Meu presente de aniversário (adiantado) dado pelo site The Boy do Terra é o paulista Tiago Vieira, de 25 anos. Bem que eu merecia um mimo mais condizente com meu gosto irritantemente exigente. Custava contratar o Marcos Pitombo pra fazer um ensaio com o Cristiano Madureira? É, talvez custe mesmo, visto que o Terra está colocando cada vez menos fotos nos ensaios. Bem, deixa pra lá.
Voltando ao modelo: não que ele não seja bonito, de forma alguma. O rapaz tem um corpo muito bem talhado, uma pele morena sedutora e um rosto bastante gracioso. Ele apenas não se encaixa no meu tipo mesmo. Mas eu confesso: bem que ele fica encantador quando sorri, seja este um sorriso mais aberto ou mais tímido e discreto. Agora, saindo totalmente da questão física, alguém aí lembra de algum modelo do The Boy que não tenha citado entre suas leituras coisas descaradamente óbvias, como a Bíblia, O Segredo ou O Código Da Vinci? Eu não. Acho que é a primeira vez que vejo um modelo do site citando como livros preferidos A Divina Comédia e Hamlet (não sei se Quixote seria o Dom Quixote). Aliás, não me recordo de ter conhecido ninguém pessoalmente que tenha lido A Divina Comédia além de mim. Ponto pro rapaz no quesito inteligência. O problema é que esse ponto veio acompanhado de um tiquinho de desconfiança. Err…vocês entenderam, né?
Quanto ao ensaio em si, devo dizer que o fotógrafo Didio, na minha opinião, está ficando mais consistente no The Boy. Esse caráter naturalista de sua fotografia, a despeito de ter gerado uma iluminação irritante na primeira parte do ensaio fechado, tem méritos. No ensaio aberto, Didio conseguiu extrair variedade considerável utilizando o mesmo cenário, uma praia, em quase todas as sessões desta porção do ensaio de Tiago. Saindo da beirinha do mar, Didio também foi feliz na escolha do setting: o fotógrafo obteve belas fotos dentro e fora do sobrado que usou como cenário – a paisagem ao redor da casa é tão exuberante que chega a deixar o modelo como figurante em algumas fotos. Mas Tiago também ganha destaque, já que combina com a ambientação, soando tão natural ao posar nu em um banco de madeira rodeado por uma vegetação rústica quanto quando deita de bruços em uma cama com a mesma vegetação ao fundo, que parece tão convidativa pela porta aberta quanto o rapaz ali deitado lançando um olhar sedutor. Agora, Didio, pedindo licença a Marina Lima, confessa aqui pra mim, à meia voz: você, como eu, também já viu as fotos na poltrona em outro lugar, né?
11 ComentáriosAcesse: Fotos de Tiago Vieira: The Boy
Repetindo a experiência de treze anos atrás, inclusive no que tange ao papel desempenhado por cada um em Dance Hall at Louse Point – ele encarregado por compor melodias e lidar com os instrumentos, ela em criar as letras e dar voz a elas -, PJ Harvey e John Parish lançaram há alguns dias seu segundo álbum colaborativo, A Woman A Man Walked By. Apesar do espaço de tempo razoavelmente grande tomado entre os dois álbuns e da quantidade de experiências solo de variadas naturezas que Harvey trouxe a vida desde o lançamento de seu primeiro disco em parceira com Parish, esta nova empreitada tem bem visíveis as características nascidas no trabalho anterior, algumas delas inclusive ressurgindo ainda mais ásperas e esdrúxulas. É o que acontece com o orgão e a bateria entorpecidos de “Is That All There Is?”, que são retomados no novo disco na canção “April”, porém acompanhados de um vocal de Harvey que, em ao menos um terço da música, especialmente no seu início, soa enfadonhamente anêmico e titubeante. As guitarras fartas e maciças de Parish também voltam a dar as caras em canções como “Pig Will Not”, e à imagem do que acabou ocorrendo em “April”, os resultados poderiam ter sido menos claudicantes – a princípio a atmosfera confusa e encolerizada fascina os ouvidos, mas depois de algumas audições se mostra repetitiva e simplista.
Depois de ter perdido a mãe vítima de câncer e o pai por conta de um enfarto, Ana, garotinha de oito anos, passa a viver com as duas irmãs sob a tutela da tia materna, dividindo ainda a casa com a avó já bastante envelhecida e a empregada da família. É durante o mês de férias escolares que a pequena Ana tem seu cotidiano invadido por lembranças de episódios de sua relação com seus pais.
Single do segundo álbum a ser lançado em conjunto por PJ Harvey e seu amigo e colaborador ocasional John Parish no próximo dia 31 de Março, “Black Hearted Love” detém uma beleza rockeira absoluta. Sob várias camadas de riffs de guitarra e uma bateria densa, Harvey clama pelo seu amor em versos de paixão enlevada com um vocal que detém a leveza e frescor do ar mais puro, porém com a intensidade e sedução que já lhe são mais do que conhecidos. O vídeo, dirigido pela dupla de irmãos Jake e Dinos Chapman, nomes conhecidos da escola mais controversa da vanguarda da arte européia, explora idéias das letras compostas por PJ ao colocar a artista de pele alva coberta por um vestido de cetim negro e pulando avidamente em uma casa inflável multi-colorida de festas infantis no meio de uma floresta em plena escuridão da noite pontuada por alguns relâmpagos – cenário este que guarda algumas semelhanças com a fantástica arte do disco To the Faifhful Departed, dos irlandeses do The Cranberries. John Parish não participa do curta, mas seu rosto pode ser conferido projetado brevemente sobre as figuras infantis que cobrem a parede inflável no fundo da casa enquanto uma chuva cai insistentemente. A melodia espessa criada pelo músico britânico foi combinada com uma filmagem contrastante, que abusa da câmera lenta em diferentes velocidades e que hora fecha closes no rosto angelical da inglesa, enquanto em outras concede visão mais ampla do cenário idílico e um pouco assustador. Sem dúvidas um delicioso tira-gosto até o lançamento, dentro de alguns dias, do novo álbum da dupla, que sucede Dance Hall at Louse Point, lançado em 1996.