
O penúltimo disco de canções inéditas da rockeira britânica PJ Harvey surpreendeu tanto crítica como público, já que ambos consideraram este o álbum com maior apelo comercial lançado pela artista até o momento. Muito além disso, Stories From The City, Stories From The Sea é um disco que prima pela homegeneidade, tanto narrativa quando melódica: no primeiro aspecto, é um disco repleto de canções agitadas, vertendo energia com sua sexy sonoridade punk-rock, mesmo nas poucas músicas mais contemplativas do disco; com relação ao segundo aspecto, o disco lida tematicamente com personagens algo desajustados, que vivem a vida de forma inconsequente e hedônica, em um cotidiano urbano cheio de luxúria e desventuras por vezes fatalísticas. Em cinco canções do disco – que conta com a participação do vocalista do Radiohead, Thom Yorke, em uma de suas faixas – este universo desenfreado e meio underground é abordado de maneira exuberante. Na primeira delas, “Big Exit”, toda a energia do projeto é resumida: para adornar a letra, que retrata o momento em que um casal de criminosos é cercado pela polícia, uma verborragia de guitarras acolchoa a melodia totalmente “rocker” da canção, enquanto Harvey entoa os versos em brados poderoros, o que transforma a música em um hino dos porra-loucas de plantão. A letra de “Good Fortune” ainda mostra um casal de párias sociais mas, ao contrário da anterior, retrata a consciência de uma hedonista que sabe que vive o momento mais intenso de sua vida ao lado de seu namorado, sonhando em viver ao lado dele as peripécias e perigos que viveu o famoso casal de ladrões Bonnie and Clyde. A música é hipnótica e cíclica, usando guitarras, bateria e baixo de maneira farta. Em “Kamikaze”, que conta com mais um vocal dissonantemente glorioso de PJ Harvey, baixo e guitarra são dedilhados de maneira inquieta e ansiosa, até atingirem um nervosismo hiperbólico junto com a bateria, quando quase repentinamente a canção é encerrada. Na letra primorosa da canção, Harvey traveste-se em uma guerreira audaciosa que encontra-se cercada por um exercíto de kamikazes – pilotos suicidas japoneses – prontos a atacá-la. “This Is Love” é uma canção de amor à maneira PJ Harvey de ser: nela, a cantora confessa o desejo de despir o seu amante e explorar o sexo como se não existisse outro dia. A melodia é sexy e angustiante, produzida aos custos de uma bateria esmurrada, baixo e guitarras em tons graves e pigarreantes. Entre as músicas mais tranquilas do disco, “We Float”, que fecha o álbum, é o destaque absoluto. Na música, com base em bateria suave e piano de acordes graves mínimos, o vocal da cantora soa menos delirante, mais sossobrante e reflexivo, alternando entre tons graves e ligeiramente mais agudos, partcularmente no refrão. A letra reflete mais uma vez sobre amantes que vivem sem destino, perdidos no ambiente urbano.
Artista de personalidade inquieta, inventiva e mutante, PJ Harvey procura sempre produzir discos de diferentes identidades, que se distinguam sonora e liricamente: depois de versar sobre o sofrimento e a fatalidade, utilizando-se do obscurantismo e minimalismo eletro-rock de “Is This Desire”, a cantora quis buscar o inverso, compondo, à sua maneira, canções cujos arranjos transbordassem luxo e beleza e falassem sobre viver o amor e o prazer de maneira mais inconsequente e despreocupada – isso tudo mantendo intacta a característica comum à todos o seus projetos: a intensidade sonora e narrativa.
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Escutando com mais atenção o segundo álbum da banda Coldplay, comentado por mim aqui no blog semana passada, conclui que, apesar da beleza intensa de suas melodias, a dramaticidade excessiva das composições, tanto melodicamente quanto liricamente, deixa um gosto de pretensão suspenso nos ouvidos. O lançamento posterior da banda, X&Y, é um trabalho com muito menor ostentação sonora, visivelmente menos inchado. A tônica do álbum é a rítmica de agitação leve, que exala um breve e agradabilíssimo calor sonoro. Este calor é obtido pelo uso inteligente de programação eletrônica, cujas sonoridades compostas pelo grupo foram introduzidas de forma homogênea nas melhores canções, ao mesmo tempo conferindo-lhes um perceptível destaque na melodia. Assim são “Square One”, “Talk” e “Speed of Sound”. “Square One”, que fala sobre expectativas e reciprocidade nas relações humanas, chama atenção pelo refrão encorpado por guitarras ansiosas e pela sua sequência final contemplativa, baseada em violão. “Talk”, que comenta a confusão, a falta de rumo e sentido da vida contempôranea, surpreende por explorar esplendorosamente a introdução da canção “Computer Love”, da banda alemã Kraftwerk. Porém, no lugar do teclado, as guitarras ficam encarregadas de dar novas cores ao trecho retirado da criação do grupo alemão. E “Speed of Sound”, feita de versos de lirismo abstrato e reflexivo, gerou debates por iniciar-se com acordes de piano que lembram, vagamente, a canção “Clocks”. No entanto, e apesar das críticas por esta similaridade, a música tem identidade propria, sendo um pouco menos minimalista que a do álbum anterior.
Coldplay é uma banda capaz de canções irresistíveis e outras aborrecedoras. Seus três discos lançados até agora tem essa mesma cararacterística: cerca de metade do disco, ou ainda menos, anima muito, enquanto a outra metade faz o oposto. A Rush Of Blood To The Head é o disco da banda que tem maior quantidade de boas músicas, superando o álbum de estréia e o seu sucessor. “Politik” é a primeira das boas músicas, canção cuja melodia tem dois momentos distintos, mas que na verdade são a variação de uma mesma música: um mais silencioso e intimista, baseado quase que somente em acordes minimalistas de piano, e a sua variação grandiloquente, que intensifica exponencialmente a melodia antes discreta, invadindo o espaço que antes era habitado pelo silêncio com uma profusão de orquestração de cordas, bateria, piano e guitarras – insturmentos que já estavam ali, mas em absorto silêncio. A letra poética tem uma abordagem universal, tratando de coisas que desejamos por toda nossa vida, nas relações humanas que travamos. A faixa seguinte, “In My Place”, é um single clássico, com uma melodia pop/rock bastante atraente e bonita, com bom uso de riffs de guitarra e de bateria cadenciada, com letras românticas simples. “God Put A Smile Upon Your Face” usa em primeiro plano riffs insinuantes de violão, que tem um sutilíssimo sabor meio country/rock. Logo a melodia rock toma a música, quando surgem então uma bateria fortemente sincopada e guitarras que delineam o restante de música, preenchendo todo o espaço restante. A letra fala de maneira irônica sobre como perdemos tempo em algo que parece muito mais uma competição do que uma relação afetiva, por estar repleta de egoísmo, orgulho e esnobismo. “The Scientist” é uma balada linda, guiada em primeiro plano pelo piano triste e sensível, apresentando ainda um violão que mimetiza os mesmos acordes do piano, guitarras, bateria e baixo discretos, e backing vocals e base orquestrada complementar. A letra amplifica a emoção da melodia, falando sobre o desejo de voltar no tempo para recomeçar uma relação que já não existe mais, evitando e corrigindo todos os erros que levaram ela ao seu fim. “Clocks” cuja cujos versos algo retratam pensamentos confusos sobre o que achamos que somos e aquilo que queremos, é a última destas canções. A melodia faz desta, junto com “Politik”, as duas melhores canções do disco: ela foi feita utilizando o mesmo acorde mínimo de piano e leves variações deste pontuando, ciclicamente, toda a música, que vai ganhando a participação de outros instrumentos, mas sempre baseando-se na repetição da mesma melodia mínima. Ainda que sejam só cinco faixas que interessem, A Rush Of Blood To The Head já se destaca pela qualidadade destas canções, que fisgam o ouvinte desde a primeira audição, permanecendo na cabeça por horas, dias. Vale a pena conferir o álbum, mesmo que seja apenas por estas poucas – mas excelentes – faixas.
Jovem jornalista presencia, junto com toda a população atônita de Nova Iorque, uma misteriosa invasão de robôs gigantes. Ela decide, junto com bravo e famoso aviador (que por sinal é um ex-romance seu), investigar as razões e objetivos obscuros para tentar evitar que mais maquinarias invencíveis façam mais estragos no mundo.
Mesmo não sendo fã da banda Radiohead, gostando apenas de algumas poucas faixas de seus álbuns, resolvi arriscar ouvir The Eraser, o álbum solo do vocalista da banda. Foi uma boa idéia – mesmo o disco não se revelando estar entre as minhas preferências, há ali um projeto sonoro bastante coeso e faixas bem acima da média.
A agente especial do FBI Clarice Starling, fragilizada por uma missão mal-sucedida e com sérios problemas no Bureau devido ao incidente, recebe uma oferta de um representante do alto escalão do governo, numa tentativa de ajudar a resolver um sério problema, ao mesmo tempo que poderia ganhar respeito e reconhecimento pelo seu trabalho novamente: a agente voltaria ao caso que a tornou famosa dez anos antes para resolver um pequeno detalhe deixado para trás: o Dr. Hannibal Lecter. E este encontra-se em Roma, Itália, onde tenta obter o emprego de “marchant” em uma importante biblioteca do país. Mas como Lecter voltou a figurar na lista dos dez mais procurados do FBI, é uma questão de tempo para que alguém descubra sua verdadeira identidade.