Johnny Blaze, jovem motoqueiro, faz inadvertidamente um pacto com o diabo para curar seu pai. Depois de quinze anos o diabo retorna, fazendo com que a noite Johnny torne-se um ser indestrutível. Seu objetivo: destruir, a mando do diabo, os quatro seres renegados que pretendem encontrar um contrato maldito de mil almas que dará o domínio da terra para aquele que o possuir.
O filme “Motoqueiro Fantasma” tem ótimos efeitos especiais e um bom ritmo de ação mas, peca em algo básico na construção de um filme: o roteiro. O diretor Mark Steven Johnson, que também se encarregou da função de roteirista, não deu muita atenção na composição da estória, criando um argumento que se sustenta em soluções simplistas que sacrificam a verossimilhança da estória, ou até mesmo optando por não explicar algumas coisas que exigiam um mínimo de justificativa. O maior problema esta relacionado ao interesse do diabo em ter servos – cavaleiros ou motoqueiros, o que quer que sejam: como nunca é explicado porque o próprio senhor das trevas não faz o serviço que designa a outros, a existência e necessidade deles perde muito do sentido – não seria difícil inventar qualquer desculpa que impedisse o diabo de agir por si só. Além disso, não há qualquer esclarecimento de como o tal contrato, tão desejado, permaneceu escondido por tanto tempo: se ele dava tanto poder aquele que o possuiria, por que o seu verdadeiro dono – o diabo, poderoso como seria – perdeu interesse por ele, voltando a lhe dar atenção apenas quando poderia ser tomado por outros? Um outro defeito na composição do argumento é a maneira como Johnny Blaze é relacionado com o Motoqueiro Fantasma, depois de sua última aparição “anônima”: em meio a tanta destruição, incluindo inúmeros automóveis, como uma placa de moto seria o suficiente para justificar sua culpa? Não faria sentido que ela estivesse ali, como tantas outras, por efeito de tudo o que foi demolido na passagem dessa entidade? Ou ainda: será que uma frágil placa de moto resistiria aos efeitos fantásticos da passagem do motoqueiro, quando nem automóveis estacionados e edifícios passaram ilesos? Há outros tantos furos no roteiro – o modo como o Motoqueiro mata os seres que buscam o contrato, especialmente o relacionado à água, é outro problema -, mas como o três acima expostos organizam a base do argumento, muito da história fica bastante comprometida. De bom, mesmo, só resta a atuação de Peter Fonda como o diabo, que mesmo com uma participação limitada consegue conferir alguma qualidade ao filme, sem cometer os exageros que este papel, sedutor como é, acaba sempre causando na interpretação dos atores – basta lembrar de Al Pacino em “Advogado do Diabo”.
Apesar do sucesso nas bilheterias, “Motoqueiro Fantasma” é a primeira adaptação dos quadrinhos – da atual colheita – que assisti e avaliei como suficientemente ruim. Um tantinho mais de atenção à história dariam um pouco mais de crédito ao filme e ao seu personagem principal – do jeito que ele está, o adorado Motoqueiro é tão bobo, cafona e desprovido de charme quanto as figuras barbudas e tatuadas que inspiraram sua existência.
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legenda (português):
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Certamente inspirado no trabalho de Ron Mueck, o diretor Rich Lee fez para a banda Mumm-ra um clipe que cita o trabalho do artista australiano, mas que tem uma abordagem bem menos sombria do que a dele. Enquanto são observados por espectadores em um museu, os membros da banda, em miniaturas ou réplicas gigantes, mantém-se como atrações do local, até resolverem interagir melhor com o ambiente em uma performance da música “She’s Got You High”. Vídeo interessante que serve como veículo eficiente para lançar a música e a banda.
Dois garotos marroquinos, perigosamente lidando com um rifle pela primeira vez, um casal de turistas americanos, vivendo uma crise conjugal, uma babá, de origem latina, tentando comparecer ao casamento do filho, uma adolescente japonesa muda, em conflito silencioso com o pai – todos estes personagens, ocupando diferentes espaços e vivendo diferentes realidades, estão, em algum nível interligados por um incidente que que terá consequências para todos.
Thirteen Senses, banda britânica que surgiu na região de Cornwall, lança seu aguardado segundo CD agora, no próximo mês de abril. Contact traz um som razoavelmente mais agitado, com melodias mais encorpadas e presença menor do piano em algumas das canções. “Animal”, sobre desentendimentos e brigas afetivas, por exemplo, começa com um baixo grave, sendo logo tomada pela agitação dos acordes e golpes um tanto curtos e monotônicos, mas potentes, das guitarras e da bateria. “All The Love In Your Hands”, canção com letras simples sobre amor, divide a mesma agitação de “Animal”, mas possui uma bateria mais vibrante, visível mesmo sobre os riffs das guitarras em algums momentos, como no inicio da canção. “Follow Me”, faixa de lirismo simples, e “Final Call”, em cujas letras ouve-se o clamor de uma mudança no rumo que damos nas nossas vidas, tem estrutura melódica semelhante, com breve introdução feita em acordes no teclado e no orgão, logo suplantados por guitarras, baixos e baterias de rítmica coordenada, apresentando uma sucessão de harmonias intensas com outras mais brandas. “A Lot Of Silence Here”, com letra sobre conflitos amorosos, apresenta uma bateria lenta mas bem cadenciada no primeiro plano melódico da música, criando, em conjunto com a sonoridade do teclado, uma balada de sabor diferente das que costumamos ter da banda.
É com um clipe que lembra o vídeo “Twister”, de Goldfrapp, que a banda britânica Muse lançou o mais recente single de seu último disco. Em desses túneis do amor de parques de diversões, com barquinhos que correm por um canal, a banda viaja enquanto animações ao fundo recriam a evolução da humanidade, desde os primórdios até um vindouro e nada pacífico futuro – apesar de que a própria animação mostra o tempo todo, com muito bom humor, que a história da humanidade nunca foi muito pacífica mesmo. É um bom vídeo, mas o diretor Jonnie Ross só pecou ao não criar um modo de incentivar uma maior interação da banda com os eventos que se desenvolver ao seu redor – aí sim, o vídeo seria invencível, como diz o nome da música.