synths e instrumentos, realmente emerja e se infiltre nos ouvidos de quem o ouve, e nisso ajuda muito “I Would Have Gone And Loved You Anyway”, a faixa que fecha esta primeira parte do projeto Seasons. Explorando com maestria toda verve pop/rock que arrebatou fãs tanto de Portugal quanto no Brasil, a canção reune em um amálgama perfeito riffs e reverberações de guitarra, baixo bem marcado, bateria escandalosamente ritmada em um corpo sonoro intenso e sedutor que deixa nos ouvidos não apenas a sensação de um possível segundo single para o disco, mas lembra os fãs uma vez mais que este é o David Fonseca que sabe como poucos fazer pop/rock que dê satisfação e orgulho de ouvir.

senha: seteventos

ifile.it/wbco8kt/david_-_rise.zip

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Eugene McGuiness: “Lion”, “Thunderbolt”, “Shotgun” (singles).

Eugene McGuinness - Lion

A nova fase de Eugene McGuinness, cantor britânico que se lançou há cerca de 5 anos, não é em seu todo completamente diferente de sua anterior persona de músico indie com registro no sindicado, já que as músicas continuam com um requebrado efervescente e múltiplas camadas do delirante vocal do cantor britânico. O seu timbre estranho, porém, vem acompanhado de uma produção consideravelmente mais rica e estudada, o que parece denuncionar a ambição de abandonar os porões do indie e se entregar ao menos um pouco à luz do mainstream. É essa a impressão que as palmas cadenciadas, a guitarra e baixo com forte influência rock’n’roll e os vocais complementares deixam no single “Lion”, lançado em outubro do ano passado e que inclui o b-side “Frosty”, uma balada ao violão, bateria e baixo com um órgão macambúzio a fazer companhia.

Já em “Thunderbolt”, disponibilizado gratuitamente para os que “curtem” a página oficial do artista no Facebook, Eugene inseriu uma sutil base eletrônica, algo que até o momento o artista não havia se atrevido a fazer, e até mesmo o vocal do artista é em alguns momentos distorcido levemente para acompanhar a vibe da melodia. Porém, ainda temos bateria, baixo e guitarra complementando com energia a faixa e uma orquestração de metais conferindo à melodia o elemento de estranheza que o britânico parece ainda não querer abandonar por completo.

Por último, o mais recente single sendo comercializado, “Shotgun”, envereda por referências ainda mais pop, já que o trabalho excepcional do trio baixo, guitarra e bateria arma nos ouvidos todo um cenário de trilha de espionagem com todo o jeito de James Bond – e olha que não faria feio, heim?

senha: seteventos

ifile.it/n65wvmy/eugene_-_lion-thunder-shot.zip

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005