Single do segundo álbum a ser lançado em conjunto por PJ Harvey e seu amigo e colaborador ocasional John Parish no próximo dia 31 de Março, “Black Hearted Love” detém uma beleza rockeira absoluta. Sob várias camadas de riffs de guitarra e uma bateria densa, Harvey clama pelo seu amor em versos de paixão enlevada com um vocal que detém a leveza e frescor do ar mais puro, porém com a intensidade e sedução que já lhe são mais do que conhecidos. O vídeo, dirigido pela dupla de irmãos Jake e Dinos Chapman, nomes conhecidos da escola mais controversa da vanguarda da arte européia, explora idéias das letras compostas por PJ ao colocar a artista de pele alva coberta por um vestido de cetim negro e pulando avidamente em uma casa inflável multi-colorida de festas infantis no meio de uma floresta em plena escuridão da noite pontuada por alguns relâmpagos – cenário este que guarda algumas semelhanças com a fantástica arte do disco To the Faifhful Departed, dos irlandeses do The Cranberries. John Parish não participa do curta, mas seu rosto pode ser conferido projetado brevemente sobre as figuras infantis que cobrem a parede inflável no fundo da casa enquanto uma chuva cai insistentemente. A melodia espessa criada pelo músico britânico foi combinada com uma filmagem contrastante, que abusa da câmera lenta em diferentes velocidades e que hora fecha closes no rosto angelical da inglesa, enquanto em outras concede visão mais ampla do cenário idílico e um pouco assustador. Sem dúvidas um delicioso tira-gosto até o lançamento, dentro de alguns dias, do novo álbum da dupla, que sucede Dance Hall at Louse Point, lançado em 1996.
PJ Harvey & John Parish – “Black Hearted Love” (mp3)
PJ Harvey & John Parish – “Black Hearted Love”: Youtube (assista) – download
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E para ilustrar essa música que utiliza como referência a sonoridade de uma época cuja estética foi e é tão explorada, foram feitos dois vídeos que tomam caminhos bem distintos. Para o fotógrafo e diretor francês que atende pelo pseudônimo Danakil, “Antibodies” serviu como inspiração para abordar uma narrativa abstrata, onde uma aeromoça nua em um quarto de hotel de aeroporto lida com o dilema de sua gravidez enquanto tateia languidamente um peixinho ornamental e brinca com as sensações provocadas por uma agulha. Enquanto isso, lá fora, uma bolha de sabão de enormes proporções vagueia sem rumo pelo aeroporto vazio. A despeito do peixinho sem fôlego, que é mesmo uma maldade, o vídeo é de uma imensa beleza plástica, tudo graças a linda modelo que empresta-se ao papel da aeromoça e a fotografia de Danakil, que confere muita classe ao filme.
Já para a também fotógrafa Maria Ziegelböck, austríaca radicada na França, as referências musicais contidas na melodia pulsaram mais forte: o vídeo por ela preparado é um compêndio de sequências com anônimos deixando seus corpos serem levados pelo ritmo saboroso da canção em uma pista iluminada por alguns spots de luz. Sem dúvidas que lembra a icônica sequência de “Flashdance”, mas isso não reduz as qualidades desta versão, muito bem filmada e editada.
Vincent é um garoto de 7 anos como qualquer outro, a não ser pelo fato de que, ao invés de adorar contos-de-fadas ele tem fascinação por Edgar Allan Poe e no lugar de fantasias sobre soldados e super-heróis, nelas ele imagina ser Vincent Price, o ator famoso por conta de seus filmes clássicos de terror. Este curta-metragem, produzido em 1982, em apenas 6 minutos faz um compêndio do tudo o que inspira e define o estilo gótico de seu criador, Tim Burton: a técnica utilizada é a stop-motion, que foi adotada por ele em dois outros longa-metragens; ao invés de cores, a cenografia é em um preto e branco que realça o estilo dark da animação, como feito mais tarde em “Ed Wood”; Edgar Allan Poe, obsessão do garoto que protagoniza o filme, é também um dos escritores com o qual o estilo do diretor mais se assemelha e, finalmente, Vincent Price não apenas é o narrador do poema que acompanha a animação, mas o ídolo confesso de Burton, a quem ele convidaria para participar de um de seus filmes mais emblemáticos, “Edward Mãos de Tesoura”. Assista ao divertido curta-metragem
O prestigiado diretor Nicolai Fuglsig dá mais um show de inventividade na peça publicitária encomendada para a rede de lojas norte-americanas JC Penney: usando efeitos especiais e trucagens tradicionais, que nada de digital teriam, o diretor dinamarquês fez um clipe divertidíssimo, onde as coisas mais cotidianas ganham um toque fora do comum. A canção escolhida para servir de trilha, “Music Box”, da cantora e compositora Regina Spektor, é mais um sinal da apurada sensibilidade pop de Fuglsig, famoso por unir seus delírios visuais com a música ideal. Assista via
O curta-metragem “Tir Nan Og” faz, de modo poético e extramente emocionante, uma metáfora sobre a morte e o adeus aqueles que amamos. O filme, com visual arrojado que faz uma mistura primorosa de animação tradicional e digital, foi o trabalho de conclusão dos estudos do diretor francês Fursy Teyssier, e demonstra que o seu enorme talento poderia ser aproveitado em aventuras ainda mais ambiciosas. A trilha sonora merece destaque à parte: a canção utilizada com trilha do filme é a espetacularmente bela e delicada de “The Slow Wait”, da dupla de música experimental americana The American Dollar. Infelizmente, não consegui encontrá-la disponível em mp3. Mas fica aqui o filme, via
Um homem, inerte em sua rotina algo insípida, é um dia surpreendido pela companhia de um ser estranho, de feições humanóides, mas composto de cilindros de concreto. A partir de então, onde quer que esteja, aquela entidade o acompanha incansável e inexpressivamente. Logo ele descobre que não parece ser o único a carregar esse “fantasma” – outras pessoas igualmente carregam os seus, todas entidades diferentes entre si.