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Sete Ventos Posts

Sol Seppy – The Bird Calls, and Its Song Awakens the Air, and I Call (EP) [download: mp3]

sol seppy - the bird calls and its song awakens the air and i call (ep) (2012)

Se você acha que Fiona Apple é a mais reclusa e obtusa artista que se conhece é porque nunca ouviu falar de Sol Seppy. Pra se ter uma idéia, seis anos se passaram desde The Bells of 1 2, o imensamente belo álbum solo de estréia de Sol Seppy, e desde então, a única coisa que a talentosa artista concedeu ao público foi uma faixa (“I Am Snow”) para a compilação Love Cartier (que conta, inclusive, com uma canção da atriz francesa Marion Cotillard), lançada em 2008. E, diferentemente da cantora americana, que deu toneladas de entrevistas para o lançamento neste ano do seu álbum, até hoje muito pouco se viu, leu ou ouviu da cantora britânica de origem grega (seu nome verdadeiro é Sophie Michalitsianos) que não fosse suas músicas. Até mesmo fotos da moça não passam de alguns punhados que se encontra na internet. Apresentações ao vivo e vídeos? Esqueça são ainda menos numerosos que imagens. Ao que parece, a artista trabalha no seu ritmo, sem se preocupar com a frequência de lançamentos estabelecido como padrão pela indústria da música ou com a panacéia de ritos necessários para se chegar ao conhecimento púlico ou para mantê-lo. Por conta disso, só fiquei sabendo há poucos dias que a cantora deu o ar de sua graça em fevereiro deste ano para lançar um EP de apenas três faixas. Parece pouco, mas para o seu público, sedento há anos por alguma de suas composições tão singulares, já é motivo suficiente para se comemorar. As três canções foram nomeadas de forma que compõe um verso, “Part of/ Music/ Live in Me”, o que já indica a sua semelhança na tonalidade melódica: todas lidam com não mais do que piano, violão e violoncelo para tecer as harmonias delicadas, etéreas, difusas e distantes que marcaram a maior parte das composições do disco de estréia da britânica. De uma melancolia não propriamente triste, mas reflexiva e contemplativa, as faixas são pontuadas e atravessadas por silêncios profundos e tão significativos quanto a própria melodia, o que permite ao vocal sempre calmo e terno, que por vezes ecoa longínquo e abissal e em outras familiar e reconfortante, elevar-se sob a frágil tessitura musical que lhe serve de acompanhamento. A única coisa ruim que fica do lançamento deste pequeno EP (além da capa, que resolvi ignorar e criar outra um pouco mais interessante) é a impressão de que com ele a profundamente talentosa artista se dará por satisfeita por mais um longo período sem lançar qualquer outra coisa. Vamos torcer para que isto não passe de uma impressão e tenhamos logo uma fantástica surpresa reservada para breve.

Baixe: Sol Seppy – The Bird Calls, and Its Song Awakens the Air, and I Call (EP) [mp3]

Ouça: Sol Seppy – The Bird Calls, and Its Song Awakens the Air, and I Call (EP)

1. “Part Of”

2. “Music”

3. “Live in Me”

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Menomena – Moms [download: mp3]

Menomena, a agora dupla de Seattle, depois da partida de Brent Knopff para se dedicar ao seu projeto Ramona Falls, segue seu caminho sem esmorecer pela saída de um dos membros, já que Moms, o novo disco da banda, foi gestado com uma rapidez considerável para o histórico dos rapazes de Portland. O primeiro trabalho em que Justin Harris e Daniel Seim trabalham sozinhos é um disco que apesar de manter a mesma energia que estamos acostumados a esperar nas composições da banda traz harmonias que estão na maior parte do tempo mais focadas do que no álbum anterior. Porém, o grande diferencial de Moms, que o coloca como o divisor de águas na carreira da banda são as suas letras: com a saída de Knopff, pela primeira vez Harris e Seim permitiram-se abordar temas mais íntimos para si próprios, inquietações altamente pessoais, mas também enormemente universais, como a família, o envelhecimento e a morte. Em outras palavras, é um disco mais maduro liricamente e emocionante como nunca antes a banda se deu o direito de ser. “Pique” é um exemplo, com a intensidade da percussão, piano e baixo, os acordes vibrantes da guitarra e o saxofone em participação impecavelmente espetacular acompanhando Justin Harris desmanchando sua alma no vocal ao descortinar de modo amargurado a sua criação sem a presença do pai, que o abandonou logo cedo: “now I’m a failure, cursed with male genitalia, a parasitic fuck with no clue as to what men do, impossible to love”. Mas é difícil, se não impossível, a tarefa de apontar a canção mais emocionante do disco, já que em “One Horse”, onde a banda pela primeira vez emprega o uso de orquestrações na melodia, Seim acompanha a letárgica melancolia do piano e a sôfrega harmonia de violinos e violoncelos despedaçando o coração ao cantar com uma crueza impressionante a perda da mãe quando ainda adolescente: “I had a mother who swam in your streams, I know the ending, yet I’m faking suspense, more fertilizer for the trees”. “Heavy is as Heavy Does”, cantada por Harris, é mais uma ode ferina à desestruração familiar, onde versos como “as powerfull as a man he was, pride my father never was of me” são acompanhados por um piano em cadência imutável, enquanto aos poucos crescem guitarra e bateria que explodem em uma orgia sonora desesperada no marco dos 2 minutos e meio.
Contudo, as canções de Moms não chafurdam apenas o sofrimento e o rancor como um lamento. Apesar do abandono e solidão serem temas constantes, nem sempre eles são acompanhados por melodias tristes e resoluções amargas, como em “Plumage”, que abre o disco com palmas, piano, guitarra e bateria em vibrante comunhão, incluindo um solo de saxofone bem à moda da banda, enquanto Harris compara a dança do acasalamento das aves com a sedução de uma mulher que acaba grávida e sozinha – uma referência clara à situação de sua própria mãe. Outras faixas que não deixam os versos agridoces afetar a melodia são “Capsule”, cuja bateria sincopada é marcada por solos ásperos de guitarra e breves toques ao piano que se sobrepõem à observações precisas sobre viver tendo perdido quem se ama (“while i’m evolving from a child to an aging child you’re maturing from a memory to a legacy”), “Skintercourse”, com Harris cantando o amor e a invevitável dependência e repúdio que costumam acompanhá-lo ao mesmo tempo que guitarra, baixo, piano e bateria alternam-se, misturam-se e apoiam-se ao melhor estilo da banda, “Giftshoppe”, com sonoridade profusa onde todos os instrumentos mesclam-se em uma espiral melódica e onde Seim divaga sobre seu amadurecimento enquanto caminha para os 40 anos (“you perverted aging fuck, what age did your mind get stuck?”), “Tantalus”, também com uma composição cíclica típica da banda, cuja base está na cadência trabalhada, re-trabalhada e subvertida muitíssimo bem por Daniel na bateria enquanto piano, guitarra e teclado intervém na síncope percussiva e as letras refletem sobre a inevitabilidade da morte, a percepção da efemeridade da vida e do que foi feito até então dela (“volcanic dirt stains feet and won’t wash out of clothing, this is where your ashes should be strewn instead of some cold mainland suburb”). No fim, a saída de Brent Knopff não apenas fez bem ao Menomena, como até ouso dizer que foi necessária para o crescimento dela: se antes o trabalho da banda seduzia os fãs pela sua energia e vibração na mais pura celebração hedonista, agora ela os conquista e arrebata por não mais evitar revelar que aqueles garotos são na verdade tão humanos quanto eles próprios, sujeitos assim à sofrer com os mesmos sentimentos de revolta e perplexidade diante da enorme confusão que não poucas vezes a vida mostrar ser.

http://www.mediafire.com/file/dj7twf948mowb5m/mem_-_moms.zip

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Menomena – “Heavy is As Heavy Does” (single)

Duas notícias para os que, como eu, são fãs dos rapazes de Portland da banda Menomena, uma ruim e outra boa. A ruim, que nem é notícia por ser já um tanto velha, é que um de seus três componentes, Brett Knopf, deixou a banda para dedicar-se ao seu projeto particular, Ramona Falls, depois de não conseguir mais se entender com os companheiros Justin Harris e Daniel Seim. Apesar de inicialmente nutrirem dúvidas se deveriam ou não seguir juntos, ambos chegaram a conclusão de que valeria a pena tentar. E aí é que temos a notícia boa: Moms, o novo álbum da agora dupla de Portland, será lançado dia 18 de Setembro. A partida de Knopf abriu a possibilidade para a dupla remanescente enveredar por um trabalho mais pessoal, sem receios de destrinchar intimidades particulares, daí o nome do álbum, que é focado em experiências e histórias relativas à vivência de ambos e de suas respectivas famílias. “Heavy is as Heavy Does”, uma das faixas do novo disco, foi liberada hoje e já dá aos fãs um pequeno aperitivo de qual será a musicalidade da banda, agora que Seim e Harris podem trabalhar de modo mais focado. A bem da verdade, ela não difere muito da musicalidade mais harmoniosa e menos esquizofrênica de parte das faixas de Mines, o disco anterior: um piano em registro baixo revira ciclicamente os mesmos acordes enquanto versos como “Heavy are the branches hanging from my fucked up family tree, and heavy was my father, a stoic man of pride and privacy” descortinam a intimidade de Justin Harris sobre uma percussão mais organizada e solícita – mas apesar do saxofone hipnótico do Menonema que todos amamos não desempenhar mais do que um papel pontual nesta nova música, um solo rascante de guitarra e uma bateria ensandecida não se fazem de rogados e transbordam no outtro melódico da faixa – bom saber que os rapazes ainda tem gosto por estripulias.

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Ormonde – Machine [download: mp3]

Uma dupla de músicos inquietos, até então desconhecidos entre si, resolve se isolar em uma casa rústica de uma cidadezinha do estado americano do Texas para colaborar em um álbum, ao mesmo tempo que começam a se conhecer. Desse experimento singular surgiu o disco Machine, uma seleção de canções de melodias delicadas geralmente guiadas pelo vocal singelo, porém marcante de Anna-Lynne Williams (que por vezes lembra a fantástica Sarah Blasko, em outras a reclusa Erin Moran), e que vez ou outra são embebidas no cantar preguiçoso e misterioso de Robert Gomez. A primeira metade do disco de apenas 10 canções é primorosa e demonstra o cuidado de ambos na composição de uma atmosfera atravessada por um vapor de onirismo sem que esta seja tomada por um denso nevoeiro de pasmaceira sonora. “I Can’t Imagine”, a primeira faixa, demonstra muito bem isto no tecimento da melodia, já que os instrumentos soam cristalinos, sejam os acordes leves, por vezes metálicos, na guitarra e violão ou na bateria que os acompanha contemplativamente sob o vocal melancólico de Anna-Lynne. Logo em seguida, em “Cherry Blossom” somos agraciados com a voz exótica de Gomez, que dilui-se homogênea em meio a quimera melódica de violões, pianos, bateria, baixo e iluminuras no órgão. De pronto também temos um cover de “Lemon Incest”, originalmente cantada por Serge Gainsbourg e sua filha Charlotte, que aqui transpira fantasia com a percussão macia e o cravo idílico à fazer parceria ao dueto dos artistas. “Machine”, a faixa título que tem como base um órgão malemolente como uma brisa de um dia morno de primavera, instaura uma paz tão intensa em quem a escuta que é quase impossível escutá-la sem desconectar-se da realidade. “Secret” marca a metade do disco, sendo a primeira canção a destoar da melancolia reinante até então com uma bateria bem sincopada e marcada, um piano de acordes lépidos, e solos de guitarra e de órgão mais caudalosos. A partir daqui, as faixas que se destacam são “Sudden Bright”, com sua doce e tranquila melodia ao violão lubrificada apenas por alguns riffs de guitarra e harmonias no teclado, “Hold the Water”, cuja melodia trilha por uma percussão em ritmo mecanizado imutável enquanto violão, teclado e vocais humanizam a música com brandura e “Drink”, que sobre uma bateria pacata induz um estado de completo relaxamento com a harmonia breve e contínua no teclado e piano que é convertida em um solo idílico que finaliza a faixa. “I’ll Let You Know” fecha com violões, harmônica e percussão serenos a colaboração entre os dois artistas com a mesma cálida quietude com que a abriram. Fica a torcida para que os dois artistas voltem a se reunir para amadurecer ainda mais uma parceria que surpreende por frutificar de uma experiência que poderia dar em coisa alguma. Certo, talvez não surpreenda tanto quanto se deparar em Marfa, a cidade onde o projeto musical foi concebido, com uma loja da grife Prada absolutamente perdida em meio à aridez e vastidão desértica do Texas – talvez por isso a dupla de artistas goste tanto do lugar.

http://www.mediafire.com/file/y7sfhy96xpsk87e/ormon-machi.zip

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“Brothers”, de Larry Cohen [curta-metragem]

Dois irmãos viajam juntos para a casa da avó, um deles sem estar ciente do verdadeiro motivo da jornada.
Este curta-metragem bem realizado tem como destaque a competente dupla de atores, que consegue exprimir de modo muito convincente o misto de implicância, amor e apoio incondicional que costumam alternar-se o tempo todo e sem qualquer aviso na relação entre irmãos. Apesar da história simples, o final bastante emocionante guarda uma surpresa inimaginável. A canção-título usada ao final, dos britânicos do Hot Chip, casa perfeitamente com o misto de drama e humor sutil do curta.

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Ren Harvieu – Through The Night [download: mp3]

Acho que todo mundo gosta de descobrir por conta própria algum novo artista. E foi passeando por uma das muitas lojas online de música que me deparei com a capa do debut da britânica Ren Harvieu, cujo nome soa ao mesmo tempo enigmático e atraente. A foto da capa não é o tipo que te chame a atenção imediatamente, já que não há nada de muito especial ou particular em sua concepção, mas é justamente por ela não revelar muita coisa que eu experimentei ouvir alguns trechos. A (boa) surpresa só não foi maior do que a (péssima) descoberta de que essa menina de apenas 21 anos poderia nem estar aqui para ver seu disco de estréia sendo lançado: no início do ano passado, pouco depois de terminar de gravar este disco, Ren tive sua coluna vertebral seriamente atingida – e foi sério mesmo, ela teve fratura exposta nas vértebras – quando um amigo, ao fazer um salto, caiu acidentalmente em cima de suas costas enquanto ela o observava fazendo acrobacias em cima de um muro. Ela sobreviveu, mas internada por meses em um hospital e sendo operada por diversas vezes, ouviu da equipe médica que suas chances de voltar a andar eram ínfimas. Incrivelmente, porém, a garota melhorou, mas até hoje ainda vive um processo de melhora e adaptação, o que não a impediu de retomar com toda a gana a carreira que nem bem tinha iniciado. Essa força que superou as poucas expectativas nesse episódio horrível é notada facilmente no timbre firme de sua voz, que apoiada pela elegância das composições e a qualidade da produção dão à Ren Harvieu a mesma solidez que grandes nomes do pop e pop/rock tiveram em suas estréias. A primeira faixa, “Open Up Your Arms”, não economiza esforços, e com reverberações de guitarra e um arranjo de cordas esfuziante faz a abertura preparando o terreno para entregar à voz magnética da cantora a melodia grandiosa e cintilante. O nível continua alto na faixa seguinte, “Tonight”, recheada de backing vocals alinhados com os arranjos de metais e de cordas que voleiam com desenvoltura para emoldurar o cantar preciso da artista britânica. “Walking in the Rain”, mais à frente, não diminui em nada as ambições espetaculosas da cantora, inflando os ouvidos com cascatas de arranjos orquestrais muito bem colocados na companhia de piano, violões, bateria e vocais em uma melodia que sussura “anos 70? nos ouvidos, e no fim do disco a dupla “Summer Romance” e “Love Is A Melody” surgem como baladas com o equilíbrio perfeito entre os elementos que são a tônica por todo o disco, deixando evidente a possibilidade de serem lançadas como singles e o evidente e lamentável risco – que, por favor, ninguém me ouça – de Ren Harvieu ser “pasteurizada” ao ter as canções vitimadas como trilha sonora de novela. Em “Twist the Knife”, apesar do violão e da guitarra escondidos com destreza e velocidade, é a amargurada submissão afetiva do refrão “she won’t love you like I do” e o belo lamento das cordas que dão o tom da melodia e a fecham de modo emocionante. A guitarra tem o seu quinhão maior de atenção em “Dancing on Her Own”, farfalhando alegre com um riff vibrante que introduz e pontua a canção que é talvez a mais alegre do disco.
Menos ostensivas em suas intervenções orquestrais e razoavelmente menos afogadas em camadas de backing vocal, as faixas “Through the Night”, com um piano singelo, e “Forever in Blue”, onde destaca-se um violão melancólico, deixam mais visível a interpretação da cantora, revelando que esta é mais baseada em um domínio bastante preciso da técnica vocal do que na liberdade da emoção. É uma abordagem artística menos arriscada e mais confortável, mas deve-se lembrar que este é apenas o primeiro disco da cantora e, convenhamos, por tudo o que ela já sofreu sendo ainda tão jovem, em riscos ela já está versada para uma vida inteira.

http://www.mediafire.com/file/sz8dc8na3k4bw22/harvieu-night.zip

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005