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Tag: cinema americano

“Simpsons – O Filme”, de David Silverman. [download: filme]

The Simpsons MovieLisa Simpson, em mais uma cruzada pelo despertar da consciência humana, consegue convencer a população e os políticos de Springfield a parar de jogar lixo no lago da cidade, que já estava altamente poluído. Mas Homer, que acaba de adotar um porco como animal de estimação – despertando ciúmes em Bart -, despeja um imenso silo com os dejetos do animal no lugar, tornando a cidade a mais poluída do planeta. As autoridades americanas, então, resolvem tomar medidas drásticas para eliminar o problema que a cidade se tornou.
Matt Groening estava prometendo um filme para a sua mais bem sucedida criação, o desenho animado “Os Simpsons”, desde as primeiras temporadas, mas apenas em 2001 a idéia ganhou corpo e o início da produção foi realmente tomado como certo. O grande problema da demora, segundo Matt, era a dificuldade em encontrar uma história que rendesse um longa-metragem – inúmeras foram sugeridas e mesmo colocadas no papel, só para serem descartadas ou convertidas em episódios do seriado animado mais tarde. Porém, mesmo depois do argumento ter sido definido e durante a produção do longa-metragem, o roteiro sofreu alterações drásticas, ao ponto do criador dos personagens comentar que cerca de “dois filmes” de roteiro foram descartados – conhecendo a dinâmica e a essência do seriado e sabendo que o filme foi escrito por 11 roteiristas e 4 consultores, não há muito motivo para duvidar disto. Mas o que esperar do filme?
Quem conhece “Os Simpsons” – e alguém não conhece? -, já sabe o que certamente o aguarda: um argumento surreal e um tantinho non-sense, além de toneladas de sarcasmo corrosivo com a cultura pop e a indústria do entretenimento, com a política, com o conceito da tradicional família norte-americana e com o próprio seriado – o que faz do comentário recorrente na internet, de que “Simpsons – O Filme” não vai muito além de ser um episódio robusto e de longa-duração, proceder com o que, basicamente, acontece. Como o sucesso da série se deve justamente à estas características, isso não se configura como demérito à qualidade do longa-metragem e sim na razão primeira de assisti-lo. Contudo, a película apresenta alguns atrativos mais. Por exemplo, as referências do filme à alguns dos melhores momentos da série, como a citação ao até hoje hilário episódio em que Homer salta sobre a Garganta de Springfield, são garantia de diversão e emoção incontida para os fãs de longa-data. E por falar em emoção, o filme não se resume a ser tão somente um rolo compressor de piadas porque volta a explorar a relação entre os personagens no seu melhor, a exemplo de como era feito em suas primeiras temporadas: a relação de Bart e Homer, bem como a deste com a sua esposa Marge e toda à sua família é o que conduz a segunda parte do filme, de forma genuína e verdadeiramente tocante. Além disso tudo temos algumas sequências bem pitorescas e criativas, como a epifania de Homer em um ritual “shaman” – olha a inevitável piada com esse recurso clássico e recorrente de cinema e TV americanos -, que lembra muito o surrealismo de Salvador Dalí e tem uma pitada de M. C. Escher e também as tiradas impagáveis, como a de Mister Burns para seu assistente Skinner alguns momentos depois que se iniciam os créditos finais. Apesar da piada do filme com seu público, logo no início, afirmando que só um idiota pagaria pra ver algo que ele pode assistir na TV todas as semanas, todos já sabíamos prontamente que sim, um longa-metragem destes personagens seria mais do que apreciado: não se trata apenas de agradar ao público, mas de prestar uma homenagem à uma das criações mais geniais da indústria do entretenimento que subverteu definitivamente os conceitos sobre animação, jogando por terra a idéia de que desenhos eram coisas de criança, e tornou-se um dos ícones mais influentes na história da cultura pop e do entretenimento – bem mais do que nós, Homer, Marge, Bart, Lisa, Maggie e todos os outros habitantes de Springfield mereciam esse presente.
Baixe o filme utilizando uma das fontes a seguir.

OBS: links funcionais mas não testados.

Fonte 1:

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legendas (português) [via legendas.tv – necessário registro]
http://legendas.tv/info.php?d=58297e235c9407197df18c4d5f92c8ec&c=1

Fonte 2 (legenda embutida em português):

http://www.gigasize.com/get.php/3195179753/mvs-tsm.By.Mdslino.www.theultimates.us.rmvb

OU

http://www.badongo.com/file/3964194

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“Últimos Dias”, de Gus Van Sant. [download: filme]

Last DaysJovem músico sai de clínica de tratamento e ruma, através de uma floresta, até sua mansão mal-conservada. Lá chegando ele tenta isolar-se dos amigos que ocupam a casa e evita contato com seu agente, sua gravadora e até um detetive, que o procuram para que dê continuidade as turnês de sua banda. Livremente baseado nos últimos acontecimentos da vida de Kurt Cobain, vocalista do grupo Nirvana.
Desde 2002, Gus Van Sant redirecionou sua carreira para o rumo independente e alternativo que teve no início, voltando também o seu olhar para as atribulações juvenis urbanas. Por isso, não é surpresa alguma o seu interesse em biografar os últimos momentos de vida do rockeiro Kurt Cobain, ícone do rock grunge dos anos 90 que encerrou ele mesmo sua vida com um tiro na cabeça – sem considerar, claro, as inevitáveis teorias de homicídio dissimulado.
Por ser substancialmente uma biografia, assim como também o era “Elefante” – mas que o era muito mais de um evento em si do que de personagens -, o diretor decidiu manter a abordagem adotada no filme anterior, ficcionalizando a superfície mais aparente de sua história, através da modificação de alguns personagens e acontecimentos, mas mantendo intacta, na essência do evento e de seus protagonistas, a fidelidade com os acontecimentos reais. Desta forma, se os afazeres, o comportamento e as atitudes modorrentas de Blake no filme reproduzem com algum apuro as de Kurt Cobain, então a pergunta feita na filme por Kim Gordon para ele deixa de ser uma dúvida e passa a ter um caráter incontestável de afirmação: Blake/Cobain era um cliché do rock. Para piorar, ao importar, junto com o modo de compor a história, a técnica narrativa singular do filme anterior – que guarda semelhanças com a tradição documental – Gus Van Sant transforma o estigma da juventude transviada em algo ainda mais pueril do que já é: ao contrário do que aconteceu em “Elefante”, onde esta técnica ajudou a trazer ainda mais a superfície a natureza e a multiplicidade do evento narrado, o encadeamento improvisado de ações cotidianas, que tomam o lugar do roteiro, a edição que prolonga as sequências, evitando ao máximo os cortes nas cenas, a câmera que quase não produz closes, preferindo perseguir os passos do protagonista da sequência de maneira distante, e o silêncio que tem maior preponderância do que as falas – quase sempre irrelevantes – só faz tornar ainda mais visíveis e intensos o vazio, a ausência de sentido e a obviedade presentes no evento e no personagem que são a razão de ser de “Últimos Dias”.
Penso que o desnudamento do lado mais pessoal e íntimo de um ídolo, via de regra, não traz qualquer benefício: não apenas lhe destitui esse caráter sempre interessante mas acaba também revelando que, na realidade, eles podem ser o tipo de pessoa para quem não dispensaríamos a menor atenção e apreço. Infelizmente, para os fãs de Kurt Cobain, esse é o único mérito do filme de Gus Van Sant.

OBS: links funcionais mas não testados.

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legendas disponíveis (português):
http://www.legendas.tv/info.php?d=41026cdf3eebe2767a87c0c53955f24b&c=1
http://www.opensubtitles.org/pb/download/sub/3093676
http://www.opensubtitles.org/pb/download/sub/103521

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“Transformers”, de Michael Bay. [download: filme]

TransformersEnquanto no Oriente Médio uma base americana é atacada por um helicóptero que se transforma em um imenso robô desconhecido, o jovem americano Sam, depois de algum esforço e com a ajuda de seu pai, compra um velho e estranho carro esportivo. Na verdade o carro é outro destes estranhos robôs, designado para estabelecer contato com Sam para obter um artefato que está em sua posse e é o mote de uma guerra entre duas diferentes facções destes imensos robôs alienígenas: os Autobots, que tentam defender o universo – e a Terra – dos planos perigosos da outra facção, os Decepticons.
Michael Bay é um dos diretores mais desprezados pelos críticos de cinema americanos pela sua capacidade de conceber sequências de ação esquizofrênicas e pífias e seu tratamento muito além do superficial com todos os outros aspectos de um longa-metragem. Ao ser designado como diretor da versão live-action de “Transformers”, adorado desenho animado dos anos 80, os fãs destes personagens ficaram um tanto temerosos e os críticos vislumbraram um desastre eminente. E Michael Bay foi fiel à seu estilo e não decepcionou – no sentido de que as péssimas expectativas acabaram mesmo se concretizando.
O argumento e a trama do filme que acabaram sendo adotados foram concebidos graças a uma idéia básica do produtor executivo, Steven Spielberg: “tudo é sobre um garoto e seu carro”. Junte à esta “brilhante” abordagem a pretensão cômica rasa e o descaso de Michael Bay com tudo o que possa tornar seu longa mais denso e sério e a desgraça está feita. Como se um filme que se ocupa em seu roteiro em empilhar por duas horas e vinte minutos as aspirações adolescentes americanas mais cretinas já não fosse ruim o suficiente, ainda temos o elenco do longa-metragem, que consegue fazer com que os personagens já caricaturais e rasos se tornem uma afronta à qualquer noção de complexidade e inteligência da raça humana: o jovem protagonista irrita até quando está parado e não abre a boca, seu pretenso par romântico, a gostosa da escola que não entende porque se sente atraída pelos lindos e imbecis atletas estudantis (hã? sexo, talvez?), torna seus irreais conhecimentos de mecânica automotiva ainda menos intoleráveis do que sua presença, a hacker de plantão, loira e linda, dá tanto embasamento à sua artificialidade que é deixada de lado no meio do filme e a platéia sequer se dá conta disso, e o protagonista do núcleo militar da trama, o lindo loiro Josh Duhamel, torna ainda menos natural os seus inacreditáveis conhecimentos em anatomia bio-mecânica extraterrestre – não sabia que os militares americanos aprendiam esse tipo de coisa no seu treinamento…
Diante disso tudo só nos restam as máquinas, certo? Tirando-se o fato de que estes personagens foram concebidos pelos mesmos roteiristas responsáveis pelos protagonistas terráqueos, e dessa forma eles reproduzem nas maquinas uma parte razoável da estupidez dos personagens humanos, ainda há algo que se salvou, graças aos senhores detentores da engenharia digital. Ao contrário do que vem se tornando cada vez mais frequente no cinema, o tratamento digital utilizado no filme materializa como real algo que jamais poderia o ser: os Autobots e os Decepticons não apenas foram caracterizados em cada minucioso e ardiloso detalhe, tanto no que se refere ao menor movimento quanto nos mais engenhosos e elaborados, como também toda a interação destes personagens com o ambiente e com os atores torna-se altamente convincente desde o primeiro segundo de animação – os esforços em efeitos visuais mais impressionantes que já conferi no cinema americano em muitos anos.
Se tivesse lido o perfil do filme no Wikipedia, teria refletido melhor sobre a noção do perigo que eu estaria enfrentando e não teria ido ao cinema. O único feito de Bay, que foi tornar mais interessante a transposição visual das máquinas do que a existência da humanidade, não é forte o bastante pra evitar você se sentir um idiota por estar vendo aquilo. No fim, você acaba achando até compreensível o desejo dos Decepticons de aniquilar a humanidade – se eles fizessem isso com uma parte razoável dos cineastas americanos, seria até um favor.
Baixe o filme utilizando os links a seguir e tente uma das legendas disponíveis.

OBS: links funcionais mas não testados.

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http://www.rnbload.com/file/1381/rc-tfp-recode-part2-rar.html
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http://www.rnbload.com/file/1383/rc-tfp-recode-part4-rar.html
http://www.rnbload.com/file/1378/rc-tfp-recode-part5-rar.html
http://www.rnbload.com/file/1384/rc-tfp-recode-part6-rar.html

legendas disponíveis (português) [via legendas.tv – necessário registro]:

http://www.legendas.tv/info.php?d=1a2a54e3431092ea0257d7ffc2d08e78&c=1
http://www.legendas.tv/info.php?d=e3900ef87dd6887e4a73dc55605e5700&c=1
http://www.legendas.tv/info.php?d=f5ed78f3c474fd0cffe46724ab5f644d&c=1
http://www.legendas.tv/info.php?d=0d1145a5560bcda9d6b8ed856ccd55bc&c=1

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“Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”, de Tim Story. [download: filme]

fantastic four and the silver surfer (2007)

Faltando dois dias do casamento de Reed Richards e Susan Storm, um estranho ser intergalático chega ao planeta e começa a preparar a Terra – o que causa diversos desastres ao redor do planeta – para a vinda daquele a quem serve, um poderoso ser que cruza o universo e destrói planetas por onde quer que passe.
Quando soube que os produtores do primeiro filme do Quarteto Fantástico pretendiam trazer para o segundo longa dois dos personagens mais clássicos do universo do quarteto, o arauto Surfista Prateado e seu senhor, Galactus, fiquei muito animado: mesmo que o primeiro filme não tenha exatamente feito jus ao adjetivo “fantástico”, e limitando-se ao fato de que estamos falando de cinema pipoca – cinema comercialíssimo sem maiores ambições e pretensões além do lucro certo -, a adoção destes dois personagens poderia ser a garantia de um argumento bem interessante ou, pelo menos, de sequências com algum impacto visual, já que o surfista, e ainda mais Galactus, são dos personagens de concepção e natureza das mais arrojadas no mundo dos quadrinhos. Mas Tim Story superou-se: se o primeiro filme foi um tanto ruim, este foi um desastre inevitável.
O maior e mais evidente problema de todos é o gosto do diretor e de seus três roteiristas e argumentistas, Don Payne, John Turman e Mark Frost, pelo cômico: passa-se mais tempo fazendo piadinhas e gracinhas durante todo o filme do que desenvolvendo a história proposta, que é abordada tão sem vontade que, pode-se dizer, surge apenas como se fosse “intervalos” para os momentos “cômicos”. O mote para a maior parte das piadinhas é o casamento dos personagens Ioan Gruffudd e Jessica Alba, que ainda foi usado para dar vazão a pretensão malfadada em tecer críticas à exploração da fama pela mídia e pelas próprias celebridades, mas a vontade dos produtores em fazer gracinha parece não conhecer limites, já que o narcisismo exacerbado do Tocha Humana de Chris Evans – que está estonteantemente lindo, diga-se – também é explorado ad nauseum, tornando ainda mais vazio o longa-metragem. Assim, os produtores conseguiram retirar qualquer sombra de impacto que o filme poderia ter, deixando evidente para o público que eles – os produtores – não estão interessados em arquitetar histórias suficientemente densas, com tensão mais palpável e peso mais sombrio, e abordar os personagens de maneira bem mais séria. Tão evidente quanto este problema é a atuação fraquíssima dos atores, que parecem nem se esforçar para dar alguma veracidade ou impor algum respeito aos seus personagens. É certo que nenhum deles é realmente famoso pelos seus dotes em interpretação – particularmente Jessica Alba -, mas penso que isso seja consequência indireta da abordagem decidida pelo diretor, seus roteiristas e os produtores do filme – isso se os atores não receberam diretrizes claras para ter tal desempenho. Além desses dois aspectos que já reduzem drasticamente as chances de termos um filme ao menos divertido, Tim ainda consegue destruir os maiores atrativos desta sequência: a estréia de Surfista Prateado e Galactus no cinema. A primeiro foi quase completamente gerado em computação gráfica, o que resultou em uma das experiências mais pobres com esta técnica – ficou parecendo a estatueta do Oscar -, visto que até o personagem gerado por computador conseguiu ter desempenho pífio, e o segundo, Galactus, foi uma decepção ainda maior: virou uma nuvem de fumaça intergalática que lança tentáculos sobre o planeta para sugar sua energia. Dizem que isto foi um subterfúgio utilizado pelo diretor para não revelar a concepção visual do personagem no cinema, já que pretendem abordar o personagem de forma mais completa no filme do Surfista Prateado (sim, eles não perdem tempo), mas isso também deixa espaço para concluirmos que ou eles não faziam idéia de como transpor visualmente esse personagem magnânimo para o cinema ou o estúdio não quis bancar sua concepção para não gerar mais gastos no projeto – qualquer que tenha sido a razão, eles conseguiram, com isso, frustrar todo o público das salas de cinema que tem um mínimo de conhecimento sobre o mitologia que cerca os personagens do Quarteto Fantástico nos quadrinhos.
Ah, claro, já foi anunciado que vamos ter uma terceira sequência da franquia – depois de um início morno e uma continuação gelada, o que mais de bom podemos esperar de “Quarteto Fantástico 3” além de umas poucas sequências que criam uma desculpa qualquer para colocar Chris Evans com o tentador dorso nú diante dos espectadores? Não há dúvidas: Tim Story e Hollywwod não estão satisfeitos com o massacre promovido neste segundo filme. Vamos rezar para que uma temeridade qualquer tire Story e seus fiéis roteiristas do caminho do Quarteto – quem sabe eles não tem sua energia vital sugada pelo verdadeiro Galactus, furioso por ter sido reduzido à uma manifestação climática das mais enfadonhas?

Baixe: “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”, de Tim Story (Fantastic Four and the Silver Surfer, 2007):
[áudio original, 1080p, mp4]

Baixe: legendas (português)

Download: subtitles (english)

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“Número 23”, de Joel Schumacher. [download: filme]

the number 23 (2007)

Walter Sparrow, funcionário do controle de animais com vida pacata e confortável, perde a noção de realidade e começa a agir de forma paranóica depois que lê o livro “O Número 23”, com o qual se deparou por mera casualidade.
Joel Schumacher é um diretor cujo melhor resultado obtido foi o filme “Tempo de Matar”, baseado no tenso romance de John Grisham. Tirando-se este longa-metragem excelente, o diretor sossobra entre produções lamentáveis – alguém ai lembra dos dois filmes do homem morcego dirigidos por ele? – e filmes interessantes e bem feitos – como o clássico thriller “Linha Mortal” e “8MM”, única coisa boa que Nicholas Cage fez depois de ter ganhado um Oscar. Seu mais recente longa-metragem lançado por aqui, “Número 23” se encaixa neste último caso.
As coisas que mais incomodam, dentro dos aspectos problemáticos de “Número 23”, são as inseridas pelo diretor e seu roteirista como tentativa de conferir à produção algum caráter distintivo: as referências diretas as histórias de detetive e ao cinema “noir” – fruto da história do livro que Walter lê durante toda a duração do longa-metragem – soam artificiais e tolas, pois não possuem densidade suficiente dentro do argumento do roteirista Fernley Phillips. Mas questões exteriores as tentativas de estilo do filme também resultaram em problemas razoáveis: a trama principal do longa-metragem – ou seja, os acontecimentos não-fictícios da vida do protagonista – parece um tanto amadora, já que a medida que o filme avança ela vai paulatinamente tornando-se mais forçada e fácil; as relações entre os personagens também careceram de um pouco mais de aprofundamento, sendo que a química entre Jim Carrey e a atriz Virginia Madsen nunca chega a atingir o nível ideal. Dos elementos que conferem qualidade ao filme temos a boa interpretação de Jim Carrey – em um papel que distancia-o definitivamente de qualquer parentesco com a gênero cômico -, a essência da trama básica, que consegue segurar o interesse do espectador até sua conclusão – mesmo que, como já foi dito acima, ela não chegue a convencer de todo – e a crescente e bem delineada obsessão do protagonista com o enigma que insiste em tentar desvendar.
Porém, o mais interessante de tudo acaba sendo o modo como os defeitos e qualidades do filme não apresentam-se suficientemente intensas para qualifica-lo de modo categórico como um filme bom ou ruim – apesar das críticas americanas terem sido impiedosas com o resultado final de “Número 23”. Ao fim de tudo, a única coisa que este longa-metragem consegue afirmar de fato é o quanto Joel Schumacher permanece como um “operário” dos mais clássicos da indústria cinematográfica americana: se recebe um material excepcional em suas mãos, consegue superar sua falta de predicados para que a trama não sofra com o caráter um tanto ordinário de seu trabalho; se obtém um material fraco e derrapante, acaba descortinando suficientemente tudo o que lhe desmerece como cineasta. Via de regra, Scuhmacher amaina um pouco suas falhas intrínsecas, criando, na maior parte das vezes, filmes que mergulham na abordagem mais tradicional possível cujo resultado é uma diversão com defeitos bem aparentes.

Baixe: “Número 23”, de Joel Schumacher (The Number 23, 2007)
[áudio original, 1080p, mp4]

Legendas/Subtítulos/Subtitles:
português english

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“Maria Antonieta”, de Sofia Coppola. [download: filme]

Maria AntonietaO mais recente filme de Sofia Coppola, Maria Antonieta, é uma biografia da aristocrata franco-austríaca que tem como ponto de partida a saída de Maria de seu país natal, a Áustria, aos 14 anos, para casar-se com o jovem e futuro rei Luis XVI, e encerrando-se com ela e sua família abandonando o palácio de Versalhes, na eclosão da revolução francesa.
O terceiro filme de Sofia Coppola dividiu a crítica devido à suas escolhas pouco ortodoxas e ao conteúdo da estória em si. Na forma dos primeiros tipos de críticas citados, as mais ruidosas foram feitas aos elementos que retiram do filme um caráter total de reconstituição de época. Contudo, é bom elucidar que tanto a trilha sonora que, de forma soberba, mistura composições clássicas com canções do movimento New Wave dos anos 80/90, uma ou outra ousadia explícita, como o par de tênis All Star propositalmente abandonado em meio a sapatos típicos daquela era, quanto as decisões nitidamente contrastantes com a natureza da história, como a escolha de uma atriz americana para o papel de uma monarca européia, a rigor, não se constituem de forma alguma como defeitos deste longa-metragem, e acabam mesmo é ajudando a arejá-lo, tornando-o menos chato, tradicional e sisudo do que normalmente costumam ser filmes de época. Dentro do escopo das críticas ao conteúdo, a ausência de contexto político e social no filme foi o mais comentado, o que de fato corresponde com a verdade. Porém, deve-se levar em conta que, com a decisão da diretora e também roteirista de concentrar completamente o foco do filme nas ações de Maria, Sofia acabou sendo fiel ao que se tem como notícia desta figura histórica, já que, segundo consta, ela realmente não se dava ao trabalho de inteirar-se e tomar partido na condução das políticas de seu reinado, atendo-se apenas ao que seriam consideradas frivolidades destemperadas.
O maior problema, na verdade, seria a própria Sofia Coppola, dona de um modo de filmar um tanto maçante e sem objetivo claro – em outras palavras, ela enrola o quanto pode. O ápice desta sua técnica foi mesmo o aborrecido “Encontros e Desencontros”. Mas aqui essa crítica não seria exatamente justa, visto que Maria Antonieta, devido à sua repulsa aos assuntos mais sérios e ao seu hedonismo, não exatamente se constitui em uma biografada das mais complexas e agitadas – seu mundo e suas vontades, pelo que informam, era mais ou menos o exposto no filme mesmo. Mas ainda é possível notar a insistência quase inconsciente de Sofia ao constatar que, apesar das duas horas finais, uma hora e meia seria mais do que suficiente para que ela contasse tudo o que pretendia neste longa-metragem.
Assim, não vejo outro modo de definir “Maria Antonieta” a não ser como o melhor filme de uma cineasta fraca, o que significa que não há muito o que esperar deste filme. Sem nenhuma surpresa, ele acaba sendo melhor do que o filme anterior de Sofia, mas também não é bom o bastante para que seu status como artista ganhe um “upgrade”. Veja sem medo e sem expectativas.
Baixe o filme utilizando os links a seguir.

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legenda (português):
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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005