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Tag: rock alternativo

War Child – Help (2) (Vários Artistas) [download: mp3]

help (2) - pulp, bat for lashes, olivia rodrigo (2026)

Estabelecida no advento do sangrento conflito nos Balcãs, a organização War Child foi criada com o objetivo de ajudar as crianças afligidas pelo conflito que fraturou a Iugoslávia no início dos anos 90. Uma das ações na época foi o lançamento em 1995 do disco beneficente Help, que trazia canções de artistas de renome, como Sinéad O’Connor, Portishead, Radiohead e Oasis. Trinta anos depois, a organização repete o feito com um álbum repleto de artistas consagrados e independentes, e entre o grande número de canções cedidas para a iniciativa, três dos convidados conseguiram se destacar com suas contribuições. Pulp, o grupo veterano que lançou ano passado um novo disco depois de quase 25 anos, traz “Begging For Change”, uma canção original em seu rock intrépido com uma súcia de guitarras encadeadas sobre bateria vigorosa e uma fartura de vocais de fundo, enquanto Jarvis Cocker, com seu clássico vocal petulante, distribui deboche sem poupar ninguém, seja a elite que controla o mundo, seja a militância de butique que vomita seu discurso vazio e demagógico.

help (2) - pulp,  bat for lashes, olivia rodrigo (2026) post 01
A banda Pulp, junto com Bat For Lashes e Olivia Rodrigo contribuíram com as melhores canções da antologia beneficente

Compatriota da banda de Jarvis, Natasha Khan (mais conhecida como Bat For Lashes) também tem êxito com a sua composição “Carried My Girl”, uma faixa guiada por um piano lento e apreensivo que ecoa em uma atmosfera mística na qual o vocal poderoso da inglesa ressoa o conto sofrido de uma mãe que percorre um mundo desolado carregando em seus braços a filha sem vida. A terceira faixa que se distingue na antologia sonora é da americana Olivia Rodrigo em um cover de “The Book of Love”, composição lançada em 1999 pela banda indie “The Magnetic Fields” e que já foi alvo de outros artistas, como Peter Gabriel e Tracey Thorn. Como todos anteriormente, Olivia preserva a delicadeza da melodia transformando-a em uma balada folk ao sabor de um violão carinhoso, orquestração adocicada e vocal meigo, fechando o disco com uma canção que adentra os ouvidos com mansidão e ali permanece, tocando fundo os sentidos com uma eficiência jamais atingida pelas palavras de ordem pueris e o ativismo oportunista daqueles que – lamentavelmente – usam estas causas para fins políticos e ideológicos.

Metric – “War Child – Help (2) (Vários Artistas) [mp3]

Ouça (Spotify):

Vários Artistas - Help (2) - 2026
Vários Artistas - Help (2) - 2026

Ouça (Deezer):

Vários Artistas - Help (2) - 2026
Vários Artistas - Help (2) - 2026

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Brigitte Calls Me Baby – “Slumber Party” (single) [download: mp3]

brigitte calls me baby - slumber party (single, 2026)

Com seu segundo álbum agendado para março, a banda americana Brigitte Calls Me Baby lançou “Slumber Party” como primeiro single de prévia do disco: com guitarras de riffs densos e freneticamente acelerados em companhia de baixo e baterias muito bem sincronizados, o vocalista Wes Leavins invoca o espírito de seu crooner ancestral para narrar – com uma pontinha de melancolia – o “drama” de sua sexta-feira a noite: ser aceito ou não naquela festa “cool” da vizinhança para a qual está até mesmo levando seu DVD de “Veludo Azul” de David Lynch como oferenda. Porém, eu me pergunto: será que o povo dessa festança não preferiria “Persona” de Ingmar Bergman?

brigitte calls me baby - slumber party (single, 2026) post 01
Embora o visual do grupo lembre Duran Duran, o parentesco mais próximo é o post-punk do inicio dos anos 2000

Deixando o paradigma intelectual de lado, embora o visual do grupo lembre Duran Duran nos frutíferos anos 80, a faixa traz os americanos emulando o mesmo fervor juvenil do post-punk que permeou o início dos anos 2000, como Franz Ferdinand e Interpol, bem como a vigorosa espontaneidade do indie rock de bandas quase desconhecidas (menos para os leitores do Sete Ventos) dos anos 2000 e da década passada, como Scissors For Lefty e Liily – aguardemos março para constatar se o disco reflete a qualidade do single.

Baixe:
Brigitte Calls Me Baby – “Slumber Party” (single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Brigitte Calls Me Baby - Slumber Party (Single)
Brigitte Calls Me Baby - Slumber Party (Single)

Ouça (Deezer):

Brigitte Calls Me Baby - Slumber Party (Single)
Brigitte Calls Me Baby - Slumber Party (Single)

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Tori Amos – “Growin’ Up” (single) [download: mp3]

tori amos - growin up (single, 2025)

Com o anúncio do relançamento de uma versão expandida de Strange Little Girls, o disco de covers lançado em 2001, Tori Amos disponibilizou há poucas horas um pequeno aperitivo para os fãs: o single “Growin’ Up”, canção originalmente lançada por Bruce Springsteen em 1973, será uma das 4 faixas extras incluídas na nova versão do álbum – que também incluirá a faixa inédita “Hoover Factory”, de Elvis Costello. No cover de Amos, a bateria de Matt Chamberlain soa lépida e faceira, construindo volteios com uma destreza que claramente inspirou Tori a dedilhar o seu piano Bösendorfer com genuíno entusiasmo. O vocal da cantora também foi contagiado pelo ritmo lúdico da melodia, e surge tomado por um frescor e vitalidade que não se encontram presentes na maior parte das composições que a cantora vem lançando há mais de uma década – é uma demonstração indiscutível de toda a impetuosidade, energia e vigor que a pianista americana foi deixando pelo caminho ao longo dos anos, lamentavelmente.

Baixe: Tori Amos – “Growin’ Up” (single) [mp3]

Ouça:

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Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single) [download: mp3]

tori amos - spark [part 2] [uk] (single) 1998

Lançado em 1998 por Tori Amos, from the choirgirl hotel foi o primeiro disco onde foram observados sinais de mudança na música da cantora americana que hoje em dia, para fãs de décadas como eu, contrasta com a produção dos seus 3 primeiros discos a ponto de ser uma artista quase completamente diferente. Ao mesmo tempo, esse quarto disco ainda preservou hábitos que a artista sustentou desde o início da carreira, como o lançamento de vários singles contendo B-sides tão preciosos quanto as faixas selecionadas para integrar o disco. Um deles foi o da canção “Spark”, tendo uma versão exclusiva disponibilizada no Reino Unido contendo um cover e também um dos B-sides mais “míticos” da carreira de Tori. “Spark”, a faixa que também abre o disco do qual é derivada, inicia com acordes metálicos de uma guitarra dissonante e uma bateria de cadência espaçada, compondo a textura soturna e um tanto claustrofóbica que permeia o disco de origem, mas na chegada do refrão ambos são adocicados com o canto e o piano melancólicos que extravasam no “outro” melódico da canção em um frenesi sonoro que metaforicamente retratava o estado emocional da cantora no período que sofreu um aborto espontâneo. Na faixa seguinte, um cover demoníaco de “Do It Again”, de Steely Dan, onde a bateria em compasso marcado prepara o palco para que Tori Amos passeie com desenvoltura com seu vocal e seu piano, temos uma das últimas demonstrações genuínas da furiosa energia e capacidade de improvisação que eram sinônimos da cantora americana até então, mas que infelizmente Tori foi abandonando aos poucos com o passar do anos. O single se encerra com uma das baladas mais adoradas pelos fãs de Tori: em “Cooling”, com nada além de sua voz meiga e seu inseparável piano Bösendorfer, a cantora americana demonstrou a incrível habilidade de compor baladas doces onde sua emoção fluía sem qualquer tipo de contenção, como as correntes de um rio desaguando no oceano – um clássico inesquecível de seu catálogo.

Baixe: Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single) [mp3]

Ouça: Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single)

1. “Spark”

2. “Do It Again”

3. “Cooling”

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Sol Seppy – “The Alaska Wilds” (single) [download: mp3]

sol seppy - the alaska wilds (single)

Incomum, idiossincrática, singular, exótica. Escolha o adjetivo que preferir, a cantora anglo-grega Sol Seppy (que tem seu disco de estréia e um EP disponíveis aqui no blog) é alguém que realmente não reflete a concepção popular de músico ou artista, tanto na sua musicalidade diáfana quanto na sua personalidade arredia, sempre mantendo discrição quase completa sobre sua vida particular e dispensando qualquer tipo de divulgação ou promoção dos poucos discos e músicas que eventualmente decide lançar. O resultado, obviamente, é que essa cantora e compositora de imenso talento é conhecida de muito poucos, mantendo sua existência restrita aos domínios do indie e dos mais viciados em música e fazendo-se notar por estes somente quando, sem a menor cerimônia, decide lançar alguma coisa. É exatamente isto que aconteceu há dez dias atrás, quando Sol liberou o single “The Alaska Wilds”, que como muitas de suas composições, transpira delicadeza e sobriedade: com nada além de um piano de acordes mansos e intimistas e seu vocal macio e aconchegante para conceber a melodia etérea e serena que não chega a atingir três minutos de duração, a britânica, para nosso deleite, consegue demonstrar que ainda é dona da excepcional habilidade de extrair beleza dos mais parcos recursos.

Baixe:
Sol Seppy – “The Alaska Wilds” (single) [mp3]

Ouça:

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Alexander Wolfe – “The Toughening/The Softening” (single) [download: mp3]

alexander wolfe - the toughening / the softening (single) [2025]

Depois de lançar “Talk” (comentado por aqui em agosto), que traz nuances pop/rock e liricamente defende que os homens devem falar sobre seus conflitos internos para que preservem a saúde mental, o novo single do britânico Alexander Wolfe traz duas canções que fazem um recorte do início e fim da história do personagem cuja jornada aparenta ser o tema condutor de Everythinglessness, seu novo disco que será lançado em 2026. Em ambas o violão pinçado conduz as melodias construindo o melancólico alicerce emocional que aflora fortemente nas faixas em conjunto com o vocal de Wolfe, embebido em sentimento, mas enquanto na primeira camadas de vocal de apoio, bateria e guitarra pontuam a música com tensão e mágoa, na segunda estes unem-se de modo homogêneo para um sereno crescendo rítmico que eleva-se em ascensão magnífica no seu final. A atmosfera das faixas não diverge por pura arbitrariedade: talentoso e perspicaz, Wolfe compôs as melodias como um retrato perfeito do conteúdo lírico de ambas, pois em “The Toughening”, ao visitar o pai para expor sua desorientação ao descobrir que a mãe sofre de uma doença grave, o jovem personagem é inundado por reprimendas para que contenha as emoções e mantenha-se forte para dar suporte a ela, enquanto em “The Softening”, já depois de um longo tempo da morte da mãe, o rapaz revê o pai e extravasa furiosamente toda sua dor em uma confissão sobre como ele nunca o escutou e que a repressão de seus sentimentos quase o levou ao suicídio. Ainda que pareça ter marcado a trajetória deste homem com uma série de martírios, o cantor britânico aquece os últimos versos de “The Softening” com uma centelha de esperança, cantando com delicadeza, “ele, com sua raiva ardendo, vira-se para seu pai, que não havia falado todo esse tempo, e ele se dá conta: ele estava escutando”.

Baixe:
Alexander Wolfe – “The Toughening/The Softening” (single) [mp3]

Ouça:

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005