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Tag: TV-americana

Estréia: “Heroes” – Episódio piloto. [download: séries]

HeroesEita! E as séries dramáticas super produzidas e com elenco enorme e variado estão na moda desde o sucesso estrondoso de “Lost”. A mais nova candidata à adoração imediata do público é a ambiciosa “Heroes”, da rede de TV americana NBC. As semelhanças com o mega-hit do canal ABC não param por aí, a mais evidente, além do que já foi citado, é que os personagens estão ligados por algumas coincidências – que, claro, podem não ser apenas coincidências. Alguns já a criticam por achar que se trata de uma cópia-liquidificador de “Lost” com “X-men”. No entanto, mesmo considerando que a série se apropria dos elementos que atualmente arremessam seriados ao sucesso absoluto, isso não faz dela automaticamente uma obra ruim. “Lost”, como já discuti aqui mesmo no blog seteventos.org, também se apropriou de idéias anteriormente existentes. O segredo do sucesso da série está na forma como clichês e idéias pré-existentes foram transformadas e tratadas na construção do argumento e, em um do mais claros processos de antropofagia cultural na história da televisão americana, reverterem em uma obra com sua própria identidade. É cedo – apenas um episódio até o momento – para dizer que “Heroes” faz o mesmo, mas a impressão que fica é que os produtores vão trabalhar de maneira semelhante.
A estréia é apenas no dia 11 de setembro – opa, a data de lançamento é bem emblemática para uma série com esse nome, não? -, mas o episódio já vazou para a internet. E o primeiro capítulo é bastante promissor – fiquei animadíssimo para ver a sequência. Prefiro não revelar muito – como costumo fazer com minhas resenhas de filmes e até mesmo porque não há muito o que revelar sobre o capítulo: o piloto apenas apresenta o maior número de personagens possível e revela algumas das capacidade de cada um e um breve painel de seus dramas pessoais, bem como apresenta rapidamente um misterioso senhor que está tentando reunir informações sobre todos eles para propósitos não-altruístas e o seu oponente, o professor Xavier – ops! -, digo, o professor indiano. A abertura do capítulo – fenomenal – é claramente inspirada em uma das cenas mais famosas do mediano “Cidade do Anjos”, e repete-se com um climax absurdamente surpreendente no final do episódio. Com relação aos personagens, mesmo à primeira vista e sem a apresentação de todos os integrantes da estória, posso afirmar que, para uma primeira parte, eles cativaram bastante e os diversos mistérios que rondam a capacidade extraordinária de cada personagem, bem como o misterioso destino que eles juntos enfrentarão, consegue desperta a curiosidade do público. Entre os personagens, cuja extensão da capacidade mutante de alguns ainda não foi bem esclarecida, temos mais uma semelhança à moda “Lost”: assim como o Hurley daquela ilha perdida no oceano, o japonês que tem a capacidade de manipular o tempo e o espaço é a fonte de humor dos episódios – estranho como todo oriental aos olhos do ocidente, o cara é otaku e aficionado por quadrinhos. É ele, inclusive, que fica responsável pela citação, sem qualquer constrangimento, da fonte de inspiração maior do seriado, quando ele lembra em uma sequência um acontecimento relacionado à Kitty Pride, citando, inclusive, o número da edição de “X-Men” – número 143, para os que ficaram curiosos. Além do personagem que vai proporcionar a verve humorística dos episódios – se supõe, claro -, os outros também chamam a atenção: a líder de torcida dotada de invulnerabilidade não é apenas uma patricinha, ela tem lá seus dramas; a mãe solteira às voltas com um alter-ego violento no espelho é meio porra-louca; o pintor-vidente é um adicto algo masoquista, e os dois irmãos que se adoram mas não se entendem com facilidade, um enfermeiro altruísta e o outro um político supostamente egocêntrico, tem suas surpresas, particularmente no fim do episódio. O antagonista da trama deixou-me confuso, mas nada que dois ou três episódios não esclareçam. Caindo na mais desparatada superficialidade sobre os personagens, só o político, interpretado por Adrian Pasdar, tem seu charme para mim, até o momento – o irmão também não é de se jogar fora.
Obrigatória para qualquer um que ame seriados americanos, essa estréia é para ser acompanhada ansiosamente desde já, torcendo para que o seriado faça mesmo sucesso e ganhe fôlego para vencer o fantasma da primeira temporada. Se depender somente da dedicação da bárbara equipe do Lost Brasil, o sucesso já está garantido – à maneira do mega portal brasileiro sobre o seriado da ABC, “Heroes” também já tem espaço prometido na comunidade brasileira da internet. Então, agendem seus downloads e vamos preparar as dicussões.
E como seteventos.org é assumidamente a favor da divulgação de tudo o que tem qualidade na indústria cultural, aproveite o link abaixo e pegue já o badalado primeiro episódio de “Heroes”, no formato RMVB e já com legendas em português – eu amo a internet!

http://up-file.com/download/0bf811858393/Heroes.100.DVDSCR.rmvb.html

OBSERVAÇÕES:
Como baixar do UP-FILE:
a) procure, mais ou menos no meio da página, logo abaixo do logo do Firefox com Google Toolbar, três pequenos links azuis que parecem apenas propaganda. O último deles é o link que ativa a contagem regressiva. Clique nele;
b) após a contagem regressiva, que surge logo abaixo do mesmo logo do Mozilla Firefox, clique no texto “Click here to start download..”
c) salve o arquivo

OU simplesmente clique com o botão direito do mouse SOBRE ESTE LINK e selecione do menu “salvar destino/arquivo como..”

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“LOST” x produção nacional : a importância de ser sensato.

Lost X Produção NacionalQualquer crítica deve ser feita baseada em fundamentação lógica e bom senso. No entanto, isso não parece ser a regra e sim a excessão na discussões formadas na internet – e, na verdade, fora dela também. E tem gente que, só para alimentar a sua egolatria, adora lançar opiniões polêmicas, evidentemente que vão contra a opinião da maioria e que, como eu já disse, carecem de relevância. Nas minhas raras idas ao Orkut – que não é definitivamente o que mais adoro fazer na web – acabo conferindo inúmeras situações como esta. A mais recente, com a qual tive contato hoje, aconteceu numa comunidade sobre “Lost”. Um indivíduo, se julgando muito inteligente e perspicaz, entra na comunidade e inicia um tópico afirmando que todos não passam de idiotas por idolatrar um seriado americano e não valorizar a produção brasileira que, segundo ele, seria infinitamente melhor por retratar a nossa realidade, e usou como exemplo o seriado “Cidade dos homens”.
Lindo isso. Não passa de sandice vazia. Explico. O fato de que existem boas produções brasileiras não tira o mérito das produções estrangeiras – para qualquer pessoa minimamente inteligente, é óbvio que uma coisa independe da outra. Mesmo as pessoas que não curtem a produção brasileira de séries ou similares – e eu, por exemplo, não consigo lembrar de nenhuma que vale realmente a pena, nem a citada por ele – sabem admitir isso como um fato. Agora, o que deve também ser admitido é que os americanos fazem os melhores seriados do mundo, quer os brasilianistas de plantão gostem ou não disso.
Há ainda a questão que reside na diferença conceitual e temática entre as duas séries: “Lost” é pura ficção que explora mistério e causa suspense; “Cidade dos homens” pretende retratar a realidade das classes sociais mais baixas do Brasil. Isso só basta para tornar qualquer comparação ou discriminação entre as séries sem efeito.
Deve-se evitar o discurso nacionalisto barato. O fato de a produção ser brasileira não faz dela um primor; assim como o fato de que a série aborda a realidade nacional não faz necessariamente desta uma obra relevante ou mesmo lhe confira qualidade. Isso é cretinice ufanística. “Lost” é uma das coisas mais genais já criadas pela televisão americana, entrando desde já para o panteão das séries inesquecíveis – como “Arquivo X” e “Jornada nas Estrelas” -, e não há qualquer coisa produzida no país que se equipare a esta série norte-americana. “Cidade dos homens” é um derivado do longa de Fernando Meirelles encomendado pela Rede Globo para aproveitar o sucesso do filme. A citada série pode até mesmo ser boa, mas está anos luz de se configurar como um marco. E ponto final.

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Estréia: “Lost”.

LostSucedendo a 4ª temporada de “24 horas”, “Lost” estréia na Rede Globo no mesmo horário infame de sua antecessora. Tratadas como simples solução para ocupar o horário do apresentador Jô Soares durante suas férias, a mais popular televisão do país não sabe fazer uso do que tem em mãos: tanto a série produzida pela Fox quanto pelo canal americano ABC são sucesso absoluto em seu país e são exibidas, com justiça, em horário nobre. Porém, seriados estão para os americanos como as novelas estão para os brasileiros. E enquanto aqui as TVs tentam enfiar garganta abaixo produtos que se repetem uns aos outros sucessivamente e que tem exibição inédita diária – daí a impossibilidade de qualidade -, nos Estados Unidos o produto tem exibição semanal e ideías que se não são absolutamente inovadoras tem, ao menos, a virtude de as reciclar muito bem. É o caso de “Lost”: depois de um desastre aéreo, os sobreviventes, perdidos numa ilha oceânica, tentam levar em frente à vida tendo que lidar uns com os outros – até então meros desconhecidos entre si -, enfrentando a possibilidade de que talvez nunca sejam resgatados e, aí está o pulo do gato da série, convivendo num ambiente sinistro, que é palco de eventos inexplicáveis.
Essa é a mistura bem costurada de séries como “Arquivo X”, e da dinarquesa “The Kingdom” – na qual se inspirou Stephen King para a versão americana, “Kingdom Hospital” -, com uma ambientação tropical e uma vestimenta Robson Crusoé. Não dá para chamar o resultado disso de simples cópia, trata-se muito mais de um produto novo, derivado da inspiração de inúmeras outras idéias. E o resultado é fenomenal: elenco ideal – que mistura estreantes e veteranos, que é o caso do gatíssimo e excelente ator Matthew Fox -, produção que se esmera no capricho, direção exata, roteiro preciso. É a irmã mais rica de uma supreendente “tsunami” de séries de conteúdo excepcional – como “House”, “Nip/Tuck”, “Desperate Housewives” e a já citada “24 horas”), depoia da “aposentadoria” de séries veteranas de qualidade, como “Arquivo X” e “Sex and the City”. E é um mérito da obra conseguir sacudir até o seu público cativo – o viciado em cinema e seriados, como eu.
“Lost” superou todas as minhas expectativas, pelos já citados motivos e também por conseguir criar momentos de tensão absoluta sem apelações: um exemplo disso foi a cena final do episódio piloto duplo: alguns do personagens reunidos no topo de um morro e ouvindo uma mensagem absolutamente sinistra e enigmática num comunicador e que teve origem há cerca de 16 anos. Recordo que poucas vezes uma única cena, em todos esses anos assistindo filmes e séries, conseguiu instaurar em mim um terror tão absoluto como esta. E, como uma legítima e honrosa irmã da saudosa “Arquivo X”, só faz deixar ainda mais confusos os expectadores a cada novo capítulo exibido. Mais do que imperdível.

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“24 horas”: 4ª temporada.

24 Horas: 4 TemporadaSendo exibido neste momento pela Rede Globo, a série americana 24 horas enveredou por caminhos mais ousados, tematicamente falando: trata do sequestro do secretário de defesa e a ameaça nuclear em território americano, tudo perpretado por uma família e seus auxiliares, todos descendendo do oriente médio. Alguns estão acusando a produção da série de incentivar o preconceito e a animosidade existente com relação aos àrabes e mulçumanos. É verdade, mas isso ocorre simplesmente pelo fato de que, tendo sido essa a escolha feita para o argumento da série este ano, não existiria modo de evitar um viés preconceituoso na exploração do tema. E isso, com certeza, deve ter sido observado pelos responsáveis pela série. No entanto, a produção deve ter tido coragem (ou imprudência, para quem preferir) de levar a idéia em frente, munindo-se, para sua defesa, da maior qualidade do argumento deste quarto ano: o realismo. Ou alguém ainda acha, depois dos eventos do 11 de setembro, que orientais mulçumanos não poderiam, em pleno solo americano, sequestrar uma figura política do alto escalão e explodir artefatos nucleares? Isso é considerado tão possível de acontecer que, infelizmente, estamos todos apenas à espera de que ocorra. É inegável.
Porém não se pode deixar de lembrar que a série tenta, mesmo que de maneira superficial e insuficiente – talvez por ter de se ocupar com a cadência extremamente complexa dos eventos que ocorrem em cada episódio, obrigatoriamente sincronizados em tempo real -, mostrar que o ódio nutrido contra os ocidentais e os violentos atos de protesto são fruto apenas de uma parcela mais radical e extremista dos orientais mulçumanos. Isso fica claro na cena em que uma personagem diz – ao ver a transmissão do sequestro do secretário americano – para seu chefe, o homem que organiza secretamente o evento: “Não consigo entender como alguns de nossos compatriotas tem coragem de fazer isso”. É um momento breve, mas tenta deixar claro que os eventos ali retratados são um fato possível organizado por algumas pessoas que tem um pensamento fundamentalista, bem diferente do pensamento corrente entre orientais mulçumanos e seus descendentes. Desfeita a polêmica – que só se faz verdade para aqueles que não param para observar cuidadosamente a constituição do seriado, um dos melhores do mundo atualmente – sente-se na frente da TV e aproveite: é diversão garantida.

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“Angels in America”, de Mike Nichols.

Angels In America, de Mike Nichols

Angels In America, de Mike NicholsA hiper-produzida minissérie da HBO, baseada em peça de Tony Kushner e lançada no Brasil em 2 DVDs, é divertida o bastante para não aborrecer o espectador, mesmo em uma expectação ininterrupta de suas 6 horas de duração. O elenco é ótimo, a produção é requintada, a direção precisa. No entanto, há problemas.
Primeiro e, inevitavelmente, a obra cansa um pouco por ser exaustivamente gay e política: são muitos os personagens mal ou bem resolvidos sexualmente, e em ainda maior número os diálogos intricadamente políticos. Apesar de muitos possivelmente não concordarem, é especialmente cansativo o personagem Louis: gay, judeu e excessivamente politizado. É muita coisa em uma única pessoa. Não há como evitar de, a certa altura acha-lo, no mínimo, um chato concursado.
Segundo, apesar de despertar um certo interesse, o painel político tão discutido ali é o da rivalidade entre republicanos e democratas. Não há quaisquer impedimentos para o público brasileiro (ou qualquer outro não-americano) compreender a tônica da discussão. No entanto, a realidade ali apresentada não é a sua, e uma certa indiferença cresce na mesma medida em que os 2 DVDs se esgotam.
Por último, não saberia dizer se a retirada dos episódios celestiais/apocalípticos acarretaria em algum decréscimo da qualidade da obra. Talvez até ela ficasse mais enxuta, centrando mais seu interesse nas relações humanas e afetivas apresentadas e nos conflitos éticos e morais por elas acarretadas. Toda aquela coisa de anjos e profetas pode parecer fascinante num primeiro instante, mas ao cabo das 6 horas não há como não compara-las ao arremedo kitsch do além-vida da América de Glória Perez.

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005