Influenciado pelo seu estado de espírito após o término com sua então noiva, Beck mudou a percepção pública de sua música ao lançar Sea Change em 2002, um álbum introspectivo e melancólico que conquistou fãs e público com suas composições de base acústica com uso de harmonias orquestrais. O artista voltou a revisitar o estilo em 2014 ao produzir ele mesmo Morning Phase, posicionando-o como sucessor espiritual do disco Sea Change ao ponto de buscar grande parte dos músicos que trabalharam nas gravações em 2002.

Passados doze anos, e contando com a mesma equipe e com o retorno do produtor Nigel Godrich (que não participou do disco de 2014), o americano foi mais uma vez tomado pelo espírito criativo com o qual concebeu os dois discos anteriores: seu novo single, “Ride Lonesome”, compartilha ainda mais a atmosfera de vulnerabilidade emocional de 2002 do que Morning Phase, trazendo o mesmo clima country/folk através de um violão consternado, bateria de toques lentos, guitarra melódica triste e vocais sobrepostos, abatidos e distantes.
O videoclipe da canção, gravado na região do deserto de Mojave e exibindo uma fotografia em matizes amareladas, utiliza como inspiração a atmosfera de vastidão e solidão de faroestes americanos como os de Budd Boetticher, cujo filme de 1959, Ride Lonesome, inspirou o nome do single. Entre campos de turbinas eólicas, árvores de Joshua, longas estradas e linhas de trem infinitas, o cantor caminha aparentemente sem destino, refletindo o estado de desolação e falta de rumo do homem que nas letras lamenta o fim do seu relacionamento. Como se observa nesta canção, felizmente o estado de espírito do personagem é oposto ao do compositor e cantor americano, que mostra nesse single ter ainda disposição criativa de sobra.
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