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Tag: rock

Suede – “Trance State” (single) [download: mp3]

suede: trance state - single

Em setembro é lançado Antidepressants, o novo álbum da veterana banda britânica Suede, um dos grandes nomes do que é considerado o britpop e que foi formada em 1989 pelo vocalista Brett Anderson. Como aperitivo do disco, duas canções já são conhecidas do público, ambas trazendo uma prévia da sonoridade punk, ou melhor dizendo, post-punk a que aludiu Anderson nas entrevistas sobre o futuro álbum. A primeira, “Trance State”, é introduzida pela cadência firme a acentuada da guitarra e um baixo saliente, quando Brett traz um registro vocal nitidamente amargurado que reverbera por sobre os acordes agudos e etéreos da guitarra, em um relato sobre um estado de anestesia da realidade, um nocaute emocional que lhe impede de acompanhar qualquer interação social (daí a razão da faixa encerrar com uma gravação com alertas típicos a quem faz uso de ansiolíticos); a segunda, “Disintegrate” entrega uma bateria mais robusta e sincopada que conduz guitarras densas e tortuosas, enquanto Anderson solta a voz com energia em um canto tenso e premente em versos que refletem poeticamente e extraem a beleza de uma relação conturbada: “desolação como uma arte, hesitação como uma crença, e você os segura como uma arma nas suas mãos”.

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Suede – “Trance State” (single) [mp3]

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Muse – “Unravelling” (single) [download: mp3]

muse - unravelling (single)

O próximo álbum da banda britânica Muse ainda está sem data de lançamento e sem título definido, mas o primeiro single foi disponibilizado hoje nos serviços de streaming. Produzido pela banda, por Aleks Von Korff e pelo músico de apoio Dan Lancaster, que curiosamente também compôs a faixa em parceria com Matt Bellamy, “Unravelling” inicia com uma sinuosa programação de sintetizações, artifício melódico que há anos tem sido utilizado pela banda britânica com mais frequência do que eu desejaria e que apresentou seu ápice no nostálgico disco Simulation Theory, porém uma orgia de riffs de guitarra e a escandalosa intensidade de Dominic Howard na bateria ressuscitam uma sonoridade urgente e incendiária que não vemos de forma sólida nos discos do grupo britânico há cerca de 20 anos – é um aperitivo interessante, mas não significa que o prato principal (o futuro disco) não possa ser servido com ingredientes completamente distintos. Vamos aguardar.

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Muse – “Unravelling” (single) [mp3]

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White Lies – “Nothing On Me” (single) [download: mp3]

white lies - nothing on me (single)

Liberado esta semana nas plataformas digitais pela banda britânica White Lies, o single “Nothing On Me” é breve, mas intenso: logo após sintetizadores ondulantes abrirem a canção num rápido crescendo, a melodia é tomada de assalto por uma súcia de eletronismos transbordantes, confessadamente inspirados no rock progressivo dos anos 70, seguido de uma onda de guitarras exuberantes e de uma bateria frenética que faz referência ao motorik beat, cuja origem encontra-se nos anos 60, em bandas da Alemanha Oriental como Kraftwerk e Can. Sobre essa melodia ruidosamente hiperbólica, que só consigo descrever como ser conduzido em alta velocidade em um veículo desgovernado dentro de um túnel intensamente iluminado, a voz sutilmente rouca do vocalista Harry McVeigh reflete o efêmero e abstrato estado de confusão após uma discussão com alguém querido – o que coincide com o frenesi melódico da faixa.

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White Lies – “Nothing On Me” (single) [mp3]

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The Edge & Sinéad O’Connor – “Heroine (Theme From Captive)” (Single) [download: mp3]

the edge and sinead o'connor - heroine single

No agora distante ano de 1986, em sua primeira empreitada profissional relevante, a irlandesa Sinéad O’Connor uniu-se brevemente a um conterrâneo seu para ajudar a compor e dar voz a canção tema de um filme até hoje pouco conhecido: Captive, longa-metragem dirigido por Paul Mayersberg que o também irlândes The Edge, então já reconhecido como o guitarrista da banda U2, escreveu em co-autoria com o compositor Michael Brook. Introduzida por uma perseverante harmonia de cordas ao teclado e sobreposta por um vocal mais contido e precoce da cantora, que aparentemente ainda não havia amadurecido o canto marcante e ousado que surgiu já no seu primeiro disco, a faixa é pontuada pelos característicos acordes atmosféricos e reverberantes da guitarra de The Edge, que formaram a identidade de sua banda naquela década, e claro, uma bateria que se avoluma na sequência final da melodia, produzindo a sonoridade tão singular da musicalidade pop e rock dos saudosos e excepcionais anos 80. Apesar do obscuro filme sobre o sequestro da filha de um magnata não ter obtido êxito de público e crítica, ao menos serviu para registrar a gênese musical da cantora cujo talento e voz excepcionais, infelizmente, perdemos em 2023.

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HotKid – “Rip It Into Pieces” (single) [vídeo, download: mp3]

hotkid rip it into pieces single

Inicialmente uma dupla, agora um trio, a banda canadense HotKid costuma centrar suas composições ao redor das cordas de guitarras – muito por influência da adoração da líder do grupo, Shiloh Harrison, por elas. E é por isso que no seu single “Rip Into Pieces”, lançado em 2011, o instrumento se apresenta de modo tão proeminente, em riffs fartos e alucinantes que são heroicamente acompanhados por uma bateria igualmente frenética e densa. Shiloh também não se envergonha de colocar toda a potência do seu vocal, externado a plenos pulmões e pontuado por berros desvairados de pura energia rockeira, para coroar a extravagante melodia. O videoclipe que acompanha o single segue a mesma toada insana, com uma cornucópia de sobreposições de imagens e cores, luzes estroboscópicas, câmeras lentas e aceleradas, explosões e muita fumaça cenográfica – moderação e comedimento, definitivamente, são conceitos inexistentes para esta banda!

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The Cranberries – In The End [download: mp3]

the-cranberries-in-the-end

É algo difícil não sentir que os versos “do you remember, remember the night, at a hotel in London”, que abrem In The End, álbum que marca o fim da banda irlandesa The Cranberries, estão de alguma forma associados, como uma espécie de presságio do acontecido, com a estúpida fatalidade que tirou a vida da vocalista Dolores O’Riordan em um hotel em Londres. Mas sabe-se que, na verdade, a impressão não passa de uma daquelas bizarras coincidências da vida, e seria tolice permitir que isso interferisse na apreciação das canções do modo como foram idealizadas por Dolores neste álbum que foi finalizado pelos membros restantes da banda (os irmãos Noel e Mike Hogan e Fergal Lawler). Assim pode-se aproveitar devidamente a melodia agitada da bateria sempre firme de Fergal e da guitarra e baixo fluídos dos irmãos Hogan em “It’s All Over Now” tanto quanto se pode desfrutar plenamente o vocal sofrido de Dolores e a melodia sutilmente apoiada por orquestração de cordas, que versa entre a melancolia resignada e a aflição amargurada, em “Lost”.
Dissipada a perturbação, é possível distinguir melhor os acertos e erros do disco – e estes, felizmente, são poucos. É o caso de “A Place I Know”, que figura entre os equívocos por desperdiçar os toques reluzentes no violão que introduzem a canção com um refrão tedioso e sem brilho, e de “Crazy Heart”, faixa promissora que acabou escondida por trás da melodia e vocal apagados – dentre todas as faixas, é a única que deixa realmente nítido que os vocais são fruto de uma sessão de demos e que, provavelmente, este jamais teria sido selecionado como a versão final para a canção.
Mas foi justamente ao se utilizarem de material vocal que não foi originalmente concebido como o definitivo para as canções que Noel, Mike, Fergal, e o produtor Stephen Street conseguiram demonstrar toda a qualidade musical da banda irlandesa, em um excepcional exemplo de competência, devoção e amor pela música. O resultado deste esforço notável são as faixas “Wake Me When It’s over”, que traz vocal e violão em afinada sintonia e refrão denso, recheado com a sonoridade da guitarra e da bateria, “Catch Me If You Can”, com uma intro encantadora que apresenta um piano fugaz e distante, logo solapada por uma melodia envolvente com vocal, orquestração de cordas e bateria carregadas de emoção, e “Summer Song”, que cativa já nos primeiros instantes pela luminosa harmonia entre o vocal de Dolores e a instrumentação posteriormente concebida pelos seus amigos e companheiros de banda.
Inevitavelmente, a agridoce e melancólica faixa-título foi escolhida para fechar o disco e, consequentemente, a carreira da banda irlandesa: “take my house, take the car, take the clothes, but you can’t take the spirit”, canta Dolores com vocal delicado e gracioso sobre violão, baixo e bateria serenos. Os versos talvez soem um pouco piegas, mas a verdade é que, embora o The Cranberries chegue ao seu fim, o “espírito” desta banda – sua sonoridade única e inimitável – jamais vai perecer.

Baixe: The Cranberries – In The End [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005