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Categoria: musica

críticas e comentários sobre álbuns musicais, singles e similares com download disponível

Dead Poet Society – “Sinner Systems/Roach” (single) [download: mp3]

dead poet society - sinner systems/rouch (single, 2026)

A sonoridade que os americanos do Dead Poet Society vem construindo desde seu surgimento tem vários traços relevantes que não me agradariam pelo parentesco direto com gêneros que não aprecio, como o chamado Nu Metal e Emo/Post Hardcore. Porém, há algo indefinível no som do grupo que evita que minha rejeição se manifeste, talvez porque eles conseguem depurar as melodias a ponto de filtrar boa parte daquela atmosfera excessivamente juvenil que marcou estes gêneros como um estigma. Seja qual for o motivo, a banda consegue entrar com certa tranquilidade no meu ouvido, mesmo que nos singles mais recentes ela esteja sondando um pouco mais os gêneros citados.
Primeiro single neste ano, “Sinner Systems” já mostra os rapazes adentrando uma sonoridade mais brusca e estruturada: aqui guitarras e baixo não se ocupam da progressão melódica, e sim de criar uma textura sonora mais suja que é eventualmente interrompida pelo semi-silêncio da bateria eletrônica e simultaneamente encorpada pelo impacto da forte bateria acústica de Will Goodroad. Em meio a toda essa densidade sonora, Jack Underkofler sobrepõe seu vocal que alterna registros claustrofóbicos com outros bem mais pronunciados. Essa sonoridade prosseguiu no mais recente single, “Roach”, que traz baixo, guitarra e bateria eletrônica em um pulso sincronizado com o qual Jack harmoniza com competência seus vocais sobrepostos e monotônicos, em um fluxo sonoro pontuado apenas pelo riff melódico em sequência rápida nas cordas da guitarra.

dead poet society - sinner systems/rouch (single, 2026) post 01
Os dois singles recentes dos americanos do Dead Poet Society mostram uma sonoridade mais urbana e ruidosa

Depois de ouvir os dois lançamentos, não é difícil suspeitar que o grupo americano busca uma sonoridade mais urbana e ruidosa para o próximo disco. A escalação de Paul Meany (colaborador frequente do Twenty One Pilots e creditado como co-compositor de “Roach”) como produtor das duas faixas é uma indicação desta intenção. Há sempre o risco de que o produtor esterilize a sonoridade da banda e acabe assim “clonando” a atmosfera da dupla com o qual tem colaborado tanto. No entanto, as duas novas canções mostram que esse risco é diminuto: felizmente os quatro rapazes sabem preservar sua personalidade musical mesmo quando experimentam com tais sonoridades. Pensando bem, talvez seja essa confiança artística o “algo” indefinível que acabou me fazendo apreciar o quarteto.

Dead Poet Society – “Sinner Systems/Roach” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Dead Poet Society - Sinner Systems/Roach (Single) - 2026
Dead Poet Society - Sinner Systems/Roach (Single) - 2026

Ouça (Deezer):

Dead Poet Society - Sinner Systems/Roach (Single) - 2026
Dead Poet Society - Sinner Systems/Roach (Single) - 2026

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Bina – “Zombies” (single) [download: mp3]

bina - zombies (single, 2026)

Radicada em Londres, Sabrina Obiago percebeu que não continuaria nos estudos científicos que então frequentava, e então resolveu arriscar-se no campo do teatro e da música. Foi assim que assumiu o nome Bina como seu pseudônimo artístico e vem desde 2019 lançando canções em uma musicalidade em grande parte experimental e downtempo na qual trabalha beats com influência de R&B e jazz modernos. O seu mais recente lançamento, no entanto, sugere que a artista pode estar pegando o gosto por sonoridades bem mais ritmadas.
Lançado em abril, “Zombies” traz a cantora com o olhar voltado para os domínios do pop/rock e em uma vibe visivelmente mais acessível. A alma da faixa é a parceria entre guitarra e baixo em uma ginga intoxicante que contamina a bateria em seus toques discretos, porém firmes e ligeiros, concebendo uma atmosfera dançante sobre a qual a cantora, com muito molejo vocal, divaga sobre frustrações e desejos em versos como “quero estar no oposto de onde estou agora, no banco de trás de uma limusine com a cabeça nas nuvens, me escondendo dos zumbis que estão destruindo a cidade”.
Sendo a única canção onde a cantora desvia do caminho que vinha trilhando desde que iniciou sua carreira artística, é difícil saber se este é o início de uma guinada sonora na vida musical da jovem, mas com a destreza demonstrada no requebrado dessa faixa contagiante, fica claro que Bina tem muito jeito para sonoridades mais funkeadas – vamos torcer para que ela também tenha percebido isso.

Bina – “Zombies” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Bina - Zombies (Single) - 2026
Bina - Zombies (Single) - 2026

Ouça (Deezer):

Bina - Zombies (Single) - 2026
Bina - Zombies (Single) - 2026

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The Mars Volta – “Vigil” (single) [download: mp3]

the mars volta - vigil (single, 2022)

Reunindo-se no fim da década passada depois do rompimento em 2012, a banda americana The Mars Volta decidiu que o retorno deveria ser um “reset” completo, deixando para trás não apenas as desavenças passadas como a sonoridade anterior, o rock progressivo calcado em álbuns conceituais, narrativamente ambiciosos, com uma mistura complexa de synths psicodélicos, orquestrações luxuosas e rock frenético.
“Vigil”, single que deriva do álbum homônimo de 2022, entrega prontamente a mudança de sonoridade. Ao invés de uma suíte de quase meia hora de duração audaciosamente fundindo ritmos como jazz e rock, temos uma canção mais “tradicional”, vertendo um pop que mescla harmoniosamente sintetizações, baixo, guitarra e bateria em uma música sofisticada e inteligente que permite até mais espaço para o vocalista Cedric Bixler-Zavala demonstrar seu conhecido virtuosismo. A princípio pode parecer uma jogada de risco esta guinada considerável no estilo musical, porém o tempo não passou apenas para a banda: seus fãs também amadureceram. Pensando deste modo, a mudança estilística não soa assim tão radical.

The Mars Volta – “Vigil” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022
The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022

Ouça (Deezer):

The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022
The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022

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Common People – “Blue Eyes” (single) [download: mp3]

common people - blue eyes (single, 2026)

Common People foi formada há poucos anos quando seus membros se conheceram na faculdade do sul da Califórnia. Ao se aventurarem no cenário musical, acabaram cruzando o caminho do guitarrista Brad Schultz, membro da banda Cage The Elephant. Brad gostou da sonoridade do grupo, e deste modo tem apoiado os garotos produzindo alguns dos seus singles e colocando-os como uma das primeiras bandas do selo musical que criou, Parallel Vision. É com esse suporte artístico que Common People lançou o mais recente single — e a canção sugere que os rapazes talvez já estejam encontrando o seu norte.

common people - blue eyes (single, 2026) post 01
A banda Common People traz no single um rock lânguido e sensual com rompantes de furor indie

Introduzida com guitarras de acordes lânguidos e baixo sutil sobre a bateria bem marcada, o vocal suavemente grave e rouco de Nick Winegardner exala segurança e uma tênue sensualidade para falar de um romance que simultaneamente o frustra e fascina. O paradoxo emocional sublima-se no refrão, quando a profusão de guitarras segue a bateria rápida e densa sob o vocal firme do cantor, materializando toda essa insatisfação, mas ao cantar sobre “aqueles olhos azuis”, fica claro que a desilusão aparente não sobrevive ao desejo que alimenta esta dependência emocional. A julgar pela sonoridade bastante polida e pela melodia confiante desta nova canção, felizmente a relação do grupo com o “padrinho” Brad Schultz aparenta ser muito mais saudável e frutífera.

Common People – “Blue Eyes” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Common People - Blue Eyes (Single) - 2026
Common People - Blue Eyes (Single) - 2026

Ouça (Deezer):

Common People - Blue Eyes (Single) - 2026
Common People - Blue Eyes (Single) - 2026

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Marina Lima – “Acontecimentos” (single) [download: mp3]

marina lima - acontecimentos (single, 1991)

Com o seu disco de 1991, a cantora brasileira Marina Lima passou a incluir seu sobrenome em sua alcunha artística, e foi apenas com a sua nova “marca” que batizou esse lançamento. A alteração não foi acidental, sinalizando uma mudança visível na sonoridade de suas canções, que ganharam ares mais sofisticados.

marina lima - acontecimentos (single, 1991) post 01
“Acontecimentos”, de 1991, é um pop/rock dos mais sofisticados de Marina Lima e do irmão Antônio Cícero

É o que demonstram os acordes reflexivos da guitarra, a cadência comedida da bateria e a cintilância serena das sintetizações do single “Acontecimentos” (escrito em parceria com o irmão Antônio Cícero), que envolvem o saudosismo e inconformismo de versos como “me diz por onde você me prende, por onde foge, e o que pretende de mim” com a mesma maturidade e sobriedade do vocal imbuído de indignação e melancolia da cantora carioca.
Com canções refinadas como esta, Marina e seu irmão passaram a trazer para o pop/rock brasileiro uma musicalidade singular, concebendo uma elegante contemporaneidade que marcou a sonoridade de uma década, ao mesmo tempo que permanece ainda hoje imaculadamente atemporal.

Marina Lima – “Acontecimentos” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Marina Lima - Acontecimentos (Single) - 1991
Marina Lima - Acontecimentos (Single) - 1991

Ouça (Deezer):

Marina Lima - Acontecimentos (Single) - 1991
Marina Lima - Acontecimentos (Single) - 1991

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Sinéad O’Connor – “Chiquitita” (single) [vídeo, download: mp3]

sinead o'connor - chiquitita (single, 1998)

A irlandesa Sinéad O’Connor ganhou projeção internacional em 1990 com sua versão de “Nothing Compares 2U”, originalmente composta por Prince para sua então banda The Family. O impacto da interpretação da irlandesa foi imenso, transformando a canção em ícone da história do pop/rock e causando rejeição do autor original. No entanto, esse não foi o único cover feito pela artista: durante sua carreira, Sinéad regravou canções de diversos outros artistas e em diferentes gêneros, indo de musicais até o reggae. Porém, uma das suas interpretações mais radiantes, de uma composição da banda sueca ABBA, é quase desconhecida.
Sinéad trouxe em 1998 uma versão luminosa de um dos maiores hits do ABBA
Gravada e lançada originalmente em 1999 como parte do álbum beneficente Across The Bridge of Hope (em suporte às vítimas do ataque a bomba de 1998 na Irlanda da Norte), a “Chiquitita” de Sinéad inicia com os mesmos acordes doces e melancólicos do violão que caracterizam tão bem a versão original, mas logo é tomada por uma instrumentação mais contemporânea, em uma produção onde a programação de teclados, a bateria e o baixo formam um rio denso por onde a voz luminosa da cantora irlandesa navega ao mesmo tempo meiga e confiante.

No videoclipe que promoveu a canção, a diretora Sophie Muller consegue preservar essa atmosfera cintilante e madrigal, mas vai além: ao colocar a irlandesa para cantar em uma cozinha preparando a mesa para o chá, referenciando a câmera com gestual amistoso, Muller dá visibilidade para as letras da música, trazendo um ambiente caseiro onde Sinéad pode incorporar com perfeição uma confidente que tenta passar segurança e conforto para a amiga. É lamentável que tenhamos perdido há alguns anos a artista irlandesa, mas felizmente Sinéad foi generosa o suficiente para nos ofertar uma variedade enorme de canções onde nos deixou seu maior presente: a sensibilidade com a qual assinou todas as músicas onde deixou a sua voz.

Sinéad O’Connor – “Chiquitita” (Single) [mp3] Deixe um comentário
O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005