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Tag: cinema

“Extermínio”, de Danny Boyle [download: filme]

28 days later (2002)

A indústria cinematográfica americana é mesmo admirável: é impressionante como ela consegue abafar o talento da maior parte dos cineastas não-americanos que se arriscam por lá. O diretor escocês Danny Boyle pode ser considerado um dos muitos a figurar como exemplo de tal teoria: produzindo na Europa, criou o excelente Cova Rasa e também Trainspotting que, apesar de dividir opiniões é, ao menos, uma tentativa ousada. Evidentemente que o sucesso de público não passou despercebido pelos produtores americanos e, lá foi Boyle, fisgado por propostas financeiras irrecusáveis. Todo mundo sabe como acabam essas coisas, e com Boyle não foi diferente: ele penou com dois amargos fracassos de público e crítica: Por Uma Vida Menos Ordinária e A Praia. Agora o diretor escocês volta a filmar na Europa depois de alguns bons anos e, para a alegria de seus fãs, redime-se de seus erros com um longa fenomenal.
O roteiro volta a ser o ponto forte do diretor: depois de um pequeno prólogo, Extermínio mostra uma Inglaterra despovoada devido a mortes e êxodo em massa que ocorreram em um espaço de pouco menos de um mês. O protagonista é um jovem que entrou em coma pouco antes do surgimento da doença e acorda, completamente sozinho, 28 dias depois (daí o nome original do filme) em um hospital sem estar a par de nada do que aconteceu. Vagueando pela agora desértica Inglaterra ele encontra outros sobreviventes e descobre a verdade: os poucos que sobreviveram vivem em uma constante luta contra uma horda de “infectados”, vítimas de uma violenta epidemia de uma variante da Raiva que transforma, em poucos segundos, qualquer um que entrar em contato com seu sangue em zumbis histéricos sem qualquer resquício de racionalidade. O resultado é uma Inglaterra apocalíptica: o governo desapareceu, falta luz, água e os meios de comunicação pararam de funcionar.

28 days later (2002) movie still 01
Com uma premissa que seria pouco depois adotada pelos quadrinhos (e seriado) The Walking Dead, Danny Boyle inovou no gênero “apocalipse zumbi”

Danny Boyle é um dos diretores que mais consegue manter tensa sua platéia e, especialmente neste filme, ele o faz de forma intensa. Primeiro, porque não há como manter-se indiferente as cenas que apresentam um mundo abandonado e despovoado. Depois, porque é assustadora a epidemia de raiva retratada no filme, que dizimou populações em poucos dias e varre o que há de humano em qualquer um, esteja ou não-infectado. Isso porque os poucos humanos saudáveis que lutam para sobreviver acabam perdendo tanto sua humanidade quanto os “infectados” (e o filme mostra isso muito bem). Por fim, e como consequência deste último dado, a violência do filme é das mais impressionantes nos últimos anos no cinema, não apenas visualmente como psicologicamente. Tudo isso junto acaba fazendo o espectador mover-se inquietantemente na poltrona.
Há ainda uma última curiosidade: quando da sua exibição em salas de cinema, o longa apresentou dois finais, sendo que o segundo era uma conclusão alternativa da estória, e era exibido logo após os créditos finais do filme. Muitos acabaram criticando o final “oficial” da estória dizendo que ele é por demais otimista, preferindo adotar como fim a segunda opção, verdadeiramente pessimista, diga-se de passagem. O final “oficial” é otimista, é bem verdade. No entanto, isso não tira os méritos do filme e, até mesmo, consegue abrilhantar ainda mais seu roteiro: afinal de contas, para aqueles que, como eu, são adeptos do “joguem uma bomba e comecemos tudo de novo”, chega a causar alegria a idéia de que, um dia, seria possível refazer a humanidade tendo a chance de fazê-lo direito.

Baixe: “Extermínio”, de Danny Boyle (28 Days Later, 2002)
[áudio original, 1080p, mp4]

Legendas/Subtítulos/Subtitles:
português español english

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“Plano de Vôo”, de Robert Schwentke.

Flightplan, de Robert Schwentke

Flightplan, de Robert SchwentkeJodie Foster deve estar sofrendo por conta de alguma estigmatização de seus personagens. Talvez a origem seja de um de seus filmes mais recentes, “O quarto do pânico” . Talvez, essa idéia remonte a algo ainda mais anterior, como “O silêncio dos inocentes”. Fato é que seu agente, ou os produtores de hollywood, devem achar que ela é atualmente a melhor ou mais popular divulgadora de personagens de filmes de ação/suspense. Não nego isso. Jodie Foster atua muito bem nesses pápeis, dosando atuação física e emocional de forma absurdamente precisa. No entanto seu agente ou os já citados produtores poderiam lhe oferecer tais personagens em filmes de melhor qualidade. “Plano de vôo” , sua mais recente incursão no gênero, não chega a ser um desastre, mas com certeza causa algum aborrecimento no expectador.
Jodie é uma mulher que inicia uma viagem de avião da Alemanha para sua terra natal, os Estados Unidos, levando como sua principal bagagem o corpo do marido recentemente falecido. Tão logo entra no vôo, tira um cochilo com sua filha de 6 anos. Ao acordar, se dá conta de que a filha desapareceu dentro de uma enorme aeronave quase lotada. Seguem-se aí tentativas enlouquecidas de descobrir o paradeiro da filha. O detalhe é: estaria ela simplesmente enlouquecendo já que os passageiros e membros da tripulação afirmam não ter a mais remota lembrança de vê-la acompanhada por uma criança?
É justamente este o maior dos vários furos do roteiro do filme. Impossível crêr que ninguem, no meio de um avião lotado, não a tenha visto com a filha. E este é apenas o ponto de partida para mais uma série de situações inverossímeis que não conseguem, de maneira nenhuma, convencer o espectador. Ah! E tem o final do filme. Aquele típico final americano heróico e redentor, pelo qual eu, pelo menos, não consigo passar sem ter uma náusea qualquer. É um final tão moralizante que até um simpático árabe conseguiram enfiar na cena. Mais politicamete correto (e demagógico) pós 11 de setembro, impossível. Pode-se dizer que é regular. Mas há argumentos o bastante para coloca-lo em patamar ainda mais inferior.

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“Fahrenheit 9/11”, de Michael Moore.

Fahrenheit 9/11, de Michael Moore

Fahrenheit 9/11, de Michael MooreMichael Moore surpreendeu e divertiu e, em certa medida, informou em “Tiros em Columbine”. No seu segundo documentário, o diretor ainda obtem estes efeitos. Porém, depois do sucesso mundo afora, e da coroação de seu discurso e procedimentos, como na cerimônia do Oscar em que foi premiado, a sombra da presunção se fez presente na personalidade de Michael Moore. Não que ele já não fosse presunçoso. Mais esses traços de sua personalidade passaram e integrar ainda mais o seu trabalho.
Em Farenheit 9/11 Moore exagera. Ninguém, em plena sanidade mental, simpatiza ou apóia o presidente americano George Bush. Um imbecil é o mínimo que se pode dizer dele. Mas Moore faz com que tudo pareça pessoal demais no seu mais recente documentário. E isso, inevitavelmente, acaba por pesar a favor de Bush. O excesso de comentários sobre as atitudes de Bush, inclusive diante de situações até então inimaginavelmente estapafúrdias para um governante, as estórias de mães de soldados mortos no Iraque, as imagens de bárbaries cometidas pela “inteligência” das forças armadas americanas e de coalisão. Tudo isso toca o expectador, mas também cansa sua paciência diante de tentativas tão insistentes de culpabilizar o presidente americano. Que este senhor repugnante é passível de culpa, todos sabemos. No entanto, toda população americana, eleitores ou simplesmente incentivadores seus, é tão ou mais culpada quanto. Não apenas por ter eleito um “ogro” (parafraseando Rufus Wainwright em “Waiting for a dream”) para a Casa Branca, mas ainda mais por dar apoio incondicional, baseando-se em provas que não sobreviveriam ao comentário do mais leigo dos mortais, à todas as suas barbáries. Pensando desta forma, o documentário acaba por ser tão ingênuo e superficial quanto a maior parte das discussões, particularmente de origem americana, sobre esse tema. Chega de culpar Bush. Ele não passa do porta-voz da maioria norte-americana. E nenhuma grande produção daquele país ainda teve a coragem ou astúcia de mostra-lo.

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“Intacto”, de Juan Carlos Fresnadillo.

Intacto, de Juan Carlos Fresnadillo

Intacto, de Juan Carlos FresnadilloÉ fato que o cinema feito fora do eixo norte-americano está já em um patamar bastante evoluído. Não vou cometer o erro de dizer aqui que “está cada vez melhor”. O cinema não-americano já é excelente, apenas carece de uma maior quantidade de lançamentos, o que, talvez, seja sua maior qualidade: menos filmes, menores as chances de nos depararmos com muito lixo, como acontece com o cinema produzido pelos Estado Unidos. E o cinema mundial está tão bom que consegue se apoderar da qualidade técnica típica dos filems americanos e superá-los no conteúdo: os argumentos e roteiros são muito mais originais do que os produzidos pelos americanos.
Um exemplo é o filme Intacto, de Juan Carlos Fresnadillo, que tem como protagonista o ultra-sexy (em minha singela opinião) ator argentino Leonardo Sbaraglia (quer ver como ele pode ser um poço de sensualidade? Confira no excelente filme argentino Plata Quemada).
No filme, Federico, ex-aliado de um um velho magnata de um cassino (este último interpretado por Max Von Sydow) encontra um Tomás (Sbaraglia) um ladrão de bancos que é o único sobrevivente de um desastre aéreo cujas proporções jamais pouparia uma viva alma sequer. Devido ao fato, Federico supõe que Tomás seja alguém que possua um dom que poucos possuem: sorte. Treinado para controlar esta “capacidade”, Federico ajuda Tomás na fuga do hospital onde se encontrava sob vigilância e o introduz num mundo onde se joga com a própria sorte e a de pessoas alheias, que são chamadas pelos que possuem o dom de “cativos”. Mas Tomás e Federico não terão tranquilidade em suas empreitadas, já que Sara, uma agente da polícia, está os perseguindo.
As atuações, roteiro (muito bem amarrado), e todo o aspecto técnico do filme são impecáveis. O filme faz bom uso até mesmo dos eventuais clichés de uma trama tipicamente policial. Um clima soturno e melancólico inteligentemente sutil atravessa todo o filme, o que ajuda a causar uma certa claustrofobia, apesar de o filme estar ambientado, em grande parte, em ambientes externos e bastante abertos. Confira este filme espanhol que é mais uma excelente opção para curtir a qualquer momento, no lugar daquele arrasa-quarteirão super produzido que nada de novo traz.

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“Os Edukadores”, de Hans Weingartner.

Die Fetten Jahre Sind Vorbei, de Hans Weingartner

Die Fetten Jahre Sind Vorbei, de Hans WeingartnerTudo o que parte de princípios político-ideológicos, engajamento, não é exatamente o que me apetece. No entanto, apesar de que o mote da sua estória seja justamente este, o filme alemão Os Edukadores me cativou. Parece que com o recente Adeus Lênin! (que é um bom filme, mas não chega a ser a obra-prima que foi pintada no comentário de muitos), o cinema alemão começou a contar com cineastas bastante inventivos e muito promissores. Tomara que continue assim.
No filme, Jan e Pete são os Edukadores, ativistas políticos que entram na residência das famílias das classes mais bastadas da Alemanha, quando ninguém se encontra em casa, e saem sem levar sequer um copo. Seu intuito é causar desconforto, quando não temor, através de sua técnica de atuação: uma vez dentro da residência, eles rearranjam (ou melhor, bagunçam) toda a mobília, deixando apenas um bilhete com os dizeres “seus dias de fartura estão contados” ou “você tem dinheiro demais”. Tudo corre muito bem até que a namorada de Pete, devido aos seus problemas financeiros, vai morar com os dois amigos. A partir daí o relacionamento dos três muda de figura e tudo, inclusive o ativismo político, começa a se desestabilizar, para o bem ou para o mau.
Apesar de trazer personagens altamente engajados e cheios de ideologismo (independente de que engajamento e ideologismo estamos falando), o filme me agradou muito por ter sido muito bem realizado, dirigido, contar com elenco que tem ótimo desempenho (Daniel Brühl, o jovem que é a grande revelação de Adeus Lênin!, e possivelmente atual fetiche do cinema alemão, está aqui) e, principalmente, um roteiro que não resvala nos convencionalismos, soluções fáceis e inverossimilhanças que infesta a maior parte dos filmes atualmente, particularmente o cinema americano. a personalidade e comportamento dos personagens sofrem sim com os rumos de seus atos, mas na conclusão da estória você se dá conta de que na verdade não há mudança, e sim uma evolução, uma reafirmação do caráter dos personagens. Belo filme, que surpreende até um sujeito irritado com a banalização político-ideológica como eu. Recomendadíssimo!

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005