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Tag: pop-rock europeu

Alice Gold – Seven Rainbows [download: mp3]

Segundo consta, Alice Gold já hospedou-se em um castelo para ensinar inglês à um príncipe de Luxemburgo e ganhou um trailer em um jogo de pôquer, o qual utilizou para cruzar a famosa Rota 66 que atravessa boa parte dos Estados Unidos. Talvez essas coisas nem sejam verdade, mas a referência à lendária estrada americana faz sentido: ela está para as bandas e cantores de pop, e principalmente rock, como Santiago de Compostela está para os espiritualizados – entre outras coisas, é uma jornada necessária para para encontrar a si próprio em um novo reinício. E no caso da artista britânica, estes foram os eventos que prepararam o terreno para que pudesse concretizar sua estréia com o disco Seven Rainbows – e as aventuras devem realmente ter tido efeito, já que a menina chega no seu debut com a segurança própria de uma veterana. Recheando o disco com uma fusão impressionante de composições de base pop infiltradas com intensas vibrações rockeiras dos anos 60, Alice demonstra que sabe bem o que está fazendo. A canção abertura do álbum, “Seasons Change”, não deixa dúvidas quanto a isso: em meio à uma pegada pop completamente narcotizante, a garota mostra como aprecia soltar a sua bela e potente voz, sem qualquer medo, com a categoria de uma cantora soul. Mas a verve rock é mesmo seu maior charme, e aqui se tem a prova de que sua declaração dada ao jornal The Guardian de que o mundo precisa de mais garotas tocando guitarras não foi apenas para fazer média de rockstar: já na segunda faixa, “Runaway Love”, a britânica põe em prática toda sua paixão por riffs de guitarra eletrizantes e linhas de baixo robustas. Caudalosos, os toques nos instrumentos dão um pulso irresistível à canção, potencializando a sutil cadência dançante da bateria e encorpando a sua sequência final em pleno orgasmo pop/rock – se essa música ainda não foi “vítima” de algum seriado ou filme, me supreendo muito: é um single poderosíssimo. Pouco à frente, a obsessão da artista britânica em usar guitarras como base de suas melodias segue firme e forte na introdução de “How Long Can These Streets Be Empty”, feita de um fluxo denso de acordes que vão sendo reforçados por riffs menos polidos e mais improvisados, em parceira à um baixo marcante e uma bateria manejada com muita solidez. Mais gingada que estas duas faixas, só a hiper-insunuante “Orbiter”, cuja melodia, com base em uma trilha transbordante de guitarra atravessada por riffs mais agudos e faíscantes sobre uma bateria ligeira e consistente e um vocal incandescente, desperta uma vontade tresloucada de dançar desavergonhadamente, jogando o corpo inteiro ao ritmo da melodia. Menos frenéticas, “And You’ll Be There”, com melodia malemolente no conjunto bateria, baixo e guitarra e “Cry Cry Cry”, com beat cadenciado de percussão e palmas sobre o qual a guitarra refestela-sem em acordes ondulantes, levemente sensuais, dão um respiro na agitação e na sede por riffs mais crispantes. E contrariando o que parece ser uma prática entre cantoras do pop/rock, “Sadness Is Coming” é a única faixa do disco que mais se aproxima de uma balada, e para tanto, acordes no piano e no xilofone inserem a delicadeza necessária à melodia. Muito apropriadamente, Alice fecha sua estréia com “The End Of The World”, faixa que incorpora uma pegada soul com vocais e backing múltiplos e uma harmonia que não foge do tradicional artifício do pop/rock de encorpar a melodia no refrão da canção – uma escolha bastante previsível para encerrar um álbum de estréia, mas convenhamos: para a estréia de uma artista do pop/rock, seara musical que anda tomada por gente desprovida de talento (isso quando também não são carentes do instrumental mais básico de um cantor, sua voz) a garota já fez muito coisa.

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Susanne Sundfør – The Brothel [download: mp3]

Susanne Sundfor The Brothel

Depois de um disco que esbaldou-se no oceano do pop clássico, no seu novo álbum, The Brothel, a cantora norueguesa Susanne Sundfør emergiu destas águas calmas e lançou-se às alturas na atmosfera artística, abraçando de modo esplêndido sonoridade mais densa ao introduzir tecituras eletrônicas aplicadas como elementos percussivos ou de adornamento melódico em suas composições baseadas em pianos e órgãos. As canções que nascem desta operação mais ambiciosa são enormemente luxuosas, épicas e sombrias, como a faixa-título que abre o disco com uma delicada harmonia que tintila nas teclas do orgão Rhodes enquanto a cantora embebe a melodia na tristeza de sua voz angelical e derrama ao final uma miríade de sintetizações orquestrais, operando na canção uma imensa aura sacra para sonorizar os versos tristes sobre homens e mulheres perdidos e infelizes no mundo do afeto comprado pelo dinheiro. Em “Lilith”, a faixa seguinte, a vertente elétrica de sintetizações que vai inundando os ouvidos quebra o efeito etéreo da canção de abertura, mas na sequência harmônica final a cantora encerra a tempestade eletrônica de súbito em detrimento de cintilações aquosas e toques leves em um violão. Em “Black Widow”, os doces vocais múltiplos de Susanne anunciam o breve solo elegante de piano que antecede a reversão da melodia, onde vocalizações distantes e harmonias no órgão expandem-se formando uma espécie de marcha fúnebre circense. Orquestrações rascantes de cordas abrem a faixa seguinte, “It’s All Gone Tomorrow”, e logo juntam-se cúmplices à uma base eletrônica sincopada em uma parceira que acaba em um dissonante e cacofônico samba, mas quem não desiste da faixa depois disso descobre que Susanne logo consegue encontrar o caminho quase perdido, e a faixa então se apruma incrivelmente a partir da metade da canção com a entrada do belo refrão e de um maior polimento da enorme massa sonora. Talvez sabendo que chegou perto de cometer um equívoco, a cantora norueguesa capricha na faixa seguinte, “Knight of Noir”, incorporando em seu vocal todo peso do romance narrado nas letras e sonorizado por uma melodia dramática e grandiosa, com piano e percussão de toques espaçados e sombrios, plenos de suspense, e uma reversão esplêndida e gloriosa, onde a instrumentação acelera e encorpa-se quase num tom marcial. Mais à frente, para nosso deleite, a garota volta a aliar com destreza impressionante a delicadeza do piano e de algumas sintetizações à uma base eletrônica percussiva em um pulso ligeiro e nervoso novamente assaltado por uma reversão melódica em “O Master”. Antes disso, porém, temos duas faixas de diferentes atmosferas: primeiro a tecitura complexa de “Turkish Delight”, onde sintetizações e cintilações pulsam e se enredam cautelosamente enquanto são banhadas por uma orquestração de cordas mergulhada em orientalismo, e em seguida a melodia instrumental mais serena, mas não por isso menos bela, de “As I Walked Out One Evening”, com seu órgão e sintetizações ondulantes, sutilmente metálicas, que lembram a produção de Marius De Vries para Björk em Homogenic. “Lullaby”, penúltima música do disco que apesar de ser iniciada com sutis harmonias no teclado, perde logo este caráter de canção de ninar para ganhar um certo teor technopop dos anos 90 devido ao fluxo de programação borbulhante entornado sobre a melodia. “Father Father”, onde uma garota despede-se com pesar de seu pai, encerra o disco com a cantora e compositora dedilhando graciosamente harmonias profundamente melancólicas no teclado enquanto desmancha-se em emoção no vocal impregnado de sofrimento. Poderia afirmar que a faixa é o ápice do disco não fosse ele todo um registro musical impressionante onde a cantora, com apenas 25 anos, expõe todo o seu potencial como artista tanto por falar de amor, dor, angústia e pesar com vigor e ternura quanto por definir uma identidade sonora coesa, ao mesmo tempo sombria e serena – motivo mais do que suficiente pra acompanhar de perto a carreira da garota.

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Fyfe Dangerfield – Fly Yellow Moon (2CDs deluxe edition + 1 faixa extra) [download: mp3]

Fyfe Dangerfield - Fly Yellow MoonQuem ouve o primeiro lançamento solo de Fyfe Dangerfield e não simpatizou com o segundo disco de sua banda, Guillemots, chega a conclusão de que o cantor e compositor guardou o melhor de si para seu próprio disco – ou, ao menos, que aquilo que vinha compondo não se enquadrou no que a banda pretendia produzir em Red. Qualquer que seja a razão deste primeiro disco solo, eu só posso dizer que fico extremamente satisfeito em saber que Fyfe, ao contrário do que fez pensar Red, não perdeu nada da sua imensa capacidade de escrever canções que irradiam emoção, como vimos na estréia do Guillemots, Through The Windowpane. E mais em forma do que nunca, Fyfe vivencia em suas canções a mais completa plenitude da euforia amorosa – como no primeiro single do disco, “She Needs Me”, uma música cheia de versos diretos, como “I’m yours you can do what you like to me” e que não se contenta com pouco, explodindo em uma tsunami de arranjos orquestrais que acompanham incessantemente a marcação dada pelo baixo e bateria e a efusividade dos toques do piano e do vocal, e também “When You Walk In The Room” na qual, introduzida por um conjunto bem arranjado de distorções eletrônicas e alguns sussurros, Fyfe quase não cabe em si com seu vocal tão animado quanto as farpas de guitarra que saltam brilhantes entre a base contínua de piano e bateria que recheiam a melodia – assim como a melancolia silenciosa que o amor também acaba por trazer – visto na combinação de violão, cordas e vocal macio em “Dont Be Shy”, que suscita as melhores composições de Tanita Tikaram em Lovers In The City e Sentimental, na tristeza de “Barricades”, conduzida por um piano de acordes graciosos e um vocal que expira romantismo e elegância tanto quanto o belo arranjo de violinos que lhe serve de apoio, na suavidade dos acordes tranquilos ao violão e piano de “Livewire”, cuja percussão procura ser sutil para não interferir no encatamento da melodia, e em “Firebird”, que apesar de adotar o mesmo violão e piano em parceria com discretíssimo arranjo de cordas da canção anterior, os utiliza à imagem da graciosidade de cantigas medievais de amor luso-galegas.
Mas muito além de tornar possível que Fyfe trafegasse com desenvoltura entre alegria, mágoa e todas as suas gradações, a euforia amorosa exacerbada do artista britânico serviu como poderoso estimulante para a sua faceta de compositor: além das 10 faixas da primeira edição lançada do álbum, o rapaz escreve diversas faixas bônus, algumas versões alternativas e um cover. Destas, há a abissal beleza de “If I Was Lost”, guiada por guitarra, órgão e vocal distantes e manchados por uma consternação de partir o coração, a amargura do violão gélido, percussão quase surda e guitarras reluzentes de “Appreciating You” e o eletronismo cálido e riffs de guitarra de “Computer Game”, de uma simplicidade harmônica quase juvenil. São 13 canções a mais no total que geraram o relançamento do disco com 4 faixas bônus e uma terceira versão extra, em disco duplo. É muito amor nesse coração, é não seu Dangerfield? É sim, e só pra fazer cair por terra aquela minha velha teoria de que sofrimento é o elixir mais produtivo para um artista.

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David Fonseca – Between Waves. [download: mp3]

David Fonseca - Between Waves

David Fonseca - Between Waves
Tarefa não muito fácil a de David Fonseca de conceber o sucessor de Dreams In Colour, disco lançado em 2007 que arrebatou público e crítica. Sempre que um cantor ou banda é alçado à consagração ao lançar um álbum considerado impecável, apresentam-se os dilemas inevitáveis: encarar ou não a nova empreitada como uma tentativa de superar ou ao menos igualar o feito anterior? E quanto a manter ou não a sonoridade desenvolvida com sucesso?
As respostas às perguntas acima parecem vir de imediato, mas a verdade vai se revelando ao longo de audições mais cuidadosas. Assim, a primeira vista, “Walk Away When You’re Winning” e sua enorme energia do vocal, da bateria, da gaita, do violão e da guitarra conduzidos em uma procissão de melodiosos riffs e seguidos por muitas palmas, metais e backing vocal no trecho final, “There’s Nothing Wrong With Us” e seu xilofone hiperativo, sua bateria que entra de forma cada vez mais massiva e cadenciada, suas sintetizações insaciáveis e sua guitarra de riffs breves, que vibra simulando harmonias vocais, todos sendo silenciados para retroceder e retornar para um breve prólogo sonoro com o dobro de volume, e “Owner of Her Heart”, que ressalta o caráter faiscante de seus múltiplos riffs de guitarra e das intrépidas vocalizações que lhe fazem parceria e compõe o refrão que também introduz a canção e ganha até a companhia de um desatinado saxofone na transbordante sequência final são todas músicas que parecem não diferir em estilo de outras já compostas por David, porém nelas o artista português investe mais consideravelmente em um abarrotamento sonoro que persiste por mais tempo nas melodias – alguns ouvidos podem ficar um tanto fartos disso, mas ao longo de mais audições a sonoridade mais maciça vai entrando em acordo com os tímpanos alheios, que é exatamente o caso de “Morning Tide (I Just Can’t Remember)”: no início soando esdrúxula com seu compasso curto dos instrumentos, conduzido pelo tilintar ligeiro do xilofone e de uma programação intencionalmente amadora e nostálgica ao fundo, com algumas audições mais adiante a faixa cresce pouco a pouco a ponto de a emoção planejada por David acabar tornando-se clara ao derramar-se nos sentidos, muito por conta da latinidade melancólica do arranjo de metais que usurpa a melodia e a transmuta para o abarrotamento sonoro que é característica de grande parte das canções do disco.
Mas para os que estão acostumados à tradicional flexibilidade de David Fonseca, há faixas com sua emblemática pegada rock dançante, tanto quando há baladas de partir o coração e fazer qualquer um sonhar se jogar do Empire State Bulding de braços abertos gritando os versos até o impacto final. Integrando o primeiro perfil sonoro, “Stop 4 A Minute” provoca em quem a escuta uma desatinada vontade de dançar ao som dos “ah-hãs” e “hums” que dão partida na melodia, repleta de caudalosos riffs e solos de guitarra, com um trabalho esplendoroso na bateria e um potente vocal com o qual o cantor português testa os limites de sua verve rockeira. Já “It’s Just A Dream” representa com toda propriedade a faceta conhecidamente romântica de David: depois de uma introdução climática onde guitarra, violão e bateria encadeciam-se conjuntamente em acordes pujantes, encontramos David entoando os versos em um clamor comovido por compreensão e afeto que prossegue em um crescendo arrepiante até que a melodia é concluída exatamente como começou, novamente tomando de assalto os ouvidos e lançando-os em um epílogo sonoro emocionante – a canção é tão tocante que ela dificilmente sai da cabeça, atacando os sentidos inesperadamente a qualquer momento e em qualquer lugar. Apesar do que diz o título da faixa que encerra o disco com uma balada guiada por um violão, laceada por uma bateria ritmada em compasso firme, alguns acordes leves na guitarra e no orgão e um solo de gaita, “This One’s So Different”, “Between Waves” não é assim tão diferente. No conjunto, este novo disco traz apenas algumas ondas desconhecidas dentro do oceano sonoro tão familiar aos fãs do cantor português – o que, de modo algum esteja eu querendo dizer que seja ruim. Ao contrário, ao procurar permanecer nesse “entrelugar”, como já indica o título do disco, mergulhando apenas um pouco mais fundo, sem nunca perder de vista a segurança da praia logo atrás, David Fonseca estabelece para si e para seus ouvintes uma mudança apenas sutil em sua musicalidade, certamente procurando nunca ferir sua tão fabulosa proposta pop/rock – e qual seria a necessidade de mudá-la tão radicalmente, visto que ela é tão boa, não é mesmo?

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David Fonseca – Dreams In Colour (Tour Edition com 7 faixas ao vivo). [download: mp3]

David Fonseca - Dreams in Colour

David Fonseca - Dreams in Colour
Pelo sobrenone já da pra desconfiar, não? Sim, o cantor David Fonseca é português, mas o moço insiste em compor canções, em sua maioria, na língua inglesa. Porque raios ele faz isso, eu nem imagino, mas sou obrigado a confessar aqui, com o perdão de meus amigos blogueiros e internautas do lado oposto do atlântico: o pop/rock de suas canções me cai nos ouvidos muito melhor no seu inglês sem resquício de sotaque do que no seu português genuíno. A língua portuguesa é linda, é esplêndida, porém acredito que me acostumei tanto em ouvi-la cantada nas matizes da nossa MPB e, no caso da música portuguesa, na tecitura ao mesmo tempo rústica e moderna de coisas como Madredeus que as composições de coloração tão cosmopolita/contemporânea como as de Fonseca nasceram mesmo para ser cantadas na língua inglesa. E neste disco cheio de “sonhos à cores” David caprichou, superando o seu álbum anterior, Our Hearts Will Beat As One, por exibir mais soltura e desprendimento e, a meu ver, por harmonizar melhor o seu vocal um tanto empostado e propenso ao vibrato com os arranjos deliciosos. Contudo, é bom dizer que o “gajo” não deixou de ser um menino ambicioso, como o mostra a bela e brevíssima “Intro”, cuja iluminada reverberação e empilhamento de sonoridades remete à faixa que dá nome ao disco, uma balada feita sobre um violão triste de harmonia reduzida que tem seu magnífico encanto na “ponte” sonora onde guitarra, bateria, piano e baixo revelam-se grandiosos, incontidos e apaixonados. Outras belas baladas do disco são “This Wind, Temptation” – composta sobre um crescendo melódico que inicia-se apenas com violão e guitarra de acordes secos e vocais graves e limpos que logo ganham a companhia de bateria, pratos, palmas e vocais de fundo bem abundantes -, “Kiss Me, Oh Kiss Me” – com melodia composta de violão e piano de acordes doces e matinais, baixo e vocais de fundo harmoniosos e uma percussão que tem seu maior charme nas palmas de cadência suave, assim como suave também é o cantar de Fonseca nesta canção – e “I See The World Through You” – com violões, programação e orgãos de delicadeza noturna.
Contudo, o disco conquista o ouvinte nas faixas mais agitadas, resplandecentes em exultação pop/rock, como acontece nas canções “4Th Chance” – na qual, ao som de bateria e violões de alegre compasso paralelo, metais gritantemente latinos e iluminuras vocais que encorpam ainda mais a parte final da canção, David confessa entender cada tentativa e falha no amor como um caminho para o amadurecimento -, “Silent Void” – onde os versos que pregam o amor como espaço de refúgio de um mundo muitas vezes cansativo são acompanhados pelo compasso sólido e rápido da bateria e do baixo e por vocais e teclados vistosos, “This Raging Light” – cuja intro de acordeão, violão e vocal climáticos é logo suplantada por um ritmo mais acelerado e semi-eletrônico, repleto de loops bateria, programação polifônica e vocais encorpados – e na recriação fulgurante de “Rocket Man” – que conta com vocal farto, profusão de pratos ressoando e palmas, teclados, baixo e guitarras que concedem resplandecente doçura à melodia.
O que garante a satisfação de escutar este novo lançamento do cantor português é o modo com que ele injeta, sem dó, doses fartas de impressões e emoções nas melodias e letras, sem temer em momento nenhum assumir seus ímpetos artísticos, desavergonhadamente mostrando-se um apaixonado por melodias hora repletas de doçura, hora recheadas de gozo e contentamento. Sim, o maior êxito de Dreams In Colour é ser incansável e profusamente pop/rock – e vamos combinar que, quando bem feito, isso satisfaz o mais sedento dos fanáticos musicais.

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Texto dedicado ao B.

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005