Sim, eu estarei saindo do Florianópolis cedíssimo, pela manhã, para trafegar por Curitiba por algumas horas com minha melhor amiga e seus pais e, junto com ela, rumar para a Pedreira Paulo Leminski lá pelos idos do meio da tarde – não pode ser MUITO tarde porque ainda vou ter que enfrentar a fila da bilheteria para, só então, encarar a fila da entrada do local do show em si.
Fora minha hiper melhor amiga, exigentíssima como poucas em tudo – inclusive no que tange ao mundo da música – só terei mais uma pessoa conhecida por lá – a ex-namorada de meu irmão, uma garota antenada, inteligente e bacana demais. Assim como eu, fã incondicional de música. Já é o bastante – eu realmente não curto aqueles programas que mais parecem caravana para algum programa do Sílvio Santos – o que não quer dizer que eu vá ser antipático com alguém aí que queira passar por lá – se for possível ser encontrado em meio a tanta gente – para dizer um “oi” e bater um papo antes das atrações. Aliás, pelo que noticiaram os jornais, com relação às etapas São Paulo e Rio do festival, talvez nem apareça tanta gente assim para conferir os shows. Pensei até em fazer uma camiseta do blog para fazer uma publicidade básica, mas achei isso meio tolo e deixei para uma outra ocasião qualquer.
A expectativa não é assim tão IMENSA, mas aguardo bons shows. Björk, claro, tenho ânsia de conferir, e imagino que vai ser um grande show, por mais curto que seja – e provavelmente será. Arctic Monkeys, pelo que comentaram, vai trazer uma performance burocrática – boa, sem dúvidas, mas um tanto fria e calada, dizem. Eu realmente não espero tanto, já que realmente só gosto do segundo disco da banda britânica, mas tomara que me surpreendam. Já The Killers, imagino, vai ser um show recheado de simpatia, principalmente do vocalista-gatinho Brandon Flowers. As músicas da banda, principalmente as do primeiro disco, são fabulosas e completamente orgásmicas e, mesmo que no segundo álbum a energia tenha caído um pouco, só as canções do primeiro já são metade do trabalho para uma performance fabulosa. Estou muito animado com todos eles – mas, pra ser sincero, sabiam que acho que fiquei mais animado com os shows do Placebo e The Cardigans? Devo estar com febre – ou são os incômodos garantidos do meu trabalho na semana que vem que estão tirando o meu tesão. De qualquer forma, acho que vou esquentar quando já estiver por lá!
O único senão será aguentar o Hot Chip abrindo o festival – pessoal, juro que tentei gostar da banda, mas não deu. Eles são, digamos, anêmicos demais para o meu gosto – altamente modorrentos. Mas, como há depois três atrações que interessam, vale o esforço!
Então, nos vemos lá. Apareçam pra dar um oi – se vocês me encontrarem, claro!
3 ComentáriosOBS: é bem provável que os textos da semana sejam afetados pela tempo que esta viagem vai me tomar. Vocês vão compreender se eu não publicar tanta coisa essa semana, não? 🙄
Alguns, eu diria até muitos, gostam de comparar a banda britânica Keane com seus conterrâneos do Coldplay. Mas isso, na verdade, carrega consigo uma boa dose de injustiça e confusão: a banda de Tom Chaplin, Tim Rice-Oxley e Richard Hughes foi fundada antes da de Chris Martin – o que faz, então, a lógica da semelhança ser inversa. Porém, como não é raro no mundo da música, o estilo da banda foi sendo lapidado com o passar do tempo e, talvez, alguma influência – de “mão única” ou recíproca – é bem possível de ter ocorrido.
Menomena é uma banda composta por apenas três rapazes de Portland, no estado do Oregon, e já é considerada das mais criativas e originais do cenário indie americano. E isso não é exagero: apesar de serem capazes de compor algumas faixas aborrecidas e obtusas, quandos eles acertam a mão eles criam melodias que, fazendo uso de blocos de harmonias cíclicas ou explorando o crescendo melódico, conseguem soar majestosas sem perder o traço idiossincrático indie que a banda adora preservar. Friend And Foe, o segundo disco destes rapazes tão inventivos, está repleto de incomparáveis gemas sonoras, com instrumentação e arranjos ainda mais afinados que no disco anterior. O disco começa com a faixa “Muscle’n Flo”, feita de versos que pregam o levante sobre uma vida desprovida de sentido, e melodia com vocal que se equilibra entre o cantar mais suave e o brado mais jubiloso, bateria e pratos de cadência energizante, piano de acordes agudos e cíclicos e orgão de tonalidades gospel. Já em seguida a desconcertante “The Pelican” – que utiliza este pássaro como metáfora para o egoísmo e o parasitismo social e afetivo -, que lembra muito o Supergrass, principalmente pela sua metade introdutória, com um vocal encolerizado sobre o piano de de acordes contínuos e graves, logo usurpados por uma intensa torrente de guitarras e loops de bateria que se sobrepõem de modo oscilante em pausas e fulgores melódicos suntuosos. Depois de “Wet and Rusting”, uma faixa um tanto regular, que poderia soar bem melhor com algum esforço, temos “Air Aid”, um brado anti-belicista em que o loop da bateria e percussão concede o andamento, supenso em pequenas pausas, para que piano, metais, guitarra e o baixo minimalistas construam e ganhem seus espaços pouco a pouco sobre esta base, resultando em um módulo melódico que sucede a si mesmo continuamente. Mais à frente no disco podem ser destacadas as faixas “Boyscout’n”, com letras que possivelmente referenciam à Judas e a traição de Cristo e que conta com coro de assobios ultra-jovial, arranjo de metais digno dos melhores trabalhos de Michael Nyman e guitarra, bateria, pratos, baixo e piano em exultante agitação conjunta, e “Evil Bee”, talvez a melhor faixa do disco, com um trabalho verdadeiramente impecável na programação dos loops vibrantes da bateria, da percussão e dos metais, além dos violões, guitarras e xilofones que pontuam de forma luxuosa a melodia que é construída em um crescendo absurdamente exuberante.
E finalmente é lançado, com direito a “teaser trailers” e data de estréia, o terceiro volume das sempre inventivas e surpreendentes peças publicitárias da mega-corporação Sony para a sua linha de Tvs LCD Bravia. Depois de causar uma avalanche de bolinhas coloridas ladeira abaixo na cidade de San Francisco e borrar um condomínio de edifícios inteiro da escocesa Glasgow com colossais jorros de tinta, a produtora Passion Pictures decidiu usar New York como cenário e coelhinhos de massinha de modelar como protagonistas. Filmados em stop-motion no meio de uma praça da cidade, esses bichinhos fofos de todas as cores possíveis surgem de canaletas e esgotos, atravessam o trânsito furioso e invadem uma praça, transformando-se em uma enorme onda que, ao quebrar-se no asfalto vira blocos de gelo de onde vemos surgir o dorso de uma baleia, como se a superfície de concreto do chão fosse a do mar. Mas a super-produção não termina por aí, pois logo a cauda da baleia, levantada do concreto-mar, transforma-se em um coelho gigante que, finalmente, derrete-se em blocos multicoloridos por toda a praça – tudo ao som de “She’s a Rainbow”, do Rolling Stones – baby, esse é pra lá de imperdível. Assista o vídeo