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Tag: tori amos

Tori Amos – “Growin’ Up” (single) [download: mp3]

tori amos - growin up (single, 2025)

Com o anúncio do relançamento de uma versão expandida de Strange Little Girls, o disco de covers lançado em 2001, Tori Amos disponibilizou há poucas horas um pequeno aperitivo para os fãs: o single “Growin’ Up”, canção originalmente lançada por Bruce Springsteen em 1973, será uma das 4 faixas extras incluídas na nova versão do álbum – que também incluirá a faixa inédita “Hoover Factory”, de Elvis Costello. No cover de Amos, a bateria de Matt Chamberlain soa lépida e faceira, construindo volteios com uma destreza que claramente inspirou Tori a dedilhar o seu piano Bösendorfer com genuíno entusiasmo. O vocal da cantora também foi contagiado pelo ritmo lúdico da melodia, e surge tomado por um frescor e vitalidade que não se encontram presentes na maior parte das composições que a cantora vem lançando há mais de uma década – é uma demonstração indiscutível de toda a impetuosidade, energia e vigor que a pianista americana foi deixando pelo caminho ao longo dos anos, lamentavelmente.

Baixe: Tori Amos – “Growin’ Up” (single) [mp3]

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Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single) [download: mp3]

tori amos - spark [part 2] [uk] (single) 1998

Lançado em 1998 por Tori Amos, from the choirgirl hotel foi o primeiro disco onde foram observados sinais de mudança na música da cantora americana que hoje em dia, para fãs de décadas como eu, contrasta com a produção dos seus 3 primeiros discos a ponto de ser uma artista quase completamente diferente. Ao mesmo tempo, esse quarto disco ainda preservou hábitos que a artista sustentou desde o início da carreira, como o lançamento de vários singles contendo B-sides tão preciosos quanto as faixas selecionadas para integrar o disco. Um deles foi o da canção “Spark”, tendo uma versão exclusiva disponibilizada no Reino Unido contendo um cover e também um dos B-sides mais “míticos” da carreira de Tori. “Spark”, a faixa que também abre o disco do qual é derivada, inicia com acordes metálicos de uma guitarra dissonante e uma bateria de cadência espaçada, compondo a textura soturna e um tanto claustrofóbica que permeia o disco de origem, mas na chegada do refrão ambos são adocicados com o canto e o piano melancólicos que extravasam no “outro” melódico da canção em um frenesi sonoro que metaforicamente retratava o estado emocional da cantora no período que sofreu um aborto espontâneo. Na faixa seguinte, um cover demoníaco de “Do It Again”, de Steely Dan, onde a bateria em compasso marcado prepara o palco para que Tori Amos passeie com desenvoltura com seu vocal e seu piano, temos uma das últimas demonstrações genuínas da furiosa energia e capacidade de improvisação que eram sinônimos da cantora americana até então, mas que infelizmente Tori foi abandonando aos poucos com o passar do anos. O single se encerra com uma das baladas mais adoradas pelos fãs de Tori: em “Cooling”, com nada além de sua voz meiga e seu inseparável piano Bösendorfer, a cantora americana demonstrou a incrível habilidade de compor baladas doces onde sua emoção fluía sem qualquer tipo de contenção, como as correntes de um rio desaguando no oceano – um clássico inesquecível de seu catálogo.

Baixe: Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single) [mp3]

Ouça: Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single)

1. “Spark”

2. “Do It Again”

3. “Cooling”

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Tori Amos – Abnormally Attracted to Sin (+ 1 faixa bônus) [download: mp3]

tori amos - abnormally attracted to sin (2009)

Desde que abandonou a gravadora Atlantic, a cantora americana Tori Amos lança discos que pecam pelo exagero, em mais de um sentido. Primeiro, pela insistência em arquitetar um conceito ou temática que unifique ou englobe todas as canções. Segundo, pela criação de um personagem – ou bem mais de um – que “assume” a interpretação das canções ou que incorpore o conceito destas ou da narrativa composta no disco. Terceiro, pelo número excessivo de faixas, que dilui e tira a força das melhores canções. Quarto, por um excesso de ornamentos e backing vocals adocicados de alto teor lírico. O primeiro álbum que reuniu estes elementos, Scarlet’s Walk – já que Strange Little Girls, a priori, não é um trabalho de composição da cantora e contou com apenas doze faixas, a mesma média dos primeiros lançamentos da artista -, foi o que teve melhores resultados ao utilizar-se destes recursos. Desde então, a insistência neste modelo de criação tem trazido aos fãs da cantora discos que não conseguem sintetizar toda a beleza, força e capacidade de Tori Amos em compor canções ao mesmo tempo tocantes e eletrizantes. Infelizmente, Abnormally Attracted to Sin, seu novo disco lançado há pouco, também sofre um pouco deste mesmo mal, ainda que ele seja o menos rigoroso na temática e conceito desde Scarlet’s Walk e sua utilização de personagens não seja tão efetiva – mas no que tange à algumas melodias o problema foi reiterado. Faixas como o single “Welcome To England”, cujo refrão está cercado de alguns acordes graves e dramáticos de piano típicos do estilo da artista, “Fire To Your Plain”, que tem arranjo leve e harmonioso de bateria, guitarrra e teclado, e “500 Miles”, com seu refrão liricamente equilibrado e sua sequência final com bateria, guitarras, piano e vocal absolutamente empolgantes como há muito não se via em uma canção de Tori, poderiam ter outro resultado, muito mais elegante, emocionante e encantador, não fosse os excessos melódicos glicosados, cuja herança imediata é proveniente de The Beekeeper.
Porém, é preciso dizer que Abnormally Attracted to Sin é o disco que tem um punhado de canções que são as mais bem resolvidas em sua atmosfera melódica desde o álbum lançado em 2002. Algumas delas recuperam o viço e sonoridade de trabalhos de Tori anteriores ao início deste século, outras até mesmo captam vibrações de outros artistas ou bandas. Este é o caso específico da primeira faixa do disco, “Give”. A melodia da canção que claramente trata de prostituição tem algo da perversa morbidez do Portishead nos toques fortes mas exaustos da bateria e na presença distante de uma guitarra que vibra em acordes soturnos e arrepiantes – o piano e as sintetizações também contribuem para a construção desta atmosfera, mas o fazem ao modo da cantora. Já “Flavor” resgata toda a beleza de baladas compostas em discos como To Venus and Back: há reminescências de “Lust” na programação que é base da canção, bem como no vocal distante e difuso e nos toques suaves e esparsos no piano – há alguns discos que não se via uma balada tão perfeita da cantora, que extrai tanta força e emoção de uma melodia tão simples. A faixa-título do álbum também se apóia sem medo na programação eletrônica, e o faz muito bem: banhada por uma hemorragia ocasional de acordes de guitarra e vocais etéreos no refrão, o conjunto de sintetizações que preenche o fundo da canção com a bateria hipnótica cria uma música sensual e sedutora como um ritual ocultista. “Curtain Call” é outra que evoca o clima nebuloso do álbum duplo de Tori lançado em 1999: as notas suaves, curtas e contínuas no piano, a reverberação dos toques da bateria, a ambiência dos acordes da guitarra e o vocal algo arrastado concedem a melodia triste o mesmo sabor elétrico de “Bliss”.
Algumas faixas específicas deste novo disco trazem uma Tori Amos que se aventura a fugir de suas próprias convenções mergulhando em uma certa formalidade melódica, seja lidando tão somente com seu velho e admirável piano Bösendorfer ou colocando-o na penumbra para trabalhar com instrumentação mais farta. No primeiro caso, “Mary Jane”, revela-se absolutamente encantadora devido ao incomum rigor tradicional de seus acordes no piano, ainda que esta melodia seja pontuada por pausas e desvios tão emblemáticos no repertório da cantora americana. Os versos, porém, não enganariam seus fãs: a dramatização do diálogo entre uma mãe e seu filho adolescente sobre o efeito que Mary Jane tem na vida do garoto se mantém fiel ao estilo de composição da cantora até mesmo pelo simbolismo da personagem que nomeia a canção. Já “That Guy” responde ao segundo caso com sua melodia idílica congestionada de orquestrações, cuja teatralidade mostra imediato parentesco com trilhas de musicais. Nas letras, Tori dá voz ao inconformismo de uma mulher que confessa não compreender como um homem que lhe dá tanto amor e conforto na cama possa perder todo seu encanto quando está fora dela.
Mas ainda não foi desta vez – e sabe lá se isso voltará a acontecer – que Tori Amos conseguiu transgredir a condição da sua própria musicalidade e voltar a surpreender com um disco que não sofra engasgos nem contenha vácuos criativos, sendo apenas pontuado por momentos fascinantes. Alguns dizem que isso é culpa de sua rotina de mulher realizada e feliz, mas eu não afirmaria isso com tanta segurança. De qualquer modo, já que ela há algum tempo adora incorporar personagens e não parece que vá mudar de estratégia tão cedo, esse poderia ser um meio de encontrar novamente a química da sonoridade esquecida.

Baixe: Tori Amos – Abnormally Attracted to Sin [mp3]

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Tori Amos – Scarlet’s Hidden Treasures [download: mp3]

tori amos - scarlets hidden treasures ep (2004)

Com o lançamento de Welcome To Sunny Florida, o DVD ao vivo de Tori Amos que trouxe aos fãs o último show da turnê do disco Scarlet’s Walk, a cantora resolveu presentear os fãs com algo mais: acompanhando o DVD havia um EP bônus com 6 canções provenientes do projeto Scarlet’s Walk que acabaram não entrando no disco, algumas até então disponíveis apenas por streaming no colossal site especial do disco, o Scarlet’s Web. Estas canções foram cortadas da edição final do álbum por atrapalharem de alguma forma o conceito do disco por dissonância ou mesmo semelhança com outras faixas, por exemplo. A sonoridade e a temática são praticamente as mesmas do álbum original, trafegando entre a melancolia explícita e o rancor irônico. Nos domínios da primeira sonoridade estão “Ruby Through The Looking Glass”, a história de uma gestante que sofre abusos de seu marido, prometendo que jamais permitirá que sua filha testemunhe esse sofrimento, “Seaside”, sobre uma menina que conta como perdeu repentinamente uma amiga, uma das inúmeras vítimas de uma guerra, “Apollo’s Frock”, que tematiza sobre a eterna diferença entre masculino e feminino e “Indian Summer”, de poética extramente bem desenhada, recorrendo a sensação de algo que desperta tardiamente dentro de nós e o sentimento de plenitude e satisfação que vivenciamos neste momento, além de fazer, simultaneamente, referência à erradicação dos nativos americanos e ao mais recente estado contínuo de guerra – todas elas tem o piano e voz como principais agentes sonoros, ambos envoltos em complexa harmonia melódica, com introduções carregadas de emoção e tristeza palpável, contando apenas com eventual e tímida participação de alguns poucos acordes de violão. Dentro do esquema sonoro da segunda vertente, temos “Bug A Martini”, que brinca com o mundo da espionagem, e “Tombigbee”, que versa sobre como os americanos tomaram uma grande porção de terra indígena nos arredores do rio que dá nome a canção, ambas sem contar com a presença do piano – no seu lugar temos os teclados Wurlitzer e Rhodes em acordes repletos de devaneios semi-sensuais ou amargamente animados, acompanhados de bateria e baixo em igual proporção de volume e ritmo.
Curiosamente, algumas das canções mais sonoramente elaboradas e poeticamente marcantes da “era Scarlet” estão neste EP, fora do que foi posto como retrato oficial daquele momento musical de Tori Amos. O único senão deste lançamento foi a cantora não ter adicionado a faixa “Mountain” aos “tesouros escondidos” de Scarlet, a mais poderosa sonoramente entre as faixas que não entraram no disco – e mesmo entre as que entraram oficialmente em Scarlet’s Walk. “Mountain” é um delírio melódico e lírico comparável apenas com as improvisações que ela faz ao vivo, em suas apresentações. Mas não tema: segue, logo depois do link para download do arquivos com as 6 faixas de Scarlet’s Hidden Treasures o link para você baixar “Mountain” – e prepare-se: a faixa é gozo pleno.

ATUALIZAÇÃO, 29/11/2025: tocada pela graça divina, o grande equívoco deste EP foi corrigido por Tori Amos ao lançar a versão digital do EP alguns anos atrás: a fabulosa faixa “Mountain” finalmente pode ser apreciada na plenitude de sua épica beleza! Como bônus também entrou o gracioso B-Side “Operation Peter Pan” – ambas inclusas no arquivo para download abaixo. Aproveite!!!

Baixe: Tori Amos – Scarlet’s Hidden Treasures (EP) [mp3]

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Tori Amos – American Doll Posse (+ 3 faixas bônus). [download: mp3]

tori amos - american doll posse (2007)

Tori Amos nunca se deixou abater por qualquer tipo de crítica, seja por parte da imprensa ou de fãs. Com o lançamento do seu novo álbum, American Doll Posse, felizmente, podemos ver que isso não mudou: apesar de The Beekeeper ter decepcionado parte do fãs pela sonoridade macia e “frugal”, Tori Amos não abandonou a herança deixada por esse trabalho e manteve muito dos traços mais característicos em seu novo trabalho, apurando ainda mais a sonoridade que desenvolveu em 2005 ao adicionar uma maior pulsação pop/rock. A guitarra e vocal aveludados e o teclado, piano e vocais lúdicos da irresistível “Mr. Bad Man” (em que Tori/Isabel coloca a música como arma contra o belicismo contemporâneo), a delicadeza do piano e guitarra, além dos múltiplos e constantes vocais de fundo de “Almost Rosey” (em que a mesma Tori/Isabel fala sobre quando perdemos o nosso lado mais aguerrido), bem como a bateria e piano de cadência quase sincronizada da suave “Beauty of Speed” (que chama atenção para a beleza dentro do processo de mudança que todos acabamos vivendo algum dia) tem esse caráter muito visível, mesmo na primeira audição. Só que as referências mais visíveis aos trabalhos anteriores de Tori não ficam apenas no que ela fez mais recentemente: o hino anti-guerra “Dark Side of The Sun”, com uma melodia impecável, que ganha guitarras mais intensas a medida que avança para sua conclusão, tem o mesmo charme de “Spring Haze”. Os sabores de To Venus And Back podem também ser degustados na bateria e guitarra de riffs tristes, e nos acordes lentos e lamuriantes do piano da fabulosa balada “Digital Ghost”, que fala sobre o temor da perda – até a temática dos versos relembra a clássica “1,000 Oceans”.
Contudo, na maior parte do álbum, tanto as melodias quanto as letras não refletem exatamente os traços de algum disco específico de Tori Amos: boa parte das canções mescla, a um só tempo, características de vários dos seus trabalhos anteriores. Nisso se assemelham a balada “Girl Disappearing” (de versos extremamente confusos e abstratos), com o elaborado destaque que a orquestração de cordas tem na melodia, guiada pelo piano e vocal melancólicos, a densa “Smokey Joe” (sobre o medo de enfrentarmos algo que, sabemos, não está nos fazendo bem), com sua percussão e guitarra algo nebulosas, além dos vocais de Tori/Pip e do piano cheio de sofrimento, e a ardilosa “Code Red” (sobre alguém que se prepara para uma nova vida, mas ainda sente atração pelo que pretende deixar para trás), com seus riffs certeiros da guitarra, a bateria cadenciada e o piano de acordes cíclicos, e cuja única fraqueza é a maneira equivocada com que Tori entoa o refrão, que pedia algo bem mais estridente.
Porém, em um álbum com 23 faixas (25 se contarmos as faixas bônus) há espaço não apenas para recorrer ao passado, mas também para avançar um pouco para o futuro: e o futuro, para Tori, são as guitarras – uma overdose delas. “Teenage Hustling”, em que Tori/Pip dá um chega pra lá em uma desavisada que se engraçava com o que não lhe pertencia, é a mais simbólica canção desta nova fase da música de Tori Amos: acompanhado por uma bateria espancada e um vocal portentoso e altivo, no melhor estilo glam-rock, o piano, que se ouve claramente apenas na introdução, cede lugar à uma verdadeira profusão de guitarras carnais e furiosas. No entanto, nas outras faixas em que Tori põe o misterioso Mac Aladdin para trabalhar, o instrumentos dividem o espaço de maneira mais igualitária. A melhor entre estas é mesmo aquela em que Tori/Santa-Pìp prega a comunhão de corpo e alma pela luxúria, “Body and Soul”, onde a guitarra encontra seu lugar certeiro, misturando-se de forma homogênea a presença do piano grave e minimalista e ao ritmo rock explosivo no refrão da faixa, imposto pela bateria e baixo delirantemente enérgicos.
Tori só preferiu arriscar com instrumentos um tanto mais incomuns na sua musicografia nos pequenos interlúdios que compôs para pontuar diversos momentos do disco. Afora o interlúdio que critica abertamente o presidente Bush “Yo George”, todos os outros caracterizam-se por sua melodia diferenciada: “Fat Slut”, em que Tori/Pip brada contra a falsa moralidade, compõe-se apenas do vocal endiabrado, furioso e sarcástico da cantora sobre um fundo de guitarras distorcidas e contínuas, “Devils and Gods”, de tonalidades políticas, ganha aroma folk pelo uso de Ukelele e bandolim; “Programmable Soda”, na qual Tori/Santa compara sua flexibilidade à de um refrigerante, obtém um irresistível caráter lúdico com sua orquestração de metais e cordas e o piano solto; “Velvet Revolution”, em que Tori/Pip não deixa de lado sua elegância nem para ser profética, tem sangue verdadeiramente cossaco devido as tonalidades do piano e do bandolim.
E quando todo mundo pensa que já acabou, depois de atravessar um mar de guitarras e interlúdios, surge “My Posse Can Do” (faixa extra no DVD bônus da edição limitada), em que Tori/Santa fala do poderio das personagens de American Doll Posse. A música é de chorar alegremente de tão boa: com uma melodia ao piano, guitarra, bateria e baixo que tem um pé na agitação efusiva dos musicais e cabarés, não há como segurar a vontade de cantar e dançar entusiasmadamente ao seu ritmo.
De uma artista inquieta, arredia e politizada como Tori Amos não poderíamos esperar outra coisa se não este disco que temos agora, saindo do forno: ao mesmo tempo que é um compêndio de todas experiências da artista até hoje, também é o pontapé inicial para novas experiências na carreira da artista – pontapé este dado através das confissões e receios da paixão e da fúria de Santa, Clyde, Isabel, Tori e Pip, as “dolls” do projeto, diferentes personagens que representam facetas da personalidade de Tori Amos e das mulheres. Se as guitarras, a grande novidade do disco, parecem um tanto egocêntricas para alguns fãs em certos pontos do disco, para outros a sonoridade do disco anterior, que não tinha os agradado, foi melhor lapidada, até formar melodias mais coesas e equilibradas. Isso pode servir de consolo para os que cansaram da preponderância glamour rock – entre os quais não me incluo – de American Doll Posse: no seu próximo lançamento, essa estupenda e inigualável artista americana deve encontrar o equilíbrio e, mais uma vez, agradar os eternamente insatisfeitos – como ocorreu agora com as influências de The Beekeeper neste novo disco.

Baixe:
Tori Amos – American Doll Posse [mp3]

Ouça:

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Tori Amos – American Doll Posse (Limited & Digital Edition Tracks) [mp3]

Ouça: Tori Amos – American Doll Posse (Limited & Digital Edition Tracks)

24. “My Posse Can Do”

25. “Miracle”

26. “Drive All Night”

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Tori Amos – Scarlet’s Walk (+ 2 versões alternativas). [download: mp3]

tori amos - scarlet's walk (2002)

Há tanto a falar sobre o conceito deste CD em si quanto de cada música que o integra. O primeiro projeto de Tori Amos na Sony/Epic é um disco ambiciosíssimo, onde ela – mais uma vez – encarna um personagem que guia toda a produção e idéia do álbum. O personagem é Scarlet, e cada uma das canções do disco trata de um trecho da jornada dela por grande parte dos Estados Unidos, retratando tudo que ela enfrentou pelo caminho e seu ponto de vista sobre os eventos que vivenciou e as pessoas que conheceu em sua viagem. Adicionalmente, toda uma experiência foi criada – como é de praxe com Tori nos últimos anos – para dar suporte ao conceito elaborado em Scarlet’s Walk, incluindo um website que trazia fotos e anotações de Scarlet, além de um diário da turnê de Tori Amos para divulgação do álbum e streaming de alguns B-sides – canções que foram feitas nas mesmas sessões mas não entraram na edição final do álbum.
Apesar de formarem, em conjunto, todo o painel da viagem da personagem Scarlet, as dezoito músicas também funcionam perfeitamente por si só, excluídas de uma inter-relação. E, ainda que exista uma variação melódica em alguns momentos do disco, pode-se dizer que todas as canções compartilham de uma incomensurável suavidade e complacência harmônica. É por conta disso que não há risco algum em dizer que “Strange” e “Crazy” são a cara do disco. O modo delicado como o Wurlitzer é utilizado na primeira, junto com a bateria lenta e triste, assim como a presença do piano e de uma orquestração de cordas no refrão, constroem com perfeição a melancolia necessária, presente nas letras de “Strange” – quando Scarlet reflete sobre o modo como camufla a sua personalidade para tentar manter mais uma relação amorosa, decide abandonar mais esse amor. Já nos versos de “Crazy” vemos que Scarlet é quem foi abandonada por um homem que, apesar de não ser o ideal era quem lhe dava alguma segurança e apoio no momento. A canção tem a mesma delicadeza que sente-se em “Strange”, notadamente pelo uso do teclado Rhodes e pela guitarra e bateria lentas e reflexivas, mas não conta com a presença do piano e de orquestração. Contudo, entre as baladas presentes no disco, há algumas que ainda carregam algo da Tori pré-Sony/Epic, como vemos em “Your Cloud”, onde o piano volta a ter maior presença na construção da harmonia da canção, acompanhado apenas pelo baixo quase imperceptível e a bateria de cadência suave – uma constante no disco. “Another Girl’s Paradise” é uma das canções em cuja melodia a bateria é manuseada com um pouco mais de intensidade e com uma rítmica mais elaborada, o mesmo acontecendo com os acordes do piano, mais vistosos na melodia. A sensualidade exposta nos vocais de Tori Amos, intensificados pela guitarra, faz a beleza dessa canção esplêndida, cujos versos falam sobre um mundo tomado pela cobiça e desejo – particularmente o femino. O tom de “Don’t Make Me Come To Vegas” também é o da sensualidade, bem como os acordes do piano continuam mantendo preponderância, mas sua bateria segue uma harmonia sutilmente mais latina, e o baixo surge mais evidente na canção. Na letra, Scarlet tem que ajudar sua sobrinha em Las Vegas, mas teme voltar à cidade devido a um poderoso homem com quem se envolveu, e que a maltratou. “Virginia”, que relembra a forma como a América foi colonizada e tomada pelos europeus, destruindo a identidade e cultura dos nativos americanos, também possui cadenciamento mais complexo da bateria e dos acordes do piano, mas a atmosfera e vocais sensuais de “Another Girl’s Paradise” e “Don’t Make Me Come To Vegas” são substituídos por uma melodia de espetacular tristeza e revolta.
Contudo, não é surpresa que uma das canções mais deliciosas e viciantes do disco seja a curtinha “Wednesday” – qualquer fã de Tori Amos já está acostumado com o habilidade dela neste tipo de composição -, em que a personagem Scarlet encontra-se em uma relação amorosa com um homem cheio de segredos e vive assombrada por amores antigos – não se engane, analogamente esta canção é sobre a América e os americanos. A melodia alterna a sutil agitação das guitarras e da bateria ritmada com a melancolia contemplativa do piano e do vocal no refrão desta faixa.
Scarlet’s Walk, que floresceu do estilo de concepção artística que surgiu em Strange Little Girls é, até o momento, o álbum mais cuidadosamente planejado de Tori Amos, além da obra que influenciou de maneira definitiva, tanto melódica quanto liricamente, os rumos atuais de sua carreira. A sonoridade plácida, contemplativa e suave das canções, assim como as letras mais brandas, menos irascíveis e com maiores colorações sociais e políticas surpreendeu os fãs, acostumados com uma Tori mais pessoal, combativa e furiosa. Apesar de ser considerado o início da perda de parte da vitalidade artística da cantora e compositora, o álbum conseguiu conquistar os fãs – para muitos um dos discos preferidos – e é sempre tomado por eles como referência e prova cabal da superioridade, qualidade, criatividade e profundidade de Tori Amos como artista. Mesmo que alguns tomem este disco como responsável pelos equívocos e falhas recentes de Tori, não há como negar que ele também conseguiu sacramentar e propagar ainda mais uma verdade que todos já conhecem – que Tori Amos é uma das artistas mais importantes do cenário musical dos últimos vinte anos.

Baixe: Tori Amos – Scarlet’s Walk [mp3]

Ouça:

Baixe: Tori Amos – “Strange (Radio Edit)” e “Pancake (Extra Verses”) [mp3]

Ouça:

Tori Amos – “Strange (Radio Edit)”

Tori Amos – “Pancake (Extra Verses)”

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005