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Tag: rock alternativo americano

Spoon – “Chateau Blues” / “Guess I’m Fallin In Love” (single) [download: mp3]

spoon - chateau blues (single)

Spoon, a produtiva banda americana que já foi resenhada por aqui em 2010 (faz tempo!) com o disco Transference, está preparando um novo álbum e liberou na terça-feira como single duas faixas das sessões em estúdio. Sempre fiel a suas raízes no rock alternativo e indie, as faixas mantém a ambiência rock polida, ainda que preservem o aspecto de espontaneidade, muito graças à rebeldia vocal de Britt Daniel. Em “Chateau Blues”, a aspereza das guitarras e a energia sincopada da bateria não dão descanso, refletindo o tom imediatista das letras: “senhor, me ouça, parei o carro aqui na rua, venha logo e entre, onde quer ir agora?”. “Guess I’m Fallin In Love”, a segunda faixa, chega também com intensidade semelhante na cadência ritmada da bateria, mas as guitarras com riffs mais melódicos e a acústica do violão na ponte harmônica adocicam discretamente a música na qual o cantor recria livremente o conto de Sherazade sob o ponto de vista do rei Shariar, famosa história de “As Mil e Uma Noites”.

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Spoon – “Chateau Blues” / “Guess I’m Fallin In Love” (single) [mp3]

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Sharon Van Etten & The Attachment Theory [download: mp3]

sharon van etten and the attachment theory 2025

Ao longo de todos os anos de sua carreira, mesmo acompanhada de uma banda de apoio, a americana Sharon Van Etten sempre encarou seus esforços musicais de modo isolado de sua banda, assumindo a autoria de todos os discos ao lado de seus respectivos produtores. Em 2025, porém, isso mudou: em seu novo álbum liberado há poucas semanas, Sharon quebra esta tradição e credita sua banda, chamada The Attachment Theory, como sua parceira criativa.
Isso, no entanto, não mudou certas aspirações artísticas que a artista vem carregando consigo. Sharon continua bebendo em fontes sólidas do rock alternativo, particularmente o sutil experimentalismo eletrônico de PJ Harvey na virada do milênio. É o que podemos observar na canção de abertura, “Live Forever”, onde Sharon, acompanhando uma hipnótica harmonia de sintetizações sob uma bateria sincopada, entrega-se em um fervor quase religioso, repetidamente se indagando “who wants to live forever?” como um mantra cujo significado tenta penosamente alcançar. Influências do trabalho da britânica também podem ser observadas na faixa seguinte, “Afterlife”, escrita em homenagem a um jovem amigo falecido: buscando confortar seu sofrimento, a cantora suplica “tell me I’ll be fine doin’ what I like” em um canto emocionado sobre uma bateria ritmada e camadas de sintetizadores luminosos. Mais a frente no disco, uma inquietação sonora ainda maior pode ser observada na vibrante “Southern Life (What It Must Be Like)”, onde bateria, baixo, guitarras e programação de sintetizadores comungam com o vocal carregado de constrição monocórdica para elevarem-se em um delírio synth-rock espiralante. Em contraste, “Fading Beauty” apresenta uma melodia marcada por um contínuo pulso intangível e instrumentação esparsa sobre a qual o falsete entorpecido de Van Etten canta digressões sobre a beleza e efemeridade da vida.
Há, contudo, momentos no disco nos quais podemos reparar referências mais distantes. Nisto se encaixam “Trouble”, cuja melodia narcoléptica traz no compasso volátil da bateria e nos acordes lânguidos do baixo o odor inconfundível do goth-rock oitentista, e “Idiot Box”, que com seu crescendo nos riffs consistentes na guitarra e na bateria em adensamento melódico manifesta aspirações da encarnação de uma Cat Power possuída pelo espírito do New Wave – uma composição tão peculiar que definitivamente merece ser apreciada.

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Liily – I Can Fool Anybody In This Town (EP) [download: mp3]

No EP de estréia I Can Fool Anybody In This Town, os cinco jovens de Los Angeles que formam a banda Liily deixam claro que bastam bateria, baixo e guitarra para fabricar melodias arrebatadoras, como “Toro”, que abre o disco disparando um refrão grudento no qual o instrumental explode em uma orgia sonora, e “The Weather”, onde o vocal, as supressões instrumentais, os acordes sinuosos e cortantes de guitarra e a bateria encorpada e possante sopram um vento, assim, Arctic Monkeys.

liily – i can fool anybody in this town (ep, 2019) post 01
Liily usa no EP de estréia a instrumentação clássica do rock para produzir seu som enérgico e gritante

E por falar na banda britânica, “Sepulveda Basin”, além de ser um respiro momentâneo da tônica acelerada do disco, poderia facilmente emplacar sua bateria, baixo e guitarras graciosas em Humbug, o disco que marcou a guinada sonora dos jovens ingleses para um rock mais melódico. “I Can Fool Anybody In This Town”, faixa título do disco, tem como destaque a parceria entre guitarra e bateria em um compasso curto e vívido, ao contrário de “Nine”, que mantém a aceleração, mas reflete na melodia a mesma aflição de versos como “what if I can’t bleed when I cut with your razor?”. A banda conclui o EP com o vocal rascante, a guitarra afiada e a bateria intensa de “Sold”, uma faixa vibrante na qual a banda demonstra que, mesmo ainda sendo novata na abarrotado cenário do indie e do rock alternativo, possui toda a auto-confiança das veteranas.

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Liily – I Can Fool Anybody In This Town (EP) [mp3]

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Karen O & Danger Mouse – Lux Prima [download: mp3]

Karen O, vocalista da banda Yeah Yeah Yeahs é uma daquelas artistas inquietas que necessita de vez em quando colocar seu barco a navegar por oceanos que não o seu, e entre um álbum ou outro de sua banda, Karen já lançou um disco solo e compôs músicas para filmes e até mesmo um game (Rise of the Tomb Raider). No recém-lançado Lux Prima, Karen tem companhia para guiar seu barco nesta nova empreitada: o produtor musical Danger Mouse. O álbum que é resultado da parceria está permeado por nostalgia e mistério e uma névoa de coloração cinematográfica suspensa na atmosfera das suas nove canções que navegam no pop, no rock e no trip-hop. A faixa título que abre o disco exibe estas matizes, ilustrando bem a fusão da personalidade musical de ambos os artistas: durante seus mais de nove minutos, uma intro com teclado e vocalizações que vertem psicodelias sobre uma bateria narcotizada encerra-se, dá lugar à uma melodia de bateria, baixo e teclado com gingado elegante sobre a qual Karen desfila seu vocal, e por sua vez é também encerrada e sucedida por um amálgama sonoro de ambas, numa música que não soaria estranha tocando em um cabaret – ou até mesmo em um motel. “Ministry” e “Turn the Light” prosseguem com suavidade, a primeira com vocais e sintetizações etéreas sobre um violão de acordes radiantes, numa ambiência de delírio e fantasia, enquanto a última investe na requebrado sensual do baixo como base para o vocal e sintetizações charmosas e românticas. “Woman” e “Redeemer”, as duas faixas seguintes, optam por se desfazer das sutilezas em troca de uma sonoridade que suscita as trilhas sonoras selecionadas a dedo por Quentin Tarantino para seus longas-metragens: “Woman” com bateria, guitarra e vocal acelerados e ferinos, “Redeemer” com bateria bem compassada e guitarra e teclado cheios de malícia musical. Tirando o pé do acelerador, “Drown” insere ocasionais orquestrações de cordas e metais e um teclado adocicado em meio ao andamento manso da bateria enquanto o vocal de Karen é submerso em um filtro aquoso – referência clara ao título da faixa. Quase no fim do disco, surge algo de genuinamente Yeah Yeah Yeahs em “Leopard’s Tongue”, e isso se deve muito provavelmente ao refrão da canção, que cairia bem em algum canto de Show Your Bones ou It’s Blitz, e mesmo a cadência firme e ligeira da bateria e baixo não soaria completamente estranha na acervo melódico da banda de Karen O. A penúltima faixa do disco, “Reveries”, parece continuar aproveitando referências ao trabalho da cantora, já que a crueza sonora da base de vocal e violão descende diretamente de “Crush Songs”, disco solo de Karen, mas a sobreposição desta base por uma sequência de nuances celestiais, com direito a coro e orquestração de cordas, faria certamente a faixa destoar muito do conjunto daquele álbum. Última faixa do disco, a idiossincrática, “Nox Lumina” parece pairar no ar com suas reminiscências à trilhas antigas de western clássicos italianos compostas por Ennio Morricone, recedendo ao fim para recuperar a intro psicodélica que abriu o álbum, ao mesmo tempo encerrando e retornando ao início da lisérgica jornada sonora dos dois músicos norte-americanos, cuja idéia surgiu lá em 2008, quando Karen, em plena embriaguez, fez um telefonema para Danger Mouse. Não que isso seja ruim, pelo contrário, mas tendo ouvido o disco já diversas vezes, tenho a impressão que a artista jamais tenha se refeito daquele porre.

Baixe: Karen O & Danger Mouse – Lux Prima [mp3]

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My Brightest Diamond – A Million and One [download: mp3]

Shara Nova, também conhecida como My Brightest Diamond, vem desde o seu primeiro disco flertando com matizes eletrônicas: seus dois primeiros álbuns foram completamente remixados, faixa a faixa, por vários DJs bastante conhecidos (Tear It Down e Shark Remixes, respectivamente). Por essa razão, não é nenhuma surpresa que Shara tenha finalmente decidido inserir as referências mais diretamente em suas composições. Em A Million and One, seu mais recente lançamento, Shara não tem temores de meter a mão nas sonoridades mais vibrantes para dar à luz faixas bastante cintilantes, como o single “Champagne”, com uma programação hipnótica e recheado de vocalizações que “pegam” nos ouvidos na primeira audição, contando também com uma breve aparição de alguns arfantes acordes da guitarra característica de Shara. Em “Supernova” a artista também se refestela no eletronismo, abusando do vocal “sampleado”, beats encadeados e vocais de fundo adocicados. E “White Noise”, que fecha o disco, alterna uma cadência mais sintética e “suja”, com beat e ruídos concebidos na mesa de programação, com outra baseada em um baixo insinuantemente gingado e floreios vocais perpassados por diferentes filtros.
Apesar da forte carga eletrônica destas faixas, porém, não é possível dizer que com A Million and One a cantora pisa com ambos os pés firmemente na pista de dança, como o fazem pensar os títulos das duas primeiras faixas, “It’s Me on the Dance Floor”, onde guitarras, baixos e percussão malemolentes acolchoam o vocal aveludado e quente da cantora norte-americana, e “Rising Star”, concebida sobre uma harmonia de vocais de fundo contínua e bateria e base eletrônica de andamento moderado que suscitam uma atmosfera com algo do hip-hop levemente temperado com rock industrial. Para o bem e para o mal, este é um disco que ainda carrega a personalidade musical da cantora, particularmente de suas últimas produções, onde Shara flertou não só com sonoridades sintéticas, mas com o experimental, a ponto de algumas vezes soar quase cacofônica e atonal. Assim é “Sway”, uma “jam session” cansativa com percussão e vocal soturnos que só é iluminada pela interferência eventual da guitarra, e em menor grau “You Wanna See My Teeth”, menos apática com sua música elaborada, onde camadas de vocais cascateantes serpenteiam sobre a ansiedade sonora de sintetizações, guitarras, percussão e bateria que em grande parte silenciam-se ao final, dando lugar à uma sonoridade etérea e reflexiva. Porém, é com a simplicidade da contemplativa faixa seguinte que a artista atinge o balanceamento ideal do experimento a que se propôs neste disco: com vocal amargurado e melancólico selando o espaço entre ruídos e silêncios do órgão, Shara capta aquela singularidade sonora única de Björk no clássico Homogenic, fabricando uma sutil e elegante balada que rola facilmente ouvidos adentro. E é o contraste desta com outras faixas do disco que faz notar que, assim como a artista islandesa hoje, é por Shara optar muito mais pela forma do que pelo conteúdo melódico que A Million and One acaba perdendo grande parte do seu impacto sonoro – tivesse Shara abraçado com mais ardor e sem hesitação a sua faceta pop em todo o álbum e este certamente figuraria entre os melhores de sua carreira.

Baixe: https://drive.google.com/file/d/1Mhi9Ugxs6uxVO3QkjTmgMR3_n1xlJ_6C/view?usp=sharing

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Natalie Prass & Among Savages – “When I Am Alone” (single) [download: mp3]

Colaboração entre os músicos de Nashville Natalie Prass e Peter Barbee, mais conhecido pela alcunha Among Savages, “When I Am Alone” é, segundo a dupla, uma entre cerca de dez canções compostas pelos dois artistas num período de duas semanas há um ano atrás. Com uma base simples de bateria e guitarra de toques bem marcados e intervenções eletrônicas suficientes apenas para incrementar a atmosfera dark, a melodia marcada por silêncios concede espaço generoso para que Natalie explore com um vocal doce, melancólico e sutilmente sensual os versos que tratam, segundo a própria, dos temores e companhias imaginárias da infância de muitas pessoas – em outras palavras, dos amigos imaginários que algumas crianças tinham como companhia constante – por azar ou felicidade. Depois de ouvir essa faixa tão inspirada, resta saber se a dupla vai reunir o súbito surto criativo em um álbum – se as outras faixas tiverem a atmosfera e qualidade desta, torço para que isso aconteça logo.

baixe: http://www.mediafire.com/?22vyu9bpb8yjgi6

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005