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Tag: rock britanico

Anna Calvi – “I See a Darkness” (feat. Perfume Genius) (single) [download: mp3]

anna calvi (featuring perfume genius) - i see a darkness (single)

A arrojada cantora britânica Anna Calvi, em entrevista recente, declarou que gosta de fazer covers de artistas que admira porque deste modo consegue “expressar coisas que não consegue articular”. Tendo lançado há mais de dez anos uma ousada versão de “Strange Weather” em companhia de David Byrne e que, verdade seja dita, não se compara a levitante beleza da versão original da franco-israelense Keren Ann, Calvi aliou-se ao americano Perfume Genius (Mike Hadreas) para recriar outra canção – e desta vez foi um pouco mais feliz, a meu ver. Originalmente lançada por Bonnie “Prince” Billy (antes conhecido como Will Oldham) em 1999 como um lamento folk sobre como o entusiasmo fraternal dos homens na juventude muitas vezes converte-se em solidão e ansiedade na vida adulta destes amigos, “I See A Darkness” foi “encontrada” por Johnny Cash no ano seguinte e transmutada em um country/folk acústico ainda mais melancólico, o que talvez tenha inspirado o próprio Bonnie Prince, anos depois, em 2012, a relança-la como um folk/rock mais leve e animado. O cover de Calvi e Hadreas, no entanto, é permeado por um ar de mistério, que no início soa um pouco confuso e a cacofônico, muito devido ao contraste entre o vocal grave de contralto da cantora e a fragilidade na voz aguda de Perfume Genius, mas à medida que a canção avança e a icônica guitarra de Calvi ecoa e treme no ar com seus riffs afiados, a melodia se encontra, ganhando sintetizações que lhe preenchem com uma textura noturna mais quente e fluorescente.

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Anna Calvi – “I See a Darkness” (feat. Perfume Genius) (single) [mp3]

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Sol Seppy – “The Alaska Wilds” (single) [download: mp3]

sol seppy - the alaska wilds (single)

Incomum, idiossincrática, singular, exótica. Escolha o adjetivo que preferir, a cantora anglo-grega Sol Seppy (que tem seu disco de estréia e um EP disponíveis aqui no blog) é alguém que realmente não reflete a concepção popular de músico ou artista, tanto na sua musicalidade diáfana quanto na sua personalidade arredia, sempre mantendo discrição quase completa sobre sua vida particular e dispensando qualquer tipo de divulgação ou promoção dos poucos discos e músicas que eventualmente decide lançar. O resultado, obviamente, é que essa cantora e compositora de imenso talento é conhecida de muito poucos, mantendo sua existência restrita aos domínios do indie e dos mais viciados em música e fazendo-se notar por estes somente quando, sem a menor cerimônia, decide lançar alguma coisa. É exatamente isto que aconteceu há dez dias atrás, quando Sol liberou o single “The Alaska Wilds”, que como muitas de suas composições, transpira delicadeza e sobriedade: com nada além de um piano de acordes mansos e intimistas e seu vocal macio e aconchegante para conceber a melodia etérea e serena que não chega a atingir três minutos de duração, a britânica, para nosso deleite, consegue demonstrar que ainda é dona da excepcional habilidade de extrair beleza dos mais parcos recursos.

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Sol Seppy – “The Alaska Wilds” (single) [mp3]

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Alexander Wolfe – “The Toughening/The Softening” (single) [download: mp3]

alexander wolfe - the toughening / the softening (single) [2025]

Depois de lançar “Talk” (comentado por aqui em agosto), que traz nuances pop/rock e liricamente defende que os homens devem falar sobre seus conflitos internos para que preservem a saúde mental, o novo single do britânico Alexander Wolfe traz duas canções que fazem um recorte do início e fim da história do personagem cuja jornada aparenta ser o tema condutor de Everythinglessness, seu novo disco que será lançado em 2026. Em ambas o violão pinçado conduz as melodias construindo o melancólico alicerce emocional que aflora fortemente nas faixas em conjunto com o vocal de Wolfe, embebido em sentimento, mas enquanto na primeira camadas de vocal de apoio, bateria e guitarra pontuam a música com tensão e mágoa, na segunda estes unem-se de modo homogêneo para um sereno crescendo rítmico que eleva-se em ascensão magnífica no seu final. A atmosfera das faixas não diverge por pura arbitrariedade: talentoso e perspicaz, Wolfe compôs as melodias como um retrato perfeito do conteúdo lírico de ambas, pois em “The Toughening”, ao visitar o pai para expor sua desorientação ao descobrir que a mãe sofre de uma doença grave, o jovem personagem é inundado por reprimendas para que contenha as emoções e mantenha-se forte para dar suporte a ela, enquanto em “The Softening”, já depois de um longo tempo da morte da mãe, o rapaz revê o pai e extravasa furiosamente toda sua dor em uma confissão sobre como ele nunca o escutou e que a repressão de seus sentimentos quase o levou ao suicídio. Ainda que pareça ter marcado a trajetória deste homem com uma série de martírios, o cantor britânico aquece os últimos versos de “The Softening” com uma centelha de esperança, cantando com delicadeza, “ele, com sua raiva ardendo, vira-se para seu pai, que não havia falado todo esse tempo, e ele se dá conta: ele estava escutando”.

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Alexander Wolfe – “The Toughening/The Softening” (single) [mp3]

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David Gilmour – “Between Two Points” [feat. Romany Gilmour] (single) [download: mp3]

david gilmour with romany gilmour - between two points (single)

Não posso ser exatamente definido com um fã de Pink Floyd (ou mesmo de rock progressivo), porém tenho um vínculo nostálgico com o que é na prática o último disco lançado pela banda, The Division Bell: eu não lembro de me interessar em saber de onde raios surgiu aquela fita cassete no carro do meu pai, na época do seu lançamento em 1994, provavelmente comprada por ele, mas o fato é que movido desde cedo pela minha obsessão em consumir música e induzido por aquela foto de capa enigmática, enfiei a fita em meu walkman e me vi inundado por uma musicalidade estranha, etérea, contemplativa que sedimentou-se como uma fotografia daquela época da minha juventude – é por conta desse disco e do fato de que David Gilmour foi instrumental no lançamento da carreira de Kate Bush que nutro uma admiração pelo músico, cujo talento não precisa ser fruto de qualquer discussão. Seu talento, aliás, mostra-se intacto na regravação que fez ano passado da canção “Between Two Points”, faixa de 1999 do disco de estréia do The Montgolfier Brothers, uma obscura dupla britânica que lançou apenas 3 discos, o último deles em 2005: sobre percussão, baixo e violão de matizes pastorais, e contando com orquestração delicada e um solo de guitarra irremediável do pai, Romany Gilmour (filha de David) introduz sua harpa onírica acompanhada do vocal sereno que serve perfeitamente as letras que tratam de alguém que opta pela resignação diante de um mundo que lhe parece hostil e intransigente: “deixe que eles pisem em você, ria dos socos e da dor, deixe o sangue da vida drenar-se de você, eles estão certos, você está errado” – uma pequena amostra do quanto Gilmour, mesmo depois de tantos anos, ainda consegue construir paisagens sonoras perenes que não se escoram em um excesso de pirotecnia nostálgica espalhafatosa…oi, Roger Waters, tudo bem com você?

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David Gilmour – “Between Two Points” [feat. Romany Gilmour] (single) [mp3]

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Keaton Henson – “Insomnia” (single) [download: mp3]

keaton henson - insomnia (single)

O que me chama a atenção no segundo single de Keaton Henson, liberado na quarta passada, é o quanto ele contrasta tanto com o single anterior quanto com o conjunto musical do artista britânico: apesar de que “Lazy Magician” (também incluído neste lançamento e já comentado no blog) já exibia sinais de divergir das composições anteriores por incorporar guitarras e baterias mais intensas no refrão, trazendo até um solo de guitarra que soa como uma tremenda ousadia se comparado ao trabalho mais introspectivo de Henson até aquele momento, “Insomnia” é grunge rock de pai e mãe, com fartura de camadas de riffs distorcidos nas guitarras, uma bateria densa e um vocal levemente rouco, seguro e confiante, ao contrário da fragilidade emocional costumeira do canto de Henson. É visivelmente uma melodia bem mais polida que “Lazy Magician” e mais desinibida do que o Keaton anterior, que se despe da indumentária folk para cobrir-se com uma malha inequivocamente grunge, intencional segundo o artista, pois as canções do disco Parader, que será lançado em novembro, é fruto da aceitação tanto de suas influências e sua juventude musical (onde tocou em bandas hardcore e emo), quanto do avanço da idade e do tempo, uma constatação que se reflete nos versos “todos programas de TV que amo estão fora do ar, então vou só assistir os anos arrancarem meus cabelos” – é, amigo, a idade chega para todos.

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Keaton Henson – “Insomnia” (single) [mp3]

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White Lies – “Keep Up” (single) [download: mp3]

white lies - keep-up (single)

A pulso acentuado do baixo é a energia condutora de “Keep Up”, novo single de “Night Light”, álbum que será lançado em novembro pela banda britânica White Lies. Apesar de bem menos acelerada e frenética que “Nothing On Me” (também já incluída neste single e já comentada em maio aqui no blog), a faixa conta com uma bateria bem encadeada, guitarras farfalhantes e cadeias de sintetizações que impulsionam a música para o crescendo melódico final onde reina a emoção no vocal de Harry McVeigh, que canta em tom de protesto “eu não quero levar a noite inteira pra ficar sóbrio, e ouvir você insistindo, ouvir você insistindo, eu não quero fingir, mas isso está acabado”.
“In the Middle”, a segunda faixa anteriormente liberada pelo grupo, também acompanha o novo single. Contando com sintetizações cintilantes, bateria palpitante e guitarras melódicas e utilizando-se em suas letras de cartas de baralho como metáfora para expressar os insucessos, incertezas e inseguranças de um relacionamento, é a mais experimental das três, reservando mais da metade de seus seis minutos para uma longa sequência instrumental onde os membros da banda alternam-se e complementam-se com desenvoltura em uma jam session idílica e hipnótica.

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White Lies – “Keep Up” (single) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005