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Tag: rock alternativo canadense

Metric – Live It Out. [download: mp3]

Metric - Live It OutMinha adoração por Emily Haines, que descobri no ano passado através do seu projeto solo, me fez temer o contato com a sua banda, digamos assim, oficial – o Metric. Por estar tão apaixonado pelas canções sorumbáticas e profundas, levadas ao piano, de Knives Don’t Have Your Back fiquei com receio de me decepcionar com o trabalho da banda e decidi não procurar canções deles tão cedo, fazendo-o apenas esta semana. Essa foi uma decisão acertada, já que a sonoridade da banda difere muito do trabalho mais pessoal da vocalista e, estando naquele momento tão ensoberbado, eu não conseguiria me afeiçoar e acostumar com a sonoridade mais agitada do Metric.
No álbum mais recente, Live It Out, Emily Haines demonstra à frente do Metric o infinito potencial de sua versatilidade, acompanhando guitarras no modo punk-rock com maestria tão fabulosa quanto fazia ao piano, no seu disco solo. “Handshakes”, que fala sobre o círculo vicioso do consumismo que sustenta a vida moderna, “Monster Hospital”, tratando da tentativa de lutar contra a opressão e “Patriarch On A Vespa”, que igualmente fala de opressão, mas daquela desenvolvida pela sociedade machista sobre as mulheres, são todas canções onde o Metric investe pesado neste estilo, elaborando arranjos quase frenéticos com uma profusão de guitarras ligeiras em riffs e distorções saborosas e bateria esmurrada com esmero. O vocal de Emily é completamente possuído pelo espírito do gênero, exibindo interpretações pujantes.
No entanto, a banda consegue também vestir-se de traquilidade, e ser tão boa nisso quanto nos seus momentos mais raivosos e barulhentos. O Metric de “Too Little, Too Late”, por exemplo, lembra muito o The Cardigans dos dois últimos discos, com seu baixo, guitarra e bateria desapressados e charmosos e com o vocal cheio de romantismo interpretando uma canção sobre o amor atribulado que as vezes vivemos, que nos faz mais mal do que bem, mas que, mesmo assim, não temos coragem de recusar. “Poster Of A Girl”, onde Emily canta sobre uma mulher que busca o amor, mas que acaba satisfazendo-se com os prazeres sexuais, sempre mais fáceis de se obter, continua promovendo uma melodia mais tranquila, mas a sua estrutura é mínima, feita de dois diferentes momentos que se sucedem durante toda a canção, com destaque para os riffs amenos da guitarra e a programação eletrônica graciosa e cintilante.
Assim, não bastasse o deleite que é descobrir as belezas do rock do Metric, a banda ainda serve para confirmar a suspeita de que Emily Haines e seus colaboradores estão dentro do que há de mais genial, genuíno e criativo no cenário atual da música, destacando-se ainda mais no meio alternativo/indie devido à enorme versatilidade dos membros que integram o conjunto. E eu levanto a bandeira: quero Emily Haines já para o posto de sacerdotisa do indie rock.
Baixe o disco utilizando o link a seguir a a senha para abrir o arquivo.

[music]rapidshare.com/files/225717196/metric_-_live.zip[/music]

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Cowboy Junkies – Lay it Down. [download: mp3]

Cowboy Junkies - Lay It Down

Cowboy Junkies - Lay It DownEsta banda canadense, onde três dos quatros integrantes são irmãos, nunca obteve o sucesso que tanto almejou. O seu country-rock, suave, sutil e econômico mantém sua identidade quase intacta até hoje, e atingiu a perfeição no álbum “Lay it Down”, lançado em 1996. Este é um disco de difícil análise, por um motivo muito simples: as músicas mantém um estilo muito homogêneo, com os mesmos vocais macios de Margo Timmins e cujas melodias utilizam praticamente a mesma instrumentação e estrutura. No entanto, há algumas ligeiras diferenças nas melodias de algumas canções, com a destaque sutil para algum dos intrumentos utilizados. As guitarras, por exemplo, ganham uma tonalidade muito compacta, discreta e organizada, sem um mínimo de rebeldia, mesmo quando utilizada de maneira mais vistosa em “Something More Besides You” (que traz questionamentos sobre o amor que sempre esperamos encontrar, e se paramos de buscar algo a mais mesmo quando o encontramos) e na canção que a sucede, “A Common Disaster” (que mostra a altivez de uma mulher segura de que conquistará quem tanto deseja, mais cedo ou mais tarde). Na música-título do disco (cujos versos falam brevemente sobre uma estória de desgraças e resignação), temos a utilização episódica de irresistíveis riffs comportadinhos de guitarra, ao mesmo tempo que amplia-se ainda mais a quietude sonora que é a maior identidade do grupo. “Speaking Confidentially” (com versos repletos de metáforas e comparações muito bem compostas, retratando sentimentos de ódio, revolta e confusão) tem como seu diferencial a bateria mais claramente ritmada, cuja sonoridade foi trazida mais para o primeiro plano da melodia, assim como também destaca-se por utilizar de maneira mais ostensiva um arranjo de cordas que incrementa – e muito – a canção. No entanto, a homegenidade sonora predomina no disco, como podemos conferir nas clássicas baladas suaves e delicadas, que é uma das coisas que a banda faz de melhor. Exemplos disso são “Hold on to me” (que traz em seus versos o comportamento algo indiferente que as pessoas, por vezes, adotam no amor), “Lonely Sinking feeling” (com letras fabulosas, que revelam, atraves de diálogos e pensamentos de dois namorados, o eterno sentimento de confusa insatisfação que nos abate quando atingimos aquilo que mais almejamos no amor) e “Musical Key” (em cujas letras imensamente tocantes Margo canta, utilizando a tradição musical como mote, sobre lembranças doces da convivência com seus pais em sua infância). Porém, apesar do comportamento caráter conservador do trabalho da banda – o que, em nenhum momento, se configura como defeito -, ela ainda conseguiu perpretrar alguma ousadia, como podemos conferir na canção “Come Calling” (que fala sobre um casal cujo relacionamento amoroso está em suspenso) que tem duas versões de diferentes melodias mas com a mesmíssima letra: as versões “His Song” e “Her Song”. A primeira é a versão que retrata os sentimentos de arrependimento do homem, com melodia mais agitada e rápida, e a segunda transmite com exatidão a melancolia e sofrimento pelo qual passa a mulher, com sua música triste, quieta e lenta. Fechando o disco, e preservando o ritmo melancólico, da faixa anterior, temos “Now I know”, canção de curta duração cujo destaque na melodia fica para o violão e em cujas letras resume-se, em poucos versos, o âmago do que é sofrer.
“Lay It Down” é um disco de audição fácil, que mantém em seu todo uma textura tranquila e algo contemplativa, feito para ser escutado seguidamente no mesmo dia, desfiando nas audições cada detalhe elegante dentro das ligeiras diferenças melódicas das canções. Baixe já o disco utilizando o link abaixo e a senha para abrir o arquivo.

ifile.it/2dokwp7/junkies_-_lay.zip

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Emily Haines & The Soft Skeleton – Knives Don’t Have Your Back. [download: mp3]

emily_haines_and_the_softs_keletonBelas surpresas reservam a internet. Ao me deparar com o perturbador vídeo de Emily Haines (veja aqui no blog), fiquei deveras impressionado com a sua música e, inevitavelmente, seguiu-se uma busca pelas canções de seu segundo álbum solo. Garimpei a web inteira, encontrei o álbum e fiquei surpreendido. Knives Don’t Have Your Back pode não ser feito completamente de músicas fenomenais, mas aquelas que são fenomenais, o são integralmente. “Doctor Blind”, o single cujo vídeo já citei e aqui postei, é abusivamente moderno e delirante: nas letras, entre versos algo delirantes, o vocal de tom desesperançado de Emily pede à um médico a prescrição de drogas para aplacar o sofrimento psicológico de seu companheiro; a melodia é feita num piano de acordes tristes e bateria de cadência lenta e pesairosa, acompanhados por bom uso de orquestração de cordas complementar. Em “Detective Daughter”, cuja letra fala sobre conflitos de identidade com os quais todos podemos nos deparar em certa altura da vida, temos uma melodia hipnótica que usa, além do piano triste e reflexivo, acordes longos de guitarra e bateria eletrônica básica. “The Lottery” trata da liberdade sexual e da sua necessidade na vida humana, trazendo um melodia onde orquestrações de cordas sofisticadas ganham mais corpo na música, complementando o piano de acordes um pouco desiguais e o vocal sutilmente irônico de Emily. Em “The Maid Needs A Maid” Emily revela uma canção de amor para uma outra mulher, revelando os detalhes ordinários de sua beleza e comportamento que a fascinam. A melodia é baseada apenas em piano, cujos acordes graves são tão bem compostos que realmente fazem desnecessária a participação de qualquer outro instrumento. “Mostly Waving”, cujos versos curtos falam sobre o comportamento inadequado, tem como seu maior atrativo a música fabulosa: além do piano minimalista de acordes essencialmente graves, temos uma bateria suavemente cadenciada que evita atrapalhar a participação da orquestração de metais, que é o grande salto da melodia, junto com a ironia sutil que Emily põe em seu vocal solto à meia-voz e nos vocais de fundo bastante lúdicos. Os metais também estão presentes em “Reading in Bed”, porém a orquestração destes é mais suave e lenta, compondo apenas a sequência final da música e acompanhando o trabalho ao piano, onde Emily volta à explorar a sua destreza em compor acordes feitos de pequenos ciclos melódicos que se repetem e se modificam ligeiramente durante a música – uma representação legítima do chamado “minimalismo”. A letra fala sobre a vida ordinária de um homem qualquer, cuja tristeza provém de um livro que tem sempre à mão. “The Last Page” trata os percausos e medos que temos durante a vida com necessários de ser enfrentados, o que minimiza e diminui o seu impacto. A melodia é dividida em duas partes diferentes, primeiramente baseada apenas em piano de toques esparsos, ganhando a participação discreta de um orgão por alguns instantes; na segunda parte da música surge uma bateria de cadência algo orgânica, que se mantém durante os instantes finais da canção enquanto o piano, o orgão e um baixo sutil somem da melodia. A última música do disco, “Winning” é daquelas canções soberbas que fecham discos de maneira tão perfeita que é impossível evitar ouvi-la novamente. A letra, de lirismo pós-moderno e dissonante, fala sobre a tentativa de consolar o sofrimento de alguém sem deixar de mostrar-lhe como isto não vai ser fácil, mas que será feito uma hora ou outra. A música, novamente centrada apenas no piano, casa com perfeição com o vocal melancólico mas encorajante de Emily, tendo, na sua parte final, uma das sequências melódicas mais belas que já ouvi, primorosa em seu modo fulminante de atingir as emoções do ouvinte utilizando tão pouca coisa – é de ouvir ininterruptamente, dissecando, saboreando e decifrando cada um dos seus preciosos e esplenderosos segundos.
Emily Haines, cuja formação de músicos que participam do disco ela chamou de “Soft Skeleton”, criou em Knives Don’t Have Your Back um álbum de melodias que mostram seu valor de maneira sutil na primeira audição, revelando à sua infinita beleza mais e mais à cada audição mais atenta e cuidadosa. Pra quem já ouviu muita coisa no folk-pop-rock, não é difícil reconher semelhanças com o vocal suave e sussurrante de Suzanne Vega, com a elegância pretensamente descuidada das composições de Cat Power e com o lirismo incontido de inúmeras bandas do indie-rock europeu e americano. No entanto, mesmo reunindo essa miríade de influnências musicais, Emily constrói uma identidade musical tão forte e consistente neste seu segundo álbum solo que a artista consegue conquistar sem muito esforço um lugar seguro mesmo entre aqueles que vivem incansavelmente buscando novidades no mundo da música. Ouça e faça-o com muito cuidado e atenção – Emily Haines não é uma artista que você encontra muitas vezes no ano e muito menos com maior facilidade. E comente, logo que você tenha uma opinião formada sobre sua música – gostei tanto deste álbum que estou curioso sobre a resposta dos internautas.
Baixe o álbum usando o link a seguir e a senha para abrir o arquivo.

rapidshare.com/files/353837524/haines_-_knives.zip

senha: seteventos.org

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005