Em meio a tanta coisa que você quer ouvir, ver e ler, muitas outras acabam sendo adiadas. Assim é que até hoje não consegui dar atenção à uma pá de artistas como, por exemplo, Émilie Simon. Já ouvi trechos das músicas de seu álbum Végétal, mas como a garota na época não me atiçou inteiramente, acabei esquecendo. Porém, hoje acabei topando com o vídeo de uma das músicas de seu novo álbum, The Big Machine, e desta vez sim o meu interesse acabou sendo despertado. O clipe dirigido por Asif Mian se mostra capricha no onirismo, já de início colocando a cantora em um jantar com frutos do mar au naturel – e não posso deixar de notar que o siri poderia ao menos estar mergulhado na água – ao vasculhar uma mansão de estilo aristocrático tomada por manifestações estranhas, como paredes que comprimem recintos e escadas que lutam contra a vontade de quem as sobe. A fotografia em tons escuros reforça o caráter algo gótico do filme e a coloração do vocal da artista francesa, bem como o seu pop que flerta com muita classe com sintetizações, acaba lembrando outra cantora que trafega por terras igualmente idílicas: a britânica Kate Bush. Mas Émilie tem um aroma próprio que acaba soando sensivelmente mais contemporânea que a veterana artista inglesa, ainda que carregue uma certa aura de nostalgia com os acordes dramáticos ao piano que introduzem a música e a programação eletrônica equilibrada no melhor do que já foi feito no início dos anos 90. Se todo o restante de seu novo trabalo preservar estes traços sedurotamente elegantes, vai cair no meu gosto fácil, fácil.
Émilie Simon – “Dreamland” (mp3)
Émilie Simon – “Dreamland”: Youtube (assista) – download
2 Comentários
A cantora
A idéia de Frank Borin para o vídeo de “Gimme Sympathy”, último single de Fantasies, novo disco da banda canadense Metric, é na teoria bem direta e descomplicada: fazer um registro “ao vivo” da banda em uma performance da canção. No entanto, são os detalhes por ele inseridos que fazem a graça da produção e a complexidade de sua filmagem.
E para ilustrar essa música que utiliza como referência a sonoridade de uma época cuja estética foi e é tão explorada, foram feitos dois vídeos que tomam caminhos bem distintos. Para o fotógrafo e diretor francês que atende pelo pseudônimo Danakil, “Antibodies” serviu como inspiração para abordar uma narrativa abstrata, onde uma aeromoça nua em um quarto de hotel de aeroporto lida com o dilema de sua gravidez enquanto tateia languidamente um peixinho ornamental e brinca com as sensações provocadas por uma agulha. Enquanto isso, lá fora, uma bolha de sabão de enormes proporções vagueia sem rumo pelo aeroporto vazio. A despeito do peixinho sem fôlego, que é mesmo uma maldade, o vídeo é de uma imensa beleza plástica, tudo graças a linda modelo que empresta-se ao papel da aeromoça e a fotografia de Danakil, que confere muita classe ao filme.
Já para a também fotógrafa Maria Ziegelböck, austríaca radicada na França, as referências musicais contidas na melodia pulsaram mais forte: o vídeo por ela preparado é um compêndio de sequências com anônimos deixando seus corpos serem levados pelo ritmo saboroso da canção em uma pista iluminada por alguns spots de luz. Sem dúvidas que lembra a icônica sequência de “Flashdance”, mas isso não reduz as qualidades desta versão, muito bem filmada e editada.
Vincent é um garoto de 7 anos como qualquer outro, a não ser pelo fato de que, ao invés de adorar contos-de-fadas ele tem fascinação por Edgar Allan Poe e no lugar de fantasias sobre soldados e super-heróis, nelas ele imagina ser Vincent Price, o ator famoso por conta de seus filmes clássicos de terror. Este curta-metragem, produzido em 1982, em apenas 6 minutos faz um compêndio do tudo o que inspira e define o estilo gótico de seu criador, Tim Burton: a técnica utilizada é a stop-motion, que foi adotada por ele em dois outros longa-metragens; ao invés de cores, a cenografia é em um preto e branco que realça o estilo dark da animação, como feito mais tarde em “Ed Wood”; Edgar Allan Poe, obsessão do garoto que protagoniza o filme, é também um dos escritores com o qual o estilo do diretor mais se assemelha e, finalmente, Vincent Price não apenas é o narrador do poema que acompanha a animação, mas o ídolo confesso de Burton, a quem ele convidaria para participar de um de seus filmes mais emblemáticos, “Edward Mãos de Tesoura”. Assista ao divertido curta-metragem
O prestigiado diretor Nicolai Fuglsig dá mais um show de inventividade na peça publicitária encomendada para a rede de lojas norte-americanas JC Penney: usando efeitos especiais e trucagens tradicionais, que nada de digital teriam, o diretor dinamarquês fez um clipe divertidíssimo, onde as coisas mais cotidianas ganham um toque fora do comum. A canção escolhida para servir de trilha, “Music Box”, da cantora e compositora Regina Spektor, é mais um sinal da apurada sensibilidade pop de Fuglsig, famoso por unir seus delírios visuais com a música ideal. Assista via