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Sete Ventos Posts

Tori Amos – Boys for Pele [download: mp3]

tori amos - boys for pele (1996)

Quem achou que Tori Amos tinha chegado ao limite da complexidade tomou um susto com o lançamento de seu terceiro álbum. Neste disco, Tori Amos eleva à enésima potência a complexidade dos primeiros dois álbuns – tanto melódica como liricamente. Se Under the Pink tratava do mundo feminino, Boys for Pele se ocupa de sua contraparte – o homem, sua personalidade e comportamento é que se constituem na linha condutora deste terceiro disco. A motivação para o dissecamento por Tori do “eu” masculino foi o fim de seu relacionamento afetivo com Eric Rosse, que também co-produziu os discos anteriores. É essa a razão de o álbum soar tão passional, como se tivesse sido composto com a cantora divertindo-se ao ver alucinada seu mundo virar de cabeça para baixo, ao mesmo tempo que tenta desesperadamente atingir o seu prumo e encontrar o seu próprio rumo. O resultado é um verdadeiro magma fervente de 18 canções – 19, se contarmos a primeira faixa como duas – de concepção ousadíssima que beira o conceitual e o ineditismo puro: quanto as letras, elas se apresentam tão cifradas que até hoje geram discussões entre os fãs sobre seu verdadeiro significado; quanto à melodia, instrumentos usuais da música popular – como bateria e guitarra – formam uma mistura fabulosamente esdrúxula com instrumentos como cravos e harpas, muitos mais comuns na música erudita. A atmosfera inusitada do trabalho foi reforçada ainda mais pela decisão de gravá-lo inteiramente dentro de uma igreja, o que reforçou também o seu caráter absolutamente profano.
De classificação impossível – por vezes tem raízes jazz, outras no blues, em outros ainda rock, e muitas vezes clássico – este é o trabalho mais inovador de Tori Amos e, ouso dizer, da história do rock. Tanta dedicação da artista em seu trabalho lhe rendeu bons frutos: o álbum lhe consagrou como uma das mais importantes artistas da música mundial e transformou a sua fiel legião de fãs em uma verdadeira horda ávida por novas peripécias musicais da cantora americana.
E só para concluir, uma nota breve sobre o nome do álbum: “Boys for Pele” é uma referência aos sacrifícios de garotos- arremessados garganta do vulcão abaixo – em nome de uma deusa havaiana chamada “Pele”. E Tori, que perde uma província inteira de fãs mas não perde a oportunidade de exercitar a sua elegante ironia, colocou na capa do álbum dois garotos presos dentro de uma cabana enquanto ela mantém a guarda lá fora, munida de um belo rifle de caça e serpentes diversas aguardando o momento do sacrifício.

Baixe: Tori Amos – Boys for Pele [mp3]

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“Casa De Areia e Névoa”, de Vadim Perelman.

House Of Sand And FogKathy arrasta-se em seu cotidiano absorta em um longo surto de autocomiseração: abandonada pelo marido há dois anos, cria desculpas para evitar que sua mãe descubra que sua vida parou no tempo. Porém, ela é despejada pela prefeitura da casa em que mora, e que pertence à sua família, sendo informada de que a residência irá à leilão para pagar os impostos comerciais nãO quitados. Kathy, apesar de não dar qualquer valor para o imóvel, decide tentar reaver a casa antes de que sua mãe chegue à cidade para visitá-la e, desta forma, descubra como a filha está. Mas o imóvel é vendido já no dia seguinte em que ela foi despejada para uma família de iranianos, cujo pratiarca, ex-militar em seu país, trabalha em empregos de baixa qualificação e sustenta uma vida luxuosa com o lucro que obtem da revenda dos imóveis que compra. E esse é o motivo pelo qual ele decide não sucumbir à interferência de Kathy.
Ns primeira cena do filme um policial pergunta à personagem de Jennifer Connelly se “essa casa é sua”. Essa é a pergunta que permeia todos os acontecimentos do filme. A casa aqui, na verdade acaba sem pertencer a ninguém pois é o personagem que testemunha o viver dilacerado daqueles que a habitam: a primeira ocupante, uma mulher que é mais culpada do que vítima pala vida desistimulante que leva; os últimos, imigrantes do oriente-médio que, apesar de tentarem adaptar-se à realidade de um país que pouco lhes tem de comum e não os compreende, guardam o desejo silencioso de um dia retornar à terra de onde fugiram. Com a entrada de um policial que vive um casamento conformista, e que tem personalidade instável e dependente, a briga pela casa que já foi de Kathy acaba ganhando contornos ainda mais passionais e desesperados.
O choque entre as duas culturas – a ocidental e a oriental – não chega a se constituir na tônica do filme, mas ganha importância nos trágicos eventos finais da estória. Da maior importância, no entanto, é que se compreenda que a luta dos personagens, não é por uma casa como algo tangível e concreto, mas pelo rumo que desejariam que sua vida tivesse tomado e por raízes que jamais conseguiram firmar. É está “casa”, no sentido mais metafórico, que eles buscam. Aí está o porque do título do filme: a “casa” é tão difícil de se obter porque é de areia e névoa, duas coisas que, apesar de serem plenamente visíveis aos olhos, são impossíveis de serem retidas nãos mãos. Assista.

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“Jesus Christ, The Musical” (dir. Javier Prato). [download: vídeo]

Jesus Christ, The MusicalEm vídeo dirigido por Javier Prato, um certo “Miguel Mas” é o astro, encarnando um Jesus Cristo afetadíssimo(a) ao som de “I will survive”, de Gloria Gaynor. E a personificação pelo ator de um Cristo em performance digna dos melhores “transformistas” que você possa imaginar nas ruas de uma metrópole qualquer sob o olhar estupefato das pessoas é insuportavelmente hilariante. Curioso é que o vídeo assemelha-se muita à um clipe de animação cujo protagonista é um alienígena de um olho só. Num post posterior colocarei o vídeo à disposição a fim de que vocês comparem. Mas isso, claro, não tirá o mérito deste vídeo, em grande parte devido à enorme ousadia e falta de vergonha na cara do tal Miguel Mas. Baixe já o vídeo!

http://dl1.dumpalink.com/media/8YggDpXu6VF5/R7m2Qx9eshyN.wmv

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Paparazzo: todo Daniel Saullo [fotos]

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Cara de descarado, salafrário, cafajeste, vagabundo, mulherengo, sem-vergonha. Ele pode ser tudo isso mesmo, sem qualquer dúvida. Daniel Saullo é daqueles garotões machões que tem conhecimento de seu poder de atração e tiram todo o proveito da sua beleza física, naquela atitude típica do macho heterossexual que se acha o tal. E somos obrigados a concordar com isso: ele é mesmo um tremendo de um gato, disparado o homem mais bonito desta edição do intragável programa Big Brother – a única coisa que sempre me interessa nisso é que os concorrentes bonitos sejam todos eliminados rapidinho para vê-los no Paparazzo. E este é, na minha opinião, o melhor e mais esperado ensaio do Paparazzo nos últimos tempos. Não há muita ousadia, mas quem já está familiarizado sabe que isso é a regra no site de ensaios da Globo.com. Nem por isso deixa de ser um dos ensaios mais aguardados que já figurou por lá. E o mérito é, em grande parte, de Daniel Saullo mesmo. O delicioso modelo tem um rosto de traços perfeitos, um sorriso largo extremamente cativante e sedutor e um corpo gostoso na medida exata. É mais um dos morenos que casam certinho com a minha preferência, o meu número. Tudo bem, ele não pode até não prestar. Mas é aí que está o seu charme: é um exemplar preciso daquele macho com quem você não consegue levar um diálogo à frente, mas que você acaba nem se irritando tanto assim com isso. Em outras palavras: tão logo você desista de tentar conversar com um homem destes, joga ele na cama e mostra que não é ele que precisa ter cérebro mesmo. Aproveitem o álbum com todas as imagens do morenaço. Deliciem-se.

Acesse: Fotos de Daniel Saullo: Paparazzo

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“O Operário”, de Brad Anderson.

El MaquinistaChristian Bale interpreta Trevor, um operador de máquinas de uma cidade industrial perdida em um lugar qualquer do mundo. Trevor vive uma rotina tão insípida como a de milhões de outras pessoas sem qualquer ambição como ele, não fosse por alguns detalhes que chamam a atenção em sua aparência física. Trevor não dorme há cerca de um ano e, em consequência disso, o operário apresenta um aspecto físico frágil, de uma magreza quase cadavérica. E enquanto sua aparência piora a cada dia seu cotidiano de eventos até então imutáveis começa a sofrer perturbações inexplicáveis.
Christian Bale já provou que é um bom ator, mas consegue mostrar ainda, com este papel, que pertence ao grupo de atores que apoia a descaracterização física como instrumento integrado à caracterização psicológica no trabalho de interpretação (a mais recente à entrar no time foi Charlize Theron em “Monster”). É certo que em alguns filmes é algo
Este é mais um filme da recente leva que se utiliza de um roteiro repleto de desvios e contornos para confundir o espectador e não permitir que qualquer de suas suposições se sustentem por mais do que alguns momentos, até que tudo seja esclarecido no final. “Amnésia”, “Irreversível”, “O sexto sentido”, “Os outros”, “21 gramas” e muitos outros ainda se utilizam mais ou menos deste artifício, alguns contando ainda com o adicional da narrativa fragmentada ou reversa. Todos aqui citados – incluindo o filme de Brad Anderson – resultam em filmes de boa qualidade, mas este recurso de tentar ludibriar a percepção do espectador está se tornando tão banal quando o uso excessivo de efeitos digitais no cinema americano. O fato mais negativo em decorrência da ostensiva utilização disso é que o espectador já está indo ao cinema ou sentando no sofá com essa expectativa, e mesmo antes do filme começar sua mente já se encontra preparada para o trabalho de desconstruir a confusão propositalmente arquitetada.

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Álbum: Josh Holloway [fotos]

Antecipando o frisson da estréia hoje na Globo do seriado Lost – que substitui a excelente 24 horas -, trago para ao seteventos.org um dos homens mais badalados da série, o loiro Josh Holloway. O ator interpreta o sexy anti-herói Sawyer, sendo apenas um dos muitos motivos de se passar horas na frente da TV acompanhando Lost. Ele é de uma beleza avassaladora e uma masculinidade notável. Só mesmo a companhia de um homem tão apetitoso como única motivação para não cometer suicídio numa ilha perdida dando uma cabeçada num coco verde. No entanto, a minha crítica de sempre vai ser feita: podia ter menos cabelo nesse homem. Até mesmo Josh, em entrevistas para revistas americanas, disse que se irrita com os excessos da sua cabeleira fashion. E eu, como não poderia deixar de ser, fico feliz com o bom senso do ator. E por que não dizer, fico também torcendo para que alguém naquela ilha tenha sobrevivido ao desastre aéreo com uma boa tesoura e a segunda temporada da série se inicie com um Sawyer repaginado, mostrando toda a beleza fulgurante e muito mais masculina de um belo homem de cabelo curto. Vamos ao álbum? Não são muitas fotos, mas eu puxei a sardinha para o meu fogo e procurei reunir os ensaios de Josh dos seus tempos de modelo, quando não tinha longas madeixas. Porém, também há algumas fotos da fase Sawyer do ator.

Acesse: Galeria de fotos de Josh Holloway

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005