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Categoria: musica

críticas e comentários sobre álbuns musicais, singles e similares com download disponível

Rufus Wainwright – Want One (+ 4 faixas bônus) [download: mp3]

Em 2003, Rufus Wainwright anunciou o lançamento de um projeto entitulado Want que, originalmente, tinha sido planejado como um álbum duplo e que logo foi transformado em um álbum dividido em duas diferentes partes: Want One (lançado em 2003) e Want Two (lançado no ano seguinte, 2004). Decisão acertadíssima. Ao invés de afogar os fãs em um pacote massivo de canções, no qual muitas poderiamn perder o seu poder de atração e sua força, Rufus dividiu sua criação em dois volumes para que o ouvinte fosse mergulhado com cautela em sua criação mais ambiciosa e, assim, desfrutasse da maneira correta de sua profundidade melódica e lírica.
Want One é mesmo o introdutor desta obra épica: esta primeira parte pode ser considerada como uma dos melhores representantes do estilo barroco nas melodias de suas quatorze faixas: requinte, sofisticação e virtuosismo composicional são a tônica desre disco. No caráter temático desta sua obra, Rufus também exarceba seu gênio artístico: Want One explode em uma profusão de contos sobre relações afetivas malfadadas, conflitos familiares, abandonos, abusos e vícios. “Want”, por exemplo, é o retrato cortante de uma separação, versando sobre um amante que perambula por um aeroporto depois do fim de seu romance, implorando para que qualquer adversidade o impeça de embarcar no seu vôo e concretizar o fim de tudo. Com o mesmo sentimento de fracasso, a emocionamente “Dinner at eight” retrata o desejo de um filho de romper a barreira de orgulho no difícil relacionamento com seu pai. Já “Oh What a World” tem belíssima inspiração e adaptção melódica em fanfarra do famoso “Bolero” de Ravel, com versos simples que se repetem e que falam sobre a inversão de papéis, particularmente os masculinos. “Go or Go Ahead”, por sua vez, é mais uma daquelas canções em que Rufus Wainwright exibe toda a potencialidade de sua habilidade de composição melódica: construída vagarosamente num crescendo absoluto, a canção é uma orgia sonora de sofrimento e abandono, com direito a vocais de fundo trabalhadíssimos e infinitamente sobrepostos. É lirismo no ápice absoluto. A maravilhosamente lúdica “Beautiful Child” consegue ser ainda mais primorosa e variada em seus arranjos – se é que isso é possível (!) -, conjugando orquestrações de metais, percussões de sortimentos diversos, instrumentação rock tradicional e, novamente, vocais de fundo sobrepostos uns aos outros, formando um coro interminável da voz de Rufus – o que se tornou praticamente um símbolo do projeto de Want One. Apesar do espaço reservado para tantas músicas complexas, o cantor também foi sensato ao compor algumas músicas menos pretensiosas. “Movies of Myself”, por exemplo, inicia com uma introdução eletrônica minimalista e logo promove a quebra desta através de uma melodia rock básica, animadíssima. Mais agitada do que normalmente são suas canções, com refrão gostosíssimo, Rufus solta a voz com vontade (algo que ele faz com tranquilidade) transmitindo animação e energia para o ouvinte num tom que traz a mente o álbum Humming, de Duncan Sheik. Composta por uma melodia pop mais clássica e tradicional, “I Don’t Know What It Is” tem cara de single, com letras no seu já conhecido lirismo incandescente. Com sonoridade que lembra Beatles ou The Verve, a faixa luminosa suscita mentalmente, na sua audição, um passeio altamente descompromissado por um ambiente urbano.
Apesar da tempestade de derramamento lírico que foi Want One, Rufus ainda guardava muito para o segundo volume de seu épico confessional – para o deleite orgásmico de seu público. Link para dowload abaixo.

Baixe: http://www.mediafire.com/file/2rqc7eq3n39q569/rufus-wone.zip

Ouça:

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Placebo – “Song to say goodbye” (dir. Philippe André). [download: vídeo]

Placebo - Song To Say GoodbyeNeste vídeo para a maravilhosa canção do novo disco da banda britânica Placebo os papéis de protagonização foram intencionalmente invertidos: um garoto tenta conviver com quem parece ser seu pai, que aparentemente tem problemas mentais, já que vive completamente desligado do mundo. Segue-se a rotina de uma pessoa que tenta desesperadamente enfrentar as adversidades naturais da deficiência até que, descobrindo-se impotente diante dos problemas, o garoto chega conclusão de que isto está além de sua capacidade. Belíssimo clipe que reveste de novo significado o primeiro single do disco Meds. Realmente imperdível. Baixe o vídeo no formato .MOV pelo link abaixo.

http://www.villains.com/media/qt/placebo_songtosay.mov

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Tori Amos – From The Choirgirl Hotel [download: mp3]

tori amos - from the choirgirl hotel (1998)

Como a própria Tori Amos afirmou, lá se foi uma trilogia formada – obviamente – por Little Earthquakes, Under The Pink e Boys for Pele. Em 1998 ela surpreende os fãs novamente com um álbum que introduz novas nuances em seu estilo musical. Já de começo, Tori Amos decide chamar músicos para formar uma banda que, além de lhe acompanhar na gravação do álbum, também o fariam pela turnê do mesmo. Isso acabou tendo efeito definitivo de mudança sobre seu método de composição musical: pela primeira vez ela trata seu piano de igual para igual com os outros instrumentos, sem fazê-lo sobrepujar todas as outras sonoridades presentes na música.
Não bastasse esse caráter coletivo das melodias do álbum de 1998, em from the choirgirl hotel Tori flerta abertamente com a sonoridade eletrônica – sempre com o devido balanceamento com os outros instrumentos que marcam presença na melodia. Exemplos de músicas que tem “um pé” na música eletrônica são “Cruel” – deliciosamente inovadora para o estilo de Tori, surpreende pela total e absoluta ausência do piano – e “Raspberry Swirl” – com um Bösendorfer frenético que insiste em uma competição ensandecida com as sonoridades usurpantes do teclado.
Pouco depois de lançar o álbum Tori revelou que sua inspiração principal ao compô-lo foi um aborto que sofreu no decorrer da tour “Dew Drop Inn”, que promoveu o álbum Boys for Pele. Esse fato é insinuado em muitos momentos de from the choirgirl hotel, como na canção “Playboy Mommy” e também em “Spark”. Por ter como fato gerador um acontecimento que causou à Tori tamanha dor, o álbum acaba por apresentar no seu todo uma identidade soturna, estranha, melancólica e mórbida. As baladas, como sempre, são repletas de confusão sentimental, ironia, ódio e confessionalismo caleidoscópico – exemplos de canções do álbum neste estilo são “iieee” – com uma melodia que nos incita um ritual ocultista -, “Northern Lad” e “Liquid Diamonds” – ambas canções extraordinárias. Poucos artistas hoje fazem o que Tori Amos decidiu arriscar fazer naquele momento, dando uma guinada em sentido contrário no trabalho que vinha desenvolvendo até então. Apesar de ter sofrido críticas desde o lançamenteo deste disco – críticas irrelevantes, na minha opinião – , não se pode deixar de concordar que é muito mais difícil procurar novos caminhos, tentando promover uma evolução (não exatamente no sentido qualitativo do termo) do seu trabalho do que “deitar-se confortavelmente em berço explêndido”, aproveitando o sucesso fácil daquilo que já está mais do que trilhado e dissecado. Atitudes como estas são cada vez mais raras, infelizmente.

Baixe: Tori Amos – From The Choirgirl Hotel [mp3]

Ouça:

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The Killers – Hot Fuss [download: mp3]

the killers - hot fuss (2004)

Apesar da mesmice e irrelevância artística da maior parte daquile que é produzido em termos culturais hoje em dia, seria leviandade afirmar que nada mais interessa. Há sempre artistas que surgem e surpreendem, ainda que em número reduzido. O trabalho por eles apresentado pode talvez não se apresentar como um mundo de inovação mas como uma retomada vigorosa daquilo que já conhecemos – o que não é pouco. A banda americana The Killers é a mais nova representante deste fenômeno, e já conseguiu chamar a atenção com apenas um álbum lançado na praça. Em Hot Fuss, a banda espalha uma sonoridade que não soa estranha ao ouvido de alguem com mais de 25 anos, pois a voz e empostação cool/cult do vocalista, bem como as melodias que dosam guitarras harmônicas e teclados esquematizados suscitam os melhores momentos do pop que foi chamado de “New Wave” nos anos 80 e ainda início dos 90. Porém, não se trata puramente de uma retomada, já que a banda consegue ressuscitar a alma do pop do fim do século passado sem soar nostálgica, incorporando pós-modernidade em suas canções ao mesclar de forma competente diferentes gêneros musicais. Pelo menos em seu álbum de estréia, The Killers mostra que é muito boa em compor músicas que se mostram candidatas à hits imediatos. Seus B-sides também são tão bons quanto as músicas que ganharam o direito de configurar o álbum, algo não tão fácil de acontecer quanto se pode pensar. Como não poderia deixar de ser, algumas faixas são destaques absolutos no álbum, como é o caso da faixa de abertura, “Jenny was a friend of mine”, um rock de com simetria melódica perfeita que fala sobre um amante que perde a sensatez e a noção de limites. “I’ll the things that I’ve done” e “Andy you’re Star”, com refrões acompanhados por backing vocal de inspiração clara em coros gospel, sintetizam muito bem rock e blues. “Everyting will be alright”, e em menor grau “Somebody told me”, surgem na descendência do pop eletrônico que varreu a Europa no fim do século passado, sem deixar de sobrepor na sua melodia a contemporaneidade da banda. E para fazer jus ao comentário que fiz sobre os B-sides, “Glamorous Indie Rock and Roll” simultaneamente é uma ode extravagante ao amor e ao gênero musical que cita. Ao fim de sua audição, Hot Fuss é o atestado sonoro do encantamento que sempre irá possuir o gênero musical que nasceu sob a aura da rebeldia e trangressão, amadurecendo e sobrevivendo a sucessivas gerações sem nunca perder o seu vigor juvenil. Link para download depois da lista de faixas.

Baixe: The Killers – Hot Fuss [mp3]

Ouça:

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Natalie Imbruglia – White Lilies Island. [download: mp3]

Natalie Imbruglia - White Lilies IslandAlgum tempo depois do sucesso de Left of the Middle, a australiana Natalie Imbruglia retornou com o seu segundo disco, White Lilies Island. Natalie, cujo primeiro disco tinha imensa energia pop, com belos candidatos a hits instântaneos, não conseguiu superar seu êxito anterior, criando um trabalho que se considerado no seu conjunto, é um pop burocrático e sem charme. No entanto, a empreitada não chega a ser um desastre, já que as primeiras músicas do disco conseguem manter o interesse do ouvinte por algun tempo. “Beauty on the fire” é uma balada com bateria eletrônica em destaque e refrão convencional, com letras de beleza melancólica. “Satellite” é um pop com bateria e violões compassados, acompanhados com segurança na sua melodia pela voz de Natalie, que retrata em suas letras o flerte de um casal. “Do you love” é uma a música mais inspirada do disco, tanto melódica quanto liricamente, com versos sôfregos e sonoridade pop inicialmente suave, mais que ganha vigor no refrão com bom uso de guitarras. Isso ainda é pouco em vista do que a cantora apresentou em seu trabalho de estréia, mas as primeiras faixas ainda tem o poder de preservar o interesse daqueles que se deliciaram com o então fênomeno Natalie Imbruglia. Como medida compensatória, pode-se dizer que a capa do novo álbum é melhor do que a do primeiro, trazendo uma Natalie de belos cabelos longos repousando agradavelmente em um ambiente de cor predominantemente branca, contrastando vestes formadas pela camiseta preta básica e saia de tule vistosa.

senha: claymore

http://rapidshare.de/files/13521703/White_Lilies_Island.rar.html

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Garbage – Bleed Like Me. [download: mp3]

Garbage - Bleed Like MeDepois de arriscar em BeautifulGarbage com uma sonoridade mestiça, compondo um disco tão sem identidade que não levou a banda a lugar algum, o Garbage mostra que aprendeu com o resvalo e retorna com o elogiado álbum Bleeed Like Me. Faixas como “Bad Boyfriend” e “Why do you love me” tem sonoridade rock forte, com generosos riffs de guitarra e bateria marcante, e letras que contrastam entre si: enquanto na primeira faixa Shirley Manson declama aos brados versos de um amor passivo, declarando sujeitar-se à tudo para obter um pouco daquele que ama, na outra canção surge uma mulher que confessa-se não ser o ideal feminino, mas que afirma ter o direito de cobrar amor e honestidade. Condizente com a concepção vigorosa do disco, a banda compõe na faixa “Sex Is Not The Enemy” um hino ao amor livre – um tema que já está batido mas que nunca deixou de ter seus adeptos.
Terminando a audição do disco é fácil perceber que o novo álbum foi calculado cuidadosamente para recuperar o interesse perdido por uma parcela dos fãs depois do Garbage ter arriscado demais ao tentar compor uma sonoridade mais complexa. Há sim momentos de sonoridade eletrônica no disco – essa sempre foi uma característica da banda -, mas aqui isso serve apenas de adorno para a verdadeira identidade do CD. É certo que este álbum não é o primor da originalidade, mas é sem dúvidas a obra ideal para impor respeito com seu conceito rock correto e coeso – antes pisar em terreno seguro do que afundar nas areias movediças do experimentalismo inconsequente. Clique com o botão direito do mouse e selecione “salvar destino como…” no menu parar pegar os arquivos. Link para download depois da lista de faixas.

http://starlyon.com/PF/BLM.zip

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005