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Tag: rock alternativo

Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single) [download: mp3]

tori amos - spark [part 2] [uk] (single) 1998

Lançado em 1998 por Tori Amos, from the choirgirl hotel foi o primeiro disco onde foram observados sinais de mudança na música da cantora americana que hoje em dia, para fãs de décadas como eu, contrasta com a produção dos seus 3 primeiros discos a ponto de ser uma artista quase completamente diferente. Ao mesmo tempo, esse quarto disco ainda preservou hábitos que a artista sustentou desde o início da carreira, como o lançamento de vários singles contendo B-sides tão preciosos quanto as faixas selecionadas para integrar o disco. Um deles foi o da canção “Spark”, tendo uma versão exclusiva disponibilizada no Reino Unido contendo um cover e também um dos B-sides mais “míticos” da carreira de Tori. “Spark”, a faixa que também abre o disco do qual é derivada, inicia com acordes metálicos de uma guitarra dissonante e uma bateria de cadência espaçada, compondo a textura soturna e um tanto claustrofóbica que permeia o disco de origem, mas na chegada do refrão ambos são adocicados com o canto e o piano melancólicos que extravasam no “outro” melódico da canção em um frenesi sonoro que metaforicamente retratava o estado emocional da cantora no período que sofreu um aborto espontâneo. Na faixa seguinte, um cover demoníaco de “Do It Again”, de Steely Dan, onde a bateria em compasso marcado prepara o palco para que Tori Amos passeie com desenvoltura com seu vocal e seu piano, temos uma das últimas demonstrações genuínas da furiosa energia e capacidade de improvisação que eram sinônimos da cantora americana até então, mas que infelizmente Tori foi abandonando aos poucos com o passar do anos. O single se encerra com uma das baladas mais adoradas pelos fãs de Tori: em “Cooling”, com nada além de sua voz meiga e seu inseparável piano Bösendorfer, a cantora americana demonstrou a incrível habilidade de compor baladas doces onde sua emoção fluía sem qualquer tipo de contenção, como as correntes de um rio desaguando no oceano – um clássico inesquecível de seu catálogo.

Baixe: Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single) [mp3]

Ouça: Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single)

1. “Spark”

2. “Do It Again”

3. “Cooling”

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Sol Seppy – “The Alaska Wilds” (single) [download: mp3]

sol seppy - the alaska wilds (single)

Incomum, idiossincrática, singular, exótica. Escolha o adjetivo que preferir, a cantora anglo-grega Sol Seppy (que tem seu disco de estréia e um EP disponíveis aqui no blog) é alguém que realmente não reflete a concepção popular de músico ou artista, tanto na sua musicalidade diáfana quanto na sua personalidade arredia, sempre mantendo discrição quase completa sobre sua vida particular e dispensando qualquer tipo de divulgação ou promoção dos poucos discos e músicas que eventualmente decide lançar. O resultado, obviamente, é que essa cantora e compositora de imenso talento é conhecida de muito poucos, mantendo sua existência restrita aos domínios do indie e dos mais viciados em música e fazendo-se notar por estes somente quando, sem a menor cerimônia, decide lançar alguma coisa. É exatamente isto que aconteceu há dez dias atrás, quando Sol liberou o single “The Alaska Wilds”, que como muitas de suas composições, transpira delicadeza e sobriedade: com nada além de um piano de acordes mansos e intimistas e seu vocal macio e aconchegante para conceber a melodia etérea e serena que não chega a atingir três minutos de duração, a britânica, para nosso deleite, consegue demonstrar que ainda é dona da excepcional habilidade de extrair beleza dos mais parcos recursos.

Baixe:
Sol Seppy – “The Alaska Wilds” (single) [mp3]

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Alexander Wolfe – “The Toughening/The Softening” (single) [download: mp3]

alexander wolfe - the toughening / the softening (single) [2025]

Depois de lançar “Talk” (comentado por aqui em agosto), que traz nuances pop/rock e liricamente defende que os homens devem falar sobre seus conflitos internos para que preservem a saúde mental, o novo single do britânico Alexander Wolfe traz duas canções que fazem um recorte do início e fim da história do personagem cuja jornada aparenta ser o tema condutor de Everythinglessness, seu novo disco que será lançado em 2026. Em ambas o violão pinçado conduz as melodias construindo o melancólico alicerce emocional que aflora fortemente nas faixas em conjunto com o vocal de Wolfe, embebido em sentimento, mas enquanto na primeira camadas de vocal de apoio, bateria e guitarra pontuam a música com tensão e mágoa, na segunda estes unem-se de modo homogêneo para um sereno crescendo rítmico que eleva-se em ascensão magnífica no seu final. A atmosfera das faixas não diverge por pura arbitrariedade: talentoso e perspicaz, Wolfe compôs as melodias como um retrato perfeito do conteúdo lírico de ambas, pois em “The Toughening”, ao visitar o pai para expor sua desorientação ao descobrir que a mãe sofre de uma doença grave, o jovem personagem é inundado por reprimendas para que contenha as emoções e mantenha-se forte para dar suporte a ela, enquanto em “The Softening”, já depois de um longo tempo da morte da mãe, o rapaz revê o pai e extravasa furiosamente toda sua dor em uma confissão sobre como ele nunca o escutou e que a repressão de seus sentimentos quase o levou ao suicídio. Ainda que pareça ter marcado a trajetória deste homem com uma série de martírios, o cantor britânico aquece os últimos versos de “The Softening” com uma centelha de esperança, cantando com delicadeza, “ele, com sua raiva ardendo, vira-se para seu pai, que não havia falado todo esse tempo, e ele se dá conta: ele estava escutando”.

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Alexander Wolfe – “The Toughening/The Softening” (single) [mp3]

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Luckless (2012) [download: mp3]

luckless (album) 2012

Há projetos musicais promissores que duram alguns anos, lançam um par de discos interessantes, e por motivos desconhecidos se desfazem, de modo que seus componentes trilham diferentes rumos em suas vidas. Luckless, projeto da artista neozelandesa Ivy Rossiter, é um desses casos: hoje uma DJ e produtora musical radicada na Alemanha que acabou vinculando-se com um público pelo qual, digamos, não tenho muita simpatia, a cantora e compositora formou, em companhia do conterrâneo Will Wood, um duo musical que lançou não mais que dois discos na primeira metade da década passada. No primeiro deles, a dupla muniu-se apenas de guitarra e bateria para compor uma dezena de músicas excepcionais que transpiram a essência do mais primoroso rock alternativo e exibem traços de gêneros adjacentes, como o grunge, o que fica evidente nas canções “Hawks” e “Fermina Daza”, ambas baseadas em harmonias cíclicas da guitarra Silverstone de Ivy Rossiter. Na primeira, a cantora apossa-se do instrumento introduzindo uma sequência minimalista de riffs graves que faz par com o seu registro vocal baixo, escoltados com comedição pela bateria de Will Wood, mas no refrão a sonoridade dos instrumentos é encorpada para acompanhar o vocal mais emotivo da dupla, onde Ivy canta “quando eu acordar a noite, você vai me confortar e me abraçar, como corações expostos?”. Já na segunda, a palavra “home” é sussurrada continuamente por Will Wood como um mantra na qual a Silverstone distorcida de Ivy e a própria bateria de Will sobrepõem-se em um tropejo marcial premente, que retrai em um breve interlúdio lírico, apenas para retornar com mais urgência e transmutar-se em uma fabulosa apoteose sonora.
Porém, a proximidade com o grunge não fica apenas na dualidade complementar da dinâmica de retração/explosão sonora destas duas faixas, mas também na carga emocional do vocal juntamente com uma melancolia prevalecente nas melodias. São exemplos “Sound I See” (que inicia com certa serenidade, mas encorpa-se no refrão em um crescendo onde brilham tanto o vocal de Ivy quanto o instrumental denso e enérgico do duo) e “Skin & Bones” (que alterna introspecção e intensidade na cadência consternada de bateria e guitarra para servir de apoio ao vocal que também intercala-se entre súplica frágil e demanda imperiosa).
Ainda nessa estréia a dupla também conseguiu exibir sua habilidade na confecção de canções com arranjos mais trabalhados, como nas místicas “Cold In Our House” e “Let It Leak Out”, que guardam algo de dream rock nas guitarras etéreas e seus ruídos luminescentes que permeiam ambas as faixas, e “Bring This To An End”, uma power ballad que fecha o disco trazendo ternura e assertividade emotivas tanto no vocal quanto na música que avoluma-se à medida que avança.
Mas é a segunda faixa, “Hummingbird Heart”, que resume todo o talento da dupla na composição de melodias marcantes que tomam de assalto os ouvidos: conduzida inicialmente por uma guitarra e bateria hesitantes, em um compasso contínuo e controlado, a melodia intensifica-se em uma escalada rítmica brilhante, que sem usurpar sua graciosidade etérea e sua delicadeza emocional, culmina em um clímax melódico onde os instrumentos encadeiam-se em um pulso ligeiro como o coração do colibri que dá título a canção.
É verdade que o processo de popularização tanto do acesso quanto da produção cultural proporcionado pelas inovações tecnológicas teve impacto negativo na qualidade do que é produzido, mas penso que os longos anos ouvindo música e resenhando-a neste blog também contribuem para tornar cada vez mais incomum a possibilidade de ser arrebatado por um disco de algum artista ou banda na atualidade. Felizmente, a mesma popularização ofertada pela internet, aliada a uma boa dose de obstinação de um blogueiro já veterano, também possibilita você se deparar com o disco impecável de mais de dez anos atrás de uma banda obscura do Nova Zelândia que não existe mais – é como dizem: sou brasileiro e não desisto nunca.

Baixe: Luckless (2012) [mp3]

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Jack Ladder & The Dreamlanders – “Cold Feet” (single) [download: mp3]

jack ladder and the dreamlanders - cold feet (single)

Lançado como single no agora distante ano de 2011 pelo australiano Jack Ladder com sua banda “The Dreamlanders” para promover o seu álbum Hurtsville, “Cold Feet” é uma canção que suscita sonoridades que encontraram popularidade pelo início e parte dos anos 2000, similar a atmosfera das faixas menos aceleradas do Interpol e The National e as composições enxutas com padrões minimalistas de Cat Power, artistas e bandas que por sua vez conceberam sua música bebendo em fontes diversas do post-punk, rock alternativo e indie. Para dar ainda mais peso a gravidade que a sua voz de barítono concede para as letras onde versa sobre alguém que se divide entre entregar-se definitivamente ao amor que buscou por tanto tempo ou abandoná-lo por constatar que não é perfeito como até então idealizava, o cantor australiano e sua banda constroem uma harmonia cíclica, pulsante e de notas esparsas, visível no beat firme de cadência imutável da bateria, e na sequência harmônica bem espaçada da guitarra e do baixo. As sintetizações discretas que preenchem o segundo plano da canção finalizam o conjunto adensando a melodia com uma textura dark e melancólica que amplifica o plano emocional da música com precisão.

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Jack Ladder & The Dreamlanders – “Cold Feet” (single) [mp3]

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Spoon – “Chateau Blues” / “Guess I’m Fallin In Love” (single) [download: mp3]

spoon - chateau blues (single)

Spoon, a produtiva banda americana que já foi resenhada por aqui em 2010 (faz tempo!) com o disco Transference, está preparando um novo álbum e liberou na terça-feira como single duas faixas das sessões em estúdio. Sempre fiel a suas raízes no rock alternativo e indie, as faixas mantém a ambiência rock polida, ainda que preservem o aspecto de espontaneidade, muito graças à rebeldia vocal de Britt Daniel. Em “Chateau Blues”, a aspereza das guitarras e a energia sincopada da bateria não dão descanso, refletindo o tom imediatista das letras: “senhor, me ouça, parei o carro aqui na rua, venha logo e entre, onde quer ir agora?”. “Guess I’m Fallin In Love”, a segunda faixa, chega também com intensidade semelhante na cadência ritmada da bateria, mas as guitarras com riffs mais melódicos e a acústica do violão na ponte harmônica adocicam discretamente a música na qual o cantor recria livremente o conto de Sherazade sob o ponto de vista do rei Shariar, famosa história de “As Mil e Uma Noites”.

Baixe:
Spoon – “Chateau Blues” / “Guess I’m Fallin In Love” (single) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005