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“Devoradores de Estrelas”, de Christopher Miller e Phil Lord [download: filme]

project hail mary (2026)

Um professor cientista acorda como o único sobrevivente em uma nave espacial viajando por outro sistema solar. Inicialmente sem saber como e por que foi parar ali, aos poucos ele recorda os eventos que revelam a importância de sua missão.
Anunciado com toda a pompa e circunstância no CinemaCon de 2024, “Project Hail Mary” teve anteriormente um leilão disputado por Ryan Gosling estar atrelado à produção e por ser uma adaptação de uma história de Andy Weir, cujo livro “Perdido em Marte” virou um sucesso de crítica e público ao parar nas mãos do cineasta Ridley Scott em 2015. Toda essa expectativa sobre “Devoradores de Estrelas” se confirmou em elogios da crítica e um ótimo desempenho ao ser lançado nas salas de cinema de todo o mundo. Agora, depois de assisti-lo, entendo como o filme foi planejado para esse feito.
Iniciando com o protagonista desorientado e isolado no espaço sideral junto de dois outros membros mortos da missão, “Devoradores de Estrelas” começa intrigando o espectador. Por que ele não recorda de nada? Por qual razão ele está tão longe do nosso sistema solar? Que missão é esta? Quanto tempo já se passou desde a partida da Terra? O que aconteceu com os dois membros da equipe? A atmosfera inicial de mistério e a densidade emocional que envolvem o espectador, porém, vão se desfazendo não apenas porque flashbacks vão elucidando parte destas incógnitas, mas também por serem introduzidas sequências e elementos humorísticos recorrentes no enredo, a ponto de beirar a infantilidade, em detrimento de estabelecer uma maior credibilidade a pontos cruciais da trama. Dentro da narrativa estabelecida no filme, por exemplo, é pouco crível a capacidade do microrganismo de sobreviver no vácuo do espaço sideral cobrindo infindáveis distâncias entre os astros da nossa galáxia. A facilidade e rapidez com as quais Ryland e Rocky conseguem estabelecer comunicação plena, sendo ambos seres de constituição e culturas radicalmente diferentes, também não é nada convincente. Mas isso não parece ter incomodado os diretores Phil Lord e Christopher Miller e o roteirista Drew Goddard, uma vez que eles preferem priorizar sequências dignas dos filmes mais pueris da Sessão da Tarde, em uma tentativa preguiçosa e cansativa de estabelecer empatia com o público.

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Ao longo do filme a dupla de diretores vai deixando a história de lado para apelar para a emoção fácil através dos protagonistas

Porém, não há elemento mais flagrante da tentativa dos diretores e roteiristas de fazerem seu filme cair nas graças da platéia que Rocky. A caracterização da criatura rochosa alienígena como um mascote fofo, engraçadinho e até mesmo descolado é tão ostensiva que chega a ser um tanto ofensiva à inteligência do espectador – ao menos daquele pouco sujeito a artifícios dramáticos óbvios. A partir do momento em que o personagem é introduzido no filme, Lord, Miller e Goddard abandonam de vez qualquer intenção de construir uma trama que equilibre sobriamente entretenimento e densidade argumentativa e apelam sem receios a soluções fáceis, ao sentimentalismo e à pieguice – nem mesmo a competência e o carisma de Ryan Gosling conseguem atenuar a visível perda de profundidade da história.
É compreensível que “Devoradores de Estrelas” prefira se ocupar de tomar atalhos emocionais e narrativos para cair no gosto do público quando você descobre que o currículo da dupla de diretores, responsáveis por animações como “Uma Aventura Lego” e “Tá Chovendo Hambúrguer” e comédias como “Anjos da Lei”, é basicamente composto por produções que realmente não tem como maior preocupação a qualidade argumentativa. Contudo, é curioso que o roteirista Goddard tenha conseguido dosar muito melhor a verossimilhança e o humor na sua primeira adaptação de um livro de Andy Weir, “Perdido em Marte”. Há que considerar, claro, que o próprio enredo deste livro posterior de Weir talvez tinha sido parte do problema, mas acredito que o maior diferencial no filme anterior tenha sido o diretor Ridley Scott, cujo currículo assegura que o público não será ludibriado com um filme trajado de ficção científica, mas que na verdade não passa de um “O Mandaloriano e Grogu” gourmetizado.

Baixe: “Devoradores de Estrelas”, de Christopher Miller e Phil Lord (Project Hail Mary, 2026)
[áudio original, 1080p, mp4]

Legendas/Subtítulos/Subtitles:
português español english

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005