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Categoria: musica

críticas e comentários sobre álbuns musicais, singles e similares com download disponível

Björk – Volta (+ 3 faixas alternativas) [download: mp3]

bjork - volta (2007)

Se as críticas a frugalidade de The Beekeeper, de Tori Amos, me soam bastante exageradas, eu não me atreveria a tentar amaciar qualquer uma que surgisse sobre Medúlla e Drawing Restraint 9, já que neles Björk passou um tanto além da conta, tornando-os, na maior parte do tempo, de dificílima digestão. Quando decidiu preparar um novo disco, a islandesa, sentindo-se um tanto cansada de tornar sua música cada vez mais idiossincrática, resolveu investir em algo que não pusesse a experimentação acima da beleza melódica e lírica. Assim nasceu Volta, que como o American Doll Posse de Tori Amos, também funciona, coincidentemente, como um verdadeiro cruzamento de todas as experiências que Björk agregou ao longo de sua carreira. Apesar de “Pneumonia”, que clama a superação das tristezas na vida, ser uma das faixas do disco que sofre influência quase somente dos dois mais recentes disco de Björk – já que ela adota o mesmo exotismo sonoro dos últimos trabalhos, sendo composta apenas de vocal e orquestração de metais lentos e consternados – em outras a introspeção é suplantada por uma sonoridade que conhecemos mais do início da carreira solo da artista. Não é difícil sentir isso em “Vertabrae by Vertabrae”, que recupera as experiências de Selmasongs e Drawing Restraint 9, mas desfaz-se das agudezas resultantes da contaminação pelo trabalho de Matthew Barney e retorna à vivacidade dos primeiros anos: apesar da orquestração de metais, da percussão e dos versos abstratos citarem muito das duas trilhas sonoras feitas por Björk, a base eletrônica levemente suja e os vocais remetem ao calor de discos como Homogenic e Post. Já que falei de Homogenic, “Declare Independence”, um brado eletrizante contra a dominação, não deixa de ser uma “Pluto-punk”: ela conta com costura melódica feita por samplers de guitarras dissonantes – o que lhe confere uma tessitura punk-rock ruidosa -, além de percussão e bateria eletrônica sincopadíssima e uma introdução composta de sirenes de navio. Por sinal, depois que se escuta todo o disco, percebe-se que o ruído de navios é um recurso recorrente em Volta, já que a faixa inicial, “Earth Intruders”, há quase um minuto e meio de ruídos ambientais indistintos de um porto – marulho e, novamente, sirenes de navio sendo os mais perceptíveis – na sequência final. A música, que fala sobre uma invasão e ataque de seres alienígenas, tem a energia fulgurante de Debut e Post, com sua mistura de eletrônico e percussivo lembrando “Army of Me”, mas difere-se desta justamente porque grande parte de seus samplers e loops tem muito de acústico. A agitação prossegue de forma semelhante em “Wanderlust” (sobre a compulsão de abandonar-se em viagens oceânicas), que possui forte base de samplers e loops e nova experimentação com ruídos que fecham a música com uma transposição das sensações presentes nas letras para os sons – a diferença é que aqui Björk investe também em uma histérica orquestração de metais para a melodia. “Innocence”, que fala do quanto podemos controlar e conviver com a inocência e o medo, tem base construída sobre uma eletrônica prolixa, com um pulso constante de samplers e loops de piano e ruídos indistintos, incluindo aí um sampler vocal – a única sombra de Medúlla nesta faixa.
Depois de alguns anos aumentando gradualmente o nível de experimentação de sua música, não seria muito difícil prever que, em dado momento, a cantora e compositora voltasse sua atenção para algo menos diletante, na tentativa de relaxar novamente seu processo criativo. Faz todo sentido que isso tenha acontecido agora, uma vez que, durante essa longa fase experimental, possivelmente, Björk esgotou o uso de toda e qualquer excentricidade existente – pelo menos por algum tempo. Isso torna este projeto o mais comercialmente ambicioso da artista – o que, por sinal, foi assumido pela própria gravadora em sua campanha de promoção do disco.

Baixe: Björk – Volta [mp3]

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Björk – “Earth Intruders” [Mark Stent Extended Mix] (Single) [mp3]

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Björk – “Innocence” [Mark Stent Radio Edit] (Single) [mp3]

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Björk – “I See Who You Are” (Mark Bell Mix) [mp3]

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Björk – “I See Who You Are” (Mark Bell Mix)

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Rufus Wainwright – Release The Stars (+ 3 faixas bônus) [download: mp3]

E depois dos dois volumes do projeto Want, discos densos tanto em caráter melódico quanto temático, Rufus Wainwright volta a baila com Release The Stars. Mas, ao contrário dos lançamentos simultâneos de Tori Amos e Björk, o disco do artista americano mostra-se um tanto apagado na primeira escuta do disco, já que nesta situação a única faixa que salta estrondosamente aos ouvidos acaba sendo mesmo o single “Going To A Town”, onde Rufus declara estar cansado da América que temos hoje, por tudo o que ela faz e representa, e declara estar disposto a ir para outro lugar que já foi “queimado” e “arruinado”. Bem, como uma canção poderia não agarrar o ouvinte logo em sua primeira experiência se ela divide tão bem seus elementos melódicos, já que o vocal é pleno de emoção, os acordes do piano, da guitarra e do baixo e o toque da bateria transmitem imensa melancolia, e os vocais de fundo e a orquestração, que permeia tudo e constrói o clímax no fim da canção, estão repletos de um triste protesto sonoro?
Eu pensei desistir do disco e temi, verdadeiramente, que eu me apaixonasse apenas por esta faixa, que é responsável por esta fase inicial de lançamento do disco. Mas eu resolvi insistir. Apenas mais uma audição foi necessária para que outras duas faixas caíssem com sinceridade no minha preferência. A primeira, “I’m No Ready To Love”, em que Rufus revela para sua paixão que sente-se inapto para amar adequadamente, é uma balada de beleza e sensibilidade tão penetrante quanto é “Want” – a música – e recorre, do mesmo modo, à simplicidade e ao silêncio para tanto. O piano, bateria, guitarra e baixo constroem um fundo suave e vagaroso para que a voz de Rufus soe plena de franqueza romântica, dando espaço ainda para que os vocais de fundo e a orquestração sutis complementem irretocavelmente a melodia – e novamente a instrumentação de cordas volta a apelar para a emoção, na sequência harmônica que fecha a canção de maneira esplêndida. A outra, “Slideshow”, em que o cantor reclama mais atenção de seu amado e questiona a veracidade de seus próprios sentimentos, apenas para confirma-los solicitamente no fim, é feita de uma sequência intercalada de momentos mais tranquilos, onde tanto o vocal quanto a bateria, a guitarra e os violões soam graciosamente delicados, e outros mais orquestralmente efusivos, onde os metais surgem em rompantes epopéicos.
Com mais algumas audições insistentes outras faixas revelaram sua beleza escondida. À primeira vista, “Nobody’s Off The Hook” não surpreende. Mas, tão logo compreenda-se seus versos, nos quais Rufus lembra, para um homem que sustenta uma vida de aparências, que cedo ou tarde tudo desaba, e atente-se à sua melodia cheia de mágoa, onde a voz do cantor ganha a companhia do seu piano e de uma elaboradíssima orquestração de cordas, e a avaliação desta faixa sobe muito no conceito de qualquer pessoa. “Sanssouci”, que passou despercebida nas primeiras vezes, agora mostra o apuro de suas letras – onde Rufus imagina-se no palácio alemão que dá nome a música, a espera de um amor que transmute a entediação que sente – e de sua melodia pop – extremamente cuidadosa, com vocais serenos, uma instrumentação tranqüila de violão, bateria e piano ocasional e arranjo orquestral no qual flautas e harpas sutilmente demonstram as delícias de suas sonoridades. E “Between My Legs”, que parecia um tanto plana, logo demonstra a mordacidade de seus versos – já que o cantor jura nutrir só descaso por um amor do passado, mas não nega que a porta esteja aberta para qualquer tipo de necessidade repentina – e de sua sonoridade pop-rock, que sustenta o vocal, as guitarras, a bateria e o baixo quase no mesmo tom vibrante só para que a melodia seja suplantada por uma harmonia emocional tremenda na sua metade final.
E, no final, tudo acaba fazendo mais sentido. Apesar de correr um certo risco de soar datado e limitado, por não exibir mudanças que sejam realmente notáveis no seu estilo melódico e lírico, por outro lado Rufus Wainwright ganha muito por mostrar-se um artista com um trabalho de composição realmente coeso, onde mudanças só são feitas em doses homeopáticas, lentas, gradativas e sutis – quase desapercebidas, eu diria. De fato, seu trabalho mais recente difere dos lançados por Tori Amos e Björk: enquanto as duas primeiras fazem um apanhado do que construíram em sua carreira, ao mesmo tempo que experimentam novos caminhos e adicionam novas experiências, Rufus Wainwright aprimora o seu estilo desde o primeiro disco, sem nunca exibir uma mudança radical de um trabalho para o outro, já que toda a herança anterior é preservada, e não apenas a mais recente. Isso sustenta o que aparenta ser uma contínua linearidade mas que é, na verdade, a forma cuidadosa, suave e gradual com que o artista experimenta novos caminhos. O que ele ganha com isso? Bem, enquanto os outros dois discos podem tornar-se um, em certos momentos, um pouco cansativos a médio prazo, o do cantor e compositor canadense tem efeito exatamente oposto: Release The Stars, que parecia a primeira vista um tanto repetitivo e plano, cresce e ganha importância cada vez maior a longo prazo – e não há mais como ficar sem ter contato com sua sonoridade que revela sua beleza tão devagar.
Baixe o disco utilizando link a seguir.

Baixe: http://www.mediafire.com/file/7q4jidxe5kcfjj6/rufus-release.zip

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Tori Amos – Scarlet’s Walk (+ 2 versões alternativas). [download: mp3]

tori amos - scarlet's walk (2002)

Há tanto a falar sobre o conceito deste CD em si quanto de cada música que o integra. O primeiro projeto de Tori Amos na Sony/Epic é um disco ambiciosíssimo, onde ela – mais uma vez – encarna um personagem que guia toda a produção e idéia do álbum. O personagem é Scarlet, e cada uma das canções do disco trata de um trecho da jornada dela por grande parte dos Estados Unidos, retratando tudo que ela enfrentou pelo caminho e seu ponto de vista sobre os eventos que vivenciou e as pessoas que conheceu em sua viagem. Adicionalmente, toda uma experiência foi criada – como é de praxe com Tori nos últimos anos – para dar suporte ao conceito elaborado em Scarlet’s Walk, incluindo um website que trazia fotos e anotações de Scarlet, além de um diário da turnê de Tori Amos para divulgação do álbum e streaming de alguns B-sides – canções que foram feitas nas mesmas sessões mas não entraram na edição final do álbum.
Apesar de formarem, em conjunto, todo o painel da viagem da personagem Scarlet, as dezoito músicas também funcionam perfeitamente por si só, excluídas de uma inter-relação. E, ainda que exista uma variação melódica em alguns momentos do disco, pode-se dizer que todas as canções compartilham de uma incomensurável suavidade e complacência harmônica. É por conta disso que não há risco algum em dizer que “Strange” e “Crazy” são a cara do disco. O modo delicado como o Wurlitzer é utilizado na primeira, junto com a bateria lenta e triste, assim como a presença do piano e de uma orquestração de cordas no refrão, constroem com perfeição a melancolia necessária, presente nas letras de “Strange” – quando Scarlet reflete sobre o modo como camufla a sua personalidade para tentar manter mais uma relação amorosa, decide abandonar mais esse amor. Já nos versos de “Crazy” vemos que Scarlet é quem foi abandonada por um homem que, apesar de não ser o ideal era quem lhe dava alguma segurança e apoio no momento. A canção tem a mesma delicadeza que sente-se em “Strange”, notadamente pelo uso do teclado Rhodes e pela guitarra e bateria lentas e reflexivas, mas não conta com a presença do piano e de orquestração. Contudo, entre as baladas presentes no disco, há algumas que ainda carregam algo da Tori pré-Sony/Epic, como vemos em “Your Cloud”, onde o piano volta a ter maior presença na construção da harmonia da canção, acompanhado apenas pelo baixo quase imperceptível e a bateria de cadência suave – uma constante no disco. “Another Girl’s Paradise” é uma das canções em cuja melodia a bateria é manuseada com um pouco mais de intensidade e com uma rítmica mais elaborada, o mesmo acontecendo com os acordes do piano, mais vistosos na melodia. A sensualidade exposta nos vocais de Tori Amos, intensificados pela guitarra, faz a beleza dessa canção esplêndida, cujos versos falam sobre um mundo tomado pela cobiça e desejo – particularmente o femino. O tom de “Don’t Make Me Come To Vegas” também é o da sensualidade, bem como os acordes do piano continuam mantendo preponderância, mas sua bateria segue uma harmonia sutilmente mais latina, e o baixo surge mais evidente na canção. Na letra, Scarlet tem que ajudar sua sobrinha em Las Vegas, mas teme voltar à cidade devido a um poderoso homem com quem se envolveu, e que a maltratou. “Virginia”, que relembra a forma como a América foi colonizada e tomada pelos europeus, destruindo a identidade e cultura dos nativos americanos, também possui cadenciamento mais complexo da bateria e dos acordes do piano, mas a atmosfera e vocais sensuais de “Another Girl’s Paradise” e “Don’t Make Me Come To Vegas” são substituídos por uma melodia de espetacular tristeza e revolta.
Contudo, não é surpresa que uma das canções mais deliciosas e viciantes do disco seja a curtinha “Wednesday” – qualquer fã de Tori Amos já está acostumado com o habilidade dela neste tipo de composição -, em que a personagem Scarlet encontra-se em uma relação amorosa com um homem cheio de segredos e vive assombrada por amores antigos – não se engane, analogamente esta canção é sobre a América e os americanos. A melodia alterna a sutil agitação das guitarras e da bateria ritmada com a melancolia contemplativa do piano e do vocal no refrão desta faixa.
Scarlet’s Walk, que floresceu do estilo de concepção artística que surgiu em Strange Little Girls é, até o momento, o álbum mais cuidadosamente planejado de Tori Amos, além da obra que influenciou de maneira definitiva, tanto melódica quanto liricamente, os rumos atuais de sua carreira. A sonoridade plácida, contemplativa e suave das canções, assim como as letras mais brandas, menos irascíveis e com maiores colorações sociais e políticas surpreendeu os fãs, acostumados com uma Tori mais pessoal, combativa e furiosa. Apesar de ser considerado o início da perda de parte da vitalidade artística da cantora e compositora, o álbum conseguiu conquistar os fãs – para muitos um dos discos preferidos – e é sempre tomado por eles como referência e prova cabal da superioridade, qualidade, criatividade e profundidade de Tori Amos como artista. Mesmo que alguns tomem este disco como responsável pelos equívocos e falhas recentes de Tori, não há como negar que ele também conseguiu sacramentar e propagar ainda mais uma verdade que todos já conhecem – que Tori Amos é uma das artistas mais importantes do cenário musical dos últimos vinte anos.

Baixe: Tori Amos – Scarlet’s Walk [mp3]

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Baixe: Tori Amos – “Strange (Radio Edit)” e “Pancake (Extra Verses”) [mp3]

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Tori Amos – “Strange (Radio Edit)”

Tori Amos – “Pancake (Extra Verses)”

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A Camp (Nina Persson & Mark Linkous). [download: mp3]

A CampEm 2001, antes de sua banda, o The Cardigans, embarcar na mistura de rock com uma pitada de country que resultou no emocionante disco Long Gone Before Daylight, Nina Persson já ensaiava em seu único – até hoje – projeto independente cujo estilo influenciaria a brusca mudança na sonoridade da banda sueca. Junto com a produção de Mark Linkous, do Sparklehorse, Nina compôs as canções do que foi simplesmente chamado de A Camp, um apanhado de canções por vezes agitadas, em outras melancólicas e sensíveis. O maior exemplo deste último estilo, presente no disco, é “Algebra”, em cujos vocais Nina atinge seu ápice emocional, cantando cada verso com imensa doçura e paixão. Com letras em que uma mulher conta como um homem, apesar da aparência contida e centrada, tinha seu coração “fora do peito” – tamanha era a maneira como não conseguia conter seu amor -, o violão dedilhado com suavidade e a bateria ao mesmo tempo forte e terna incrementam a docilidade da canção. “Frequente Flyer”, sobre uma mulher que não lamenta nunca conseguir ter um paradeiro devido à sua volubilidade afetiva, é igualmente grandiosa em sensibilidade e ternura, apresentando mais vocais delicados de Nina trabalhando perfeitamente com a melodia de bateria suavemente cadenciada e guitarras e teclados lentos e sôfregos. “Elephant”, que fecha o disco, prossegue remando nos infortúnios amorosos, já que em suas letras Nina reclama ter desperdiçado tanto amor com um homem que termina uma relação de uma forma tão sardônica. A bateria continua em uma cadência forte e lenta e os pianos e riffs de guitarra graves e dramáticos ganham mais importância à medida que a canção chega à sua apoteótica sequência final.
Como primeira representante do lado mais melodicamente agitado do disco, “Hard As Stone” surpreende com sua base de guitarras dissonantes e sua bateria agitada, forte e ligeira, tudo devidamente acompanhado pelo vocal algo irônico de Nina ao cantar versos que revelam o comportamento leviano e insensível de um conquistador barato. Os versos de “The Oddness Of The Lord” comentam brevemente a crença em algo superior, utilizando como melodia uma camada de ruídos de programação eletrônica e distorcões de guitarras, bateria e baixo.
Este ensaio delicioso para o que se sucederia na carreira do The Cardigans, infelizmente, não rendeu uma sequência até hoje – Nina voltou sua atenção para a banda, realizando com seus companheiros dois excelente discos. Ao contrário de muitos vocalistas e compositores, que sonham o tempo todo com vôos solitários, longe da proteção e segurança de seus conjuntos, Nina mostra encontrar satisfação dentro de sua banda de origem. Contudo, devido à qualidade do seu trabalho solo, não há entre os fãs quem não torça para que a artista sueca volte a arranjar um tempinho para compor preciosidades como “Algebra” e “Elephant”.
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Thirteen Senses – Contact. [download: mp3]

Thirteen Senses - ContactThirteen Senses, banda britânica que surgiu na região de Cornwall, lança seu aguardado segundo CD agora, no próximo mês de abril. Contact traz um som razoavelmente mais agitado, com melodias mais encorpadas e presença menor do piano em algumas das canções. “Animal”, sobre desentendimentos e brigas afetivas, por exemplo, começa com um baixo grave, sendo logo tomada pela agitação dos acordes e golpes um tanto curtos e monotônicos, mas potentes, das guitarras e da bateria. “All The Love In Your Hands”, canção com letras simples sobre amor, divide a mesma agitação de “Animal”, mas possui uma bateria mais vibrante, visível mesmo sobre os riffs das guitarras em algums momentos, como no inicio da canção. “Follow Me”, faixa de lirismo simples, e “Final Call”, em cujas letras ouve-se o clamor de uma mudança no rumo que damos nas nossas vidas, tem estrutura melódica semelhante, com breve introdução feita em acordes no teclado e no orgão, logo suplantados por guitarras, baixos e baterias de rítmica coordenada, apresentando uma sucessão de harmonias intensas com outras mais brandas. “A Lot Of Silence Here”, com letra sobre conflitos amorosos, apresenta uma bateria lenta mas bem cadenciada no primeiro plano melódico da música, criando, em conjunto com a sonoridade do teclado, uma balada de sabor diferente das que costumamos ter da banda.
O piano só ocupa lugar de destaque em faixas como a música título do disco, de poucos e abstratos versos, onde seus acordes apresentam-se graves e fortes, mas acompanhados com igual ânimo pelas guitarras, baixo e bateria, bem como pelo lirismo dos vocais adicionais ao fundo. Contudo, é em “Sparks”, outra canção de versos abstratos e reflexivos, e em “Ones And Zeros”, que fala sobre como nos sentimos confusos com o estado em que nos encontramos, que o piano, no modo quase sinfônico como é utilizado, ganha verdadeira potência emocional, junto com a reverberação das guitarras, com o densidade ponderada da bateria e com a orquestração de cordas, utilizada na última faixa. A melodia e o andamento calculado das duas canções são os típicos da banda, mas é justamente pisando neste terreno seguro que o Thirteen Senses atinge o seu ápice no novo disco.
A banda nao escapou de sofrer algumas críticas com este novo álbum, como os comentários de que suas ousadias foram tímidas, e não superaram a similaridade com o trabalho anterior e com o estilo consagrado, e já meio desgastado, de bandas mais famosas – como Keane e Coldplay. Não se pode dizer que esta crítica é desarazoada, visto que esse é o caminho que está sendo trilhado por algumas bandas do indie rock – o tã-dã-dã-dã-dã-dã característico das pancadas no piano é prova instântanea disso. No entanto, mesmo que se considere o trabalho da banda como repetição de uma fórmula de sucesso, isso não desmerece o apuro da performance do grupo ao encarnar o estilo, e a manutenção da identidade da banda, paralelamente.
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Dolores O’Riordan – Are You Listening? [download: mp3]

Dolores O'Riordan - Are You Listening?Enquanto o The Cranberries encara uma pausa, declarada em 2003, alguns membros do grupo levam a frente seus empreendimentos solo. Noel Hogan está trabalhando no seu projeto, entitulado de Mono Band, mas é a vocalista do grupo que já está com o seu próprio trabalho engatilhado, pronto para ser lançado.
O seu primeiro disco solo, Are You Listening?, mantém sutis similaridades com o The Cranberries – impressão alimentada, talvez, pelos vocais inconfundíveis de Dolores O’Riordan -, porém as canções dela tem um uso muito mais ostensivo de guitarras nas melodias. A título de comparação, não seria um crime muito grande dizer que Are You Listening? soa como um To The Faithful Departed com aroma rock mais intenso e vibrante. Nesse clima mais trepidante estão as faixas “Stay With Me”, sobre alguém que implora para não ser abandonado, e “In The Garden”, sobre uma mulher que, ao olhar sua filha, diz já ter sido feliz um dia, ambas com uma mesma estrutura melódica, sucedendo momentos mais delicados onde, além do teclado discreto ao fundo, há a utilização de violão – no caso da primeira – ou piano – na segunda -, com outros repletos de energia e fúria, com acordes densos e graves de guitarra, golpes fortes na bateria e vocais onde Dolores usa a já conhecida extensão de sua voz, sem qualquer economia no volume de seus brados. Apesar de serem boas canções, elas tornam-se um pouco enjoativas, muito devido ao estilo próprio de composição de Dolores, que tem o costume de escrever poucos e curtos versos, repetidos inúmeras vezes no refrão.
Já nas baladas e canções com assinatura mais pop, Dolores sempre teve mais eficência na composição. A mais bonita do álbum é a última faixa: “Ecstasy”, canção de amor com as lamúrias e promessas de amor clássicas, tem instrumentação das mais tradicionais – guitarra, baixo, teclado e bateria -, mas e com o uso dela que Dolores obtém uma melodia sossegada e muito tocante. “Ordinary Day” e “Angel Fire”, ambas com letras sobre alguém mostrando a intensidade e extensão de sua paixão para quem ama, são baladas igualmente tranquilas, em cujas melodias a instrumentação de guitarra e bateria surge mais pacata, em conformidade com o uso mais aplicado da programação no teclado e com o vocal mais ao sabor do utilizado pela cantora na banda onde ganhou fama. Porém, “Accept Things”, onde Dolores fala sobre alguém que, aparentemente, finge ser seu amigo, tem momentos ocasionalmente mais eufóricos, já que o violão e teclado serenos e o lirismo do backing vocal, característico da cantora, ganham a companhia de guitarras e bateria de instrumentação mais marcada no refrão, além de um vocal mais encorpado.
Mas a compositora traz também no seu primeiro disco solo alguma faixas que fogem de uma definição clássica. A origem irlandesa de Dolores, por exemplo, é lembrada na harmonia da flauta e do piano de “Human Spirit”, canção com versos mais simples, que falam sobre a condição humana, uma das únicas no disco onde as guitarras não sacodem a melodia e onde um loop discreto de bateria eletrônica é utilizado, além da uso da bateria acústica. E “Black Widow”, feita para o filme “Homem-Aranha 2”, sobre uma mulher que espera, inutilmente, pelo seu amante, tem a sua idiossincrasia na mistura que faz de um piano de acordes graduais, agudos e sucessivos com guitarras rascantes e graves.
Apesar da conhecida beleza do vocal de Dolores, da coloração vivaz que as guitarras concedem às faixas, bem como da sua beleza, o disco sofre com a repetição de temas melódicos, deixando a impressão de que todas as músicas tem a mesma cara, mesmo que isso não corresponda a verdade. Dessa forma, as canções acabam um tanto cansativas depois de algumas audições – um mal que poderia ter sido combatido pela compositora se ousasse um pouco mais nas composições, tentando fugir da homogeneidade algo opaca do álbum.
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OBS: tive a idéia de procurar saber se o álbum de Dolores já estava disponível na web ao me deparar com a postagem do vídeo de “Ordinay Day” no single white male. Quem quiser ler o post que me inspirou basta acessa-lo aqui.

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005