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Categoria: cinema & TV

comentários e críticas de filmes e seriados com download disponível

“Pai e Filho”, de Alexander Sokurov [download: filme]

otets i syn (father and son, 2003)

Aleksei, jovem que serve às forças armadas, vive sozinho com seu pai há muito tempo. Acostumados a rotina da companhia mútua e nutrindo uma relação de muita proximidade e carinho, ambos começam a sofrer por sentir que, devido a suas ocupações, podem ter que se separar.
Mesmo que Alexander Sokurov o negue, assim como a intencionalidade disto, o longa-metragem “Pai e Filho” é um filme essencialmente ambíguo. A priori, a aparência dos protagonistas do filme, ambos jovens e fisicamente atraentes, acaba por desassociá-los e muito do retrato de pai e filho, assim como a intimidade física de sua relação, repleta de carinhos e olhares mútuos insistentemente intensos e demorados, reforça ainda mais esta impressão inicial. Porém, através das poucas falas dos personagens, logo passamos a identificá-los realmente como pai e filho, o que, somado ao contato físico tão íntimo entre ambos, deixa uma evidente conotação incestuosa desta relação. Esta interpretação, é bom ressaltar, foi a adotada por boa parte da crítica e público, e que causou um certo rebuliço nos círculos do cinema de arte. Sokurov, no entanto, não tardou a repudiar prontamente tal interpretação, afirmando que o homoerotismo e incesto do filme existem somente na mente doentia de quem os anunciou.

otets i syn (father and son, 2003) movie stills 01
Apesar do diretor negar, há uma tensão sexual inegável entre pai e filho em todo o decorrer do filme

E esta visão destituída de qualquer traço sexual não é feita sem embasamento: de fato, no decorrer do filme, é possível formular a interpretação de que essa relação mais próxima do que se casualmente vê é fruto do comportamento arredio dos dois protagonistas, que isolam o cotidiano de sua relação do contato de qualquer pessoa externa à este relacionamento, procurando tornar sempre mínima a interferência e participação de alguém “estranho” à “simbiose” que construíram – tanto o pai quanto seu filho acabam por afastar, hora de modo consciente, hora inconsciente, amigos e romances para preservar a intensidade construída desde cedo nesta relação. Porém, mesmo que se escolha adotar uma ou outra interpretação, a ambiguidade permanece, insistente: a verdade é que apesar de que não há concretamente algo que torne sustentável a possibilidade de esta é realmente uma relação incestuosa, tampouco esta relação é destituída do caráter erótico, caráter este que se faz intensamente presente durante todo o decorrer do longa-metragem graças as escolhas e a abordagem feitas pelo diretor. E esta dualidade intrínseca ao teor da relação entre Aleksei e seu pai, que confunde, desmancha e, consequentemente, despreza os limites da definição usual do que seria uma relação de pai e filho puramente fraternal de uma outra que se mostra, no mínimo, mais erotizada, que é a questão central de “Pai e Filho”, tornando este o longa-metragem mais tematicamente ousado de Sokurov – se não for o mais ousado que já foi feito sobre o tema.

Baixe: “Pai e Filho”, de Alexander Sokurov (Otets I Syn/Father and Son, 2003)
[áudio original, 700p, mp4]

Baixe: legendas (português)

Download: subtitles (english)

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“Minha Vida Sem Mim”, de Isabel Coixet. [download: filme]

my life without me (2003)

Ann, uma jovem casada e com duas filhas, descobre, depois de sofrer um desmaio repentino, que tem um tumor em metástase avançada. O resultado: não mais do que dois meses de vida. Tendo em mãos esse prognóstico, Ann decide tomar algumas medidas antes de sua morte.
A partir da idéia do livro de Nanci Kincaid, a diretora Isabel Coixet explora a descoberta, por uma jovem mãe de família, de sua morte iminente e as resoluções, tomadas por ela, a partir desta descoberta. Se caísse nas mãos erradas, a história da jovem que vive em um trailer nos fundos da casa da mãe, que sobrevive como faxineira em uma escola e que casou e engravidou na adolescência do único homem com que se envolvera na sua vida, certamente acabaria virando folhetim da pior qualidade, um inevitável dramalhão inundado pelo sentimentalismo mais barato e pela pieguice mais óbvia, que de quebra serviriam como veículo perfeito para a chamada “superinterpretação” do mais ávido candidato à receber uma estatueta dourada californiana. No entanto, nas mãos dessa diretora espanhola, a sensibilidade não é afogada pelo lugar-comum e por um elenco de olho em premiações fáceis. Ao contrário, ela ganha elegância, classe, inteligência e muita delicadeza: ao invés de dar chance à uma tsunami de desespero, sofrimento e amargor auto-inflingidos pela sensação de impotência frente ao destino inevitável, ou mesmo ao seu oposto extremo, ao hedonismo irrefreado, devidamende despertado por uma turnê de experiências inconsequentes na tentativa de viver tudo o que não vivera até então, a diretora-roteirista faz com que a protagonista, antes já uma mulher equilibrada e conformada com sua realidade, mergulhe em um estado de ainda maior compreensão sobre sua situação, que a faz encarar a inevitabilidade e proximidade de sua morte com uma serenidade implacável, dando-se ao direito de derramar apenas algumas poucas lágrimas enquanto busca muito mais reafirmar o que viveu e vive do que saborear novas experiências. E o elenco, composto apenas de nomes modestos do cinema norte-americano, auxilia não apenas pelo seu desempenho na medida exata – particularmente o de Sarah Polley, que voltaria a trabalhar com a diretora no seu próximo longa, já comentado por aqui -, mas também pela credibilidade e verossimilhança que concede aos seus papéis de pessoas comuns – algo muito trabalhoso de ser atingido com as estrelas e astros de Hollywood de beleza perfeita e fama imensa, que dificilmente conseguem imprimir o realismo que um rosto menos popular imprime.
E isso tudo faz a diferença entre este longa-metragem de Isabel Coixet e tantos outros que já vimos sobre os “bastidores” da jornada para a morte de um ser humano: ao invés de explorar a emoção do público como em uma montanha russa, onde todas as sensações parecem intensas mas, na verdade, não vão além de experiências falsas e fulgazes, “Minha Vida Sem Mim” o faz com a mesma sutileza de uma paisagem passageira à janela de um trem em movimento, que deixa em quem a observa sensações bem mais indeléveis e verdadeiras.

Baixe: “Minha Vida Sem Mim”, de Isabel Coixet (My Life Without Me, 2003)
[áudio original, 1080p, mp4]

Legendas/Subtítulos/Subtitles:
português english

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“2010: O Ano em que faremos contato”, de Peter Hyams. [download: filme]

2010 - The Year We Make ContactDepois de nove anos sem saber exatamente o que levou a interrupção da missão da Discovery à Júpiter, uma missão conjunta de russos e americanos, em meio à iminência de um conflito entre as duas nações, parte em direção ao planeta para tentar desvendar o verdadeiro destino da nave e de sua tripulação.
Arthur C. Clarke resolveu dar continuidade à história criada por ele e pelo diretor Stanley Kubrick sem a participação deste e, de certa forma, mesmo sabendo que as chances de um filme que pelo menos se equivalesse à qualidade do primeiro eram pequenas. Com essa decisão, Clarke acabou por retirar uma pequena porção da beleza da saga que criou: ao dar ocorrência à continuidade dos eventos, o escritor interfere, de certo modo, na status absolutamente provocador da história que ganhou forma e poder no longa-metragem que elaborou junto com Kubrick e, por mais que este filme permaneça uma obra-prima, cuja aura artística jamais será impugnada por coisa alguma, um dos mentores de sua história, inegavelmente, revela alguns do mistérios e enigmas que faziam da saga original algo atemporal. Com os detalhes criados – e revelados – para a sequência do filme e da história, a força dos personagens não chega a ser atingida, mas fica levemente empalidecida pelos deslizes do filme e do argumento. E eles, diga-se, são facilmente perceptíveis: os “sobrenaturalismos” algo transcendentais, nas mãos de Peter Hyams, soam baratos e até um tanto piegas – observe uma das “interferências” terrenas de Dave Bowman, escovando o cabelo da mãe quase moribunda, e você vai poder entender o quanto isso era desnecessário -, ao invés de colorirem o filme de modo espetacular, como aconteceu anteriormente; a iconografia criada por Kubrick, e reciclada neste filme – como as transformações físico-cronológicas de Dave Bowman, incluindo o feto que fecha o filme original, assim como boa parte do que foi HAL 9000 – são reduzidas ao pastiche, perdendo o seu magnetismo espectral, e por fim, a trilha sonora soberba pinçada por Kubrick, que conseguiu compor grande parte da identidade sombria do filme anterior ao misturar o erudito mais clássico (Johann e Richard Strauss) ao mais contemporâneo e experimental (os macabrismos de György Ligeti) é parcial e timidamente retomada – parecendo com isso mais uma obrigação que o diretor se impôs, como a querer criar uma relação de parentesco direto com “2001” – e acompanhada por uma trilha original medonhamente convencional, composta por David Shire, que em nada auxilia o filme, bem pelo contrário. Porém, como algo positivo neste longa-metragem, deve-se reconhecer que, mesmo deixando o filme datado, a decisão de Arthur C. Clarke de explorar uma animosidade que se intensifica entre Estados Unidos e Rússia, enquanto a missão conjunta é executada espaço adentro, cria um conflito interessante entre os personagens que, de certa forma, sentem-se divididos entre o companheirismo inevitável e o orgulho patriótico.
Que já era sabido de pronto que as chances de “2010” fazer jus ao status magistral de “2001” eram ínfimas, por conta de o primeiro ter se tornado um ícone inquestionável do cinema de arte, isso é inegável. Mas é por, possivelmente, a idéia de sua existência ter nascido por questões afetivas de Clarke – relativas ao seu desejo de retomar os personagens que lhe deram prestígio e notoriedade – é que o filme e sua história enterraram as chances de vislumbrar algo muito maior do que ser um mais uma ficção-científica que explora, de forma linear e convencional, a eterna e inevitável esperança de que a humanidade não é a única coisa viva perdida no cosmo.
Baixe o filme utilizando uma das opções de links a seguir e verifique qual das legendas seria a adequada.

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legendas disponíveis:
http://legendas.tv/info.php?d=9152cc4f548bc8a424062e6db0d48b42&c=1 [via legendas.tv]
http://www.opensubtitles.com/pb/download/sub/3108215 [via opensubtitles.org]
http://www.opensubtitles.com/pb/download/sub/3098204 [via opensubtitles.org]

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“Senhores do Crime”, de David Cronenberg [download: filme]

eastern promises (2007)

Obstetra, sensibilizada com a morte de uma garota de 14 anos no parto, procura dados sobre sua família, no diário encontrado com ela, para poder informar sobre o nascimento do bebê. É através deste diário que ela entra em contato com uma família de mafiosos russos em Londres, colocando em risco a vida dela e de sua mãe e tio.
David Cronenberg já foi conhecido por explorar a loucura, o estranho e o surreal em filmes de suspense, terror e ficção científica. Nestes longas, a sua obsessão com o corpo, abordando-o e explorando-o de forma bizarra, era conhecida como a sua marca registrada. Desde “Marcas da Violência”, Cronenberg mudou radicalmente o foco de seu cinema: mesmo que, de alguma forma, ainda mostre sinais de sua fixação pelo orgânico – presente no detalhismo da violência que gosta de expôr -, esta passou a ser mero reflexo do ambiente e temática que agora decidiu explorar, a do submundo do crime. Nesta esfera narrativa, o diretor canadense decidiu explorar personagens que, de algum modo, desestabilizam este ambiente: enquanto no longa anterior seu foco caiu sobre alguém que queria deixar de pertencer à este mundo, em “Senhores do Crime” ele inverteu a premissa, colocando como um dos protagonistas um homem que se esforça para entrar nele, mas que ao mesmo tempo evita os excessos típicos dos que dele fazem parte – ambos interpretados nos dois filmes pelo mesmo ator, Viggo Mortensen. Uma característica interessante do roteiro é que ele tem uma tendência a poupar o excesso de desgraças shakespearianas que é típico do gênero, mas ao mesmo tempo, a certa altura do filme, ele também torna-se um tanto previsível, visto que já se pode antever algumas coisas relativas à um dos protagonistas, e ainda acaba, nos seus últimos minutos, deixando de retratar eventos que poderiam incrementar o seu epílogo, preferindo apenas citar a resolução de tais eventos ao avançar no tempo e mostrar o destino que os personagens tomaram. Tais problemas na concepção do roteiro, bem como a própria condição linear e tradicional de “Senhores do Crime”, fazem do longa-metragem apenas mais um que se alinha à média dos que tematizam sobre a máfia e o mundo do crime. E isso, infelizmente, o faz estar bem longe de algo que se espera de David Cronenberg, que mesmo quando tem nas mãoes um material que pisa bem firme com o pé no chão é capaz de recheá-lo de sequências e soluções que lhe conferem a marca notória de seu cinema idiossincrático – como aconteceu em “Marcas da Violência”.

Baixe: “Senhores do Crime”, de David Cronenberg (Eastern Promises, 2007)
[áudio original, 1080p, mp4 zipado]

Baixe: legendas (português)

Download: subtitles (english)

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“A Vida Secreta das Palavras”, de Isabel Coixet [download: filme]

la vida secreta de las palabras (the secret life of words, 2005)

Hanna é uma garota parcialmente surda que, devido a sua personalidade introspectiva, incomoda seus colegas de trabalho pelo seu completo desinteresse em socialização. Por conta disso, ela é orientada a tirar férias. Tão logo ela chega no local escolhido ela se oferece, ao ouvir uma conversa em um restaurante, para a vaga de enfermeira em uma plataforma marítima de extração de petróleo, onde deverá tomar conta de um operário que sofreu um acidente. É neste lugar, e principalmente no contato com Josef, o enfermo, que Hanna começa a modificar o seu temperamento – o que vai revelar coisas um tanto dolorosas sobre a vida de ambos.
“A Vida Secreta das Palavras” acerta nos dois pontos cruciais onde o filme comentado aqui na semana passada falhou retumbantemente. No que tange à construção de personagens, a diretora e roteirista fez um belo trabalho ao desenhar pessoas que cativam o espectador, a despeito de todos os personagens terem, em alguma medida, um desinteresse pelo convívio social: tanto os protagonistas, encarnados por Sarah Polley – que faz uso econômico de expressões, de falas e de olhares para a construção de uma mulher conscientemente reclusa, que nutre uma aparente falta de ânimo e interesse por tudo – e Tim Robbins – que retrata de forma equilibrada a personalidade expansiva de Josef, dado à incessantes piadas de cunho sexual e flertes, mas que logo também revela-se sensível e culto -, quanto os personagens periféricos, como o chefe da plataforma, o cozinheiro e o oceanógrafo, exibem carisma suficiente para manter não apenas o público atento, mas também verdadeiramente interessado no porvir de suas histórias.

la vida secreta de las palabras (the secret life of words, 2005) movie stills 01
Protagonistas tão diferentes com dores tão particulares em um filme que emociona sem nunca cair no sentimentalismo fácil

E à estas histórias, contidas no argumento do filme, Isabel Coixet dedicou especial cuidado, compondo-as carregadas de um drama que, apesar de sua visceralidade e cores fortes, nunca cai no sentimentalismo fácil e barato pelo modo como são desvendadas – com cautela e sem muita pressa. O trabalho conjunto destes aspectos, auxiliados ainda por uma trilha sonora sofisticada, que traz canções de artistas como Tom Waits, David Byrne, Antony and the Johnsons e Chop Suey, forma um longa-metragem que expõe tragédias, tanto as pessoais como as que são frutos dos horrores cometidos pela humanidade, de uma forma discreta e sutil, permitindo-se mostrar apenas o suficiente para que a platéia seja sensibilizada por estes personagens imobilizados pelo sofrimento causado pelas suas tragédias, que faz alguns deles viver de forma automática, quase mecânica, na esperança inconfessa de algo que os remova desta agonia silenciosa.

Baixe: “A Vida Secreta das Palavras”, de Isabel Coixet (La Vida Secreta de las Palabras/The Secret Life of Words, 2005)
[áudio original, 1080p, mp4]

Legendas/Subtítulos/Subtitles:
português english

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“Contraponto”, de Terry Gilliam. [download: filme]

TidelandJeliza-Rose é uma garotinha tão estranha que, sem o menor pudor, auxilio o seu pai no consumo de drogas. Tão logo sua mãe, igualmente viciada, morre por conta de uma overdose, ela acompanha seu pai na viajem à “Jutilândia”, tão prometida por ele diversas vezes, tendo como primeira parada a casa abandonada de seu avó, jogada em meio à uma paisagem vasta e rústica que alimenta ainda mais a já fantasiosa mente de Jeliza.
“Contraponto”, baseado no livro de Mitch Cullin, tem o mérito de figurar como um dos piores, se não o pior, longa-metragem de toda a filmografia do diretor Terry Gilliam. Seus problemas são unicamente dois, e um derivado do outro – personagens e roteiro -, mas a intensidade deles é tamanha que mais nada dentro da concepção do filme consegue cativar suficientemente o espectador para que uma avaliação minimanente positiva dele seja feita. A lógica da problemática é bem simples de se entender: se os protagonistas do filme – um rockeiro fracassado e viciado cujo momento de maior proximidade com sua filha é quando pede para esta que a ajude a preparar sua dose diária do heroína; uma taxidermista com fobia de abelhas tanto quanto de pessoas, e que só vê como possível estabelecer relações com estas depois de mortas e devidamente empalhadas; seu irmão com problemas mentais, perdido em ilusões marítimas e ambições um tanto quando destrutivas e, finalmente, a gatorinha Jeliza-Rose, que passa seus dias inundando-se em fantasias com as quais cresceu sempre acostumada a confundir com a realidade – falham em despertar a menor dose de simpatia no público, a estória que os envolve, se já não parece interessante – pois apenas retrata as ilusões da garotinha, sozinha na casa abandonada de sua vó e em contato com gente desprovida de qualquer interesse em estabelecer comunicação com a realidade -, tem essa feição ampliada ainda mais pela falta de empatia dos personagens, tornando-se um verdadeiro teste de paciência cinematrográfico. Visto que estes dois aspectos são a base da formação de qualquer bom filme de ficção, fica difícil elogiar qualquer outro componente ou característica de “Contraponto” – mesmo que eles tenham algum vago caráter de qualidade, sua importância frente à dos personagens e do roteiro é consideravelmente menor.
Mas Terry Gilliam é assim mesmo, um homem de extremos: quando o diretor britânico, ex-integrante do grupo Monty Python, acerta a mão, geralmente ele o faz de maneira sublime – como em “O Pescador de Ilusões” e “12 Macacos” -, mas quando ele erra, ele o faz em igual medida, cavando fundo a cova do seu próprio filme. Se ele continuar acertando uma vez a cada dois equívocos, já vale o serviço prestado ao cinema – e como “Contraponto” é o seu segundo equívoco seguido, vamos torcer para que o próximo seja um acerto realmente compensador.

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senha: contempt

legendas disponíveis (português) [via legendas.tv]:
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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005