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Categoria: musica

críticas e comentários sobre álbuns musicais, singles e similares com download disponível

Tori Amos – “Growin’ Up” (single) [download: mp3]

tori amos - growin up (single, 2025)

Com o anúncio do relançamento de uma versão expandida de Strange Little Girls, o disco de covers lançado em 2001, Tori Amos disponibilizou há poucas horas um pequeno aperitivo para os fãs: o single “Growin’ Up”, canção originalmente lançada por Bruce Springsteen em 1973, será uma das 4 faixas extras incluídas na nova versão do álbum – que também incluirá a faixa inédita “Hoover Factory”, de Elvis Costello. No cover de Amos, a bateria de Matt Chamberlain soa lépida e faceira, construindo volteios com uma destreza que claramente inspirou Tori a dedilhar o seu piano Bösendorfer com genuíno entusiasmo. O vocal da cantora também foi contagiado pelo ritmo lúdico da melodia, e surge tomado por um frescor e vitalidade que não se encontram presentes na maior parte das composições que a cantora vem lançando há mais de uma década – é uma demonstração indiscutível de toda a impetuosidade, energia e vigor que a pianista americana foi deixando pelo caminho ao longo dos anos, lamentavelmente.

Baixe: Tori Amos – “Growin’ Up” (single) [mp3]

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Telenova – Vapor/Slow Dance (EP) [download: mp3]

telenova - vapor/slow dance (ep, 2025)

Com seu segundo álbum (The Warning) agendado para o final de fevereiro de 2026, o trio australiano Telenova, nascido em um workshop musical co-organizado pelo ex-Death Cab for Cutie Chris Walla, liberou esta semana um generoso EP com cinco canções que dão uma prévia do lançamento. Contando com a inventividade dos multi-instrumentalistas Joshua Moriarty e Edward Quinn, o EP traz faixas recheadas com o indie pop apurado e elegante que a banda vem aprimorando, como em “Mountain Lion/Adore”, que dá bastante espaço para o vocal de Angeline Armstrong e vai sobrepondo harmonias de guitarra, baixo, bateria e sintetizações em um compasso vertiginoso que tem tanto algo de Tennis quanto de JJAMZ (banda de um disco só que passou aqui pelo sete ventos), “Bitcrush”, que logo após a intro onde surge uma rarefeita Angeline com reminiscências do downtempo de bandas como Morcheeba, lança o ouvinte em um ruidoso refrão com bateria e sintetizações caleidoscópicas, e “The Deep”, introduzida e pontuada por um synth ondulante e conduzida por uma bateria fortemente sincopada, entrega no refrão uma cadência uptempo intoxicante para que Angeline incorpore de modo genuíno versos que tratam de estados conflitantes de submissão e libertação emocional: “sozinha na sua casa, onde caio aos seus pés, sigo suas palavras até a beira do abismo, choro ao ver o amanhecer”.
O trio, porém, não se contenta em limitar suas composições aos domínios do synth e dream pop, e em duas faixas se aventura a sair caminhando por outros terrenos: enquanto “Vapor/Slow Dance” traz percussão e synths compondo uma vaga ambientação jazzística onde guitarra, bateria e drum machine somam-se em uma atmosfera lenta e vaporosa onde o vocal etéreo e distante de Armstrong adere harmoniosamente, “Paralysis Ghosts” envereda por uma melodia de sensualidade sutil e contemplativa, onde o baixo e a guitarra de riffs bem marcados flertam com o rock alternativo de bandas como Howling Bells para que Angeline, com doçura, dê voz nas letras a um astronauta, que ao sentir-se tão só no desconhecido, deseja lançar-se na atmosfera para reencontrar a terra e as pessoas que conhece. Nada mal para um trio que se conheceu por acaso em um workshop, de onde — como de todos os outros — você não espera que saia nada útil.

Baixe: Telenova – Vapor/Slow Dance (EP) [mp3]

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Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single) [download: mp3]

tori amos - spark [part 2] [uk] (single) 1998

Lançado em 1998 por Tori Amos, from the choirgirl hotel foi o primeiro disco onde foram observados sinais de mudança na música da cantora americana que hoje em dia, para fãs de décadas como eu, contrasta com a produção dos seus 3 primeiros discos a ponto de ser uma artista quase completamente diferente. Ao mesmo tempo, esse quarto disco ainda preservou hábitos que a artista sustentou desde o início da carreira, como o lançamento de vários singles contendo B-sides tão preciosos quanto as faixas selecionadas para integrar o disco. Um deles foi o da canção “Spark”, tendo uma versão exclusiva disponibilizada no Reino Unido contendo um cover e também um dos B-sides mais “míticos” da carreira de Tori. “Spark”, a faixa que também abre o disco do qual é derivada, inicia com acordes metálicos de uma guitarra dissonante e uma bateria de cadência espaçada, compondo a textura soturna e um tanto claustrofóbica que permeia o disco de origem, mas na chegada do refrão ambos são adocicados com o canto e o piano melancólicos que extravasam no “outro” melódico da canção em um frenesi sonoro que metaforicamente retratava o estado emocional da cantora no período que sofreu um aborto espontâneo. Na faixa seguinte, um cover demoníaco de “Do It Again”, de Steely Dan, onde a bateria em compasso marcado prepara o palco para que Tori Amos passeie com desenvoltura com seu vocal e seu piano, temos uma das últimas demonstrações genuínas da furiosa energia e capacidade de improvisação que eram sinônimos da cantora americana até então, mas que infelizmente Tori foi abandonando aos poucos com o passar do anos. O single se encerra com uma das baladas mais adoradas pelos fãs de Tori: em “Cooling”, com nada além de sua voz meiga e seu inseparável piano Bösendorfer, a cantora americana demonstrou a incrível habilidade de compor baladas doces onde sua emoção fluía sem qualquer tipo de contenção, como as correntes de um rio desaguando no oceano – um clássico inesquecível de seu catálogo.

Baixe: Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single) [mp3]

Ouça: Tori Amos – Spark [Part 2] [UK] (single)

1. “Spark”

2. “Do It Again”

3. “Cooling”

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Camille O’Sullivan – Changeling [download: mp3]

camille o'sullivan - changeling (2012)

No passado, o hábito de clicar em algum vídeo ou disco de algum artista que desconhecia me proporcionou o deleite de descobrir bandas e artistas que hoje são realmente populares, como Muse e Florence + The Machine, e gente que até hoje só é popular nos círculos mais descolados, como My Brightest Diamond, Woodkid, Frida Hyvonen e Joan As Police Woman. Apesar de que tem se tornado cada vez menos frequente me agradar ao clicar em algo de um artista que desconheço, a expectativa persiste e por isso preservo esse hábito, que por sorte recentemente me rendeu a feliz descoberta do belíssimo disco da dupla neozelandesa Luckless. Porém, esse não foi o único disco que descobri este ano e me agradou.
Camille O’Sullivan, inglesa de nascença e irlandesa de criação, produz concertos onde recria composições de artistas e bandas que admira. Sua tônica é lançar discos ao vivo de suas apresentações no palco, mas ela já gravou um par de discos de estúdio – entre eles está Changeling, lançado em 2012, onde recria algumas músicas conhecidas (e outras nem tanto) de artistas e bandas que admira, mas também dá voz à um par de composições inéditas. Com experiência como atriz, notadamente o maior atributo de Camille é mesmo a capacidade de usar seus dotes interpretativos para incutir emoção nas canções que escolhe recriar, e isso fica aparente já na faixa que abre o disco, “Revelator”, que é introduzida por um piano lento, mas repleto de expectativa, e cresce com a bateria, guitarra e sopro para uma harmonia marcial que corresponde ao ressentimento que Camille expressa no vocal, diferindo radicalmente do tom contemplativo do country-folk da versão original da americana Gillian Welch. Também contrastante é o cover de “Wake Up”, do Arcade Fire: ao invés da melodia grandiosa e efusiva dos canadenses, Camille abre espaço para que os instrumentos surjam com delicadeza, preenchendo aos poucos a atmosfera com a melodia graciosa do piano e da orquestração de cordas e amplificando o escopo emocional da canção através do seu canto profundamente emotivo sobre o alerta de um adulto, que ao sentir a proximidade do fim da vida, clama para que crianças aproveitem sua juventude. Em “Hurt” e “Nude” a britânica também ostenta sua habilidade interpretativa: na canção do Nine Inch Nails que foi famosamente “reapropriada” por Johnny Cash, apesar da melodia de início resignada, Camille enleva seu vocal em um crescendo onde acolhe suas dores e reivindica sua autonomia; na segunda, da banda Radiohead, a cantora preserva a melancolia da versão da banda britânica, mas através do seu vocal e das várias camadas de guitarras distorcidas, mergulha a canção em um tom de aflição. É porém em atmosfera completamente oposta, no segundo cover do Radiohead no disco, que Camille estampa toda sua perícia em expressar emoção: em uma melodia que preserva a ternura e quietude da versão original, com não mais do que violão, guitarra, percussão e piano de sonoridades calmas, a artista britânica consegue exprimir toda a devoção amorosa das letras de “True Love Waits” sem nunca levantar a sua voz, inteiramente mantida em um tom doce e sereno, como numa canção de ninar.
Mas se engana quem pensa que o disco é feito só de canções serenas e emotivas: mesmo com um pouco mais de comedimento devido a ausência do piano virtuoso do original de David Bowie, “Lady of Grinning Soul” mantém a atmosfera de gracejo pelo vocal em tom petulante e as camadas de guitarra distorcida que tomam a canção na sua parte final, e “It Just Won’t Do” vai adiante na galhofa com seu clima de “big band” se apresentando no palco de um cabaret. Mas certamente é a música “These Days”, escrita para a artista por Gary Lightbody que se encontre o ponto mais acessível do disco para o público, já que a harmonia obedece a cartilha de uma power ballad, com bateria e guitarras mais proeminentes acompanhando o vocal determinado em uma competente atmosfera pop/rock – algo característico do líder da banda Snow Patrol.
Contudo, Camille sabe que seu trabalho se diferencia por agregar uma maior carga emotiva em seus covers, e é por isso que o disco fecha com duas canções que voltam a investir nesse recurso: a penúltima faixa traz um cover de “Dark Roman Wine” do Snow Patrol, com vocal confiante em uma melodia madrigal onde violão, piano e bateria crescem vagarosamente com instrumentos de sopro para um apogeu solar elegante que subtrai um pouco da pieguice da versão original; já em “The Ship Song” a artista despe a balada grandiosa de Nick Cave em puro vocal e piano, expandindo ainda mais o horizonte emocional da canção que compara os apaixonados como caravelas que deixam tudo pra trás para em uma imprevisível, mas também imprescindível viagem – como esse belo disco de Camille O’Sullivan.

Baixe:
Camille O’Sullivan – Changeling [mp3]

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Vanessa Carlton – “Animal” (single) [download: mp3]

Vanessa Carlton - Animal (single, 2025)

Quando Vanessa Carlton lançou o seu hit pegajoso “A Thousand Miles” em 2002, com apenas 21 anos, não deve ter imaginado que poucos anos depois, devido a uma cena com o ator Terry Crews na comédia de 2004 “As Branquelas”, se tornaria parte integral de um meme que figura como um clássico da internet, com incontáveis variações (como gamer, acho que esta aqui esta entre as melhores). Também não deve ter previsto o quanto a canção, já um tanto enjoativa em seu estado natural de power ballad açucarada, se tornaria ainda mais cansativa quando o meme (e por consequência a canção) acabou recentemente transmutado no mote publicitário das liquidações mensais de uma das maiores varejistas online do mundo, a Shopee, sendo interminavelmente veiculado em plataformas de vídeo como o Youtube. É certo que a artista não deve estar exatamente chateada por estar embolsando generosas quantias pelo uso ostensivo da canção no mundo todo pela empresa sul-coreana, mas o fato é que o estigma de cantorinha romântica fofa e bonitinha, que já existia, se aprofundou. A americana deve estar ciente do fato há muito tempo, pois mesmo antes da sacada publicitária da Shopee, Vanessa vem tentando se distanciar dessa imagem. Em seus últimos discos ela pouco lembra ser aquela mesma moça que ao vinte e tantos anos sentava ao piano para tocar melodias óbvias e emprestar sua voz doce à perspectivas juvenis: a americana, hoje com 42 anos, tem investindo em harmonias mais elaboradas, vem usando seu vocal de modo menos trivial e até colocou o piano em segundo plano para tirar proveito de instrumentação mais variada. Esse objetivo continua de pé com o lançamento, na segunda passada, do single “Animal”, primeira canção liberada do seu próximo disco, Veils. Sobre piano soturno e beat hipnótico contínuo de uma drum machine, surgem sopros fugazes de synths intencionalmente “vintage” enquanto Vanessa mais recita do que canta os versos que falam sobre encontrar o animal dentro de si e descobrir se você é a presa ou o caçador, e quando rende-se a este animal metafórico é que a canção ganha amplitude, com a entrada de uma reverberante bateria e a harmonia refinada de instrumentos de sopro. Esse conjunto musical tem uma elegância que suscita nuances de darkwave e trip-hop, mas todo esse requinte melódico tem um preço: certamente não veremos essa canção de Vanessa como trilha sonora de liquidações na Temu.

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Vanessa Carlton – “Animal” (single) [mp3]

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Ronboy – “Forget It” (single) [download: mp3]

ronboy - forget it (single) 2022

Julia Laws, mais conhecida pelo codinome Ronboy, artista originária da costa oeste americana, confessou em entrevistas recentes ter descoberto a satisfação de criar música de forma colaborativa, e tem o feito com artistas mais conhecidos e populares que ela, como Matt Berninger, vocalista da banda The Nationals. No entanto, a maior parte do seu catálogo musical até o momento é fruto genuíno do que se convenciona chamar de “indie”: foi praticamente quase todo escrito e produzido exclusivamente por ela (até mesmo de modo caseiro) e distribuído sem o suporte de um selo ou gravadora. É o caso de “Forget It”, single lançado em 2022: iniciado com um beat manso e espaçado sob teclados nostálgicos e mornos que emolduram o vocal sereno, doce e algo deprimido de Julia em uma atmosfera melancólica volátil, no refrão essa harmonia pacata ganha corpo com synths trovejantes que parecem atravessar o ar, que juntamente a múltiplas camadas vocais, a reverbs e a sintetizações radiantes integra-se em um dream pop que consegue dosar muito bem sobriedade e vigor.

Baixe:
Ronboy – “Forget It” (single) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005