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Categoria: musica

críticas e comentários sobre álbuns musicais, singles e similares com download disponível

Dolores O’Riordan – Are You Listening? [download: mp3]

Dolores O'Riordan - Are You Listening?Enquanto o The Cranberries encara uma pausa, declarada em 2003, alguns membros do grupo levam a frente seus empreendimentos solo. Noel Hogan está trabalhando no seu projeto, entitulado de Mono Band, mas é a vocalista do grupo que já está com o seu próprio trabalho engatilhado, pronto para ser lançado.
O seu primeiro disco solo, Are You Listening?, mantém sutis similaridades com o The Cranberries – impressão alimentada, talvez, pelos vocais inconfundíveis de Dolores O’Riordan -, porém as canções dela tem um uso muito mais ostensivo de guitarras nas melodias. A título de comparação, não seria um crime muito grande dizer que Are You Listening? soa como um To The Faithful Departed com aroma rock mais intenso e vibrante. Nesse clima mais trepidante estão as faixas “Stay With Me”, sobre alguém que implora para não ser abandonado, e “In The Garden”, sobre uma mulher que, ao olhar sua filha, diz já ter sido feliz um dia, ambas com uma mesma estrutura melódica, sucedendo momentos mais delicados onde, além do teclado discreto ao fundo, há a utilização de violão – no caso da primeira – ou piano – na segunda -, com outros repletos de energia e fúria, com acordes densos e graves de guitarra, golpes fortes na bateria e vocais onde Dolores usa a já conhecida extensão de sua voz, sem qualquer economia no volume de seus brados. Apesar de serem boas canções, elas tornam-se um pouco enjoativas, muito devido ao estilo próprio de composição de Dolores, que tem o costume de escrever poucos e curtos versos, repetidos inúmeras vezes no refrão.
Já nas baladas e canções com assinatura mais pop, Dolores sempre teve mais eficência na composição. A mais bonita do álbum é a última faixa: “Ecstasy”, canção de amor com as lamúrias e promessas de amor clássicas, tem instrumentação das mais tradicionais – guitarra, baixo, teclado e bateria -, mas e com o uso dela que Dolores obtém uma melodia sossegada e muito tocante. “Ordinary Day” e “Angel Fire”, ambas com letras sobre alguém mostrando a intensidade e extensão de sua paixão para quem ama, são baladas igualmente tranquilas, em cujas melodias a instrumentação de guitarra e bateria surge mais pacata, em conformidade com o uso mais aplicado da programação no teclado e com o vocal mais ao sabor do utilizado pela cantora na banda onde ganhou fama. Porém, “Accept Things”, onde Dolores fala sobre alguém que, aparentemente, finge ser seu amigo, tem momentos ocasionalmente mais eufóricos, já que o violão e teclado serenos e o lirismo do backing vocal, característico da cantora, ganham a companhia de guitarras e bateria de instrumentação mais marcada no refrão, além de um vocal mais encorpado.
Mas a compositora traz também no seu primeiro disco solo alguma faixas que fogem de uma definição clássica. A origem irlandesa de Dolores, por exemplo, é lembrada na harmonia da flauta e do piano de “Human Spirit”, canção com versos mais simples, que falam sobre a condição humana, uma das únicas no disco onde as guitarras não sacodem a melodia e onde um loop discreto de bateria eletrônica é utilizado, além da uso da bateria acústica. E “Black Widow”, feita para o filme “Homem-Aranha 2”, sobre uma mulher que espera, inutilmente, pelo seu amante, tem a sua idiossincrasia na mistura que faz de um piano de acordes graduais, agudos e sucessivos com guitarras rascantes e graves.
Apesar da conhecida beleza do vocal de Dolores, da coloração vivaz que as guitarras concedem às faixas, bem como da sua beleza, o disco sofre com a repetição de temas melódicos, deixando a impressão de que todas as músicas tem a mesma cara, mesmo que isso não corresponda a verdade. Dessa forma, as canções acabam um tanto cansativas depois de algumas audições – um mal que poderia ter sido combatido pela compositora se ousasse um pouco mais nas composições, tentando fugir da homogeneidade algo opaca do álbum.
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OBS: tive a idéia de procurar saber se o álbum de Dolores já estava disponível na web ao me deparar com a postagem do vídeo de “Ordinay Day” no single white male. Quem quiser ler o post que me inspirou basta acessa-lo aqui.

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Petra Jean Phillipson – Notes On: Love. [download: mp3]

Petra Jean Phillipson - Notes On: LoveNotes On: Love teve um gestação de oito anos. Pode parecer muito, pode soar como um exagero, mas a simplicidade nem sempre é fácil de se atingir. E, no caso específico deste disco, a simplicidade, o cuidado e o apuro na composição da sonoridade do disco são seus diferenciais. É esse trabalho tão criterioso que faz com que as canções compartilhem uma identidade similar, mas ao mesmo tempo soem diferentes – o que torna sua analise um tanto difícil.
“Independent Woman”, que declara em seus versos a dinâmica e as agruras de uma mulher sem lar e sem rumo certo, por exemplo, chama a atenção com sua sonoridade seca, de guitarra, violões e bateria que mantém uma ritmica constante, além dos vocais anasalados e altivos. Em “I Want The Impossible”, em que Petra lista seus desejos impossíveis, alucinados e luxuriosos, por sua vez, é a suavidade obscura, possível graças à guitarra de acordes agudos, ao bandolim arrepiante e ao violão quase surdo ao fundo, que salta aos ouvidos. “Billy Steaks”, sobre uma mulher que lamenta que seu amante esteja casando com outra, poderia bem ser uma canção do Led Zeppelin, tamanha a semelhança do vocal de Petra e da atmosfera criada pela instrumentação, particularmente o violão e a gaita. Já “I’m Lying”, cujas letras falam sobre uma mulher que tenta sustentar-se sã sem o seu amor e tem vocais e guitarras sorumbáticas e melancólicas, com bateria e frugalidades suavíssimas, quase inaudíveis, soa como um country cantado por uma Janis Joplin bem mais sutil e sóbria. “Play Play”, sobre a busca de algo que não reside no meio cosmopolita e no urbano, que começa igualmente sorumbática, porém mais soturna, graças aos acordes agudos recorrentes da guitarra, logo é tomada, no refrão, por uma melodia mais doce e instrumentação levemente mais intensa. A última faixa, “Cradle Of Your Smile”, é a mais intensa entre todas, no que tange a melodia, onde Preta Jean compôs um punk rock gracioso, sem a visceralidade simbólica do gênero. Nela, o vocal de Petra é mais delirante e sexy, conciliando, de uma só vez, amor e luxúria delicados mas também gritantes e urgentes. A música, especificamente, tem tonalidade dark, reforçada pelo trecho cheio de sussuros indistintos e sobrepostos, e conta com guitarras distorcidas e ruídos abafados ao fundo. O resultado é uma canção que cairia como uma luva para sonorizar, de maneira esplêndida, uma sequência perturbadora e intrigante de um filme de David Lynch.
O disco de estréia desta cantora e compositora americana, valeu todo o tempo e o esforço empregados. Petra Jean Phillipson buscou, todos esses anos trabalhando neste disco, uma produção que sentisse como sua e que lhe dissesse algo. E esse saldo final, que decifra dores e anseios amorosos, musicados de maneira obscura, delicada e lúgrubre, em canções que guardam em si semelhanças mas que apresentam diferentes nuances de uma mesma temática e atmosfera, era o que a artista tanto perseguia. Só tormara que a artista, que já anunciou estar planejando seu segundo disco, leve bem menos do que oito anos para sentir que seu próximo disco está no ponto.

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Jay-Jay Johanson – The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known. [download: mp3]

Jay-Jay Johanson - The Long Term Physical Effects Are Not Yet KnownO voz do sueco Jay-Jay Johanson não assemelha-se à tonalidade de minha preferência, no que se refere à voz masculina: Johanson tem uma voz e maneira de cantar que lembra o britânico Morrisey, por exemplo. Contudo, no que tange aos arranjos de seu mais recente disco, The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known, as influências parecem ser outras: não fosse ali um homem cantado, com uma certa dose de lirismo distante, em certas faixas você acreditaria piamente estar ouvindo o mais novo álbum do Portishead, que não lança nada há dez anos. O mesmo negrume e a morbidez saudosista do conjunto britânico, com doses cavalares de baixos cavernosos, riffs de guitarra e pratos de bateria sampleados, além programação eletrônica que abusa do low-fi e de orgãos lúgubres, encontramos em “Jay-Jay Johanson Again” – na qual o cantor declara não tolerar mais insatisfações afetivas -, “Time Will Show Me” – em que Jay fala que segredos, no amor, não duram muito tempo – e na balada melancólica “Coffin” – sobre um homem que, perdido em uma ilha, também perdeu a sua companheira.
Mas o trip-hop cede lugar em muitas faixas à outras sonoridades, como quando os samplers e loops de pratos e bateria e a docilidade do teclado fazem o electro-jazz de “As Good As It Gets” – onde Jay diz ter dado vazão à nostalgia em uma noite de sono, ao lado de sua companheira – e como em “Only For You” – na qual um homem, para evitar o fim de sua relação afetiva, tenta convencer sua companheira de que fará tudo o que ela quiser, do modo que for – onde acordes lentos e tristes ao piano, com coro e programação eletrônica quase inaudíveis ao fundo, constroem uma melodia que surpreende pela estupenda beleza de sua simplicidade.
Em meio à atmosfera por vezes soturna do trip-hop, em outras com a melancolia do pop/rock, “Breaking Glass” – em que Jay afirma ser necessário esquecer os erros do passado para começar um novo futuro – rende-se à uma melodia pop menos complexa, com programação eletrônica e vocais bem menos audaciosos, que lembram os discos menos ambiciosos do Depeche Mode.
Apesar da aparência algo frágil e da voz delicada, que sugeriria um músico afeiçado ao pop mais desprovido de ambição, Jay-Jay Johanson ao que consta, nutre uma atração inegável pelo que há de mais sombrio melodicamente, regado por boas doses de pessimismo e descontentamento amoroso nos versos. E produto final são canções sensíveis e imensamente climáticas, que agradam em cheio quem não tem qualquer medo de experimentar nos seus ouvidos as belezas e prazeres da infortúnios amorosos.
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Acoustic Ladyland feat. Coco Electrik – “Cuts and Lies” (dir. Ben Rollason). [download: video & mp3]

Acoustic Ladyland feat. Coco Electrik - Cuts and LiesEstou divulgando menos pelo clipe em si, do que pela música. O vídeo tem personalidade, foi bem fotografado, com ótimos enquadramentos e edição elegante, mas é a música que salta aos ouvidos, uma faixa com batida gostosa, riffs de guitarras e baixos excelentes e um uso bacanérrimo de saxofones. A vocalista convidada pela banda Acoustic Ladyland, Coco Electrik, tem uma voz cheia de charme e altivez, dando aos versos um ar cool e classudo. É assistir ao vídeo e ficar louco para achar o mp3 da canção. Não quer ter o trabalho de procurar o arquivo? Sem problemas, também tratei de extrair o mp3 diretamernte do vídeo, para quem quiser enfiar isso logo num iPod, como eu fiz.
Baixe o video usando os dos dois links a seguir, segundo a sua preferencia pelo tamanho do download, e o mp3 vai logo depois.

grande: http://www.benrollason.com/newsite/video/secure/cuts_and_lies_hi.mov

pequeno: http://www.benrollason.com/newsite/video/secure/cuts_and_lies_lo.mov

mp3: http://www.gigasize.com/get.php/498459/08_Cuts_and_Lies_feat._Coco_Electri.mp3

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Metric – Live It Out. [download: mp3]

Metric - Live It OutMinha adoração por Emily Haines, que descobri no ano passado através do seu projeto solo, me fez temer o contato com a sua banda, digamos assim, oficial – o Metric. Por estar tão apaixonado pelas canções sorumbáticas e profundas, levadas ao piano, de Knives Don’t Have Your Back fiquei com receio de me decepcionar com o trabalho da banda e decidi não procurar canções deles tão cedo, fazendo-o apenas esta semana. Essa foi uma decisão acertada, já que a sonoridade da banda difere muito do trabalho mais pessoal da vocalista e, estando naquele momento tão ensoberbado, eu não conseguiria me afeiçoar e acostumar com a sonoridade mais agitada do Metric.
No álbum mais recente, Live It Out, Emily Haines demonstra à frente do Metric o infinito potencial de sua versatilidade, acompanhando guitarras no modo punk-rock com maestria tão fabulosa quanto fazia ao piano, no seu disco solo. “Handshakes”, que fala sobre o círculo vicioso do consumismo que sustenta a vida moderna, “Monster Hospital”, tratando da tentativa de lutar contra a opressão e “Patriarch On A Vespa”, que igualmente fala de opressão, mas daquela desenvolvida pela sociedade machista sobre as mulheres, são todas canções onde o Metric investe pesado neste estilo, elaborando arranjos quase frenéticos com uma profusão de guitarras ligeiras em riffs e distorções saborosas e bateria esmurrada com esmero. O vocal de Emily é completamente possuído pelo espírito do gênero, exibindo interpretações pujantes.
No entanto, a banda consegue também vestir-se de traquilidade, e ser tão boa nisso quanto nos seus momentos mais raivosos e barulhentos. O Metric de “Too Little, Too Late”, por exemplo, lembra muito o The Cardigans dos dois últimos discos, com seu baixo, guitarra e bateria desapressados e charmosos e com o vocal cheio de romantismo interpretando uma canção sobre o amor atribulado que as vezes vivemos, que nos faz mais mal do que bem, mas que, mesmo assim, não temos coragem de recusar. “Poster Of A Girl”, onde Emily canta sobre uma mulher que busca o amor, mas que acaba satisfazendo-se com os prazeres sexuais, sempre mais fáceis de se obter, continua promovendo uma melodia mais tranquila, mas a sua estrutura é mínima, feita de dois diferentes momentos que se sucedem durante toda a canção, com destaque para os riffs amenos da guitarra e a programação eletrônica graciosa e cintilante.
Assim, não bastasse o deleite que é descobrir as belezas do rock do Metric, a banda ainda serve para confirmar a suspeita de que Emily Haines e seus colaboradores estão dentro do que há de mais genial, genuíno e criativo no cenário atual da música, destacando-se ainda mais no meio alternativo/indie devido à enorme versatilidade dos membros que integram o conjunto. E eu levanto a bandeira: quero Emily Haines já para o posto de sacerdotisa do indie rock.
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Joan As Police Woman – Real Life. [download: mp3]

Joan As Police Woman - Real LifeJoan Wasser é mais uma daquelas artistas americanas, possíveis apenas nesse mundo contemporâneo, que por não conseguir espaço em um mercado tão inflado, injeta suas composições e sua presença em diferentes e diversos projetos. O trabalho mais pessoal de Joan é feito na companhia dos músicos Ben Perowsky e Rainy Orteca, formando a banda que ganhou o nome de Joan As Police Woman. Com os dois amigos, Wasser promove uma fusão de rock com soul que desponta pela suavidade ao lidar com esse gênero hoje tão maltratado pelos artistas mais comerciais e de expressão mais popular. Isso se tornou possível porque, além de utilizar arranjos bem dosados, Joan Wasser não é dona de um vozeirão, algo tão comum e imprescindível para os grandes nomes do gênero, livrando sua música dos vícios e ranços que tornam o soul, na sua expressão mais contemporânea, tão enjoativo. O dueto “I Defy”, com Antony Hagerty, mostra isso muito bem: a faixa é uma canção de amor com piano, bateria e orquestração de metais refletindo toda a ginga deliciosa do soul, que floresce com mais força no vocal do convidado Hagerty, mas nunca ultrapassa os limites do bom senso. “Anyone”, em que Joan fala sobre como sente-se preparada para amar, já que encontrou quem tanto procurava, prossegue explorando o gênero, já que o vocal, o teclado e a orquestração de metais exalam o calor sôfrego e lânguido que marcam demarcam tão bem as fronteiras do soul.
Todavia, Joan As Police Woman é uma banda de rock indie por excelência e, sendo assim, não poderiam faltar canções que trafegam por este estilo. “Save Me” é uma delas: a canção, em que Joan declara negativas apenas para camuflar seu desejo e urgência amorosa, ainda preserva traços do soul, visível no uso do teclado Wurlitzer, mas promove uma mistura deste com o rock, devido ao piano e a bateria mais descompassados, e ainda adiciona uma pitada de folk, com os violinos que surgem no trecho final. As outras faixas que visitam o gênero são as que abrem e fecham o disco: na primeira, “Real Life”, em que Joan fala sobre a solidão sem seu companheiro, temos uma melodia que inicia um pouco fria, feita apenas pelo piano de acordes curtos, silenciosos e graves, mas revela-se inteiramente no refrão, onde o vocal ganha muito mais emoção e surge uma dose sutil de orquestração de cordas que consegue, mesmo com participação tão diminuta, iluminar toda a música; e a última, “We Don’t Own It”, que fala sobre amar alguém que parece não nos pertencer, percorre ainda mais os caminhos do rock, trazendo guitarra e bateria de acordes suaves, vagarosos e cíclicos, que se destacam pela enorme graciosidade.
São estas duas canções, talvez as melhores do disco, que deixam claro para o ouvinte de que nem sempre é necessário afogar a melodia com arranjos elaboradíssimos para atingir a sensibilidade tão desejada – a simplicidade, a delicadeza e a economia de recursos muitas vezes, são as melhores opções.
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http://www.gigasize.com/get.php/429098/realpolice.zip

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005