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Sete Ventos Posts

“Anjos da noite – A Evolução”, de Len Wiseman.

Underworld 2 - EvolutionOs problemas da vampira Selene e seu amado, o agora híbrido de vampiro e lobisomen Michael, acabam de aumentar consideravelmente: Marcus, o último vampiro ancião, e o primeiro de sua raça, acordou de seu sono secular e persegue os dois, procurando obter algo que está relacionado com William, seu irmão lobisomen, que está confinado há séculos e é o primeiro de todos os Lycans. Selene e Michael não sabem, mas contam com a ajuda de um senhor misterioso e seus soldados, que tenta encontrar os dois namorados antes que Marcus o faça.
Por mais incrível que possa parecer, o segundo filme da possível trilogia é bem melhor que o primeiro. A razão é bastante simples: depois de ter explorado suficientemente o conflito instaurado pelo surgimento de um híbrido vampiro-lobisomen e o platonismo Romeu-e-Julieta no primeiro filme, o diretor Len Wiseman resolveu desenvolver uma argumento menos açucarado, e portanto bem menos piegas do que o primeiro, abordando a estória dos antepassados destes seres sobrenaturais, agora acordados, e de sua ambição de dominar o mundo e subjugar a humanidade. Dizendo assim, parece algo bem batido – e não deixa de ser, é verdade – mas Wiseman soube intensificar as sequências de ação do longa e concentrar-se no desenrolar do conflito proposto, aprimorando um pouco mais o argumento – claro, não dá para fazer muita coisa, já que falamos de uma produção cujo argumento reedita estórias de fantasia já bastante exploradas. O único problema deste segundo longa da franquia de Wiseman é, a meu ver, a introdução, em diversos pontos dos 106 minutos do filme, de “flashbacks” do filme anterior: o recurso é adotado tantas vezes que isso cansa o espectador, que fica se perguntando se um dialógo simples não resolveria essa questão. De qualquer forma, esse aspecto negativo é apenas residual, e não interfere na diversão criada pelo filme. “Anjos da Noite – A Evolução” é garantidamente uma espécie de “melhoramento” do filme precursor, enfraquecendo a impressão negativa de diretor pouco inspirado que o primeiro filme tinha deixado, para a sorte de Len Wiseman – e graças ao seu próprio esforço, claro.

NOTA POUCO CULTURAL: e como brinde adicional, fica aqui o registro de que o diretor Len Wiseman, marido da protagonista Kate Beckinsale, é um tremendo de um gato. O que também confirma que Kate pode até não ser uma atriz tão fantástica, mas mostra que ela não é nada boba.

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“O Grande Truque”, de Christopher Nolan [download: filme]

the prestige (2006)

Dois amigos, jovens mágicos aprendizes, ambicionam tornarem-se os melhores já conhecidos no ramo. A medida que o tempo passa a competição entre ambos começa a avançar tanto que nada, nem ninguém, lhes importa tanto quanto superar o sucesso de seu rival.
Christopher Nolan já mostrou até onde vai sua criatividade e ambição ao criar “Amnésia” e reiniciar a saga do homem-morcego nos cinemas com “Batman Begins”. Ao anunciar o projeto de “The Prestige”, contratando como protagonistas dois dos maiores astros do cinema comercial no momento, Hugh Jackman e Christian Bale, bem como a jovem atriz que ganha mais prestígio a cada longa, Scarlett Johansson, qualquer pessoa sensata já enxergaria aí a montagem de um imenso marketing para o longa-metragem, sem nem mesmo a produção ter se desenhado definitivamente. Durante o desenrolar da produção em si, notícias sobre o argumento do longa, e alguns de seus acontecimentos, chegaram ao conhecimento do público, e os fãs de Nolan começaram a babar pela enorme espectativa diante do filme. Contudo, apesar de ser uma produção de ponta, com boa atuação do elenco – particularmente Hugh Jackman -, direção competente, fotografia baseada em luzes e sombras bastante misteriosa e argumento bem concatenado, “O Grande Truque” é um filme que, a certa altura, começa a irritar o espectador – e a irritação só aumenta de nível até a conclusão do longa. A razão mais notadamente óbvia para tanto reside na construção da personalidade dos protagonistas: os mágicos intepretados por Jackman e Bale tem como única preocupação na vida atingir a superação profissional, esquecendo e ignorando, com vemência, os sentimentos do todos aqueles que os cercam, conhecidos ou não, em detrimento de sua competição pessoal – não há modos de nutrir simpatia pelo mago de Bale, já que sabe-se que tudo na vida dele foi subjugado e supremamente sacrificado em detrimento de sua carreira como mágico e de sua obssessiva competição com o rival Robert Angier que, ao menos, tinha inicialmente uma motivação pessoal compreensível para fazer o mesmo. Além disso, a medida que o filme aproxima-se de sua conclusão, os acontecimentos e reviravoltas do argumento, bem como a direção do longa-metragem, perdem-se gradualmente na sede de surpreender e estarrecer a platéia – definitivamente, é pretensão demais para uma carreira ainda muito curta.
No saldo final, “O Grande Truque” é um longa-metragem cuja pretensão do argumento, escrito à quatro mãos por Christopher e seu irmão, acaba atrapalhando mais do que sendo o responsável pelo seu engrandecimento. Para que este fosse um filme acima da média, os irmãos Nolan deveriam ter tornado os protagonistas mais humanos. Contudo, se eles não o fizeram com o intuito de querer mostrar até onde pode chegar a ambição, o epílogo do filme trai esta proposta, já que pretendeu-se revelar no personagem de Christian Bale uma emotividade até então não imaginada – e que não convence o espectador por um minuto sequer, devido à frieza deste diante das desgraças que causou ou desencadeou. O longa-metragem de Nolan é um bom filme, mas ele precisa, a partir de agora, parar de acreditar nos comentários da crítica, que o celebra como um dos maiores criadores do cinema comercial atual, e controlar a sua visível megalomania criativa. Do contrário, seus filmes vão passar a irritar o expectador desde a cena inicial, e não apenas a partir de sua metade final, como acontece com este aqui.

Baixe: “O Grande Truque” (The Prestige, 2006)
[áudio original, 1080p, mp4 zipado]

Baixe: legendas (português)

Download: subtitles (english)

Acesse o Índice de Filmes disponíveis para download no blog.

LINKS ATUALIZADOS EM: 04/01/2006
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Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede – Vagabundo. [download: mp3]

Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede - VagabundoApesar de ser uma figura extremamente importante na história da MPB, Ney Matogrosso não está entre minha preferências. É fácil observar isto, visto que não eu não tinha nenhum álbum do artista no meio de minha coleção de CDs – até ontem. Ney, que vinha há muito tempo fazendo discos em que regravava uma pá de músicas de compositores reconhecidos, conseguiu com Vagabundo, execelente disco feito em parceira com Pedro Luís e a Parede, dar uma bela atualizada na sua carreira. O álbum começa com a deliciosa “A ordem é Samba”, música que fala sobre a importância deste ritmo em algumas regiões do país, e guiada por belos acordes de guitarra e excelente jogo de violas e percussão. “Seres Tupy” aborda, de maneira esplêndida, o universo dos miséraveis brasileiros. A melodia, assim como na primeira faixa, faz excelente uso de acordes cadenciados da guitarra, percussão e ótima participação de flauta. Em “Interesse”, temos mais uma percussão que se destaca, além dos metais que constroem a agitada sequência final da melodia. A letra é feita de versos em que alguém agradece, sem pena e com todo o orgulho, o desinteresse de um amor que não é mais cômodo. “Assim Assado”, clássico do Secos & Molhados, é uma boa regravação, mas fica aquém da versão original. “Noite Severina”, com melodia mais silenciosa do que a maior parte da músicas até aqui, é uma linda balada cujas letra poética, cantada em perfeito dueto entre Ney e Pedro, revela um amante platônico que observa, atônito diante de tanta beleza e algo triste, o sono da mulher que tanto ama. “Vagabundo” começa um pouco desinteressante, com melodia de samba pouco ortodoxa – pelo uso dos sopros rascantes do sax – mas cresce na sua metade final, quando entram os versos de negação de Pedro Luís. A percussão e bateria fortes são o que chama a atenção de imediato na melodia de “Inspiração”, assim como o alaúde árabe que aparece discreto na música. A letra é uma composição pós-moderna de versos que tratam do esforço criativo humano. “Disritmia”, uma das coisas mais belas já compostas por Matinho da Vila, ganha uma versão poderosa, ainda que algo minimalista e sorumbática, e cantada de forma esplêndida por Ney Matogrosso e Pedro Luís, acompanhados pela banda, inspiradíssima no uso do naipe de pratos e demais instrumentos. Em “Napoleão” temos uma letra irônica e divertida sobre o fim dos soldados deste governante francês. A melodia abusa do triângulo e da ótimo percussão, deixando no ouvido um gosto de música nordestina. A letra de “Jesus” trata do profeta cristão de maneira irônica – mas respeitosa – ao garantir que este não hesitaria em se render à dança ao ser retirado da cruz, bem como brinca com o uso que todos fazemos do nome de Cristo, ao quedarmos diante de qualquer adversidade. A melodia é agitasídíssima, com violões ligeiros e percussão alinhada com estes. “O mundo”, cuja letra revela a diversidade cultural e racial do mundo com versos algo pueris e cita o atual estado caótico da humanidade, é uma das músicas mais conhecidas do disco. A melodia investe, na sua metade final, em uma latinidade dissonante ao construir uma sequência agitada de acordes das violas, sax e da cadência da percussão.
Vagabundo é certamente o melhor disco de Ney Matogrosso em muito tempo, onde o artista acertou ao resolver aventurar-se em um projeto bem mais autoral e contemporâneo e abandonando, ao menos por algum tempo, o gosto pelos discos que celebram nostalgicamente a musicografia de grandes figuras da música popular brasileira. Espera-se que de tempos em tempos Ney arriscar-se em projetos tão surpreendentes como este. Baixe o disco usando o link e senha abaixo para descompactar o arquivo.

senha: seteventos.org

http://www.megaupload.com/?d=OY9Q5CM0

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Kasabian – “Shoot the Runner” (dir. Alex e Martin). [download: vídeo]

Kasabian - Shoot the Runner
Com um curta que abusa do estilismo pop, utilizando-se de uma animação super colorida que explora os contornos das imagens capturadas de uma performance da banda, o Kasabian produziu o vídeo que casa com perfeição com a melodia pop-rock incrivelmente irresistível da música “Shoot the Runner”, single do novo álbum, Empire. Os jatos de tinta, aparentemente criados digitalmente, dão o toque final ao vídeo. Não deixe de baixar e ouvir com cuidado a música também. Baixe o vídeo usando o link a seguir.

http://www.partizan.com/partizan/media/clips/583.mov

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“Vôo Noturno”, de Wes Craven.

Red EyeJovem gerente de famoso hotel em Miami decide retornar para a cidade pegando o último vôo noturno, no meio da madrugada, com o objetivo de chegar o mais cedo possível para o trabalho. Antes de embarcar ela conhece um homem charmoso e simpático, que acaba viajando no mesmo avião que ela. É logo depois que o avião decola que ela começa a viver um inferno que só acabará quando chegar a Miami.
Wes Craven ganhou fama nos anos 80 com a sua maior criação, “A Hora do Pesadelo”. Nos anos 90 ele voltou à velha popularidade com “Pânico”. Foi justamente por ter baseado sua carreira em produções no gênero do terror que Craven decidiu tentar uma total mudança de estilo com o filme “Música do coração”. No entanto, parece que o próprio Craven não avaliou a empreitada positivamente, já que voltou logo ao caminho que tanto havia trilhado e, pouco tempo depois, tinha decidido dar uma pausa no ritmo de trabalho. Porém, ao ter contato com o argumento de um filme de suspense, escrito por um roteirista estreante, o diretor ficou tão interessado com o que leu que adiou por mais algum tempo as suas férias e dirigiu o longa-metragem. Wes Craven tomou a produção como um desafio, pois apesar da diferença não ser muitas vezes compreendida pelo público, filmes de terror são sim diferentes de filmes de suspense – as similiridades existem e a experiência em um dos gêneros conta bastante para o outro, mas são gêneros diversos. Assim, tendo a satisfação de não estar pisando em terreno totalmente desconhecido – diferentemente de como aconteceu em “Música do coração” – Craven conseguiu produzir o filme com mais folga, segurança e flexibilidade. Prova disso é o modo como o diretor, apoiado no excelente desempenho dos dois atores que protagonizam a estória, Rachel McAdams e Cillian Murphy, consegue não apenas sustentar o interesse do público pelo filme durante a longa sequência no interior do avião – que toma um terço do longa-metragem -, mas tornar esta a parte mais tensa de todo o filme. Claro, não apenas o diretor e os atores merecem ser parabenizados pelo feito, mas também o roteirista estreante: mesmo com este espaço tão limitado trabalhando, de certa forma, contra a dinâmica do suspense e diminuindo o número de conflitos possíveis a ser desenvolvidos, Carl Ellsworth conseguiu reverter estas características em fontes geradoras de tensão – para um roteiro de estréia, é um texto bastante apurado e maduro.
“Vôo Noturno”, que resultou em um longa-metragem divertido e competente, garantiu à Wes Craven paz de espírito para entrar com tranquilidade nas suas merecidas férias, chegando à constatação de que seu talento para contar estórias repletas de agitação, sempre apoiadas em personagens jovens e atores estreantes ou não muito populares, continua em plena forma. Ótimo para o diretor e melhor ainda para os espectadores, que ficam na expectativa de outros longas tão revigorantes quanto este.

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Björk – Vespertine [download: mp3]

bjork - vespertine (2001)

Com o devassamento emocional de “Dançando no Escuro”/Selmasongs, Björk enveredou ainda mais dentro da introversão artística e lançou uma de suas maiores obras-primas, o álbum Vespertine. Absurdamente celestial, o disco traz Björk entre murmúrios e gritos nos vocais, acompanhada sempre de instrumentos que enlevam a melodia e as letras em um interminável lirismo. “Hidden Place”, que foi lançado como o primeiro single, é uma das músicas símbolo do projeto: com letras que falam sobre uma paixão tão intensa que inspira uma união algo corpórea, a melodia traz delicados loops e ruídos eletrônicos e um belíssimo coro em um cantar enlevante, ambos guiados pelo cantar de Björk, por vezes suave e em outros desbravador – uma canção soberba. Com versos onde uma mulher revela as intimidades de seu deliciamento amoroso e sexual com seu amante, a artista islandesa infurna-se em enorme introversão e minimalismo em “Cocoon”, já que a melodia é feita apenas dos vocais sussurrante da cantora e da delicadíssima programação de ruídos eletrônicos. Logo temos “It’s Not Up To You”, cujas letras revelam o inevitabilidade dos acontecimentos, mostrando que mesmo o que é bom pode acontecer à revelia de nossa vontade e esforço. A melodia mistura o minimalismo da programação eletrônicas feita de loops de ruídos com a grandiosidade celestial da orquestração de cordas, das harpas e coro islândes, todos em perfeita simetria. “Undo”, com letras que tematizam o suave esmaecer de nossas lutas e resistências íntimas, é mais uma faixa que abusa com maestria da mistura de minimalismo e grandiosidade: vocal transbordando suavidade, programação um pouco mais solta, harpas fulgurantes desde a metade inicial e mais tranquila da melodia, e o coral da islândia em uma participação fabulosa na sequência final da canção – um inevitável derramar de lágrimas é bem compreensível ao ouvir esta música, tamanha a perfeição de sua beleza. Com uma melodia constante em uma esplendorosa caixa de música, devidamente acompanhada pelo vocal quase carnal de Björk, por vezes multiplicado, acordes de harpa dedilhados pela fabulosa Zeena Parkins e programação eletrônica complementar, “Pagan Poetry” é exatamente o que revela seu título, poesia em estado puro, onde a cantora compôs versos inundados em sentimento e paixão. Marcando o fim da metade inicial do álbum, temos a instrumental “Frosti”, onde Björk utilizou-se apenas da caixa de música para compor melodia emocionalmente frenética. “Aurora”, com letras que derramam-se sobre o sentimento de perplexidade diante da beleza da aurora e da neve, traz a primeira participação da dupla Matmos, compondo uma base de ruídos eletrônicos mais encorpada e loops de sons captados de coisas bem pouco ortodoxas, como o som do pisar na neve, por exemplo. A composição de acordes da harpa e da caixa da música completam a sonoridade, que é fechada com o vocal mais solto e volumoso de Björk. “An Echo, A Stain” combina a base eletrônica bem composta de Matmos, a usurpante orquestração de cordas, a harpa episódica de Zeena Parkins e o coral de mulheres esquimós em uma melodia algo soturna, que sustenta uma sensação de soturno suspense cinematográfico durante toda a sua duração. A razão para tanto talvez seja o fato de que a letra da música traz versos que revelam sensações baseadas na leitura da peça “Crave”, da complexa escritora britânica Sarah Kane. “Sun in My Mouth” inicia com versos do poeta E.E.Cummings, e prossegue em letras de intensidade poética que não deixam muito à dever ao escritor inglês. A música foi composta utilizando acordes de harpa, celeste e programação eletrônica sutil, com enorme complementação melódica da orquestração de cordas. “Heirloom” tematiza sobre imagens idílicas de sonhos orínicos sobre maternidade e tem a melodia cuja programação eletrônica é a mais encorpada de todo o disco, toda baseada na canção “Crabcraft”, originalmente composta por Martin Console. “Harm of Will”, com letra composta em parceria com o roteirista e cineasta indie Harmony Korine, é uma ode ao músico Will Oldham. A melodia é uma das mais tristes do álbum, sentimento este despertado principalmente pelo vocal sensível de Björk e a orquestração de cordas e o coro enormemente melancólicos. “Unison”, com versos que celebram de maneira emocionanete a união e contentamento obtidos através da compreensão e entrega mútuos, fecha o disco com lirismo exobirtante: a programação eletrônica, composta em parte pela dupla Matmos, preenche os poucos espaços deixados pelo vocal luminosíssimo de Björk, pela melodia espetaculosa da harpa e pela participação mais grandiosa do coro de vozes no disco – a sequência final, que reúne de maneira fabulosa todos os elementos, é intensamente lacrimejante. A música é tão indescritivelmente bela que, se fosse interpretada com toda a pompa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, arrebataria as almas de todos os presente diretamente para o paraíso.
Brotando do traçado delineado na trilha sonora que Björk criou para o filme de Lars Von Trier, Vespertine é um composto sonoro pulsante de sensações, algo difícil de explicar epalavras. É, talvez, o último disco perfeito da cantora islandesa, visto que a idiosincrasia sonora, utilizada com tanta cautela aqui, foi aglutinada e multiplicada em Medúlla e absurdamente extremada na trilha sonora de “Drawing Restraint 9”, resultando em dois discos difícies e excessivamente experimentais. Com a dilvugação da notícia de que nada menos que 7 faixas do próximo disco da artista contarão com produção da praga norte-americana que atende pelo pseudônimo de Timbaland – responsável por ter transformando todas as listas possíveis de “mais pedidas” em um intragável desfilar de rappers e R&B girls protagonizando vídeos ou fazendo participações -, a probabilidade de que a cantora possa ter pulado do extremo do experimentalismo para o extremo do populismo musical não deve ser descartada. Porém, em se tratando de Björk, podemos nos surpreender com um disco que desperte paixão tão imediata quanto foi com Vespertine. É esperar para ouvir.

Baixe: Björk – Vespertine [mp3]

Ouça:

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005