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Tag: rock alternativo britanico

Sol Seppy – “The Alaska Wilds” (single) [download: mp3]

sol seppy - the alaska wilds (single)

Incomum, idiossincrática, singular, exótica. Escolha o adjetivo que preferir, a cantora anglo-grega Sol Seppy (que tem seu disco de estréia e um EP disponíveis aqui no blog) é alguém que realmente não reflete a concepção popular de músico ou artista, tanto na sua musicalidade diáfana quanto na sua personalidade arredia, sempre mantendo discrição quase completa sobre sua vida particular e dispensando qualquer tipo de divulgação ou promoção dos poucos discos e músicas que eventualmente decide lançar. O resultado, obviamente, é que essa cantora e compositora de imenso talento é conhecida de muito poucos, mantendo sua existência restrita aos domínios do indie e dos mais viciados em música e fazendo-se notar por estes somente quando, sem a menor cerimônia, decide lançar alguma coisa. É exatamente isto que aconteceu há dez dias atrás, quando Sol liberou o single “The Alaska Wilds”, que como muitas de suas composições, transpira delicadeza e sobriedade: com nada além de um piano de acordes mansos e intimistas e seu vocal macio e aconchegante para conceber a melodia etérea e serena que não chega a atingir três minutos de duração, a britânica, para nosso deleite, consegue demonstrar que ainda é dona da excepcional habilidade de extrair beleza dos mais parcos recursos.

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Sol Seppy – “The Alaska Wilds” (single) [mp3]

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Alexander Wolfe – “The Toughening/The Softening” (single) [download: mp3]

alexander wolfe - the toughening / the softening (single) [2025]

Depois de lançar “Talk” (comentado por aqui em agosto), que traz nuances pop/rock e liricamente defende que os homens devem falar sobre seus conflitos internos para que preservem a saúde mental, o novo single do britânico Alexander Wolfe traz duas canções que fazem um recorte do início e fim da história do personagem cuja jornada aparenta ser o tema condutor de Everythinglessness, seu novo disco que será lançado em 2026. Em ambas o violão pinçado conduz as melodias construindo o melancólico alicerce emocional que aflora fortemente nas faixas em conjunto com o vocal de Wolfe, embebido em sentimento, mas enquanto na primeira camadas de vocal de apoio, bateria e guitarra pontuam a música com tensão e mágoa, na segunda estes unem-se de modo homogêneo para um sereno crescendo rítmico que eleva-se em ascensão magnífica no seu final. A atmosfera das faixas não diverge por pura arbitrariedade: talentoso e perspicaz, Wolfe compôs as melodias como um retrato perfeito do conteúdo lírico de ambas, pois em “The Toughening”, ao visitar o pai para expor sua desorientação ao descobrir que a mãe sofre de uma doença grave, o jovem personagem é inundado por reprimendas para que contenha as emoções e mantenha-se forte para dar suporte a ela, enquanto em “The Softening”, já depois de um longo tempo da morte da mãe, o rapaz revê o pai e extravasa furiosamente toda sua dor em uma confissão sobre como ele nunca o escutou e que a repressão de seus sentimentos quase o levou ao suicídio. Ainda que pareça ter marcado a trajetória deste homem com uma série de martírios, o cantor britânico aquece os últimos versos de “The Softening” com uma centelha de esperança, cantando com delicadeza, “ele, com sua raiva ardendo, vira-se para seu pai, que não havia falado todo esse tempo, e ele se dá conta: ele estava escutando”.

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Alexander Wolfe – “The Toughening/The Softening” (single) [mp3]

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Alexander Wolfe – “Talk” (single) [download: mp3]

alexander wolfe - talk (single)

Eu tinha plena certeza de ter resenhado o álbum de estréia ou mesmo algum videoclipe do cantor britânico Alexander Wolfe na sua estréia há mais de quinze anos atrás, mas para minha própria decepção, não encontrei qualquer texto relacionado ao artista aqui no seteventos. Isso, no entanto, é um problema que estou corrigindo agora.
Desde o ano de 2019 sem um novo disco, Alexander lançou ontem seu novo single, “Talk”, que é apenas a sua segunda canção nova nestes últimos seis anos. A faixa, que tem por base um riff cíclico e contínuo pinçado no violão e conta com bateria, baixo e uma guitarra melódica adicional compondo uma melodia pop/rock empolgante que ganha de imediato os ouvidos, foi composta pelo cantor inglês quando descobriu que, estatisticamente, a maior causa de morte de homens britânicos é o suicídio, e por isso encontramos nela versos pungentes como “nós amamos os homens mortos cantando no nosso rádio, romantizamos seu medos, mas não conseguimos falar sobre o garoto da vizinhança que se matou ano passado”. Tendo o artista perdido uma amiga próxima pelo mesmo motivo (para quem compôs uma canção em 2021) e tendo ele próprio lutado com questões de saúde mental, Alexander indica no refrão, com um vocal potente e cheio de sentimento, que a solução é que os homens vençam o estigma de que expor seu sofrimento e conflitos internos é um sinal de fragilidade, pois, como bem diz nas letras, “tudo que eu sei é que você precisa conversar”.

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Alexander Wolfe – “Talk” (single) [mp3]

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Isaac Gracie – “Something Inside Me” (single) [download: mp3]

isaac gracie - something inside me (single)

Isaac Gracie, jovem cantor e compositor que já teve seu álbum de estréia e um EP resenhados aqui no blog, num dos textos publicados no ano de 2019, até hoje não deu o ar de sua graça com um segundo álbum, mas eventualmente dá sinal de existência com um single ou EP esporádico, como fez em 2023 ao lançar “Something Inside Me”, composto da faixa título e “The Man Who Flew Into Space”. A primeira, introduzida por alguns toques macios no piano, logo sucedido por uma bateria bem cadenciada, porém igualmente delicada, sugere aspirações folk-rock, porém não demora muito para que o registro agudo e emotivo de Isaac, que expõe a falta de rumo da rotina que vive quando lamenta e suplica pelo amor perdido, seja acompanhado por uma intensificação melódica que avoluma-se em uma profusão sonora de grandiloquência teatral, para então aquietar-se novamente em sua conclusão ao professar seu amor no mais resignado conformismo. A segunda, co-escrita com seu irmão, alterna violões, percussão e um eventual contrabaixo introspectivos com um refrão onde vocais sobrepostos ao piano, guitarras e a orquestração concebem uma harmonia suntuosa e resplandecente como uma luminosa manhã de primavera – puro desbunde musical.

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Isaac Gracie – “Something Inside Me” (single) [mp3]

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Suede – “Trance State” (single) [download: mp3]

suede: trance state - single

Em setembro é lançado Antidepressants, o novo álbum da veterana banda britânica Suede, um dos grandes nomes do que é considerado o britpop e que foi formada em 1989 pelo vocalista Brett Anderson. Como aperitivo do disco, duas canções já são conhecidas do público, ambas trazendo uma prévia da sonoridade punk, ou melhor dizendo, post-punk a que aludiu Anderson nas entrevistas sobre o futuro álbum. A primeira, “Trance State”, é introduzida pela cadência firme a acentuada da guitarra e um baixo saliente, quando Brett traz um registro vocal nitidamente amargurado que reverbera por sobre os acordes agudos e etéreos da guitarra, em um relato sobre um estado de anestesia da realidade, um nocaute emocional que lhe impede de acompanhar qualquer interação social (daí a razão da faixa encerrar com uma gravação com alertas típicos a quem faz uso de ansiolíticos); a segunda, “Disintegrate” entrega uma bateria mais robusta e sincopada que conduz guitarras densas e tortuosas, enquanto Anderson solta a voz com energia em um canto tenso e premente em versos que refletem poeticamente e extraem a beleza de uma relação conturbada: “desolação como uma arte, hesitação como uma crença, e você os segura como uma arma nas suas mãos”.

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Suede – “Trance State” (single) [mp3]

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Muse – “Unravelling” (single) [download: mp3]

muse - unravelling (single)

O próximo álbum da banda britânica Muse ainda está sem data de lançamento e sem título definido, mas o primeiro single foi disponibilizado hoje nos serviços de streaming. Produzido pela banda, por Aleks Von Korff e pelo músico de apoio Dan Lancaster, que curiosamente também compôs a faixa em parceria com Matt Bellamy, “Unravelling” inicia com uma sinuosa programação de sintetizações, artifício melódico que há anos tem sido utilizado pela banda britânica com mais frequência do que eu desejaria e que apresentou seu ápice no nostálgico disco Simulation Theory, porém uma orgia de riffs de guitarra e a escandalosa intensidade de Dominic Howard na bateria ressuscitam uma sonoridade urgente e incendiária que não vemos de forma sólida nos discos do grupo britânico há cerca de 20 anos – é um aperitivo interessante, mas não significa que o prato principal (o futuro disco) não possa ser servido com ingredientes completamente distintos. Vamos aguardar.

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Muse – “Unravelling” (single) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005