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Tag: rock

Cat Power – Redux (EP) [download: mp3]

cat power - redux (ep, 2026)

Em comemoração aos 20 anos (quanto tempo!) de lançamento do disco The Greatest, a cantora americana Cat Power reuniu-se ano passado com a Dirty Delta Blues, a banda que costumeiramente a acompanha em turnês, para retomar e finalizar “Try Me”, um cover de James Brown que fez parte das sessões do álbum de 2006, mas nunca tinha sido finalizado: diferenciando-se do romantismo da gravação original, na voz e banda de Cat a faixa ganha as inevitáveis cores melancólicas do blues, mas na sequência final piano, órgão e bateria entram em absoluta comunhão para elevar o espírito da canção em um frenesi gospel.

cat power - redux (ep, 2026) post 01
Cat Power comemora 20 anos do lançamento de The Greatest com bons covers e uma releitura de uma canção do disco de 2006

Mas além do cover que não havia sido finalizado nas sessões de vinte anos atrás, Chan Marshall (como também é conhecida a cantora) aproveitou a oportunidade para produzir mais duas gravações para o EP lançado esta semana. A primeira é uma regravação de “Could We”, faixa do álbum de 2006 que duas décadas depois é atualizado com vocal mais assertivo da artista e uma melodia mais blues-rock, onde a harmonia brilhante do piano mezzo-virtuoso ganha destaque. Fechando o EP, Cat Power optou por uma tarefa ousadíssima, voltando-se para “Nothing Compares 2U”, escrita e originalmente lançada por Prince em 1985, mas eternizada em 1990 por Sinéad O’Connor em uma versão nada menos que definitiva da faixa. Embora não se compare a gravação lendária da artista irlandesa, ao herdar o mesmo sentimento de desolação, levado a frente aqui pelos acordes tristes do violão e guitarra, pelos toques tímidos do teclado e pela bateria lenta e sofrida, o cover da cantora americana se sustenta com dignidade e tem beleza própria – como diria o ditado brasileiro: entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

Baixe:
Cat Power – Redux (EP) [mp3]

Ouça (Spotify):

Cat Power – Redux – 2026
Cat Power – Redux – 2026

Ouça (Deezer):

Cat Power – Redux – 2026
Cat Power – Redux – 2026

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Brigitte Calls Me Baby – “Slumber Party” (single) [download: mp3]

brigitte calls me baby - slumber party (single, 2026)

Com seu segundo álbum agendado para março, a banda americana Brigitte Calls Me Baby lançou “Slumber Party” como primeiro single de prévia do disco: com guitarras de riffs densos e freneticamente acelerados em companhia de baixo e baterias muito bem sincronizados, o vocalista Wes Leavins invoca o espírito de seu crooner ancestral para narrar – com uma pontinha de melancolia – o “drama” de sua sexta-feira a noite: ser aceito ou não naquela festa “cool” da vizinhança para a qual está até mesmo levando seu DVD de “Veludo Azul” de David Lynch como oferenda. Porém, eu me pergunto: será que o povo dessa festança não preferiria “Persona” de Ingmar Bergman?

brigitte calls me baby - slumber party (single, 2026) post 01
Embora o visual do grupo lembre Duran Duran, o parentesco mais próximo é o post-punk do inicio dos anos 2000

Deixando o paradigma intelectual de lado, embora o visual do grupo lembre Duran Duran nos frutíferos anos 80, a faixa traz os americanos emulando o mesmo fervor juvenil do post-punk que permeou o início dos anos 2000, como Franz Ferdinand e Interpol, bem como a vigorosa espontaneidade do indie rock de bandas quase desconhecidas (menos para os leitores do Sete Ventos) dos anos 2000 e da década passada, como Scissors For Lefty e Liily – aguardemos março para constatar se o disco reflete a qualidade do single.

Baixe:
Brigitte Calls Me Baby – “Slumber Party” (single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Brigitte Calls Me Baby - Slumber Party (Single)
Brigitte Calls Me Baby - Slumber Party (Single)

Ouça (Deezer):

Brigitte Calls Me Baby - Slumber Party (Single)
Brigitte Calls Me Baby - Slumber Party (Single)

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Tori Amos – “Growin’ Up” (single) [download: mp3]

tori amos - growin up (single, 2025)

Com o anúncio do relançamento de uma versão expandida de Strange Little Girls, o disco de covers lançado em 2001, Tori Amos disponibilizou há poucas horas um pequeno aperitivo para os fãs: o single “Growin’ Up”, canção originalmente lançada por Bruce Springsteen em 1973, será uma das 4 faixas extras incluídas na nova versão do álbum – que também incluirá a faixa inédita “Hoover Factory”, de Elvis Costello. No cover de Amos, a bateria de Matt Chamberlain soa lépida e faceira, construindo volteios com uma destreza que claramente inspirou Tori a dedilhar o seu piano Bösendorfer com genuíno entusiasmo. O vocal da cantora também foi contagiado pelo ritmo lúdico da melodia, e surge tomado por um frescor e vitalidade que não se encontram presentes na maior parte das composições que a cantora vem lançando há mais de uma década – é uma demonstração indiscutível de toda a impetuosidade, energia e vigor que a pianista americana foi deixando pelo caminho ao longo dos anos, lamentavelmente.

Baixe: Tori Amos – “Growin’ Up” (single) [mp3]

Ouça:

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Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single) [download: mp3]

tori amos - spark [part 2] [uk] (single) 1998

Lançado em 1998 por Tori Amos, from the choirgirl hotel foi o primeiro disco onde foram observados sinais de mudança na música da cantora americana que hoje em dia, para fãs de décadas como eu, contrasta com a produção dos seus 3 primeiros discos a ponto de ser uma artista quase completamente diferente. Ao mesmo tempo, esse quarto disco ainda preservou hábitos que a artista sustentou desde o início da carreira, como o lançamento de vários singles contendo B-sides tão preciosos quanto as faixas selecionadas para integrar o disco. Um deles foi o da canção “Spark”, tendo uma versão exclusiva disponibilizada no Reino Unido contendo um cover e também um dos B-sides mais “míticos” da carreira de Tori. “Spark”, a faixa que também abre o disco do qual é derivada, inicia com acordes metálicos de uma guitarra dissonante e uma bateria de cadência espaçada, compondo a textura soturna e um tanto claustrofóbica que permeia o disco de origem, mas na chegada do refrão ambos são adocicados com o canto e o piano melancólicos que extravasam no “outro” melódico da canção em um frenesi sonoro que metaforicamente retratava o estado emocional da cantora no período que sofreu um aborto espontâneo. Na faixa seguinte, um cover demoníaco de “Do It Again”, de Steely Dan, onde a bateria em compasso marcado prepara o palco para que Tori Amos passeie com desenvoltura com seu vocal e seu piano, temos uma das últimas demonstrações genuínas da furiosa energia e capacidade de improvisação que eram sinônimos da cantora americana até então, mas que infelizmente Tori foi abandonando aos poucos com o passar do anos. O single se encerra com uma das baladas mais adoradas pelos fãs de Tori: em “Cooling”, com nada além de sua voz meiga e seu inseparável piano Bösendorfer, a cantora americana demonstrou a incrível habilidade de compor baladas doces onde sua emoção fluía sem qualquer tipo de contenção, como as correntes de um rio desaguando no oceano – um clássico inesquecível de seu catálogo.

Baixe: Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single) [mp3]

Ouça: Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single)

1. “Spark”

2. “Do It Again”

3. “Cooling”

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Anna Calvi – “I See a Darkness” (feat. Perfume Genius) (single) [download: mp3]

anna calvi (featuring perfume genius) - i see a darkness (single)

A arrojada cantora britânica Anna Calvi, em entrevista recente, declarou que gosta de fazer covers de artistas que admira porque deste modo consegue “expressar coisas que não consegue articular”. Tendo lançado há mais de dez anos uma ousada versão de “Strange Weather” em companhia de David Byrne e que, verdade seja dita, não se compara a levitante beleza da versão original da franco-israelense Keren Ann, Calvi aliou-se ao americano Perfume Genius (Mike Hadreas) para recriar outra canção – e desta vez foi um pouco mais feliz, a meu ver. Originalmente lançada por Bonnie “Prince” Billy (antes conhecido como Will Oldham) em 1999 como um lamento folk sobre como o entusiasmo fraternal dos homens na juventude muitas vezes converte-se em solidão e ansiedade na vida adulta destes amigos, “I See A Darkness” foi “encontrada” por Johnny Cash no ano seguinte e transmutada em um country/folk acústico ainda mais melancólico, o que talvez tenha inspirado o próprio Bonnie Prince, anos depois, em 2012, a relança-la como um folk/rock mais leve e animado. O cover de Calvi e Hadreas, no entanto, é permeado por um ar de mistério, que no início soa um pouco confuso e a cacofônico, muito devido ao contraste entre o vocal grave de contralto da cantora e a fragilidade na voz aguda de Perfume Genius, mas à medida que a canção avança e a icônica guitarra de Calvi ecoa e treme no ar com seus riffs afiados, a melodia se encontra, ganhando sintetizações que lhe preenchem com uma textura noturna mais quente e fluorescente.

Baixe:
Anna Calvi – “I See a Darkness” (feat. Perfume Genius) (single) [mp3]

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Sol Seppy – “The Alaska Wilds” (single) [download: mp3]

sol seppy - the alaska wilds (single)

Incomum, idiossincrática, singular, exótica. Escolha o adjetivo que preferir, a cantora anglo-grega Sol Seppy (que tem seu disco de estréia e um EP disponíveis aqui no blog) é alguém que realmente não reflete a concepção popular de músico ou artista, tanto na sua musicalidade diáfana quanto na sua personalidade arredia, sempre mantendo discrição quase completa sobre sua vida particular e dispensando qualquer tipo de divulgação ou promoção dos poucos discos e músicas que eventualmente decide lançar. O resultado, obviamente, é que essa cantora e compositora de imenso talento é conhecida de muito poucos, mantendo sua existência restrita aos domínios do indie e dos mais viciados em música e fazendo-se notar por estes somente quando, sem a menor cerimônia, decide lançar alguma coisa. É exatamente isto que aconteceu há dez dias atrás, quando Sol liberou o single “The Alaska Wilds”, que como muitas de suas composições, transpira delicadeza e sobriedade: com nada além de um piano de acordes mansos e intimistas e seu vocal macio e aconchegante para conceber a melodia etérea e serena que não chega a atingir três minutos de duração, a britânica, para nosso deleite, consegue demonstrar que ainda é dona da excepcional habilidade de extrair beleza dos mais parcos recursos.

Baixe:
Sol Seppy – “The Alaska Wilds” (single) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005