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Categoria: cinema & TV

comentários e críticas de filmes e seriados com download disponível

“Fim dos Tempos”, de M. Night Shyamalan. [download: filme]

the happening (2008)

Em New York, um professor, sua esposa, seu melhor amigo e a filha deste são surpreendidos por uma série de mortes repentinas que assusta a população da cidade. Pelo temor do evento ter sido originado por uma arma biológica, eles decidem fugir da cidade. Logo, os quatro percebem que o acontecimento começa a espalhar-se por outros locais, atingindo cidades e comunidades cada vez menores.
O argumento de “Fim dos Tempos” é sem dúvidas promissor: uma onda epidêmica de mortes por conta de um distúrbio psicólogico que afeta o mecanismo de preservação da vida de cada indivíduo, evento este causado por um agente até então aparentemente indefeso e inofensivo – e este último elemento é, na verdade, a grande idéia do argumento, que subverte a própria identidade de “Fim dos Tempos” como thriller apocalíptico: ao invés do horror e estupefação ser causado por sequências de destruição faraônicas, o terror tem como origem o símbolo do silêncio, da placidez e do pacifismo. Partindo-se desta idéia genial, era só uma questão de compor um roteiro sóbrio, que ao menos lidasse de forma adequada com os artifícios típicos do gênero e contratar um elenco que impusesse peso à história. Infezlimente, não foi isto o que aconteceu.
O roteiro, apresenta dois problemas que saltam aos olhos já em coisa de 20 minutos de filme. O primeiro podemos encontrar em filmes de qualquer gênero: trata-se da qualidade dos diálogos dos personagens. No texto, que pra variar foi escrito pelo diretor/produtor, os diálogos dos personagens tem um sabor tão natural quanto um combo de Big Mac com Ki-Suco, tão rasteiros, simplistas e infantis que soam saindo da boca de personagens adultos – possivelmente nem na boca de uma criança eles soariam adequados. O outro problema é mais comun ao gênero: o eterno recurso de temperar a trama apocalíptica com atribulações pessoais. Isso é algo intrínseco à esse tipo de história, e embora possa funcionar em alguns longa-metragens, aqui soa extremamente aborrecedor e inócuo, ainda mais por ganhar o “auxílio” nada bem-vindo do elenco equivocado – que já tinha sido de “boa ajuda” nos diálogos. O que nos leva ao segundo elemento problemático do filme: os atores escalados para desempenhar os poucos papéis que encabeçam a trama mostram um desempenho fraquíssimo, próximo do constrangedor – em especial Mark Wahlberg, que se tinha como objetivo soar um completo idiota robotizado sofrendo de uma grave crise de insolação ao, por exemplo, falar com uma planta de plástico e tentar negociar com uma velhinha esquizofrênica, devo confessar que teve enorme êxito na empreitada.
“Fim dos Tempos” só não é um fiasco tão retumbante quanto foi “A Dama na Água” porque o argumento base da história é uma grande idéia – embora ela seja destruída pelo trabalho conjunto de roteiro e elenco – e porque o filme apresenta sequências que unem de modo eficiente beleza e terror. Mas estes dois elementos não representam garantia de qualidade suficiente para o longa-metragem e, assim sendo, ele acaba se somando à crescente galeria de equívocos de M. Night Shyamalan. Ao menos, porém, não tivemos que aturar mais uma vez o diretor inserindo-se como personagem dentro da história, nem mesmo em uma ponta sequer – só mesmo pra evitar que “Fim dos Tempos” se transformasse realmente no retrato do apocalipse.

Baixe: “Fim dos Tempos”, de M. Night Shyamalan (The Happening, 2008)
[áudio original, 1080p, mp4]

Baixe: legendas (português)

Download: subtitles (english)

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“Arquivo X – Eu Quero Acreditar”, de Chris Carter.

The X-Files - I Want To BelieveAtravés de Scully, Mulder é contactado pelo FBI para que ajude no caso do desaparecimento de uma agente do bureau, com a promessa de que todas as acusações contra ele sejam retiradas. O ex-agente aceita e logo começa a acreditar na única fonte de informações disponível, nada ortodoxa, enquanto Scully reluta em conceder qualquer credibilidade à ela.
É sempre um prazer voltar a ter contato com personagens tão brilhantes quanto os da série Arquivo X. Porém, isso só não se constitui em motivo para um revival do seriado na materialidade do cinema: precisa-se de argumento sólido e digno de ter à frente Fox Mulder e Dana Scully. Infelizmente, não é o caso do tão aguardo segundo filme baseado nos personagens da série, o longa-metragem “Arquivo X – Eu Quero Acreditar”.
O grande problema desta nova incursão dos agora ex-agentes do FBI Mulder e Scully no cinema é a falta de impacto. E isto já começou a tomar corpo na própria concepção do filme: apesar de que me pareceu, inicialmente, uma boa idéia retomar a série sob a égide dos chamados “monstros da semana”, agora já me parece tanto. Depois de conferir o longa, constatei que este tipo de história dificilmente consegue obter a relevância e a urgência que a mitologia da série tem ao ser desenvolvida em um longa-metragem para o cinema – as aberrações extraordinárias tão bem abordadas tem seu lugar e sua relevância na materialidade da TV, mas no cinema, com certeza, carecem de impacto.
Se a criatura apresentada fosse algo de proporções realmente catastróficas, apresentando perigo em alta escala, o resultado teria sido menos insípido, mas a que foi escolhida não apresenta perigo e terror em uma escala considerável para que o filme ganhasse a dinâmica e a energia necessárias para o cinema – além de ser uma aberração que está longe de ser original, tantas vezes já abordada no cinema.
Mas há ainda um outro elemento que atrapalha a desenvolvimento dos personagens na trama: o seu envolvimento. A beleza do relação de Mulder e Scully sempre foi a sua impossibilidade. A partir do momento que se resolve concretizar aquilo que causava uma tensão interessante e necessária, não há mais muito o que fazer, a não ser inserir a dinâmica e os dramas do romance dentro de um universo onde, lamento informar ao shippers deliciados com o que viram neste filme, ele nunca fez falta – há até um certo emprobrecimento da complexidade dos personagens, nivelando-os à de tantos outros que povoam seriados cujo viés temático é apenas este.
Mas para que tudo não pareça um desastre, há pelo menos um grande acerto. O personagem de Billy Connolly é, provavelmente, a melhor coisa do que foi criado no argumento deste filme: seus atos no passado e sua situação no presente levantam questões morais interessantes que, por sorte, nunca são tratadas de forma barata e, além disso, acabam funcionando como um amálgama brilhante da essência de Scully e Mulder.
Tirando o fato de termos Mulder e Scully novamente em ação, não há mais muito o que realmente faça “Arquivo X – Eu Quero Acreditar” realmente valer a pena – é triste, mas é verdade. Chris Carter chegou a comentar que, dependendo do sucesso do filme, iria propor uma terceira aventura retomando a mitologia da série. É lamentavél, mas meu maior medo não é o fato de que um terceiro filme não venha a ser feito dado o provável fracasso deste aqui, mas em obtendo ele sucesso, o que Carter e o roteirista Frank Spotnitz fariam com a mitologia da série no terceiro. Tendo em vista a perda de rumo do seriado nas última três temporadas, além dos equívocos deste filme, seria melhor deixar a responsabilidade de uma nova aventura de Mulder e Scully nas mãos de alguém mais íntimo do universo do cinema. Ou, na pior da hipóteses, deixá-los em paz de uma vez por todas – porque é bem melhor termos Fox e Dana como os personagens incríveis que sempre foram no seriado do que banalizá-los ainda mais, reduzidos que foram aqui à uma espécie de “Casal 20” subversivo.

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“Batman – O Cavaleiro das Trevas”, de Christopher Nolan.

batman - the dark knight (2008)

Batman, comissário Gordon e o promotor Harvey Dent encurralam a máfia de Gotham City que, sem alternativa, resolve aceitar a proposta de ajuda de um criminoso excêntrico, conhecido como Coringa. Sua promessa é espalhar o caos e o terror pela cidade até que o herói revele sua verdadeira identidade.
A sequência de “Batman Begins” dá continuidade à abordagem mais realista do famoso herói da DC Comics, tanto no que diz respeito aos personagens e suas personalidades quanto no desenvolvimento da trama em si: o roteiro, rebuscado, é feito de uma trama cheia de curvas e reviravoltas bem compostas e com o pé no chão; os atores, em seus respectivos papéis, oferecem interpretações consistentes com a abordagem do argumento, incluindo aí Heath Ledger, que compôs um Coringa menos histriônico, menos folclórico e mais contido, físico e maquiavélico; e o trabalho de Christopher Nolan na direção continua bastante preciso e requintado, além de manter constante a atmosfera sombria dos quadrinhos que inspiraram esta nova abordagem do herói.
Porém, o ego do diretor que foi eleito o queridinho da crítica americana e do público jovem, principalmente dos aficcionados em quadrinhos, falou bem mais alto desta vez. Crendo piamente que tudo aquilo que sai de sua cabeça é algo genial, Nolan extende o filme de modo desnecessário, produzindo por mais uma hora, além da uma hora e meia em que tudo corria bem, uma reviravolta que só faz colocar tudo no chão. O roteiro, composto pelo próprio diretor em parceira com seu irmão e com David Goyer, a partir do momento que desenha o nascimento do segundo vilão apresentado no longa, põe abaixo a sensatez desenvolvida até então e rende-se a uma série de concessões e soluções fáceis para sustentar cenas de batalha mirabolantes, coroadas por um festejo à integridade humana – incluindo aí a de milhares de criminosos – e por um desfecho rídiculo, para dizer o mínimo, com direito à um discurso final constrangedor do personagem de Gary Oldman para sustentar a pecha de “Cavaleiro das Trevas” para o herói. Em consequência do roteiro que pôs a perder, o diretor acaba fazendo o mesmo no seu trabalho por trás das câmeras: a medida que a última hora do filme avança, Christopher Nolan rende-se à encenação apoteótica mais barata, devidamente temperada com uma pieguice inevitável para encenar o epílogo pelo qual ele acabou sendo co-responsável. E, não exatamente por consequência destes problemas mas como algo que anuncia que a coisa não vai terminar bem, inicia-se o filme já com a constatação patente de que a celeuma em cima da Heath Ledger e seu personagem foram puramente consequência da exploração do epísodio de sua morte: não apenas seu trabalho, mesmo competente, não justifica o estardalhaço feito mas também descobre-se que a participação de seu personagem na trama, ao contrário do que se poderia imaginar, acaba sendo modesta e tímida – cerca de um terço do longa-metragem.
No fim, “Batman – O Cavaleiro das Trevas” serve como veículo para dar vazão à megalomania de Nolan que, na última parte do longa-metragem, parece ter esquecido tudo o que tinha feito até ali. Com poucas exceções, é exatamente isso o que acontece quando todo mundo resolve apressadamente eleger alguém como o melhor em algo, seja no que for – ele acaba acreditando, e não raro perde a noção de limites e do bom-senso. Não seria má idéia dar, no inevitável terceiro filme, o direito à mais alguém de mostrar a sua visão deste Batman sombrio e amargurado – no pior dos casos vamos ter um outro diretor cometendo os mesmos erros. Mas isso ainda me parece melhor do que deixar Christopher Nolan à cargo do terceiro – porque, pelo que eu vi neste filme, a tendência é a coisa ficar bem pior.

Assista “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008, dublado): [streaming: 1080p / download: mp4]

Assista “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008, áudio original): [streaming: 1080p / download: mp4]
Baixe: legenda (português)

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“Cloverfield”, de Matt Reeves. [download: filme]

CloverfieldNova-iorquinos que participam de uma festa de despedida são repentinamente surpreendidos por um estrondo gigantesco. O que inicialmente é cogitado como um acidente ou atentado terrorista na cidade, logo mostra-se como algo muito mais estranho e aterrador através da lente da câmera digital amadora que registrava a festa de despedida.
“Cloverfield” é mais um fruto da atual seara de produções de ficção que exploram o pressuposto documental, cujo representante mais popular é o longa “A Bruxa de Blair”. Considerando-se este aspecto, o filme acaba tendo sucesso na empreitada ao expôr um evento catastrófico, bem como o pânico e caos por ele desencado, sob a abordagem de um registro amador, incluindo aí a exploração dos reveses do material utilizado para a gravação assim como da falta de habilidade ao manipulá-lo – como se pode conferir nas cenas que simulam o vídeo que havia sido gravado anteriormente na fita e que “vaza” em alguns momentos em que ele estava sendo sobreescrito pela gravação mais recente, interrompendo a trama do filme -, e fundindo-o com a inserção de efeitos especiais em uma materialidade que está ainda sendo descoberta no cinema – a do filme digital. Mas os méritos de “Cloverfield” ficam mesmo por aí, resumidos aos aspectos técnicos. Naqueles responsáveis pela verdadeira qualidade de um longa-metragem, “Cloverfield” capenga na referência algo assumida e naquela que inivetavelmente, a meu ver, soa mais como apropriação do que referência. Aquilo que se assume como tal pode ser visto poucos minutos logo que se inicia o evento catastrófico que é a razão de ser da película: a cabeça da estátua da liberdade, arrancada e arremessada contra um edifício e que acaba aterrissando em uma rua da cidade é uma referência à cena que estampa o cartaz do filme “Fuga de Nova York”, do diretor John Carpenter. Ate aí, tudo bem. O problema é que praticamente o filme todo acaba sendo uma cópia dissimulada, um remake um tanto cara-de-pau de “Godzilla”, de Roland Emmerich, com uma pitada do clássico absoluto “Alien”, quando em uma sequência do filme vislumbra-se uma idéia que se aproxima muito de um dos elementos mais simbólicos do universo da franquia iniciada pelo filme de Ridley Scott. Para entornar ainda mais o caldo, os personagens do longa-metragem, um bando de homens e mulheres beirando os 20 ou 30 anos, tem personalidades e comportamentos consideravelmente irritantes e infantis, em particular aquele responsável pelo registro em vídeo – é certo que este personagem, ao assumir o trabalho que seria equivalente ao de um narrador, deve ser inevitavelmente inoportuno, mas ao somar-se à isto uma boa dose de imbecilidade do câmera-personagem-narrador, que muitas vezes não entende algo que já está patente para a platéia, o filme beira, em alguns momentos, as raias da irritação.
É por conta disto que “Cloverfield” é apenas mais um filme que privilegia a forma sobre o conteúdo, organizado sobre uma pirotecnia efusiva que tem como objetivo encher os olhos suficientemente para desviar atenção de um conteúdo raso, um pastiche barato do filão americano do monstro na metrópole – seja ele, de fato, uma criatura colossal e sanguinária ou uma constelação de naves espaciais sedentas por destruição. A única coisa que fez valer a pena essa sessão diante de meu televisor foi a curtíssima cena, logo no início do filme, em que o ator Michael Stahl-David é flagrado sentado em uma cama, vestindo apenas uma cueca samba-canção: nem uma horda de bestas genocidas gigantescas é páreo para toda a formosura deliciosamente perfeitinha do garoto loiro – ele chega a fazer você até esboçar um sorriso ao fim dos 85 minutos desta pura perda de tempo.
Baixe o filme utilizando uma das fontes de links a seguir.

legenda (português):
http://legendas.tv/info.php?d=16e4615ac70f12eb5058f271badc980d&c=1

Fonte 1 [AVI]:
OBS: junte os arquivos rodando o programa HJSplit.
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Fonte 2 [AVI]:
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Fonte 3 – RMVB [297 MB]:
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“Começar de Novo” (“Reprise”), de Joachim Trier. [download: filme]

RepriseDois jovens de 20 e tantos anos, amigos de infância, amantes de literatura e música punk, tentam ambos lançar seu primeiro livro, enviando juntos os seus escritos para uma editora. Enquanto Philip consegue obter o feito, e ganhar fama da noite para o dia, Erik tem seu escrito recusado. Philip, porém, acaba tendo problemas, já que não consegue lidar com o seu sucesso, e Erik segue em frente na tentativa de obter uma nova chance.
O longa-metragem de estréia de Joachim Trier, primo distante de um dos mais famosos cineastas dinamarqueses, Lars Von Trier, tem uma dualidade qualitativa na concepção de seus elementos: sempre que algo parece uma idéia interessante, também o é ao mesmo tempo irritante.
A estilística narrativa é o ponto onde isso é percebido com mais facilidade: ao ser por vezes bifurcada na tentativa de expôr outras possibilidades para o comportamento e o caminho tomado pelos personagens, e inundada por um maneirismo técnico no qual o diretor adota coisas como o congelamento das cenas e a exposição de legendas, ambos com o claro intuito de imprimir dinamismo, a narrativa soa, em alguns momentos, apenas como instrumento para construir no longa-metragem uma identidade cult – e é bom lembrar que o cult genuíno não é o com intencionalidade, mas torna-se um no advento do contato com o público -, enquanto em outros sua técnica ganha sentido, por apresentar elementos importantes para a trama ou por expôr o verdadeiro conflito de um personagem, bem como por apresentar sua solução – é o que acontece na sequência final do longa-metragem, por exemplo. O narrador onisciente é outro elemento de qualidade ambígua no filme: se por um lado ele serve como muleta para a já citada tipificação do longa como obra de status cult, por outro ele ganha o papel de aumentar no espectador o conhecimento mais aprofundado sobre a personalidade dos personagens e a motivação primeira de seu comportamento. Contudo, o mais interessante é observar que este caráter de dualidade se repete até mesmo no par de protagonistas do filme: se Philip, o escritor de inspiração repentina e escrita ágil, irrita pela sua personalidade conturbada e confusa, pela sua instabilidade psíquica e emocional e pelo seu caráter sensivelmente egoísta, Erik, o autor cujas obras só nascem com muito esforço, cativa tanto por suas qualidades – seu companheirismo, que lhe faz estar disposto a sempre apoiar e ouvir aqueles que ama – quanto pelos defeitos – a sua ingenuidade, que lhe permite ser influenciado e moldado pela opinião e comportamento alheios, assim como a inconsequência, que lhe faz agir de modo impulsivo e leviano, sem pensar que pode estar desprezando e magoando alguém que só lhe quer bem. Como se pode prever, é justamente o personagem de Erik que garante ao filme grande parte de seu interesse – muito graças ao carisma de seu intérprete, Espen Klouman-Høiner, e em outra parte pela configuração humanamente verossímel de seu caráter.
Mas os méritos não são sempre inconstantes quando são obra unicamente do diretor: a idéia de abolir sincronia entre fala e imagem, bem como o desvio do foco de suas lentes para outros elementos, capazes de transmitir tanta emoção quando a expressão dos atores, intensifica a potencial emoção das cenas e seu caráter poético – isso pode ser conferido especialmente na sequência que retrata o reencontro entre Philip e Kari.
Uma estréia promissora, como diria um dos personagens-chave da trama. Se em suas produções posteriores o diretor dinamarquês amadurecer sua técnica, polindo-a ao limar o maneirismo excessivamente desnecessário, teremos mais um representante a ser constantemente observado no cinema nórdico, berço de uma tradição de cinema tão ousada na sua poética quanto no seu experimentalismo.
Baixe o filme utlizando os links a seguir.

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“Lost”: 4ª temporada (ciclo final) [sem spoilers].

Lost - Quarta Temporada: Ciclo FinalMais uma temporada de Lost chega à sua conclusão, com a exibição de um eletrizante episódio final duplo. Desde que a série foi retomada, com a exibição do nono episódio, Lost entrou em uma espécie de conclusão de um ciclo, eliminando personagens secundários e mesmo alguns do primeiro escalão do elenco, talvez em caráter temporário, para, de modo muito astucioso, criar novas tramas para os personagens com eles diretamente ligados, dar mais espaço ao aprofundamento da mitologia cada vez mais extensa da ilha e possibilitar, a partir da próxima temporada, o desenvolvimento de uma mudança do espaço físico explorado na série. Parte disso já era do conhecimento do público através do uso dos flashforwards, o que fez desta a conclusão de temporada menos surpreendente da série até hoje. No entanto, a metade do impacto perdido no quesito surpresa foi devidamente compensado pela fabulosa composição da narrativa deste episódio final da temporada, que envolveu passado, presente e futuro da ilha e do mundo exterior à ela – só para citar como registro de exemplo, logo no início do episódio, foi engendrada uma fusão brilhante do fim da “recapitulação” dos acontecimentos anteriores com o início do episódio que, diga-se, remonta ao igualmente fenomenal fim da terceira temporada. Além disso, flashforwards de cada um dos personagens que tiveram especial destaque este ano – quem a assistiu, sabe bem de quem estou falando – pontuaram toda a duração do episódio, respondendo dúvidas que foram lançadas pela exposição de outros flashforwards durante toda a temporada, bem como lançando ainda outras sobre ocorrências na passado/presente/futuro da ilha e daqueles que a habitam – sem falar na aparição mais uma vez meteórica de dois velhos conhecidos do fim da segunda ano que ninguém imaginava que fossem novamente apresentados no seriado.
Mas o que pode nos aguardar para o quinto e penúltimo ano da série? Acho que o mais provável é que, como aposto desde a consequente implementação dos flashforwards, no fim do terceiro ano, há uma tendência em concentrar o foco da Lost no desenvolvimento de uma narrativa fora da ilha – o que, há poucos dias, foi citado pelos produtores como uma possibilidade para a quinto ano do programa. A meu ver, o melhor efeito ao adotar esta idéia seria obtido com a exploração de tramas no mundo exterior durante uma temporada – a penúltima seria ideal – para retornar à ilha como cenário para fechar a trama da série no seu último ano. Claro, isso é só uma aposta ingênua, pois certamente que os produtores devem ter tudo planejado desde já, e há chances de nada ter a ver com apostas e previsões que possamos elaborar. Confundir o espectador sobre a teoria que fundamentaria toda a explicação do que é testemunhado em Lost é uma diversão que os produtores cultivam há muito tempo e ela não foi abandonada nesta temporada – há pelos menos três sequências que retomam a idéia de tudo não passa de uma espécie de jogo, enquanto pelo menos uma lembra o espectador sobre a possibilidade de que os personagens enfrentam algum tipo de purgação espiritual. Contudo, ao menos um dado de certeza foi lançado nos momentos finais do episódio: a idéia de que a presença dos sobreviventes do vôo 815 na ilha não é mero acaso e acidente. Essa suposição, há muito mencionada nos episódios e perscrutada pelos fãs, foi agora abertamente reforçada como um dos fios condutores de todo o sentido da trama da série. Mas e o por quê dessa relação necessária da ilha com o seus ocupantes, capaz de desencadear eventos catastróficos quando da possibilidade que estes ocupantes abandonem a ilha? Bem, a resposta para tanto só deve vir depois de uns bons meses sofridos sem Lost – se é que teremos mesmo a resposta para isso na próxima temporada.

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005