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Tag: pop-sueco

Lykke Li – “Lucky Again” (single) [download: mp3]

lykke li - lucky again (single, 2026)

Lykke Li anunciou recentemente que The Afterparty, seu próximo disco a ser lançado em maio, será provavelmente o seu último. Até o momento, nenhuma confirmação absoluta ou mesmo razão específica foi dada pela artista ou seus representantes sobre a possibilidade de encerramento da sua carreira, mas é uma pena que a cantora esteja mesmo cogitando parar, pois desde o lançamento Youth Novels, seu primeiro disco que já foi resenhado aqui no Sete Ventos, a sueca mostrou-se uma artista inquieta e talentosa, com especial destaque na representação estética de sua sonoridade, seja no projeto visual de seus discos, seja em seus videoclipes.

lykke li - lucky again (single, 2026) post 01
“Lucky Again” constrasta melodia animada com letras melancólicas e pessimistas

Mas enquanto seus fãs torcem para que a cantora mude de idéia eles já podem ter um gostinho do próximo disco com o single “Lucky Again”, lançado hoje pela cantora. Para a faixa que une orquestração de cordas suntuosa, baixo bem gingado e pontuada por um sample percussivo com o típico “DJ scratch”, Lykke utilizou como inspiração a harmonia ascendente celestial dos violinos presentes na faixa “Spring 1”, de autoria do consagrado compositor contemporâneo Max Richter, que por sua vez é uma recriação moderna da “Primavera”, parte da clássica obra do italiano Antonio Vivaldi, a esplêndida “As Quatro Estações”. A melodia, construída sobre bases tão edificantes, contrasta frontalmente com as letras da canção, com versos melancólicos e pessimistas como “eu grito na escuridão, não há luz, é um buraco negro, está tão escuro lá fora”. Se levarmos em conta apenas as letras, a cantora demonstra uma exaustão emocional que talvez motive o encerramento de sua carreira, ou isso pode significar que ela precise apenas de um tempo, como já foi o caso antes – para o bem a saúde da música pop mundial (há muitos anos em estado lastimável), vamos torcer para que seja este último.

Baixe:
Lykke Li – “Lucky Again” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Lykke Li - Lucky Again (Single) - 2026
Lykke Li - Lucky Again (Single) - 2026

Ouça (Deezer):

Lykke Li - Lucky Again (Single) - 2026
Lykke Li - Lucky Again (Single) - 2026

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Lykke Li – Covers (EP) [download: mp3]

lykke - li covers ep

A irrequieta cantora sueca Lykke Li aparentemente não consegue ficar longe de um microfone – ontem, sem muito alarde, lançou um EP composto de três covers, que segundo a própria, são canções que ela canta no chuveiro entre as sessões de gravação de seu futuro novo álbum, ainda sem data para ser lançado, e que servem para tranquilizá-la “depois de centenas de horas olhando notícias negativas”. Uma canção, diz ainda a artista sueca na mensagem divulgando o lançamento, “deve mudar para continuar viva”, e ainda que elas realmente difiram de suas formas originais, todas compartilham da mesma atmosfera madrigal e melancólica, concedida pelo vocal intimista da cantora e pela presença de uma guitarra dedilhada com uma delicadeza excepcional. “Stand By Me”, pontuada pela graciosidade de sintetizações oníricas que avançam em um contido crescendo, é sem dúvidas a canção mais otimista do EP, enquanto “Love Hurts” é a mais marcada pela emoção, com o vocal um tanto triste e amargurado. “Into My Arms”, que entre os três covers é aquele que tem a versão original mais recente, exala uma aura doce e distante, muito pela guitarra de acordes sutis e pela percussão esparsa e volátil – estou certo que Nick Cave aprovaria.

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Lykke Li – Covers (EP) [mp3]

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Abstract Crimewave (feat. Lykke Li) – “The Gambler” versão do album e Yttling Jazz Remix [single] [download: mp3]

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Colaborando com Joakim Åhlund e Björn Yttling (produtor dos seus três primeiros discos e mais conhecido por sua banda Peter, Björn & John) no projeto Abstract Crimewave em 2024, a cantora sueca Lykke Li cedeu sua voz ao vibrante single “The Gambler”, faixa do disco The Longest Night. A canção descaradamente dançante, originalmente calcada nos esfuziantes sintetizadores e teclados e nos riffs ecoantes de uma guitarra que desejaria ser um piano, teve nos últimos dias liberada uma versão alternativa que se despoja inteiramente de suas vestes radiantes e recobre-se em trajes bem mais intimistas: introduzida por toques adocicados ao piano e conduzida por uma percussão delicada sobre a qual o timbre cálido e aveludado da voz de Lykke Li pode ser apreciado em sua completitude, a melodia ganha uma estrela inesperada quando o xilofone, que se continha discretamente ao fundo, revela-se em incontida destreza, roubando inteiramente o cartaz da canção em uma jam session delirante, o que faz jus inteiramente ao “jazz” incluído no título do remix.

Baixe:
Abstract Crimewave – “The Gambler” (feat. Lykke Li) (versão do álbum e Yttling Jazz Remix) [mp3]

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Frida Hyvönen – To The Soul [download: mp3]

Frida Hyvonen - To the Soul

A estranha capa de To the Soul, novo disco da sueca Frida Hyvönen, a meu ver, mais atrapalha do que ajuda: diferentemente da capa de seu disco anterior, Silent is Wild, de uma beleza poética e resignada, esta não funciona como cartão de visitas ao seu mundo de composições melancólicas recheadas de uma ironia peculiar. O nome, no entanto, resume perfeitamente a matéria do qual é feito o novo lançamento da artista européia: este é um conjunto de músicas que falam diretamente à alma, e Frida é uma das melhores à dilacerar a sua na atualidade, uma especialista em derramar a vida pessoal, sem hesitação, em faixas de despedaçar o coração, como “Farmor”, uma ode à avó recentemente falecida, onde Frida, sobre pianos e vocais tristes e uma orquestração impecável, revive lembranças da infância ao seu lado e constrói uma breve narrativa da vida dela. Os episódios em família continuam nas duas faixas seguintes, “Picking Apples” – uma faixa com um groove bem equilibrado entre piano, orgão, bateria e baixo que aproveita o hábito de catar frutas na casa de parentes para lembrar o quanto é ao mesmo tempo perecível, ordinária e marcante a passagem humana pelo mundo – e “Hands” – que com andamento lento e pesado ao piano e bateria e alguns violinos lentos e cheios de remorso que soltam-se um pouco mais na ponte melódica, dão um tom mais sério para o refrão onde a cantora repete “hands, look at my hands, they are my mother’s hands” para salientar que, inevitavelmente, acabamos por levar muito de nossos pais conosco, ainda que muitas vezes não nos damos conta disso.
Assim como em Silent is Wild, estão presentes no disco tanto canções irônicas que satirizam hábitos da vida moderna, caso da divertida “California”, que tem como principal personagem o stalker pós-moderno às voltas com um álbum de fotos em uma rede social e é composta de versos como “it’s been a while now since we last meet but we are friends on the internet, its a shortcut to all the new acquaintances”, como baladas irremediáveis e sentimentais, que sempre estão entre as melhores coisas que se pode ouvir no estilo. Além da doce “Enchanted”, que apesar de triste, tem leveza e até ingenuidade com seu feitio quase nostálgico de trilha plena de romantismo para baile adolescente dos anos 60, de “In Every Crowd”, com orquestrações de cordas transbordantes acompanhando o piano amuado de Frida, tão característico quanto a ironia de versos como “this evening could have been such a delight if it wasn’t for the unfortunate fact that I am here”, e de “The Wild Bali Nights”, misto de narrativa de uma noite romântica à beira do mar e de homenagem à ilha da Indonésia com piano, bateria e múltiplos vocais servindo de trilha, há ainda as baladas “Gold”, que fecha o disco com direito à violinos pomposos e piano ressoando a belíssima narrativa episódica e enormemente simbólica de dois amantes e uma aliança de casamento destruída, e “Saying Goodbye”, um baladão que põe os dois pés nos anos 80 sem medo de ser feliz, incluindo versos que remetem ao lirismo grandiloquente da época e uma melodia que lembra o estilo então preponderante, como a presença de uma segunda voz e de uma bateria em cadência crescente para intensificar o caráter dramático à medida que a canção aproxima-se do refrão.
A referência nostálgica, porém, não fica resumida à balada de despedida: o primeiro single do álbum, “Terribly Dark”, é uma faixa equilibrada e dançante com sintetizações, órgãos e vocais alterados eletronicamente que visitam a irresistível década que se tornou a fonte de inspiração para muitos artistas nos últimos anos. Em outra faixa, a referência de carinho e saudade pela época é ainda mais direta, já que nos versos de “Postcard”, enquanto piano e percussão gingam faceiros e brincalhões pelos ouvidos, Frida cita uma musa do cinema americano da década quando diz que “there is no easier way to please me now than to remind me of Diane Keaton”. É Frida, e o que eu posso dizer depois de ouvir To The Soul é que não há modo de me agradar mais do ouvir um novo disco seu.

senha: seteventos

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Frida Hyvönen – Silence Is Wild [download: mp3]

Frida Hyvonen - Silence is Wild

Nascida na Suécia, Frida Hyvönen é mais uma entre várias cantoras européias que demonstram imenso talento já no início de sua carreira. Depois de sua elogiada estréia em 2005 e do projeto especial para um grupo de dança, seu álbum Silence is Wild revelou os traços de sua música de forma ainda mais complexa. Não me refiro simplesmente a dificuldade em definir onde algumas de suas melodias guiadas por piano se encaixam, cujas exemplos são as faixas “Enemy Within”, que recheada de múltiplos vocais de fundo que dialogam com o vocal principal em versos como ‘be kind and fight at the same time/one too many things to keep track of’ tem andamento que não se permite rotulações, e a esplêndida “Birds”, cuja melodia introduzida por baixo, conduzida por órgão e sintetizador para embalar letras que se servem dos pássaros migratórios para divagar sobre a passagem da vida e o que fazemos dela tem uma sutil singeleza pop, mas é por demais sofisticada para ser acomodada como tal. A complexidade que me refiro nasce na rara habilidade da cantora entregar-se ao canto sem comedimento emocional ao mesmo tempo em que consegue administrar esta abordagem mais emotiva de modo a jamais resvalar na pieguice ou exagero. É o que acontece já na faixa de abertura, “Dirty Dancing”: com um piano lacrimoso embalando a bateria, a sueca desmancha os versos em uma confissão tocante sobre uma paixão de infância que, ao reencontrar na vida adulta, mostra como nossas expectativas sobre o futuro são frustradas, para o bem ou para o mal. Lamentações de um romance em crise preenchem as notas de piano de duas faixas próximas: “Highway 2 U”, na qual o piano triste acompanha a bateria que alterna discrição e drama enquanto Frida se desfaz em um vocal de fazer sangrar mesmo os corações mais duros, e “Science”, em cujos versos temos o rompimento de uma relação onde o excesso de lógica e ponderação de uma de suas partes faz ruir toda a paixão. Contudo, a artista sueca, que se dá ao direito de brincar com o estereótipo de seu povo na surpreendente explosão de alegria de “Scandinavian Blonde”, com direito à pianos e bateria em ritmo frenético e dançante, não tem pena do coração de seus fãs. Quanto mais à frente se vai no disco, mais variadas e profundas são as emoções com as quais a cantora e compositora lida. Com uma combinação esplendorosa de vocais encobertos de emoção com melodias sofridas e delicadas, temos desde “December”, na qual Frida apresenta um piano de melodia lúdica e quase infantil apenas para denunciar o quanto a narrração irônica da visita de um casal à uma clínica de abortos disfarça a dor da situação, passamos pela poesia impressionante nas letras de “Sic Transit Gloria”, que flutua como uma ode à pequenez humana em meio à grandeza da vida e do mundo, até chegarmos à simplicidade de “Why Do You Love Me So Much”, com pouco mais que piano e xilofone para emoldurar os versos plenos de sarcasmo onde a partir do título a cantora confessa sua surpresa em ser amada por alguém apesar de toda a sua displicência afetiva. Curiosamente, Frida tem por hábito compor homenagens carinhosas à cidades que por ventura tenha visitado. Neste álbum, duas foram agraciadas com belas canções: “London!” na qual a cantora, entre observações sobre como o clima pouco atraente e os modos curiosos de seus habitantes podem parecer afastá-lo da cidade, mas são justamente o que mais atraem nela, e “Oh Shangai”, balada com vocais impecavelmente emocionantes onde piano e bateria sincopada levantam-se em um crescendo emocionante que ganha ao final a companhia de uma instrumentação mais encorpada, porém inequivocamente doce, que faz referência à musicalidade chinesa.
Fabuloso compêndio recheado de baladas melancólicas cuja sinceridade irônica de alguns versos pode soar estranha no início, Silence is Wild é um disco que à medida que mais se ouve, mais se descobre sua fustigante beleza poética e incomensurável profundidade, tanto melódica quanto lírica. Poucos cantores ou cantoras tem a coragem de derramar-se em sentimento, e menos ainda são os que tem a segurança de que podem fazê-lo sem jamais perder a elegância – Frida Hyvönen é inequivocamente uma delas.

senha: seteventos

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Jay-Jay Johanson – Spellbound

Infelizmente, o blog do meu amigo não está mais online, e por esse motivo, tomo a liberdade de reproduzir aqui um backup da resenha que fiz originalmente como blogueiro convidado no saudoso Zé Offline. Logo depois da resenha segue a postagem original, para fins de “fidelidade histórica”, como diria Mark Hamill.

Conheço Jay-Jay Johanson de apenas dois dos seus discos, Poison e The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known, ambos ambientados dentro dos domínios do trip-hop com algumas fusões de pop e jazz. De modo geral, não seria errado alinhar o cantor e compositor dentro da seara da música eletrônica, mas isso já não é mais tão simples com o lançamento de Spellbound, seu mais novo disco. Para minha surpresa, à exemplo do que fez Beck no disco Sea Change, o artista sueco mudou consideravelmente de direção, enveredando por melodias profundamente contemplativas cujas bases em boa parte acústicas não vão muito além de pianos e violões e de algumas reluzentes doses de orquestrações. Aparentemente, a mudança parece ter sido influência do legado de seu trabalho na composição da trilha do filme “La Troisième Partie du Monde”, sua segunda experiência do tipo na carreira. A ambiência cinemática, trazida do trabalho no filme, aparece tanto nos silêncios significativos quanto nas orquestrações que reforçam o caráter dramático das melodias, o que já fica patente na faixa de abertura, “Driftwood”, composta pela alternância entre versos cantados por Johanson e uma harmonia orquestral breve e sutil que os sucedem, fazendo-lhes um contraponto melódico extremamente sofisticado. “Dilemma”, a faixa seguinte, recupera brevemente na cadência pop-jazz do piano de notas esparsas e graves e na percussão leve a musicalidade nostálgica do cantor sueco, apresentando grande parentesco com músicas que seriam certamente liveset de algum cabaret. Já em “On The Other Side” a harmonia doce e triste do piano traz como referência canções marcantes que foram trilhas de séries e filmes clássicos dos anos 70. Mais à frente, o violão de “Monologue”, dedilhado com parcimônia sobre sintetizações distantes e difusas, evoca o mesmo sentimento de placidez que pode ser experimentado à beira do leito de um rio em meio à uma floresta calma e vasta. Evocativa também é a melodia de “The Chain”, porém a programação-base que irradia-se em uma ondulação delicada, os toques abafados no piano e os acordes sufocados e arranhados em um violão buscam como reminiscência o remanso de outras águas: as do mar. Adiante no disco, além da clara inspiração pictórica, a música de terras mais distantes e paisagens mais tropicais também parece ter motivado as novas composições do artista sueco, já que, apesar dos acordes hesitantes e narcolépticos ao piano e do trompete solitário e melancólico de “An Eternity” terem um gosto inconfundível de jazz, o vocal do cantor, em registro baixo e silencioso, tem o sabor todo marcante da bossa-nova. Mas, se me fosse exigido escolher uma única canção de Spellbound para servir como a mais representativa desta fase renovada de Johanson, ela certamente seria a pungente “Ouf Of Focus”: sobre o melancólico ressoar de um orgão, o registro cálido e resignado do músico ao encerrar o disco cantando o triste verso “because of the tears in my eyes I saw her leaving out of focus” é de calar mesmo a mais atormentada das almas.

O post desta semana vai ser um pouco diferente: fui chamado pelo meu grande amigo a publicar uma resenha, como autor convidado, no seu blog, o Zeoffline.com. Recebi dele toda a liberdade do mundo quanto ao conteúdo da resenha: poderia ser sobre qualquer das coisas às quais já tenho hábito de escrever nos meus dois blogs: cinema, música, vídeos…e até homens. Mas eu penso que todo mundo, quando entra como convidado em algum lugar, faz questão de respeitar a casa do anfitrião e adequar-se ao ambiente. Por essa razão, decidi que o texto seria sobre um disco, que é a grande tônica do excelente blog do Zé. Aliás, se você ainda não conhece o Zeoffline.com, ta aí a melhor oportunidade pra fazê-lo: dê um pulinho lá pra conferir a minha resenha da semana e aproveite pra conhecer o blog.
É isso.
Na próxima resenha, tudo volta ao normal: vai ser aqui no blog mesmo.
Abrações e divirtam-se!

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005