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Tag: rock

Sigur Rós – Takk. [download: mp3]

Sigur Rós - TakkSe o disco Takk, o quarto da banda islandesa Sigur Rós, impressiona até alguém que não se consideraria fã – como eu -, imagine os que se declaram como tal. No primeiro álbum em que a banda admite interpretar as letras da músicas em língua genuinamente islandesa – ao contrário dos outros álbuns, em que o vocalista Jon Por Birgisson declarava cantar usando o que chamou de “Hopelandic”; um islandês primordialmente em tom falsetto – a banda aprimora e potencializa a sua sonoridade. Takk, apesar da notória barreira linguística cativa os ouvintes atráves de sua atmosfera melódica e lúdica, que sugere fábulas, utopias visuais das mais vastas, algo que transcende, através de seu som, qualquer noção individual ou coletiva que nos limita – homem/mulher, nacionalidade, língua. Em uma perfeita simbiose entre melodia e vocal, a banda consegue atravessar o que é puramente físico, corpóreo, e mexer intensamente no que nos constitui emocionalmente – o espírito, a alma, diriam os mais versados. São espcialmente a canções que se constroem em um climáx de crescendo contínuo ou que o fazem de modo cíclico que conseguem despertar tais sensações: impossível escutar as belíssimas faixas “Glosoli”, “Hoppipolla” e “Milano” sem fechar os olhos e se entregar inteiramente àquilo que surte à partir de suas audições: arrepios na espinha, devaneios de imaginação solta, lágrimas impossíveis de se conter. Os mais comedidos – mesmo estes – não vão conseguir controlar a vontade de simular com as mãos o movimento da bateria em tom imperial, os metais épicos ou a orquestra de cordas de um lirismo inconcebível. Sigur Rós já estabeleceu na música pop/rock/alternativa o seu equivalente do tom universalizador da música erudita – e de sua derivante direta, a trilhas sonora. Para toda e qualquer pessoa que ama a música, e sabe parar tudo o que está fazendo para apreciá-la, que é o modo adequado de apreciação de qualquer expressão artística, é uma obra de arte sublime. Entegue-se ao álbum sem medo.
Link para download depois da lista de faixas.

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senha: takktakk

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Tori Amos – Boys for Pele [download: mp3]

tori amos - boys for pele (1996)

Quem achou que Tori Amos tinha chegado ao limite da complexidade tomou um susto com o lançamento de seu terceiro álbum. Neste disco, Tori Amos eleva à enésima potência a complexidade dos primeiros dois álbuns – tanto melódica como liricamente. Se Under the Pink tratava do mundo feminino, Boys for Pele se ocupa de sua contraparte – o homem, sua personalidade e comportamento é que se constituem na linha condutora deste terceiro disco. A motivação para o dissecamento por Tori do “eu” masculino foi o fim de seu relacionamento afetivo com Eric Rosse, que também co-produziu os discos anteriores. É essa a razão de o álbum soar tão passional, como se tivesse sido composto com a cantora divertindo-se ao ver alucinada seu mundo virar de cabeça para baixo, ao mesmo tempo que tenta desesperadamente atingir o seu prumo e encontrar o seu próprio rumo. O resultado é um verdadeiro magma fervente de 18 canções – 19, se contarmos a primeira faixa como duas – de concepção ousadíssima que beira o conceitual e o ineditismo puro: quanto as letras, elas se apresentam tão cifradas que até hoje geram discussões entre os fãs sobre seu verdadeiro significado; quanto à melodia, instrumentos usuais da música popular – como bateria e guitarra – formam uma mistura fabulosamente esdrúxula com instrumentos como cravos e harpas, muitos mais comuns na música erudita. A atmosfera inusitada do trabalho foi reforçada ainda mais pela decisão de gravá-lo inteiramente dentro de uma igreja, o que reforçou também o seu caráter absolutamente profano.
De classificação impossível – por vezes tem raízes jazz, outras no blues, em outros ainda rock, e muitas vezes clássico – este é o trabalho mais inovador de Tori Amos e, ouso dizer, da história do rock. Tanta dedicação da artista em seu trabalho lhe rendeu bons frutos: o álbum lhe consagrou como uma das mais importantes artistas da música mundial e transformou a sua fiel legião de fãs em uma verdadeira horda ávida por novas peripécias musicais da cantora americana.
E só para concluir, uma nota breve sobre o nome do álbum: “Boys for Pele” é uma referência aos sacrifícios de garotos- arremessados garganta do vulcão abaixo – em nome de uma deusa havaiana chamada “Pele”. E Tori, que perde uma província inteira de fãs mas não perde a oportunidade de exercitar a sua elegante ironia, colocou na capa do álbum dois garotos presos dentro de uma cabana enquanto ela mantém a guarda lá fora, munida de um belo rifle de caça e serpentes diversas aguardando o momento do sacrifício.

Baixe: Tori Amos – Boys for Pele [mp3]

Ouça:

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Howie Day – Stop All the World Now. [download: mp3]

Howie Day - Stop All the World NowNão dou qualquer crédito à esta geraçãozinha de músicos “cool” da música internacional. Estou falando destes artistas que cantam com uma voz empostadamente sussurrante – estilo Vera Fischer mesmo – e que se assemelha muita à uma pessoa com a cabeça no travesseiro, acabando de acordar. Para você ter uma idéia mais precisa de qual estilo muscial eu estou me referindo, saiba que os maiores representantes desta geração – que se acha a cereja do sorvete, o último pacote do biscoito, ou seja, o maior acontecimento musical dos últimos tempos – são o asmático John Mayer e a anêmica Norah Jones.
No entanto – sempre tem um porém – conheço há algum tempo um artista que se enquadra nessa categoria e para o qual nunca dei a devida atenção. Voltando meus ouvidos para os mp3 aqui arquivados, devo declarar que é o único que consegue me cativar.
Howie Day, com seu álbum Stop all the world now, apresenta todos os artífícios utilizados por essa geração de artistas Lexotan: o já citado cantar “cool” sussurrante, o piano como instrumento prevalecente, as pés fincados num pop sen arroubos performáticos. Mas Howie cativa por conseguir ser comedido nestas artificialidades e, vez por outra, soltar a voz com mais vontade. Seu pop de sutilezas melódicas satisfaz com a beleza de canções como “You & a Promise”, que tem base agradavelmente sincopada e retrata o momento final de uma relação. “Collide” é a canção mais famosa do disco, um típico single com refrão certinho. Contudo, é a faixa “Come lay down” a música mais bonita do disco: com frases de estímulo de alguém que tenta encorajar seu amor à confiança e seguir em frente, a melodia também surpreende com sua harmonia que se constrói sobre um crescendo absoluto. E é justamente nesta faixa que Howie consegue se libertar mais dos vocais sôfregos, provando que está muito à frente de seus companheiros de profissão mais famosos. Não deixa de ser um atrativo a mais também o fato de que Howie é um tremendo de um gatinho. Tá certo, já estou pensando no bem que deve fazer uma voz suave dessas no uvido quando deitado…
Baixe pelo link a seguir.

1. Brace Yourself
2. Perfect Time Of Day
3. Collide
4. Trouble In Here
5. Sunday Morning Song
6. I’ll Take You On
7. She Says
8. Numbness For Sound
9. You & A Promise
10. End Of Our Days
11. Come Lay Down

http://rapidshare.de/files/5548565/Howie_Day.ZIP.html

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Tori Amos – Under the Pink [download: mp3]

tori amos - under the pink (1994)

Em Under The Pink, como o título já sugere, o condição feminina serviu como mote para a composição do disco. As relações afetivas, os conflitos, o modo da mulher encarar o mundo. Depois do primeiro álbum solo, Tori Amos volta mostrando que tudo o que fez em Little Earthquakes pode ser ainda reelaborado, revertido e recriado, tanto melodicamente quanto liricamente falando. Isso faz o segundo álbum de Tori parecer uma espécie de segmento do primeiro disco, mas com uma exploração ainda mais profunda de tudo que foi abordado antes. Isso não significa perda de qualidade, bem pelo contrário. Do ódio entre mulheres ao ódio à religião, tudo acaba caindo na boca irônica e sarcástica da pianista americana. Arranjos ainda mais elaborados, melodias sofisticadas (tão únicas que até hoje não encontram precedentes no mundo da música) e letras complexas e confessionais continuaram sendo o tom da compositora norte-americana: em “Cornflake Girl” é feita uma crítica mordaz a mãe da “família do comercial de margarina” e “God”, por sua vez, não poupa nem mesmo deus com seus versos irônicos que questionam se o poder divino não precisaria de uma ajuda feminina. Em “Yes, Anastasia”, Tori constrói, sem pressa, uma verdadeira sinfonia, o que constrasta diretamente com alguns momentos da sua letra, que falam sobre atos dos mais ordinários. O confessionalismo é ainda mais impactante neste segundo disco: em “Icicle”, por exemplo, Tori fala sobre o que fazia em seu quarto – intimidades sexuais solitárias, para fazer uso de um eufemismo – enquanto pessoas, sob o comando de seu pai – um reverendo metodista -, oravam inocentemente mais abaixo. São letras como essas, e de todos os seus albuns posteriores, que fazem artistas como Madonna parecerem ingênuos se comparados a ousadia inteligente – e nada vulgar – de Tori Amos. Baixe já o álbum completo e comece a entender porque Tori Amos é o alvo da idolatria mais passionalmente apaixonada do mundo da música.

Baixe: Tori Amos – Under the Pink [mp3]

Ouça:

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Tori Amos – Little Earthquakes [download: mp3]

tori-amos - little earthquakes (1992)

O primeiro álbum solo de Tori Amos é totalmente marcado pela verve confessional, uma das coisas que tornou Tori famosa e que tantas outras celebridades da música copiaram sem dó nem piedade, e muito menos vergonha na cara. Pouco depois de lançar o fracassado álbum Y Kant Tori Read, quando dirigia seu carro para voltar para casa, Tori foi estuprada. O acontecido levou a cantora à meses de depressão e o seu primeiro álbum solo é o retrato da dor e da já famosa ironia da cantora sobre o que sentia. Com algumas músicas já prontas, Tori levou o material que já tinha composto para os executivos da Atlantic Records, que já tinham lhe dado à oportunidade de lançar o fracassado primeiro álbum. No entanto, ao conferirem o que Tori tinha feito, resolveram lhe dar mais uma oportunidade e pediram a ela que fizesse mais canções. Não deu outra: o álbum estourou como um sucesso incontrolável de crítica e público, arrecadando legiões de fãs ensandecidos e fidelíssimos a cantora americana. Little Earthquakes foi um sopro de vida – pedindo licença para parafrasear Clarice Lispector – no início da década de 90: enquanto a cena musical era infestada por bandas alternativo/grunge como Nirvana e Perl Jam, que se grudavam numa guitarra, Tori inundou tudo com suas melodias elaboradíssimas e letras complexas, com referências quase criptografadas à sua vida particular, e uma imensidão de outras coisas – como religião e mitologia -, que até hoje confundem os fãs: canções como “Mother” e “Silent All These Years” são exemplos de letras e melodias rebuscadas, quase sinfônicas. Porém, há também músicas com melodias épicas e retumbantes e letras repletas de sarcasmo e ódio como acontece em “Precious Things” e a faixa-título do disco. Mas é impossível terminar este texto sem citar a música-símbolo do início da carreira de Tori Amos. “Me and a Gun”, melodicamente seca – é cantada “à capella” -, fala com ironia sobre o que passa na cabeça de uma mulher estuprada – antes e depois de ocorrida a violência. Um disco fabuloso e que pode ser considerado a pedra fundamental da inspiração de toda uma geração de cantoras/compositoras – para não falar sobre àquelas que descaradamente clonaram a persona genial de Tori Amos. Não deixe de baixar já esta preciosidade musical.

Baixe: Tori Amos – Little Earthquakes [mp3]

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Placebo – Meds [download: mp3]

Placebo está de volta como o imperdível álbum Meds, a ser lançado no dia 13 de Março desta ano. Tão logo terminei a primeira audição de Meds notei, tardiamente, que não apenas o embasamento melódico do álbum anterior está sendo levado à frente mas percebi também que Sleeping with Ghosts foi na verdade um ponto de partida para a concepção do novo álbum. Isso porque Meds aproveita tanto as novas experiências do álbum de 2003 que o Placebo de 2006 surge com um rock mais plácido e menos visceral do que nos seus três primeiros álbuns. A maior parte das músicas é harmonicamente mais contemplativa, algumas cujas introduções lembram inclusive bandas do fim dos anos 80/início dos 90, como o New Order de então: é o que ocorre na segunda faixa do disco, “Infra-Red”. E há também sonoridades inovadoras como a ambiência techno-rock-mórbida de “Space Monkey”. Com tudo isso, no plano sonoro Meds soa como um dos álbuns mais contraditórios da banda: consegue ser homogêneo ao mesmo tempo que abraça sonoridades tão diversas. Quanto às letras, o Placebo se apresenta nostágico-depressivo como costuma sempre ser, em belíssimos versos que confessam lamentos de utopia amorosa, como em “Pierrot The Clown”. Porém, ainda há espaço para letras que apregoam urgência e rancor, como na abertura do disco, homonimamente intitulada “Meds”, como o próprio disco. E é nessa e em outra faixa do disco – “Broken Promise” – que a banda traz duas participações especiais, respectivamente Alison Mosshart (do The Kills) e Michael Stipe (do R.E.M), para incrementar ainda mais a tessitura complexa deste álbum. É maravilhoso para qualquer fã descobrir que seus ídolos continuam inovadores e criativos, capazes de proezas lírico-sonoras como Meds.

Baixe: Placebo – Meds [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005