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Tag: rock alternativo canadense

HotKid – “Rip It Into Pieces” (single) [vídeo, download: mp3]

hotkid rip it into pieces single

Inicialmente uma dupla, agora um trio, a banda canadense HotKid costuma centrar suas composições ao redor das cordas de guitarras – muito por influência da adoração da líder do grupo, Shiloh Harrison, por elas. E é por isso que no seu single “Rip Into Pieces”, lançado em 2011, o instrumento se apresenta de modo tão proeminente, em riffs fartos e alucinantes que são heroicamente acompanhados por uma bateria igualmente frenética e densa. Shiloh também não se envergonha de colocar toda a potência do seu vocal, externado a plenos pulmões e pontuado por berros desvairados de pura energia rockeira, para coroar a extravagante melodia. O videoclipe que acompanha o single segue a mesma toada insana, com uma cornucópia de sobreposições de imagens e cores, luzes estroboscópicas, câmeras lentas e aceleradas, explosões e muita fumaça cenográfica – moderação e comedimento, definitivamente, são conceitos inexistentes para esta banda!

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Cowboy Junkies – Renmin Park e Demons (+ EP bônus) [download: mp3]

A banda canadense Cowboy Junkies até hoje não consegue a merecida projeção que a qualidade de sua música merece. Afora o seu próprio país, a banda dos irmãos Margot e Michael Timmins é conhecida e apreciada por bem poucos – o disco que mais chegou perto de um sucesso foi o espetacular Lay It Down, cuja resenha do Seteventos você conferir clicando neste link. Isso, porém, não parece incomodar os músicos, já que há 25 anos eles mantém o ritmo de gravações e shows. E foi justamente em comemoração à isto que a banda concebeu o projeto The Nomad Series, um conjunto de quatro discos que estão sendo lançados dentro de um período de dezoito meses refletindo e reunindo tanto novas inspirações para a banda como velhas influências da sua carreira. Destes, dois volumes já foram lançados.
Renmin Park, cujo nome faz referência aos belos parques que enfeitam grande parte das cidades da China, país no qual Michael passou um período de três meses enquanto providenciava e aguardava o processo de adoção de duas crianças, é o Volume 1 da série de discos. A estadia no país inevitavelmente influenciou as composições do primeiro disco do projeto: quase todas as músicas contam com o apoio de sons e ruídos gravados pelas ruas chinesas enquanto Michael passeava para conhecer melhor a cultura e costumes do país. A faixa “Intro” é tão somente isto: uma mistura do registro de sons ambientes para apresentar a atmosfera na qual o disco teve sua gênese. À exceção de “A Walk In The Park”, cantada em mandarim por um cantor chinês amigo da banda e que integra ritmos, vozes da cultura musical chinesa com a ambiência rock da banda, a maior parte das outras canções utilizam estes elementos em grande parte apenas como adorno, preservando em sua integridade a já conhecida mistura de folk e rock com uma pitada de country que caracteriza as músicas da banda. É o que ocorre na faixa título, onde somos surge os violão tão conhecido da banda o vocal sempre emocionante de Margot, entoado em um registro tão triste e amargurado quanto o violino solo em um lamento tipicamente oriental que faz a ponte melódica da faixa. Outras faixas que tem a inserção de ambiências orientais temperando a melodia são “Sir Francis Bacon At The Net”, com o gingado soturno da bateria e baixo, intensificados por reverberações metálicas de guitarra e pelo cantar misterioso dos irmãos Timmins, em uma rara participação conjunta nos vocais, “(You’ve Got To Get) a Good Heart”, intoduzida por uma climática reverberação de acordes de piano e que conta com bateria e baixo em evidência na cadência discretamente soturna na qual os vocais se mantém em um registro baixo e “Cicadas”, cujo base melódica é guiada por um baixo em pulso marcado e preenchida por uma combinação da captação de sons das ruas e parques chineses e de semi-silêncios em solos de violoncelo e violino enquanto a voz macia e determinada de Margot acompanha a harmonia e prepara a entrada da bateria e do violão.
Mas há canções no disco que se limitam apenas à fronteira da tradicional musicalidade rock da banda. Entre elas, “Stranger Here”, com riffs de guitarra, violão e bateria de harmonia firme e o orgão que promove com perfeição a liga da melodia, as baladas “I Cannot Sit Sadly By Your Side” e “Little Dark Heart”, a primeira com um dos vocais mais desesperançados de Margot sobre riffs cada vez mais emaranhados e desesperados de guitarra, bateria e baixo em lento pesar e um piano que corta o coração com suas notas que despedaçam-se na melodia enquanto a segunda conta com violões pronunciados e toques malemomentes de guitarra e orgão sobre cantar levemente anasalado da vocalista e também “My Fall”, cover em inglês de uma música chinesa que com a solidez country-rock da bateria, violões, baixo e o vocal limpo e claro de Margot, adoçado pelo fremir de alguns acordes de guitarra e ocasional arranjo de violino, bem passaria por uma música composta pela própria banda.


O Volume 2 do projeto é o disco Demons, uma compilação de covers de composições de Vic Chesnutt, americano cantor de folk, country e rock alternativo que morreu no final de 2009 e que era grande amigo da banda. A intimidade e liberdade dos canadenses ao lidar com o material composto pelo colega é tão grande que não há qualquer diferença realmente visível entre estas canções e o catálogo do próprio Cowboy Junkies de tão coloridas que foram pelo vigor e frescor rock dos canadenses: “Wrong Piano”, com bateria bem cadenciada sobre um órgão esfuziante e riffs caudalosos de guitarra, “Flirted With You All My Life”, com piano, bateria, guitarra, órgão e baixo em amálgama harmônico algo dançante e “Ladle”, com diversas camadas de guitarras alternando e contrapondo-se sobre a harmonia sólida de bateria e baixo e os vocais potentes dos irmãos Timmins no refrão, todas foram incrementadas com as estudadas melodias e entusiasmos sem arestas tão bem conhecidos da banda.
Porém, apesar do belo trabalho dos canadenses ao adaptar as canções mais ritmadas do amigo americano ao seu próprio estilo, é lidando com as canções mais desiludidas, onde ressaltava-se a essência mais despojada e instrospectiva e menos maciça de Vic, que o Cowboy Junkies mostra-se brilhante, refundando as melodias à luz de sua estupenda matiz musical. É o caso de “Betty Lonely”, linda balada no vocal abatido de Margot sobre um órgão melancolicamente sensual e a cadência imutável e macia da bateria e do baixo, entrecortados tão somente por algumas farpas de guitarra, de “Square Room”, que ganhou uma orquestração de cordas discreta que sopra ao fundo, solícita e triste, enquanto Margot guia o passo cálido da bateria, do violão e do órgão com seu vocal que sublima emoção, da esplêndida “Supernatural”, que também conta com uma orquestração serena e destaca-se pela viola de acordes chorosos como companhia ao vocal amargurado e resignado da cantora canadense, do contemplativo arranjo de “We Hovered With Short Wings”, com percussão que farfalha como uma brisa, acordes de um polido violão e um taciturno clarinete namorando o semi-sussurar de Margot numa espetacular comunhão sonora que toma delicadamente os sentidos, e também da cortante “Marathon”, cujos violões e percussão só não são mais plangentes que o vocal sofridíssimo de Margot e Michael Timmins, que dilaceram a alma tanto quanto o fremir glacial da guitarra solo.
Impressiona mesmo os que já conhecem a banda de longa data que os canadenses não apenas sustentem a qualidade musical que vem desde o início de sua carreira, mas que depois de tanto tempo ainda desfrutem de um frenesi criativo que transborda tamanho refinamento e densidade melódica tanto ao trabalhar com material de seu próprio punho quanto de outros artistas, um luxo o qual nem mesmo bandas mais populares e lendárias conseguem dispor por tanto tempo – abençoado seja o Cowboy Junkies!

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e mais um bônus: clique aqui e baixe “3rd Crusade”, uma das faixas de Sing In My Meadow, o Volume 3 da série que está planejado para ser lançado em Agosto.

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Timber Timbre – Creep On Creepin’ On. [download: mp3]

Taylor Kirk, cantor e compositor canadense que é a ponta criativa do triângulo que compõe a banda Timber Timbre, cujos outros vértices são Mika Posen e Simon Trottier, poderia bem ganhar a vida como intérprete de grandes clássicos do blues por conta de sua voz grave e macia, e nota-se facilmente o quanto o gênero influenciou suas composições, particularmente no seu último disco, Creep On Creepin’ On. Além da própria carga que existe em seu vocal, aquele vapor melancólico e nostálgico do blues também acaba contaminando boa parte das melodias. O piano de notas agudas e cristalinas que estala no ar em “Bad Ritual” é exemplo claro disto, há porém a companhia de algumas orquestrações e eletronismos lo-fi que lhe conferem também uma sonoridade bastante soturna. Esta atmosfera também circunda os acordes do piano, as inserções pontuais do saxofone e o órgão empoeirado de “Black Water”, conferindo à canção ares de balada de salão de festas de um hotel mal-assombrado. O saudosismo ganha um requebro mais dançante na cadência de teen party sessentista de “Too Old To Die Young”, que parece saída diretamente de um momento mais inspirado em que Chris Isaak incorpore o seu Elvis. A impressão no início desta faixa é que o ar sinistro possa ter ficado pra trás, mas a sensação evapora rapidamente quando o refrão soturno ataca sem hesitar a melodia. Esse caráter musical que desenha referências na música de meados do século passado floresce igualmente na faixa “Woman”, mas o obscurantismo dark não deixa de se fazer presente, insidioso e lembrando muito o trabalho dos britânicos do Portishead: impossível não fazer referência à biologia melódica do grupo inglês na intro que funde metais, guitarras e bateria em uma marcação aquosa de filme de ficção-científica tanto quanto no modo como isso é repentinamente revertido em uma singela harmonia tradicional em piano, vocal, baixo e bateria.
O parentesco de Timber Timbre com músicas de antigos filmes de sci-fi e terror não fica apenas na fusão feita com melodias que tem algo da boemia de um cabaret ou salão de festas de um hotel cinco estrelas, mas é exibido em toda sua intensidade na tecitura das faixas instrumentais que pontuam de modo dramático o disco assim como sequências de um filme são pontuados por sua trilha. Assim funcionam “Obelisk”, com o suspense armado pelo arranjo de cordas sobre um pulso ininterrupto da bateria e ruídos que rompem a melodia e reforçam o clima espectral, e “Swamp Magic”, que apesar do obscurantismo inicial nos acordes escandidos no violão, na ondulação das cordas e nas interferências indistintas, é banhada por uma luz orquestral em sua sequência final. Contudo, o mais belo interlúdio cinemático é o de “Souvenirs”: uma reverberação de cordas fulgurante que é reminescente das esplêndidas peças eruditas do hiper-vanguardista György Ligeti que sonorizaram a espetacular obra-prima “2001: Uma Odisséia no Espaço”, fechando no modo “egotrip transcendental” o singular setlist que cairia muito bem em uma festa – mas só naquela cuja anfitriã fosse Carrie White.

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Metric – Fantasies (UK Limited Edition) [download: mp3]

metric - fantasies (uk limited edition, 2009)

Tendo despertada em si a necessidade de viver uma experiência de anonimato e deslocamento, e portanto de uma descoberta solitária de um ambiente novo, desconhecido, Emily Haines, cantora e compositora canadense, vocalista da banda Metric, escolheu Buenos Aires como cenário desta experiência. Sem qualquer menção de drama, Emily declarou que precisava entender o estado atual de sua vida, além do desejo de afastar-se dos polos internacionais do rock/pop para isolar-se de qualquer possível influência no trabalho de composição que por ventura viesse a desenvolver. Depois de ter conferido o que foi feito pela canadense e sua banda em Fantasies, seu novo disco, posso dizer que a capital da Argentina foi o refúgio certeiro para Emily.
O primeiro contato com o que foi desenvolvido no disco foi a faixa “Help, I’m Alive”, single que surgiu na internet no fim do ano passado e teve sua versão acústica liberada no site oficial cerca de um mês depois. A versão produzida para o álbum inicia com um beat sujo com compasso acompanhado por uma bateria de ritmo bem marcado e guitarras que insuflam a melodia com sua sonoridade maciça e acachapante, deixando no ar um ultimato delirantemente dançante. A versão acústica, delicadamente produzida apenas com piano e violão, deixa de lado a urgência sonora e prioriza as letras onde Emily transmite seu estado de ansiedade e temor absolutos, com um “coração que bate como um martelo” e um “pulso que corre como um trem desgovernado”. A faixa atiçou a curiosodade dos fãs e deixou em todos a sensação de que nesse novo disco a banda estaria superando seus limites mesmo depois de um belo trabalho como Live It Out. E não precisamos esperar muito para tirar a prova disso – no início de Março o tão aguardado disco caiu na rede e eu, como todos os fãs de Emily e do Metric, fui intoxicado pelo álbum.

metric - fantasies (uk limited edition, 2009) social
Vocalista do Metric, Emily Haines isolou-se em Buenos Aires para reavaliar sua vida, e acabou concebendo um dos melhores discos de sua banda

No meu caso particular, Fantasies cresceu lentamente, ao longo de cerca de um mês, infiltrando-se sorrateiramente em meus ouvidos. “Satellite Mind” foi a grande responsável pelo acontecido: a faixa, com beat deliciosamente pegajoso ao fundo, delineado no refrão por riffs incandescentes de guitarra, bateria de cadência rompante, pontuais eletronismos luminosos e um vocal empolgante, viciou tanto os meus sentidos que não consegui dar a devida atenção ao restante do disco por dias e dias seguidos. Curiosamente, foi outra faixa, “Gimme Sympathy”, que suavizou o efeito narcotizante de “Satellite Mind” e libertou as demais músicas, assim como ela própria, do exílio por mim estabelecido à elas: ao assistir ao clipe da canção (veja texto sobre ele logo abaixo) me vi apaixonado pelo modo como guitarra, bateria, baixo e vocal se harmonizam e crescem até o completo amálgama no refrão, que aparentemente fala sobre o que a banda aspiraria para o seu futuro: a efêmera mas retumbante passagem dos Beatles ou o intenso brilho que se apaga aos poucos dos insistentes Rolling Stones? O fascínio despertado por estes versos deu partida no disco e me fez olhar com atenção outras faixas. Nessa busca, a canção que decreta que o amor pode tornar-se uma doença que aprisiona e impede de conduzir sua vida foi a que revelou suas qualidades logo em seguida: “Sick Muse” dispara com uma junção escandalosamente swingada de riffs de guitarra e groove de bateria que juntos com o vocal insolente de Emily evocam uma atmosfera envenenante para os sentidos. A melodia de “Blindness”, com guitarras e sintetizadores que escalam aos poucos os degraus de uma melodia depressiva para um entreato sonoro insurgente conduzido pela bateria de golpes fortes também exigiu seu espaço, e foram seus versos que serviram de garantia para tanto: para transmitir a idéia de alguém que em meio a sua falta de rumo luta para encontrar um caminho, mesmo que não saiba para onde ele irá o levar, Emily Haines pôs em prática suas habilidades como letrista e teceu uma analogia com os sobreviventes de um desastre que esperam por ajuda, construindo um texto intenso em imagens e símbolos. Magníficas também são as letras da faixa bônus de Fantasies, “Waves”, em que Emily incorpora um marinheiro que declara sua paixão por tudo o que vive em sua vida nômade, tão intensa e arrebatadora quanto a melodia ao mesmo tempo ligeira, doce e radiante das guitarras, bateria e vocais. “Stadium Love”, que fecha o disco, foi das últimas a enfileirar-se entre as minhas preferidas do novo disco: a integração entre os acordes espessos de guitarra, bateria, baixo, sintetizador e vocal resulta em uma música densa e atordoante que ajusta-se inteiramente as letras que tratam de duelos entre todos os animais do mundo em uma arena ocupada por pessoas que se rendem ao combate também na platéia. É a faixa que melhor resume, tanto em versos, com esta alegoria violenta, quanto em melodia, com sua atmosfera sufocante, o frenesi alucinante que permeia a maioria das canções deste novo álbum que nasceu após uma ausência considerável da banda para recarregar suas energias, liquidando seu esgotamento e seus receios e um álbum de sonoridade vigorosa e eletrizante e versos primorosos e francos.

Metric – Fantasies (UK Limited Edition – 2 CDs) [mp3]

Ouça (Spotify):

Metric - Fantasies - 2009
Metric - Fantasies - 2009

Ouça (Deezer):

Metric - Fantasies - 2009
Metric - Fantasies - 2009

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Emily Haines & The Soft Skeleton – What Is Free To A Good Home? [download: mp3]

Emily Haines & The Soft Skeleton - What Is Free To A Good Home?O material restante do fantástico empreendimento solo da vocalista do Metric, batizado pela cantora como Emily Haines & The Soft Skeleton, está reunido agora no EP What Is Free To A Good Home? O disco contém as faixas que, por um motivo ou outro, acabaram não entrando no disco Knives Don’t Have Your Back. Por terem nascido nas mesmas sessões do disco lançado em 2006, as semelhanças são notáveis: os arranjos com metais, assim como aconteceu com as outras canções, continuam tendo destaque na harmonia das músicas. As duas primeiras faixas do EP, “Rowboat”, com letras um tanto difusas sobre a vida cotidiana e o amor, e “The Bank”, que aparentemente fala sobre o consumismo a que reduzimos nossa vida, já mostram isso de cara. Na primeira, os metais fazem uma pequena, lenta e triste introdução para acordes sofisticados e um tanto dissonantes no piano, e logo tomam parte continuamente na melodia, geralmente surgindo para ocupar os espaços não preenchidos pelo vocal da cantora, unindo-se à voz de Emily apenas no fim. Já a irresistível “The Bank” conta com uma bateria ritmada, porém sutil, inundando o fundo da melodia e levantando o palco para o vocal macio da compositora, seus acordes calmos no piano e, claro, o arranjo emocionalmente contido dos metais. Já “Telethon”, em que Emily comenta a inércia que nos impede de modificar a insipidez insistente de nosso cotidiano, contenta-se com piano e vocal tranquilos e pequena participação dos metais na conclusão da melodia – que cita uma canção do cantor Billy Joel. “Bottom of the World”, cujos vocais suaves falam sobre abandono e reclusão fraternal, economiza ainda um tanto mais melodicamente, compondo-se apenas de piano e um quase inaudível contrabaixo ao fundo. Por outro lado, “Sprig”, com versos abstratos sobre noites passadas em branco, põe na companhia do piano uma série de ruídos, alguns provenientes de programação eletrônica, outros obtidos de instrumentos acústicos, compondo uma espiral melódica sinuosa, extremamente tortuosa – parece fruto de improviso, mas ao contrário do que se possa pensar, resulta em uma melodia espetacularmente complexa. A última faixa do disco é uma mixagem alternativa de “Mostly Waving” que promove uma fusão da harmonia original da canção com aroma reggae, o que tira um pouco a preponderância dos metais na melodia.
What Is Free To A Good Home? funciona como um bom tira-gosto até o lançamento do próximo disco do Metric – prometido ainda para este ano – e para segurar a onda dos fãs até o dia que Emily resolver voltar a dar atenção à composições exclusivas para sua carreira solo. Ficar ansiosamente esperando pode acabar cansando bastante – entre o lançamento de sua estréia solo e Knives Don’t Have Your Back passaram-se simplesmente 10 anos. Quem sabe se What Is Free To A Good Home? fizer sucesso poderemos ter um novo disco da cantora canadense bem antes do que se espera.

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Jason Collett – Idols Of Exile [download: mp3]

jason collett - idols of exile (2005)

Os membros do Broken Social Scene são tantos que não é surpresa alguma você você se deparar acidentalmente com algum álbum solo de um de seus integrantes. Foi assim que acabei conhecendo o disco Idols Of Exile, de Jason Collett – por um acaso mesmo, já que estava apenas vasculhando a lista de artistas do selo Cityslang, que lançou o disco da artista sobre quem falei aqui semana passada, Justine Electra. O trabalho de Collett sugere várias influências e semelhanças casuais com outros artistas que já ouvi. O colorido intenso das melodias de “I’ll Bring The Sun” – que fala sobre um homem que mantém uma relação à distância com uma mulher muito diferente dele e de sua própria realidade -, com violões de acordes rápidos e bateria ritmada, além do refrão com vocais esfuziantemente multiplicados, e “These Are The Days” – com letras tratando do cotidiano difícil de um casal que sempre está a beira de separar-se -, cujos violões e coro da palmas formam o corpo da canção e concedem-lhe uma tristeza calma e quente, mais confortante do que sofrida, sugerem as composições nem sempre alegres mas animadas do álbum solo de James Iha, do Smashing Pumpkins. Já na segunda faixa do disco, “Hangover Days”, onde vemos um homem que só consegue entender a amor que sentiu depois que ele terminou, um dueto com a sempre fabulosa Emily Haines, tanto no vocal de Jason Collett, como na melodia folk-rock do violão, do ocasional solo de guitarra e da bateria, é impossível não lembrar das composições mais seminais de Bob Dylan.
Porém, a música de Jason Collett, mesmo que guarde sempre algumas feições similares e difusas com outros artistas, também tem caráter musical próprio. É o que sentimos na história de um homem que ruma à uma cidadezinha apenas para observar silenciosamente a distância quem ama, na brilhante canção “Parry Sound” e na sua melodia melancólica de violão e bateria de candência lenta e arrastada. Pode-se sentir pontadas das composições emotivas de Damien Rice ali, mas tanto o vocal aveludado de Jason quanto os acordes de guitarra e os sopros dos metais que escutamos no fim da canção retiram grande parte desta impressão. A road-song “Tinsel And Sawdust”, na qual Jason põe o pé na estrada, deixando para trás um amor que julga não ter dado certo, tem um quê do mais acústico do Smashing Pumpkins, por exemplo, mas guarda mesmo em si é o folk distante e arredio de Collett na presença do violão econômico e nos vocais ao modo sussurrado. E como se soubesse que, inevitavelmente, teria suas canções comparadas às de artistas que o influenciram, Jason ainda achou tempo para brincar com as temática recorrentes e o modo de composição de grande parte dos artistas do rock na meta-analítica “Pink Night” cuja melodia, não poderia deixar de ser, tem cheiro inegável de country-rock e blues. É, de fato, um moço bem espirituoso.

Baixe: Jason Collett – Idols Of Exile (2005) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005